Monte Tambora

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Tambora
Vista da caldeira do monte Tambora
Tambora está localizado em: Indonésia
Tambora
Localização na Indonésia
Coordenadas 8° 14' 48" S 117° 57' 30" E
Altitude 2850 m (9350 pés)
Proeminência 2850 m
Cume-pai: nenhum
Listas Ultra
Localização Sumbawa, Pequenas Ilhas da Sonda, Indonésia
Última erupção 1967 ± 20 anos[1]

O monte Tambora ou vulcão Tambora (em indonésio: Gunug Tambora) é um estratovulcão ou vulcão composto, ativo, na ilha de Sumbawa, Indonésia, com 2850 m de altitude[2] .

A ilha de Sumbawa é flanqueada tanto ao norte como ao sul por crosta oceânica, e Tambora foi formado pelas zonas de subducção ativas sob ele. Isto elevou o Monte Tambora a uma altura de 4300 m,[3] fazendo-o uma das mais altas formações do arquipélago da Indonésia e injetando uma grande câmara de magma dentro da montanha. Demorando séculos para abastecer a sua câmara de magma, a sua atividade vulcânica atingindo o pico em abril de 1815.[4]

O monte Tambora entrou em erupção entre 5 e 10 de abril de 1815, atingindo o nível 7 no índice de explosividade vulcânica, realizando a maior erupção desde a erupção do lago Taupo em 181 d.C.].[5] Esta erupção é considerada a maior registrada na Terra, detendo o recorde do volume de matéria expelida: 180.000.000.000 m³ ou 180 km³.[6] [7]

A explosão foi ouvida na ilha de Samatra (a mais de 2000 km distante). Uma enorme queda de cinza vulcânica foi observada em locais distantes como nas ilhas de Bornéu, Celebes, Java e arquipélago das Molucas. A atividade começou três anos antes, de uma forma moderada, seguindo-se a enorme explosão que lançou material a uma altura de 33 km, que, no entanto, ainda não foi o ponto culminante da atividade. Cinco dias depois, houve material eruptivo lançado a 44 km de altura, escurecendo o céu num raio de 500 km durante três dias e matando cerca de 60 000 pessoas, havendo ainda estimativas de 71 000 mortos, das quais de 11 a 12 mil mortas diretamente pela erupção;[5] a frequentemente citada estimativa de 92 000 mortos é considerada superestimada.[8] A erupção criou anomalias climáticas globais, pois não houve verão no hemisfério norte em consequência desta erupção, o que provocou a morte de milhares de pessoas devido a falta de alimento com registros estatísticos confiáveis especialmente na Europa, passando o ano de 1816 a ser conhecido como o ano sem Verão. Culturas agrícolas colapsaram e gado morreu, resultando na pior fome do século XIX.[5] Durante uma escavação em 2004, uma equipe de arqueólogos descobriu artefatos que permaneceram enterrados pela erupção de 1815.[9] Eles mantinham-se intactos sob 3 metros de depósitos piroclásticos. Neste sítio arqueológico, apelidado "a Pompeia do Oriente", os artefatos foram preservados nas posições que ocupavam em 1815.

Depois da erupção, a montanha do vulcão ficou com metade da altura anterior[10] e formou-se uma enorme caldeira, hoje contendo um lago.

Informações geográficas[editar | editar código-fonte]

Imagem de satélite do Tambora.

O monte Tambora está localizado na ilha de Sumbawa, parte das Pequenas Ilhas da Sonda. Esta é um segmento do Arco de Sunda, uma cadeia de ilhas vulcânicas que é um arco insular e que forma a cadeia sul do arquipélago da Indonésia.[11] Tambora forma a sua própria península em Sumbawa, conhecida como a península Sanggar. Ao norte da península esta o mar das Flores, e ao sul esta a Baía de Saleh, de 86 km de comprimento e 36 km de largura. Na desembocadura da Baía de Saleh está um ilhéu chamado Mojo.

Além dos sismólogos e vulcanólogos que monitorizam a atividade da montanha, o monte Tambora é uma área de estudos científicos para arqueólogos e biólogos. A montanha também atrai turistas para pedestrianismo, outros desportos da natureza e atividades ligadas à vida selvagem.[12] [13] As duas cidades mais próximas são Dompu e Bima. Existem três concentrações de vilarejos em torno do declive da montanha. Ao leste está a vila de Sanggar, ao noroeste estão as vilas de Doro Peti e Pesanggrahan, e ao oeste está a vila de Calabai. Existem duas rotas ascendentes para alcançar a caldeira. A primeira rota inicia da vila de Doro Mboha ao sudeste da montanha. Esta rota segue um estrada pavimentada através de uma plantação de caju até alcançar 1150 m acima do nível do mar. O final desta rota é a parte sul da caldeira a 1950 m, alcançável por meio de uma trilha de caminhada.[14] Esta locação ´usualmente usada como um campo base para monitorar a atividade vulcânica, porque ela toma apenas uma hora para se alcançar a caldeira. A segunda rota inicia da vila de Pancasila ao noroeste da montanha. Usando a segunda rota, a caldeira é acessível somente a pé.[14]

História geológica[editar | editar código-fonte]

Formação[editar | editar código-fonte]

Tambora situa-se a 340 km ao norte do sistema da fossa de Java e 180–190 km acima da superfície superior da zona de subducção de imersão norte. A ilha de Sumbawa é flanqueada tanto ao norte quanto ao sul pela crosta oceânica.[15] A taxa de convergência é de 7.8 cm/ano.[16] A existência de Tambora é estimada como e iniciado 57.000 anos atrás.[4] Sua ascensão injetou uma grande câmara magmática dentro da montanha. O ilhéu Mojo foi formado como parte deste processo geológico no qual a baía de Saleh, colapsando dentro da câmara de magma produzida, primeiro apareceu como uma bacia oceânica, aproximadamente há 25 000 anos.[4]

De acordo com sondagens geológicas, um alto cone vulcânico com uma única "chaminé" central foi formado antes da erupção de 1815, ao qual seguiu-se uma forma de estratovulcão.[17] O diâmetro na base é 60 km.[11] A "chaminé" central emite lava frequentemente, a qual desce em cascata no declive íngreme da encosta do vulcão.

Desde a erupção de 1815, a parte inferior contém depósitos de intercaladas sequências de lava e materiais piroclásticos. Aproximadamente 40% das camadas são representadas em fluxos de lava de espessura de 1–4 m.[17] Espessos leitos de escória foram produzidos pela fragmentação de fluxos de lava. Dentro da porção superior, a lava é intercalada com escória, tufos e fluxos piroclásticos.[17] Existem pelo menos 20 cones satélites (também chamados parasíticos).[16] Alguns deles tem nomes: Tahe (877 m), Molo (602 m), Kadiendinae, Kubah (1648 m) e Doro Api Toi. A maioria dos cones parasíticos tem produzido lavas basálticas.

História eruptiva[editar | editar código-fonte]

Usando a técnica de datação por radiocarbono, estabeleceu-se que o monte Tambora entrou em erupção três vezes antes da erupção de 1815, mas as magnitudes destas erupções são desconhecidas.[18] Suas datas estimadas são 3910 a.C. ± 200 anos, 3050 a.C. e 740 d.C. ± 150 anos. Elas foram todas explosivas na chaminé central com características similares, exceto a última erupção que não apresentou fluxo piroclásticos.

Em 1812 o monte Tambora tornou-se altamente ativo, com seu pico eruptivo no evento catastrófico explosivo de abril de 1815.[18] A magnitude foi sete na escala de índice de explosividade vulcânica (VEI - do inglês Volcanic Explosivity Index), com um volume total de tefra ejetado de 1.6 × 1011 metros cúbicos.[18] Foi uma erupção explosiva da chaminé central com fluxos piroclásticos e um colapso da caldeira, causando tsunamis e danos extensos em terras e propriedades. Ela criou um efeito de longo prazo sobre o clima global. A erupção cessou em 15 julho de 1815[18] e a atividade posterior foi registrada em agosto de 1819, consistindo de uma pequena erupção (VEI = 2) com jatos de lava e ruidosos sismos vulcânicos, sendo considerada por alguns com ainda fazendo parte da erupção de 1815.[5] Aproximadamente em 1880 ± 30 anos, Tambora entrou em erupção novamente, mas somente no interior da caldeira.[18] Isto criou pequenos fluxos de lava e a extrusão de um domo de lava. Esta erupção (VEI = 2) criou o cone parasítico Doro Api Toi dentro da caldeira.[19]

O monte Tambora é ainda ativo. Menores domos de lava e escoadas de lava têm se formado sobre o piso da caldeira durante os séculos XIX e XX.[10] A última erupção foi registrada em 1967[18] [1] , mas esta foi muito pequena e não explosiva (VEI = 0).

Cronologia da erupção[editar | editar código-fonte]

Começa em 5 de abril de 1815, quando as duas placas que formam a crosta terrestre se chocaram sob a ilha , então densamente povoada. A zona de subducção sob a ilha permitiu o início do rompimento da câmara de magma, até então, de um vulcão considerado adormecido.

No início da erupção, o vulcão ejetou uma enorme quantidade de fluxos piroclásticos, que desceram pelas encostas a velocidades estimadas de 700 km/h, com temperatura de 500 °C, e que pode ter carbonizado 10 mil pessoas em seu caminho, sendo registrado, ao contrário de outros eventos similares, não o "cozimento" das vítimas, mas a carbonização completa dos corpos e inclusive explosão de seus crânios, pela ebulição abrupta da massa encefálica.

Conjuntamente com os fluxos piroclásticos vieram as nuvens de gases quentes, compostas por gás e cinzas quentes, também liberados na explosão. Além de causar problemas respiratórios na população, em muito maior raio, essa mistura superquente queimou matas e construções em um raio de dezenas de quilômetros à torno do vulcão.

Após a erupção inicial, o Tambora passou por cinco dias de relativa inatividade. Esta etapa foi interrompida pela liberação de outra gigantesca nuvem de cinzas, que alcançou uma altura estimada em 44 quilômetros e provocado três dias de escuridão num raio de 500 quilômetros do monte.

Por causa da nuvem de cinzas, as plantações ficaram cobertas e foram destruídas. O peso da cinzasa acumuladas nos telhados fez desabar casas a até 1300 quilômetros de distância do vulcão. Com tudo isso, os especialistas estimam que outras 82 mil pessoas morreram em poucos dias devido a causas indiretas da erupção, como fome, desabamentos e doenças. É registrada fome inclusive na família do marajá de Sumbawa, evidentemente o homem mais rico da ilha.

As ilhas vizinhas, como Java, também foram significativamente afetadas. O clima nesses locais ficou quente e seco, vitimando indiretamente mais pessoas nos anos que se seguiram ao desastre. Somente na ilha vizinha de Lombok, os cálculos estimam entre 44 mil e 100 mil mortos.

Efeitos posteriores[editar | editar código-fonte]

Embora as notícias da erupção demorassem mais seis meses para chegar ao mundo ocidental, os seus efeitos foram sentidos no hemisfério norte. A liberação de gases vulcânicos, com destaque para o dióxido de enxofre, diminuiu a incidência de raios solares na Terra. Como consequência, a Europa teve o chamado "ano sem Verão" e a temperatura global caiu 3°C, caracterizando um inverno vulcânico, similar a um inverno nuclear.

Referências

  1. a b Tambora Global Volcanism Program. Smithsonian Institution.
  2. Mountains of the Indonesian Archipelago PeakList. PeakList.org. Página visitada em 20-6-2012.
  3. Stothers, Richard B. (1984). "The Great Tambora Eruption in 1815 and Its Aftermath". Science 224 (4654): 1191–1198. doi:10.1126/science.224.4654.1191. PMID 17819476
  4. a b c Degens, E.T.; Buch, B (1989). "Sedimentological events in Saleh Bay, off Mount Tambora". Netherlands Journal of Sea Research 24 (4): 399–404. doi:10.1016/0077-7579(89)90117-8
  5. a b c d Oppenheimer, Clive (2003). "Climatic, environmental and human consequences of the largest known historic eruption: Tambora volcano (Indonesia) 1815". Progress in Physical Geography 27 (2): 230–259. doi:10.1191/0309133303pp379ra
  6. Newhall, Christopher G.; Self, Steve (1982). "The volcanic explosivity index (VEI): An estimate of explosive magnitude for historical volcanism". Journal of Geophysical Research 87 (C2): 1231–1238. doi:10.1029/JC087iC02p01231
  7. Mason, Ben G.; Pyle, David M.; Oppenheimer, Clive (2004). "The size and frequency of the largest explosive eruptions on Earth". Bulletin of Volcanology 66 (8): 735–748. doi:10.1007/s00445-004-0355-9
  8. Tanguy, J.-C.; Scarth, A., Ribière, C., Tjetjep, W. S. (1998). "Victims from volcanic eruptions: a revised database". Bulletin of Volcanology 60 (2): 137–144. doi:10.1007/s004450050222
  9. University of Rhode Island (2006-02-27). URI volcanologist discovers lost kingdom of Tambora. Press release (em inglês)
  10. a b "MOUNTAINS OF THE INDONESIAN ARCHIPELAGO". Peaklist. 'Peaklist.org.
  11. a b Foden, J. (1986). "The petrology of Tambora volcano, Indonesia: A model for the 1815 eruption". Journal of Volcanology and Geothermal Research 27 (1–2): 1–41. doi:10.1016/0377-0273(86)90079-X
  12. "Hobi Mendaki Gunung - Menyambangi Kawah Raksasa Gunung Tambora" (in Indonesian), Sinar Harapan. (em inglês)
  13. West and East Nusa Tenggara Local Governments (PDF). Potential Tourism as Factor of Economic Development in the Districts of Bima and Dompu. Press release. (em inglês)
  14. a b Aswanir Nasution. "Tambora, Nusa Tenggara Barat". Directorate of Volcanology and Geological Hazard Mitigation, Indonesia. (em Indonésio)
  15. Foden, J; Varne, R. (1980). "The petrology and tectonic setting of Quaternary—Recent volcanic centres of Lombok and Sumbawa, Sunda arc". Chemical Geology 30 (3): 201–206. doi:10.1016/0009-2541(80)90106-0
  16. a b Sigurdsson, H.; Carey, S. (1983). "Plinian and co-ignimbrite tephra fall from the 1815 eruption of Tambora volcano". Bulletin of Volcanology 51 (4): 243–270. doi:10.1007/BF01073515
  17. a b c Geology of Tambora Volcano". Vulcanological Survey of Indonesia.
  18. a b c d e f "Tambora - Eruptive History". Global Volcanism Program. Smithsonian Institution.
  19. "Tambora Historic Eruptions and Recent Activities". Vulcanological Survey of Indonesia.

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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