Liceu de Artes e Ofícios do Rio de Janeiro

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O Liceu de Artes e Ofícios do Rio de Janeiro é uma escola profissionalizante brasileira de grande tradição, instalada atualmente na Rua Frederico Silva, nº 86, no Rio de Janeiro, Brasil.

Fundação[editar | editar código-fonte]

Foi fundado em 1856 pelo comendador Francisco Joaquim Béthencourt da Silva sob os auspícios da Sociedade Propagadora das Belas Artes, a fim de difundir o ensino das belas-artes aplicadas aos ofícios e à indústria, e voltado especialmente para homens livres da classe operária. As mulheres só foram admitidas em 1881. Além das classes em seu estatuto de fundação já se previa a instalação de uma biblioteca, edição de uma revista e realização de exposições com os trabalhos dos alunos. O Liceu foi a primeira escola brasileira a adotar o ensino noturno.

Matérias ensinadas[editar | editar código-fonte]

Com grande ênfase no desenho de figuras e de ornatos, logo o currículo oferecia aulas de arquitetura naval, português, aritmética, álgebra, geometria, francês, inglês, música, geografia, estatuária e escultura, caligrafia, história das artes e ofícios, estética, mecânica aplicada, física, química inorgânica e orgânica.

Sedes[editar | editar código-fonte]

Ministravam inicialmente 28 professores, todos figuras ilustres, sem remuneração, no prédio do Consistório da Irmandade do Santíssimo Sacramento da antiga , que logo requisitou o espaço, obrigando à mudança do Liceu para a Igreja São Joaquim, onde permaneceu até 1877, com uma interrupção nas atividades entre 1860 e 1863 por falta de verbas. Em 1878 passou a funcionar na antiga sede da Secretaria do Império, ainda com recursos escassos apesar das constantes doações em dinheiro e materiais, fazendo com que as oficinas só entrassem em atividade em 1899.

Entrementes, em 1882 iniciaram as exposições, que só ficavam atrás em importância às da Academia Imperial de Belas Artes.

No mesmo ano foi estabelecido o Curso de Comércio, que seria o único curso regular em sua área até a fundação da Academia de Comércio do Rio de Janeiro em 1902.

Falecendo seu fundador em 1911, assumiu seu filho o doutor Bethencourt Filho, que permaneceu à testa da instituição até 1928. Em sua gestão foram criadas as oficinas gráficas, de douração, encadernação e o ateliê de água-forte. Seu patrimônio cresceu com a incorporação de novos terrenos e a ampliação de seus espaços, transferindo-se para uma área de 5 mil m² na antiga avenida Central.

Professores e alunos[editar | editar código-fonte]

O Liceu foi uma das mais importantes instituições de ensino artístico e profissionalizante no Brasil até a primeira metade do século XX. Contou com mestre ilustres e alunos que se tornaram figuras importantes no cenário nacional.

Dentre seus professores mais antigos vale lembrar Agostinho José da Mota, Luigi Stallone, o romancista Manuel Antônio de Almeida, François-René Moreaux, que foi seu primeiro diretor, Costa Miranda, Vitor Meireles, Francisco Antônio Néri, José Maria de Medeiros, Pedro Peres, Oscar Pereira da Silva, Carlos Oswald e Carlos de Laet que lecionava francês.

Entre os seus alunos mais ilustres, Rodolfo Amoedo, Carlos Chambelland, Sílvio Pinto, Eliseu Visconti, Guttmann Bicho, Francisco Stockinger, Renina Katz e Rubens Gerchman.

O Liceu hoje[editar | editar código-fonte]

O Liceu continua em funcionamento e conta atualmente com cursos de educação infantil, de ensino fundamental e médio, cursos técnicos de publicidade e informática, e grande variedade de outros livres em artes plásticas, artes cênicas, dança, esporte e saúde.

Ligações externas[editar | editar código-fonte]