Mary Wollstonecraft

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Mary Wollstonecraft
Mary Wollstonecraft por John Opie (c. 1797)
Nacionalidade  Inglaterra
Data de nascimento 27 de Abril de 1759
Local de nascimento Londres
Data de morte 10 de Setembro de 1797 (38 anos)
Local de morte Londres

Mary Wollstonecraft ( /ˈwʊlstən.krɑːft/; Londres, 27 de Abril de 1759 – Londres, 10 de Setembro de 1797) foi uma Escritora inglêsa do século XVIII, assim como filósofa e defensora dos direitos das mulheres. Durante a sua breve carreira, escreveu romances, tratados, um livro sobre viagens, uma história sobre a Revolução Francesa, um livro sobre comportamento social, e livros para crianças. O trabalho mais conhecido de Mary Wollstonecraft é A Vindication of the Rights of Woman (1792), no qual ela defende que as mulheres não são, por natureza, inferiores aos homens, mas apenas aparentam ser por falta de educação. Ela sugere que, tanto os homens como as mulheres devem ser tratados como seres racionais, e concebe uma ordem social baseada nessa razão.

Até ao final do século XX, a vida de Wollstonecraft, que incluiu várias relações pessoais não-convencionais, foi alvo de mais atenção do que os seus trabalhos. Depois de duas relações fracassadas, com Henry Fuseli e Gilbert Imlay (de quem teve uma filha, Fanny Imlay), Wollstonecraft casou com o filósofo William Godwin, um dos pais do movimento anarquista. Wollstonecraft morreu com 38 anos de idade, dez dias depois de ter dado à luz a sua segunda filha, deixando vários manuscritos inacabados. A sua filha Mary Wollstonecraft Godwin também se tornaria uma escritora, com o nome de Mary Shelley, a autora de Frankenstein.

Depois da morte de Mary Wollstonecraft, o seu marido publicou uma Memória (1798) da sua vida, revelando o seu estilo de vida menos ortodoxo, que lhe destruiu a sua reputação por quase um século. Contudo, com o advento do movimento feminista no virar do século XX, a defesa feita por Wollstonecraft da igualdade das mulheres, e das críticas às convenções de natureza feminina, tornaram-se cada vez mais importantes. Nos dias de hoje, Wollstonecraft é vista como uma das fundadoras do feminismo filosófico, e é habitual as feministas citarem tanto a sua vida, como a sua obra, como influências importantes.

Biografia[editar | editar código-fonte]

Primeiros anos[editar | editar código-fonte]

Wollstonecraft nasceu em 27 de Abril de 1759 em Spitalfields, Londres. Foi a segunda de sete filhos de Edward John Wollstonecraft e Elizabeth Dixon.[1] Embora a sua família tivesse um rendimento razoável, durante os primeiros anos da sua vida, o seu pai foi esbanjando-o em negócios especulativos. Aos poucos, a família foi tornando-se financeiramente instável, sendo frequentemente forçados a mudar de casa durante a adolescência de Wollstonecraft.[2] A situação financeira da família acabou por ficar tão degradada que o pai de Mary a obrigou a entregar o dinheiro que ela tinha juntado. Para além disso, aparentava ser violento ao ponto de bater na sua mulher durante episódios de alcoolismo. Em adolescente, Mary costumava ficar deitada à porta do quarto da sua mãe para a proteger.[3] Mary também agia de forma semelhante, maternal, em relação às suas irmãs, Everina e Eliza, ao longo da sua vida. Por exemplo, em determinada altura de 1784, convenceu Eliza, que sofria, provavelmente, de depressão pós-parto, a deixar o marido e o filho; Mary preparou a sua fuga, demonstrando a sua tendência em contrariar as normas sociais. No entanto, os custos foram elevados: a sua irmã foi alvo de condenação social, e, porque não podia casar de novo, ficou para sempre ligada a uma vida de pobreza e trabalho difícil.[4]

Durante os primeiros anos da sua vida, Mary teve duas amizades que moldaram a sua personalidade. A primeira foi com Jane Arden em Beverley. As duas amigas liam livros em conjunto e assitiam a palestras dadas pelo pai de Jane, um filósofo e cientista. Wollstonecraft divertia-se na atmosfera intelectual da casa dos Arden, e dava muita importância à sua amizade com Jane, por vezes ao ponto de ser emocionalmente possessiva. Wollstonecraft escreveu-lhe: "Criei noções românticas de amizade... sou um pouco única nos meus pensamentos acerca do amor e da amizade; tenho que estar em primeiro lugar, ou então em nenhum."[5] Em algumas das cartas de Mary a Jane, ela mostra algumas das emoções depressivas e voláteis que a perseguiriam para o resto da sua vida.[6]

A segunda, e mais importante amizade foi com Fanny (Frances) Blood, apresentada a Mary pelos Clares, um casal de Hoxton que se iriam tornar em figuras parentais para ela; Wollstonecraft atribuiu a Blood a abertura da sua mente.[7] Descontente com a sua vida caseira, Wollstonecraft decidiu dar um rumo à sua vida em 1778, e aceitou um emprego como dama de companhia de Sarah Dawson, uma viúva a viver em Bath. Contudo, However, Wollstonecraft não se dava bem com a temperamental mulher (uma experiência que ela refere quando descreve os lados negativos da sua posição em Thoughts on the Education of Daughters, 1787). Em 1780, Mary regressa a casa para tratar da sua mãe que se encontrava a morrer.[8] Depois da morte da sua mãe, em vez de regressar a casa de Dawson, Wollstonecraft foi viver com os Blood. Ao longo dos dois anos que passou com a família, Mary apercebeu-se que tinha ideias diferentes de Fanny, a qual estava mais ligada aos valores tradicionais femininos do que Mary. Mas esta permaneceu dedicada a Fanny, e à sua família, por toda a sua vida (era frequente ajudar financeiramente o irmão de Fanny).[9]

Wollstonecraft tinha imaginado viver uma vida num contexto feminino e utópico com Fanny; fizeram planos para arrendar quartos e para se apoiarem, mutuamente, emocional e financeiramente, mas o sonho caiu por terra dadas a realidade das condições económicas. Para poderem ter uma base financeira segura, Mary, as sua irmãs e Fanny, criaram uma escola em Newington Green, uma comunidade de dissidentes ingleses. Entretanto, Fanny ficou noiva e, após o seu casamento, o seu marido, Hugh Skeys, levou-a para Lisboa para tratar da sua saúde, a qual tinha sido sempre fraca.[10] Apesar da mudança de ares, a saúde de Fanny deteriorou-se ainda mais quando ficou grávida, e, em 1785, Mary deixou a escola e foi ter com Fanny para cuidar dela, mas sem sucesso.[11] Além disso, o seu afastamento da escola levou ao seu encerramento.[12] Fanny acabou por falecer deixando Mary desolada. Este período da sua vida serviria de inspiração para o seu primeiro romance, Mary: A Fiction (1788).[13]

"A primeira de um novo género"[editar | editar código-fonte]

Frontespício da edição de 1791 de Original Stories from Real Life gravado por William Blake
Mary Wollstonecraft em 1790–1, por John Opie

Depois da morte de Fanny, os amigos de Mary ajudaram-na a arranjar um lugar como educadora particular das filhas da família anglo-irlandesa Kingsborough, na Irlanda. Embora não se desse bem com Lady Kingsborough,[14] as crianças viam-na como uma instrutora inspiradora; mais tarde, Margaret King diria que ela "lhe tinha libertado a mente de todas as suas superstições".[15] Algumas das experiências de Mary naquele ano iriam servir de inspiração para o seu livro de história infantis, Original Stories from Real Life (1788).[16]

Frustrada pela poucas opções de carreira para as mulheres mais probres, mas respeitáveis — um impedimento que Mary descreve com eloquência no capítulo de Thoughts on the Education of Daughters intitulado "Unfortunate Situation of Females, Fashionably Educated, and Left Without a Fortune" (Situações Pouco Afortunadas das Mulheres, Educadas a Preceito, e Deixadas sem Fortuna) —, ela decidiu, apenas um ano depois como educadora, partir para uma carreira como autora. Esta escolha foi radical pois, naquela altura, poucas eram as mulheres que podiam viver, apenas, com a escrita. Tal como escreveu à sua irmã Everina em 1787, Mary tentava ser "A primeira de um novo género".[17] Mudou-se para Londres e, apoiada pelo editor liberal Joseph Johnson, encontrou um lugar para trabalhar e viver de forma independente.[18] Aprendeu francês e alemão, e traduziu textos,[19] destacando-se Of the Importance of Religious Opinions de Jacques Necker, e Elements of Morality, for the Use of Children de Christian Gotthilf Salzmann. Mary também fez trabalhos de revisão, principalmente de romances, para a revista de Johnson Analytical Review. O universo intelectual de Wollstonecraft alargou-se durante este período, com o trabalho de revisão que realizava, e com os novos conhecimentos que estava a fazer: frequentava os famosos jantares de Johnson, e conhecia personagens como o radical Thomas Paine e o filósofo William Godwin. A primeira vez que Godwin e Wollstonecraft se encontraram, ficaram mutuamente desapontados. Godwin tinha vindo para ouvir Paine, mas Wollstonecraft esteve com ele toda a noite, discordando dele sobre quase qualquer dos assuntos discutidos. Johnson, no entanto, tornou-se mais do que um amigo; ela descreveu-o nas cartas como um pai e um irmão.[20]

Enquanto estava em Londres, Mary teve uma relação com o artista Henry Fuseli, embora ele fosse casado. Ele ficou, como escreveu, extasiada pelo seu talento, "a grandeza do seu espírito, aquela rapidez de compreensão, e aquela encantadora simpatia".[21] Mary uma relação platónica com Fuseli e a sua esposa, mas aquele ficou intimidado e terminou a sua relação com Mary.[22] Depois da rejeição sofrida, Mary decidiu viajar para França para fugir à humilhação do incidente, e para participar nos acontecimentos revolucionários que ela tinha citado em Vindication of the Rights of Men (1790). Ela tinha escrito sobre os Rights of Men em resposta à crítica conservadora de Edmund Burke da Revolução Francesa em Reflections on the Revolution in France (1790), tornando-a famosa de um dia para o outro. Mary foi comparada ao controverso teólogo Joseph Priestley, e a Paine, cuja obra Rights of Man (1791) se mostraria como a mais popular das respostas a Burke. Mary aproveitou as ideias que tinha salientado em Rights of Men, em A Vindication of the Rights of Woman (1792), o seu trabalho mais famoso e influente.[23]

França e Gilbert Imlay[editar | editar código-fonte]

10 de Agosto, ataque ao Palácio das Tulherias; a violência alastra-se duarante a Revolução Francesa.

Wollstonecraft foi para Paris em Dezembro de 1792, chegando um mês antes da execução de Luís XVI. A França encontrava-se no meio de um turbilhão de violência. Mary procurou por outros visitantes britânicos, tal como Helen Maria Williams, e juntou-se ao círculo de expatriados da cidade.[24] Tendo acabado, recentemente, de escrever os Direitos da Mulher, Wollstonecraft estava determinada a testar as suas ideias e, no meio de um ambiente intelectual estimulante saído da revolução, passou pela sua relação amorosa mais experimental até à data: Mary conheceu, e apaixonou-se, por Gilbert Imlay, um aventureiro norte-americano. Se Mary estaria interessada num casamento com ele, não se sabe, o que se sabe é que ele não estava, e parece que ela se terá apaixonado por uma imagem idealizada de Imlay. Embora Wollstonecraft tenha rejeitado a componente sexual das relações nos Direitos da Mulher, Imlay despertou-lhe as suas paixões e o seu interesse pelo sexo.[25] Pouco tempo depois, ficou grávida e, no dia 14 de Maio de 1794, Mary deu à luz a sua primeira filha, Fanny, o mesmo nome da sua melhor amiga.[26] Wollstonecraft estava em êxtase; escreveu a uma amiga: "A minha Pequenina começou a mamar tão FORTEMENTE[nota 1] que o seu pai acha ser uma insolência [da parte de Mary] ela escrever a segunda parte dos D[irei]tos da Mulher".[27] Mary continuou a escrever avidamente, apesar não só da sua gravidez, mas também de ser uma jovem mãe, sozinha, num país estrangeiro, e da crescente instabilidade da Revolução Francesa. Enquanto estava em Le Havre, na região Norte da França, Mary escreveu uma história dos primeiros dias da revolução, An Historical and Moral View of the French Revolution, a qual foi publicada em Londres em Dezembro de 1794.[28]

À medida que a situação piorava, a Grã-Bretanha declarou guerra a França, colocando, assim, os cidadãos britânicos a viver nesse país em situação de grande risco. Para proteger Wollstonecraft, Imlay registou-a como sua esposa em 1793, apesar de de não serem casados.[29] Alguns dos seus amigos não tiveram tanta sorte; muitos, como Thomas Paine, foram detidos, e alguns deles foram mesmo guilhotinados (as irmãs de Mary pensavam que ela tinha sido detida). Depois de deixar França, ela continuou a referir o seu nome como "Sra. Imlay", mesmo às suas irmãs, para assim manter a legitimidade sobre a sua filha.[30]

Imlay, descontente com a maneira de pensar de Mary - maternal e muito dedicada à vida doméstica -, acabou por deixá-la. Prometeu regressar a Le Havre para onde Mary foi para dar à luz a sua filha, mas o facto de Imlay ter passado a escrever-lhe menos, e as suas longas ausências, convenceram-na de que ele tinha outra mulher. As cartas de Mary estão carregadas de queixas e repreensões, explicadas por alguns críticos com a expressão de uma mulher muito deprimida, e, por outros, como resultado das circunstâncias da sua vida - sozinha com uma filha no meio de uma revolução.[31]

Em Inglaterra e William Godwin[editar | editar código-fonte]

Na procura de Imlay, Wollstonecraft regressou a Londres em Abril de 1795, mas aquele rejeitou-a. Em Maio de 1795, tentou suicidar-se, provavelmente com laudanum, mas Imlay salvou-lhe a vida (embora não se saiba como).[32] Numa última tentativa para conquistar Imlay, Mary dedicou-se aos seus negócios, em particular na Escandinávia, tentanto recuperar algumas das suas perdas. Wollstonecraft realizou esta perigosa viagem tendo apenas como companhia a sua filha e uma criada. Mary fez um relato das suas viagens e dos seus pensamentos nas cartas que enviou a Imlay, sendo que muitos dos quais seriam publicados como Letters Written in Sweden, Norway, and Denmark, em 1796.[33] Quando regressou a Inglaterra, e tomando consciência de que a sua relação com Imlay tinha terminado, tentou, de novo, suicidar-se, deixando uma carta a Imlay:

Que os meus erros fiquem só para mim! Logo, logo estarei em paz. Quando receberes esta carta, a minha escaldante cabeça estará fria... Saltarei para o Tamisa onde haverá menos probabilidade de o meu corpo ser resgatado da morte que procuro. Deus te abençoe! Que nunca passes pela tormentos que me fizeste passar. Quando finalmente te sentires, o arrependimento encontrará o seu caminho até ao coração; e, entre os negócios e o prazer sensual, farei a minha aparição perante ti, a vítima dos desvios da tua rectidão.[34]


Mary saiu numa noite chuvosa e, "para tornar as suas roupas mais pesadas com a água, ela caminhou para um lado e para o outro durante meia hora" antes de saltar para o rio Tamisa, mas um desconhecido viu-a a saltar e conseguiu salvá-la.[35] Wollstonecraft considerou a sua tentativa de suicídio profundamente racional, e escreveu:

Tenho apenas a lamentar que, quando o sabor amargo da morte passou, regressei à vida e à miséria. Mas uma ideia fixa e determinada não deve ser colocada de lado pela desilusão; nem eu permitirei que isso se torne numa tentativa inquieta, a qual foi um dos actos mais tranquilos da razão. A este respeito, sou apenas responsável por mim mesma. Se eu me importasse com o que é chamado de reputação, então será por outras razões que devo ser desonrada.[36]

De forma gradual, Wollstonecraft regressou à sua vida literária, ficando envolvida, de novo, no circulo literário de Joseph Johnson, em particular com Mary Hays, Elizabeth Inchbald e Sarah Siddons, através de William Godwin. O namoro entre Godwin e Wollstonecraft começou lentamente, mas acabou por se tornar numa relação amorosa muito apaixonada.[37] Godwin tinha lido as Letters Written in Sweden, Norway, and Denmark e, mais tarde, escreveria que "Se houvesse um livro que tivesse sido escrito para por forma a apaixonar um homem pelo seu autor, parece-me que seria este. Ela transmite os seus arrependimentos de uma maneira que nos preenche com a sua melancolia, e nos enche de ternura, ao mesmo tempo que nos mostra a sua genialidade que, por sua vez, nos faz admirá-la."[38] Quando Mary ficou grávida, decidiram casar para que o seu filho fosse legítimo. O seu casamento revelou que Mary nunca tinha sido casada com Imlay, e, como resultado disso, ela e Godwin perderam muitos amigos. Godwin foi criticado pois tinha defendido a abolição do casamento no seu tratado filosófico Political Justice.[39] Depois do seu casamento em 29 de Março de 1797, mudaram-se para duas casas contíguas, conhecidas como The Polygon, para que ambos mantivessem a sua independência; era habitual comunicarem-se por carta.[40] Segundo eles, a sua relação foi estável e feliz, embora tivesse sido curta.[41]

Morte e as Memórias de Godwin[editar | editar código-fonte]

No dia 30 de Agosto de 1797, Mary deu à luz a sua segunda filha, Mary. Embora, de início, tudo estivesse a correr bem, a placenta rompeu-se durante o nascimento e criou uma infecção; as infecções puerperais eram habituais e, habitualmente, fatais no século XVIII.[42] Após vários dias em sofrimento, Mary Wollstonecraft morreu de septicemia no dia 10 de Setembro.[43] Godwin ficou desolado: escreveu ao seu amigo Thomas Holcroft, "Acredito que não existe nenhuma outra igual a ela em todo o mundo. Sei, pela nossa experiência, que fomos criados para fazer o outro feliz. Acho que nunca mais vou conhecer a felicidade outra vez."[44] Mary foi sepultada na Velha Igreja de St Pancras; no seu túmulo pode ler-se "Mary Wollstonecraft Godwin, Author of A Vindication of the Rights of Woman: Born 27 April 1759: Died 10 September 1797." ("Mary Wollstonecraft Godwin, Autora de Uma Reivindicação pelos Direitos da Mulher: Nasceu a 27 de Abril de 1759: Morreu a 10 de Setembro de 1797")[45] (Em 1851, os seus restos mortais foram trasladados pelo seu neto Percy Florence Shelley para o túmulo familiar em Bournemouth.)[46]

Em Janeiro de 1798, Godwin publicou as suas Memoirs of the Author of A Vindication of the Rights of Woman. Apesar de Godwin sentir que estava a retratar a sua mulher com amor, compaixão e sinceridade, muitos leitores ficaram chocados por ele ter revelado os filhos ilegítimos de Wollstonecraft, os seus casos amorosos e as tentativas de suicídio.[47] O poeta romântico Robert Southey acusou-o de "querer despir a sua falecida mulher" e de publicar sátiras cruéis tais como The Unsex'd Females.[48] As Memórias de Godwin retratam Wollstonecraft como uma mulher empenhada em sentir quem era equilibrado pela sua razão, e mais céptica face à religião do que os seus textos sugerem.[49] A visão de Godwin de Wollstonecraft prolonlogou-se pelo século XIX, e reflectiu-se em poemas como "Wollstonecraft and Fuseli" pelo poeta britânico Robert Browning, e por William Roscoe, que inclui a seguinte passagem:

Difícil era o teu destino em todas as cenas da vida
Como filha, irmã, mãe, amiga e esposa;
Mas ainda mais difícil, o teu destino na morte que possuímos,
Assim lamentada por Godwin com coração de pedra.[50]

No Brasil, Nísia Floresta foi a responsável pela primeira tradução, no país, da obra de Mary Wollstonecraft, ainda no século XIX.

Referências

  1. Rossi, Alice S. The Feminist papers: from Adams to de Beauvoir. [S.l.]: Northeastern, 1988. p. 25.
  2. Tomalin, 9, 17, 24, 27; Sunstein, 11.
  3. Todd, 11; Tomalin, 19; Wardle, 6; Sunstein, 16.
  4. Todd, 45–57; Tomalin, 34–43; Wardle, 27–30; Sunstein, 80–91.
  5. Citado em Todd, 16.
  6. See, for example, Todd, 72–75; Tomalin, 18–21; Sunstein, 22–33.
  7. Todd, 22–24; Tomalin, 25–27; Wardle, 10–11; Sunstein, 39–42.
  8. Wardle, 12–18; Sunstein 51–57.
  9. Wardle, 20; Sunstein, 73–76.
  10. Todd, 62; Wardle, 30–32; Sunstein, 92–102.
  11. Todd, 68–69; Tomalin, 52ff; Wardle, 43–45; Sunstein, 103–106.
  12. Tomalin, 54–57.
  13. Ver Wardle, cap. 2, para informações autobiográficas de Mary; ver Sunstein, cap. 7.
  14. Ver, Todd, 106–7; Tomalin, 66; 79–80; Sunstein, 127–28.
  15. Todd, 116.
  16. Tomalin, 64–88; Wardle, 60ff; Sunstein, 160–61.
  17. Wollstonecraft, The Collected Letters, 139; ver, também, Sunstein, 154.
  18. Todd, 123; Tomalin, 91–92; Wardle, 80–82; Sunstein, 151–55.
  19. Todd, 134–35.
  20. Tomalin, 89–109; Wardle, 92–94; 128; Sunstein, 171–75.
  21. Citado em Todd, 153.
  22. Todd, 197–98; Tomalin 151–52; Wardle, 171–73; 76–77; Sunstein, 220–22.
  23. Tomalin, 144–155; Wardle, 115ff; Sunstein, 192–202.
  24. Todd, 214–15; Tomalin, 156–82; Wardle, 179–84.
  25. Todd, 232–36; Tomalin, 185–86; Wardle, 185–88; Sunstein, 235–45.
  26. Tomalin, 218; Wardle, 202–3; Sunstein, 256–57.
  27. Citado em Wardle, 202.
  28. Tomalin, 211–219; Wardle, 206–14; Sunstein, 254–55.
  29. St Clair, 160; Wardle, 192–93; Sunstein, 262–63.
  30. Tomalin, 225.
  31. Todd, Chapter 25; Tomalin, 220–31; Wardle, 215ff; Sunstein, 262ff.
  32. Todd, 286–87; Wardle, 225.
  33. Tomalin, 225–31; Wardle, 226–44; Sunstein, 277–90.
  34. Wollstonecraft, The Collected Letters, 326.
  35. Todd, 355–56; Tomalin, 232–36; Wardle, 245–46.
  36. Todd, 357.
  37. St. Clair, 164–69; Tomalin, 245–70; Wardle, 268ff; Sunstein, 314–20.
  38. Godwin, 95.
  39. St. Clair, 172–74; Tomalin, 271–73; Sunstein, 330–35.
  40. Sunstein imprimiu algumas dessas cartas por forma a que o leitor possa acompanhar as conversas de Wollstonecraft e Godwin (321ff.)
  41. St. Clair, 173; Wardle, 286–92; Sunstein, 335–40.
  42. Gordon, p356
  43. Todd, 450–56; Tomalin, 275–83; Wardle, 302–306; Sunstein, 342–47.
  44. Citado em C. Kegan Paul, William Godwin: Os seus amigos e contemporâneos, Londres: Henry S. King and Co. (1876). Acesso em 11 de Marlo de 2007
  45. Todd, 457.
  46. Gordon, 446.
  47. St. Clair, 182–88; Tomalin, 289–97; Sunstein, 349–51; Sapiro, 272.
  48. Robert Southey to William Taylor, 1 de Julho de 1804. A Memoir of the Life and Writings of William Taylor of Norwich. Ed. J. W. Robberds. 2 vols. Londres: John Murray (1824) 1:504.
  49. Sapiro, 273–74.
  50. Citado em Sapiro, 273.

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

Principal[editar | editar código-fonte]

  • Butler, Marilyn, ed. Burke, Paine, Godwin, and the Revolution Controversy. Cambridge: Cambridge University Press, 2002. ISBN 0-521-28656-5.
  • Wollstonecraft, Mary. The Collected Letters of Mary Wollstonecraft. Ed. Janet Todd. New York: Columbia University Press, 2003. ISBN 0-231-13142-9.
  • Wollstonecraft, Mary. The Complete Works of Mary Wollstonecraft. Ed. Janet Todd and Marilyn Butler. 7 vols. London: William Pickering, 1989. ISBN 0-8147-9225-1.
  • Wollstonecraft, Mary. The Vindications: The Rights of Men and The Rights of Woman. Eds. D. L. Macdonald and Kathleen Scherf. Toronto: Broadview Press, 1997. ISBN 1-55111-088-1.

Biografias[editar | editar código-fonte]

Secundária[editar | editar código-fonte]

  • Conger, Syndy McMillen. Mary Wollstonecraft and the Language of Sensibility. Rutherford: Fairleigh Dickinson University Press, 1994. ISBN 0-8386-3553-9.
  • Detre, Jean, A most extraordinary pair: Mary Wollstonecraft and William Godwin, Garden City : Doubleday, 1975
  • Falco, Maria J., ed. Feminist Interpretations of Mary Wollstonecraft. University Park: Penn State Press, 1996. ISBN 0-271-01493-8.
  • Favret, Mary. Romantic Correspondence: Women, politics and the fiction of letters. Cambridge: Cambridge University Press, 1993. ISBN 0-521-41096-7.
  • Janes, R. M. "On the Reception of Mary Wollstonecraft's A Vindication of the Rights of Woman". Journal of the History of Ideas 39 (1978): 293–302.
  • Johnson, Claudia L. Equivocal Beings: Politics, Gender, and Sentimentality in the 1790s. Chicago: University of Chicago Press, 1995. ISBN 0-226-40184-7.
  • Jones, Chris. "Mary Wollstonecraft's Vindications and their political tradition". The Cambridge Companion to Mary Wollstonecraft. Ed. Claudia L. Johnson. Cambridge: Cambridge University Press, 2002. ISBN 0-521-78952-4.
  • Jones, Vivien. "Mary Wollstonecraft and the literature of advice and instruction". The Cambridge Companion to Mary Wollstonecraft. Ed. Claudia Johnson. Cambridge: Cambridge University Press, 2002. ISBN 0-521-78952-4.
  • Kaplan, Cora. "Mary Wollstonecraft's reception and legacies". The Cambridge Companion to Mary Wollstonecraft Ed. Claudia L. Johnson. Cambridge: Cambridge University Press, 2002. ISBN 0-521-78952-4.
  • Kaplan, Cora. "Pandora's Box: Subjectivity, Class and Sexuality in Socialist Feminist Criticism". Sea Changes: Essays on Culture and Feminism. London: Verso, 1986. ISBN 0-86091-151-9.
  • Kaplan, Cora. "Wild Nights: Pleasure/Sexuality/Feminism". Sea Changes: Essays on Culture and Feminism. London: Verso, 1986. ISBN 0-86091-151-9.
  • Kelly, Gary. Revolutionary Feminism: The Mind and Career of Mary Wollstonecraft. New York: St. Martin's, 1992. ISBN 0-312-12904-1.
  • McElroy, Wendy (2008). "Wollstonecraft, Mary (1759–1797)". The Encyclopedia of Libertarianism. Thousand Oaks, CA: SAGE Publications, Cato Institute. 545–546. ISBN 978-1-4129-6580-4 OCLC 750831024. 
  • Myers, Mitzi. "Impeccable Governess, Rational Dames, and Moral Mothers: Mary Wollstonecraft and the Female Tradition in Georgian Children's Books". Children's Literature 14 (1986):31–59.
  • Myers, Mitzi. "Sensibility and the 'Walk of Reason': Mary Wollstonecraft's Literary Reviews as Cultural Critique". Sensibility in Transformation: Creative Resistance to Sentiment from the Augustans to the Romantics. Ed. Syndy McMillen Conger. Rutherford: Fairleigh Dickinson University Press, 1990. ISBN 0-8386-3352-8.
  • Myers, Mitzi. "Wollstonecraft's Letters Written ... in Sweden: Towards Romantic Autobiography". Studies in Eighteenth-Century Culture 8 (1979): 165–85.
  • Orr, Clarissa Campbell, ed. Wollstonecraft's daughters: womanhood in England and France, 1780–1920. Manchester: Manchester University Press ND, 1996.
  • Poovey, Mary. The Proper Lady and the Woman Writer: Ideology as Style in the Works of Mary Wollstonecraft, Mary Shelley and Jane Austen. Chicago: University of Chicago Press, 1984. ISBN 0-226-67528-9.
  • Richardson, Alan. "Mary Wollstonecraft on education". The Cambridge Companion to Mary Wollstonecraft. Ed. Claudia Johnson. Cambridge: Cambridge University Press, 2002. ISBN 0-521-78952-4.
  • Sapiro, Virginia. A Vindication of Political Virtue: The Political Theory of Mary Wollstonecraft. Chicago: University of Chicago Press, 1992. ISBN 0-226-73491-9.
  • Taylor, Barbara. Mary Wollstonecraft and the Feminist Imagination. Cambridge: Cambridge University Press, 2003. ISBN 0-521-66144-7.
  • Todd, Janet. Women's Friendship in Literature. New York: Columbia University Press, 1980. ISBN 0-231-04562-X

Ver também[editar | editar código-fonte]

Obras escritas por Mary Wollstonecraft[editar | editar código-fonte]

Lista completa das obras escritas por Mary; todos os trabalhos referem-se a primeiras edições e são da autoria de Wollstonecraft excepto quando indicado.[1]

  • —.Thoughts on the Education of Daughters: With Reflections on Female Conduct, in the More Important Duties of Life. London: Joseph Johnson, 1787.
  • —.Mary: A Fiction. London: Joseph Johnson, 1788.
  • —.Original Stories from Real Life: With Conversations Calculated to Regulate the Affections and Form the Mind to Truth and Goodness. London: Joseph Johnson, 1788.
  • Necker, Jacques. Of the Importance of Religious Opinions. Trans. Mary Wollstonecraft. London: Joseph Johnson, 1788.
  • —.The Female Reader: Or, Miscellaneous Pieces, in Prose and Verse; selected from the best writers, and disposed under proper heads; for the improvement of young women. By Mr. Cresswick, teacher of elocution [Mary Wollstonecraft]. To which is prefixed a preface, containing some hints on female education. London: Joseph Johnson, 1789.
  • de Cambon, Maria Geertruida van de Werken. Young Grandison. A Series of Letters from Young Persons to Their Friends. Trans. Mary Wollstonecraft. London: Joseph Johnson, 1790.
  • Salzmann, Christian Gotthilf. Elements of Morality, for the Use of Children; with an introductory address to parents. Trans. Mary Wollstonecraft. London: Joseph Johnson, 1790.
  • —.A Vindication of the Rights of Men, in a Letter to the Right Honourable Edmund Burke. London: Joseph Johnson, 1790.
  • —.A Vindication of the Rights of Woman with Strictures on Moral and Political Subjects. London: Joseph Johnson, 1792.
  • —."On the Prevailing Opinion of a Sexual Character in Women, with Strictures on Dr. Gregory's Legacy to His Daughters". New Annual Register (1792): 457–466. [From Rights of Woman]
  • —.An Historical and Moral View of the French Revolution; and the Effect It Has produced in Europe. London: Joseph Johnson, 1794.
  • —.Letters Written during a Short Residence in Sweden, Norway, and Denmark. London: Joseph Johnson, 1796.
  • —."On Poetry, and Our Relish for the Beauties of Nature". Monthly Magazine (April 1797).
  • —. The Wrongs of Woman, or Maria. Posthumous Works of the Author of A Vindication of the Rights of Woman. Ed. William Godwin. London: Joseph Johnson, 1798. [Publicado póstumamente; inacabado]
  • —."The Cave of Fancy". Posthumous Works of the Author of A Vindication of the Rights of Woman. Ed. William Godwin. London: Joseph Johnson, 1798. [Published posthumously; fragment written in 1787]
  • —."Letter on the Present Character of the French Nation". Posthumous Works of the Author of A Vindication of the Rights of Woman. Ed. William Godwin. London: Joseph Johnson, 1798. [Published posthumously; written in 1793]
  • —."Fragment of Letters on the Management of Infants". Posthumous Works of the Author of A Vindication of the Rights of Woman. Ed. William Godwin. London: Joseph Johnson, 1798. [Publicado póstumamente; inacabado]
  • —."Lessons". Posthumous Works of the Author of A Vindication of the Rights of Woman. Ed. William Godwin. London: Joseph Johnson, 1798. [Publicado póstumamente; inacabado]
  • —."Hints". Posthumous Works of the Author of A Vindication of the Rights of Woman. Ed. William Godwin. London: Joseph Johnson, 1798. [Publicado póstumamente; notas no segundo volume de Rights of Woman, nunca escrito]
  • —.Contributions to the Analytical Review (1788–1797) [publicado anonimamente]
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  1. Sapiro, 341ff.