Mary Wollstonecraft

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Mary Wollstonecraft
Mary Wollstonecraft por John Opie (c. 1797)
Nacionalidade  Inglaterra
Data de nascimento 27 de Abril de 1759
Local de nascimento Londres
Data de falecimento 10 de Setembro de 1797 (38 anos)
Local de falecimento Londres

Mary Wollstonecraft (Londres, 27 de Abril de 1759 - Londres, 10 de Setembro de 1797) foi uma escritora britânica. É considerada uma das pioneiras do moderno feminismo com a publicação da obra A Vindication of the Rights of Woman (em português, Uma Defesa dos Direitos da Mulher), em 1790.

Biografia[editar | editar código-fonte]

Nasceu em Spitalfields, Londres. O seu pai, um fabricante de lenços, era um homem irritadiço e perturbado, que batia na esposa, nos filhos e no cão da família. Ele era filho de um homem que enriquecera no ramo da manufactura naquela cidade, numa época em que a mesma se mostrava próspera. A mãe de Mary era Irlandesa e educou-a de forma rigorosa. Durante a infância de Mary, a família mudou-se em muitas ocasiões, tendo vivido épocas em Epping, Ladram, Beverley, Hoxton, Walworth e Laugharne, no País de Gales.

Em 1778, com apenas dezenove anos, Mary Wollstonecraft abandonou o lar paterno para viver com um rico negociante, viúvo, em Bath. Depois de dois anos, voltou para casa, para cuidar da sua mãe doente, que veio a falecer depois de um longo sofrimento que a tornou completamente dependente dos cuidados de Mary. As últimas palavras da sua mãe seriam muitas vezes recordadas e citadas pela escritora quando, mais tarde, atravessou períodos difíceis na sua vida: "Um pouco de paciência, e tudo estará acabado".

Em 1784, abriu uma escola em Newington Green, uma pequena aldeia perto de Fiacre, com sua irmã Eliza e uma amiga. Assim que chegaram, Mary fez amizade com Richard Price, um ministro anglicano de ideias avançadas, na capela local. Price e seu amigo, Joseph Priestly, eram os líderes de um grupo conhecido como Dissidentes Racionais, que rejeitava os dogmas cristãos - como o pecado original, o juízo final e a condenação às penas eternas. Price, inclusive, havia exposto em Review of the Principal Questions of Morals (1758) que tanto a razão quanto a consciência individual deviam ser usadas para fazer escolhas morais. Como resultado destas ideias, e de sermões em apoio à Revolução Americana na década de 1770, Price fora acusado de ateísmo e era visto com hostilidade pelos demais anglicanos.

Em decorrência de sua convivência com Price, Mary veio a conhecer o editor Joseph Johnson, que se entusiasmou com as ideias de Mary sobre educação, tendo-lhe recomendado que escrevesse um livro a respeito delas. Veio a público, deste modo, a obra Reflexões sobre Educação de Filhas (1786), na qual Mary analisou as restrições educacionais impostas às jovens, assim mantidas em um estado de "ignorância e dependência". Mostrou-se especialmente crítica da sociedade que encorajava as jovens a serem "dóceis e atentas à aparência", concluindo com a sugestão de uma ampla reforma do currículo escolar.

No contexto da Revolução Francesa, Price fez, em novembro de 1789, um sermão no qual afirmou que o povo inglês também tinha o direito de destronar um rei, caso este fosse cruel. Este sermão incentivou Mary a escrever textos políticos sobre os mais variados temas, do tráfico de escravos às injustiças de tratamento para com os mais pobres.

Frontispício de A Vindication of the Rights of Woman, de Mary Wollstonecraft.

Um destes artigos, A Reivindicação dos Direitos do Homem, chamou a atenção de autores como Tom Paine, William Blake, Edmund Burke, Jean-Jacques Rousseau e Voltaire, fazendo com que as ideias da autora fossem discutidas nos principais círculos intelectuais da França e do Reino Unido. Em seguida, Mary publicou a sua obra mais importante, A Reivindicação dos Direitos da Mulher (1790), em que estão lançadas as bases do feminismo moderno.

Mary via a educação como um caminho para as mulheres conquistarem um melhor status econômico, político e social. Defendia não apenas que elas tinham direito à educação como afirmava que, da igualdade na formação de ambos os sexos, dependia o progresso da sociedade como um todo. Entre as suas passagens mais polêmicas, Mary afirma que o casamento é uma espécie de "prostituição legal", que as mulheres são "escravos convenientes", e que o único modo de as mulheres continuarem livres é se mantendo longe do altar. As suas ideias sobre o casamento são ilustradas no conto "Maria", no qual a protagonista de mesmo nome é internada em um hospital para doentes mentais, vítima dos maus-tratos do marido cruel.

Mary teve uma filha com o escritor Gilbert Imlay, a quem deu o nome de Fanny. Posteriormente, casou-se com o também escritor William Godwin, um dos mais proeminentes ateus da sua época e pioneiro do movimento anarquista, com quem teve, em 1797, a sua segunda filha, a escritora Mary Wollstonecraft Shelley, que obteve fama como autora de Frankenstein. Desse parto, devido a complicações (a tentativa de retirada da placenta, que ficara presa no útero), Mary sofreu uma forte hemorragia, vindo a falecer apenas dez dias depois, vitimada pela septicemia.

No Brasil, Nísia Floresta foi a responsável pela primeira tradução, no país, da obra de Mary Wollstonecraft, ainda no século XIX.

Ver também[editar | editar código-fonte]

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