Osteoartrite

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Osteoartrite
Artrose de joelho
Classificação e recursos externos
CID-10 M15-M19, M47
CID-9 715
OMIM 165720
DiseasesDB 9313
MedlinePlus 000423
eMedicine med/1682 orthoped/427 pmr/93 radio/492
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A osteoartrite (OA), artrose, artrite degenerativa ou ainda doença degenerativa das articulações é uma doença crônica das articulações caracterizada pela degeneração da cartilagem e dos ossos próximos, que pode causar dor, rigidez e redução da funcionalidade das articulações afetadas. São mais comum nas mãos, punho, ombros, cotovelos, joelho e pés.

A artrose é uma das perturbações articulares mais frequentes no mundo e aflige especialmente trabalhadores braçais, diabéticos, obesos e pessoas com mais de 40 anos. É um pouco mais frequente em mulheres.

Causas[editar | editar código-fonte]

As articulações normalmente têm um nível tão pequeno de fricção que não se desgastam. Apenas quando excessivamente utilizadas ou danificadas ocorrem lesões à cartilagem hialina das articulações móveis (diartroses). Uma regeneração ineficiente pode agravar o prejuízo no movimento. Defeitos genéticos, congênitos ou patológicos também podem ser uma das causas, especialmente em jovens.

Outros componentes como o osso, a cápsula articular (tecidos que envolvem algumas articulações), a membrana sinovial (tecido que reveste a articulação), os tendões musculares e bolsas com líquido sinovial (bursas) também podem ser afetados.

Quando a causa é outra doença, como a de Paget, uma infeção, uma deformidade, uma ferida ou o uso excessivo da articulação passa a ser considerada uma artrose secundária. São especialmente vulneráveis os indivíduos que forçam as suas articulações de forma reiterada, como digitadores e trabalhadores de indústrias, especialmente aqueles com sobre-peso. Já praticar exercícios sem indícios de lesão não aumenta o risco de artroses.[1]

Em outros animais[editar | editar código-fonte]

A artrose ocorre em quase todos os vertebrados, inclusive peixes, anfíbios e aves. Os animais aquáticos como os golfinhos e as baleias podem sofrer de artrose, contudo, esta não afeta animais que permanecem pendurados com a cabeça para baixo, os morcegos e as preguiças. A doença está tão amplamente difundida no reino animal que provavelmente o método de reparação da cartilagem ineficiente responsável por essa doença surgiu nos primeiros vertebrados há muitos milhões de anos.

Sinais e sintomas[editar | editar código-fonte]

Ao chegar aos 40 anos de idade, muitas pessoas manifestam sinais de artrose nas radiografias, especialmente nas articulações que sustentam mais peso (como o quadril), mas relativamente poucas apresentam sintomas. A idade dos primeiros sintomas e articulações atingidas tem um significativo fator genético.[2]

Em geral, os sintomas desenvolvem-se gradualmente e afetam inicialmente uma ou várias articulações (as dos dedos, a base dos polegares, o pescoço, a zona lombar, o dedo grande do pé (hálux), o quadril e os joelhos). A dor é o primeiro sintoma, que aumenta em geral com a prática de exercício. Em alguns casos, a articulação pode ficar rígida depois de repouso prolongado; contudo, a rigidez costuma desaparecer 30 minutos depois de se iniciar o movimento da articulação.

A articulação pode perder a mobilidade e inclusive ficar completamente rígida numa posição incorreta à medida que piora a lesão provocada pela artrose. O novo crescimento da cartilagem, do osso e outros tecidos pode aumentar o tamanho das articulações. A cartilagem áspera faz com que as articulações ranjam ou crepitem ao mover-se. As protuberâncias ósseas desenvolvem-se com frequência nas articulações das pontas dos dedos (nódulos de Heberden).

Em algumas articulações (como o joelho) os ligamentos que rodeiam e sustentam a articulação distendem-se de tal maneira que esta se torna instável. Tocar ou mover a articulação pode ser muito doloroso.

Em contraste, o quadril se torna rígido, perde o seu raio de ação e provoca dor ao mover-se. A artrose afeta com frequência a coluna vertebral. A dor de costas é o sintoma mais frequente. As articulações lesadas da coluna costumam causar apenas dores leves e rigidez.

Contudo, se o crescimento ósseo comprime os nervos, a artrose do pescoço ou da zona lombar pode causar entorpecimento, sensações estranhas, dor e fraqueza num braço ou numa perna. Em raras ocasiões, a compressão dos vasos sanguíneos que chegam à parte posterior do cérebro. Origina-se então problemas de visão, sensação de enjoo (vertigem), náuseas e vômitos. Por vezes o crescimento do osso comprime o esôfago, dificultando a deglutição.

A artrose segue um desenvolvimento lento na maioria dos casos depois do aparecimento dos sintomas. Muitas pessoas apresentam alguma forma de incapacidade, mas, em certas ocasiões, a degeneração articular detém-se.

Diagnóstico[editar | editar código-fonte]

O diagnóstico é predominantemente clínico, pois alterações radiológicas podem ser identificadas em 52% dos maiores de 50 anos, mas apenas 20% deles possuem sintomas moderados ou graves o suficiente para buscarem tratamento.[3]

Prevalência[editar | editar código-fonte]

É mais problemática na Europa oriental, Ásia e África, principalmente pelo histórico do excesso de horas de trabalho físico nessas região.

Estima-se que no mundo entre 3 e 4% da população (mais de 250 milhões) tem artrose nos joelhos.[4] No Sul do Brasil, cerca de 15% das mulheres com mais de 50 anos e 8% dos homens tem artrose nas mãos.[5]

Atinge cerca de 5% da população com menos de 30 anos, 20% da população com mais de 50 anos, 70% a 80% daqueles com mais de 65 anos e quase todos após os 80 anos. É mais comum nas mulheres pós-menopausa, nos diabéticos e nos obesos.[3]

Tratamento[editar | editar código-fonte]

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Fisioterapia específica é recomendado para fortalecer os músculos próximos, condicionamento físico e flexibilidade. Órteses, próteses e equipamentos de auxílio à marcha também podem ser usados para diminuir o estresse na articulação e melhorar uma função. Palmilhas anti-varo associadas à estabilização de tornozelo também são eficientes em melhorar a dor e a função do joelho em caso de osteoartrite do compartimento medial/interno do joelho.[6]

Medicamentos[editar | editar código-fonte]

Sulfato de glucosamina e cloroquina são recomendados para o tratamento dos sintomas da osteoartrite de joelhos e mãos a longo prazo. É importante ressaltar que o sulfato de glucosamina tem benefício comprovado, mas o glucosamina cloridrato não é melhor que placebos.[6]

Pomadas com capsaicina são eficientes, mas podem irritar a pele. Pomadas com analgésico e anti-inflamatórios não-esteroides, como cetoprofeno, ibuprofeno, felbinaco e piroxicam são eficientes tanto para dor aguda quanto dor crônica.[6]

Cirurgias[editar | editar código-fonte]

Os pacientes com osteoartrite moderadas ou graves (grau II e III) e com comprometimento significativo e progressivo de sua independência nas atividades de vida diária e que não tiveram bons resultados com tratamentos mais conservadores podem precisar de tratamento cirúrgico. As cirurgias indicadas são[6] :

  • Desbridamento artroscópico (correção das lesões parciais de meniscos ou do labrum e retirada de corpos livres);
  • Osteotomias profiláticas (correção dos desvios de eixos articulares);
  • Osteotomia terapêutica (modificar o eixo de alinhamento do membro afetado e deslocar a carga para outra região da superfície articular);
  • Artroplastias (reparar as articulações);

Em último caso pode ser feita uma artrodese, um procedimento para fusão óssea intencional que imobiliza o local.[6]

Tratamentos alternativos[editar | editar código-fonte]

Tanto acupuntura quanto terapias manuais não são mais eficientes que placebo nem a longo nem a curto prazo, não sendo recomendadas.[7] [8]

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. http://www.mayoclinic.com/health/osteoarthritis/DS00019/DSECTION=risk-factors
  2. Valdes AM, Spector TD (August 2008). "The contribution of genes to osteoarthritis".Rheum. Dis. Clin. North Am. 34 (3): 581–603. <a href="https://en.wikipedia.org/wiki/Digital_object_identifier" title="Digital object identifier" style="background-color: rgb(221, 238, 255); font-size: 11.818181991577148px; line-height: 17.27272605895996px;">doi</a>:<a href="http://dx.doi.org/10.1016%2Fj.rdc.2008.04.008" rel="nofollow" class="external text" style="color: rgb(102, 51, 102); background-image: url(data:image/png;base64,iVBORw0KGgoAAAANSUhEUgAAAAoAAAAKCAYAAACNMs+9AAAAVElEQVR42n3PgQkAIAhEUXdqJ3dqJ3e6IoTPUSQcgj4EQ5IlUiLE0Jil3PECXhcHGBhZ8kg4hwxAu3MZeCGeyFnAXp4hqNQPnt7QL0nADpD6wHccLvnAKksq8iiaAAAAAElFTkSuQmCC); background-color: rgb(221, 238, 255); padding-right: 13px; font-size: 11.818181991577148px; line-height: 17.27272605895996px; background-position: 100% 50%; background-repeat: no-repeat no-repeat;">10.1016/j.rdc.2008.04.008</a>.<a href="https://en.wikipedia.org/wiki/PubMed_Identifier" title="PubMed Identifier" class="mw-redirect" style="background-color: rgb(221, 238, 255); font-size: 11.818181991577148px; line-height: 17.27272605895996px;">PMID</a> <a href="https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/18687274" rel="nofollow" class="external text" style="color: rgb(102, 51, 102); background-image: url(data:image/png;base64,iVBORw0KGgoAAAANSUhEUgAAAAoAAAAKCAYAAACNMs+9AAAAVElEQVR42n3PgQkAIAhEUXdqJ3dqJ3e6IoTPUSQcgj4EQ5IlUiLE0Jil3PECXhcHGBhZ8kg4hwxAu3MZeCGeyFnAXp4hqNQPnt7QL0nADpD6wHccLvnAKksq8iiaAAAAAElFTkSuQmCC); background-color: rgb(221, 238, 255); padding-right: 13px; font-size: 11.818181991577148px; line-height: 17.27272605895996px; background-position: 100% 50%; background-repeat: no-repeat no-repeat;">18687274</a>.
  3. a b http://www.osteoartrose.com.br/os_conceito.php
  4. Vos T, Flaxman AD, Naghavi M, Lozano R, Michaud C, Ezzati M, Shibuya K, Salomon JA, Abdalla S, Aboyans V, et al. (December 2012). "Years lived with disability (YLDs) for 1160 sequelae of 289 diseases and injuries 1990-2010: a systematic analysis for the Global Burden of Disease Study 2010". Lancet 380 (9859): 2163–96. doi:10.1016/S0140-6736(12)61729-2. PMID 23245607.
  5. http://bases.bireme.br/cgi-bin/wxislind.exe/iah/online/?IsisScript=iah/iah.xis&src=google&base=LILACS&lang=p&nextAction=lnk&exprSearch=308794&indexSearch=ID
  6. a b c d e Rovati LC, Girolami F, Persiani S (June 2012). "Crystalline glucosamine sulfate in the management of knee osteoarthritis: efficacy, safety, and pharmacokinetic properties". Ther Adv Musculoskelet Dis 4 (3): 167–80. doi:10.1177/1759720X12437753. PMC 3400104. PMID 22850875.
  7. Manheimer E, Cheng K, Linde K, Lao L, Yoo J, Wieland S, van der Windt DA, Berman BM, Bouter LM (2010). <a href="https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC3169099" rel="nofollow" class="external text" style="color: rgb(102, 51, 102); background-image: url(data:image/png;base64,iVBORw0KGgoAAAANSUhEUgAAAAoAAAAKCAYAAACNMs+9AAAAVElEQVR42n3PgQkAIAhEUXdqJ3dqJ3e6IoTPUSQcgj4EQ5IlUiLE0Jil3PECXhcHGBhZ8kg4hwxAu3MZeCGeyFnAXp4hqNQPnt7QL0nADpD6wHccLvnAKksq8iiaAAAAAElFTkSuQmCC); background-color: rgb(221, 238, 255); padding-right: 13px; font-size: 11.818181991577148px; line-height: 17.27272605895996px; background-position: 100% 50%; background-repeat: no-repeat no-repeat;">"Acupuncture for peripheral joint osteoarthritis"</a>. In Manheimer, Eric. Cochrane Database of Systematic Reviews (1): CD001977.<a href="https://en.wikipedia.org/wiki/Digital_object_identifier" title="Digital object identifier" style="background-color: rgb(221, 238, 255); font-size: 11.818181991577148px; line-height: 17.27272605895996px;">doi</a>:<a href="http://dx.doi.org/10.1002%2F14651858.CD001977.pub2" rel="nofollow" class="external text" style="color: rgb(102, 51, 102); background-image: url(data:image/png;base64,iVBORw0KGgoAAAANSUhEUgAAAAoAAAAKCAYAAACNMs+9AAAAVElEQVR42n3PgQkAIAhEUXdqJ3dqJ3e6IoTPUSQcgj4EQ5IlUiLE0Jil3PECXhcHGBhZ8kg4hwxAu3MZeCGeyFnAXp4hqNQPnt7QL0nADpD6wHccLvnAKksq8iiaAAAAAElFTkSuQmCC); background-color: rgb(221, 238, 255); padding-right: 13px; font-size: 11.818181991577148px; line-height: 17.27272605895996px; background-position: 100% 50%; background-repeat: no-repeat no-repeat;">10.1002/14651858.CD001977.pub2</a><a href="https://en.wikipedia.org/wiki/PubMed_Central" title="PubMed Central" style="background-color: rgb(221, 238, 255); font-size: 11.818181991577148px; line-height: 17.27272605895996px;">PMC</a> <a href="https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC3169099" rel="nofollow" class="external text" style="color: rgb(102, 51, 102); background-image: url(data:image/png;base64,iVBORw0KGgoAAAANSUhEUgAAAAoAAAAKCAYAAACNMs+9AAAAVElEQVR42n3PgQkAIAhEUXdqJ3dqJ3e6IoTPUSQcgj4EQ5IlUiLE0Jil3PECXhcHGBhZ8kg4hwxAu3MZeCGeyFnAXp4hqNQPnt7QL0nADpD6wHccLvnAKksq8iiaAAAAAElFTkSuQmCC); background-color: rgb(221, 238, 255); padding-right: 13px; font-size: 11.818181991577148px; line-height: 17.27272605895996px; background-position: 100% 50%; background-repeat: no-repeat no-repeat;">3169099</a><a href="https://en.wikipedia.org/wiki/PubMed_Identifier" title="PubMed Identifier" class="mw-redirect" style="background-color: rgb(221, 238, 255); font-size: 11.818181991577148px; line-height: 17.27272605895996px;">PMID</a> <a href="https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/20091527" rel="nofollow" class="external text" style="color: rgb(102, 51, 102); background-image: url(data:image/png;base64,iVBORw0KGgoAAAANSUhEUgAAAAoAAAAKCAYAAACNMs+9AAAAVElEQVR42n3PgQkAIAhEUXdqJ3dqJ3e6IoTPUSQcgj4EQ5IlUiLE0Jil3PECXhcHGBhZ8kg4hwxAu3MZeCGeyFnAXp4hqNQPnt7QL0nADpD6wHccLvnAKksq8iiaAAAAAElFTkSuQmCC); background-color: rgb(221, 238, 255); padding-right: 13px; font-size: 11.818181991577148px; line-height: 17.27272605895996px; background-position: 100% 50%; background-repeat: no-repeat no-repeat;">20091527</a>.
  8. Wang SM, Kain ZN, White PF (February 2008). <a href="http://www.thecochranelibrary.com/.../file/Acupuncture.../CD001977.pdf" rel="nofollow" class="external text" style="color: rgb(102, 51, 102); background-image: url(https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/2/23/Icons-mini-file_acrobat.gif); background-color: rgb(221, 238, 255); padding-right: 18px; font-size: 11.818181991577148px; line-height: 17.27272605895996px; background-position: 100% 50%; background-repeat: no-repeat no-repeat;">"Acupuncture analgesia: II. Clinical considerations"</a>Anesth. Analg. 106 (2): 611–21, table of contents.<a href="https://en.wikipedia.org/wiki/Digital_object_identifier" title="Digital object identifier" style="background-color: rgb(221, 238, 255); font-size: 11.818181991577148px; line-height: 17.27272605895996px;">doi</a>:<a href="http://dx.doi.org/10.1213%2Fane.0b013e318160644d" rel="nofollow" class="external text" style="color: rgb(102, 51, 102); background-image: url(data:image/png;base64,iVBORw0KGgoAAAANSUhEUgAAAAoAAAAKCAYAAACNMs+9AAAAVElEQVR42n3PgQkAIAhEUXdqJ3dqJ3e6IoTPUSQcgj4EQ5IlUiLE0Jil3PECXhcHGBhZ8kg4hwxAu3MZeCGeyFnAXp4hqNQPnt7QL0nADpD6wHccLvnAKksq8iiaAAAAAElFTkSuQmCC); background-color: rgb(221, 238, 255); padding-right: 13px; font-size: 11.818181991577148px; line-height: 17.27272605895996px; background-position: 100% 50%; background-repeat: no-repeat no-repeat;">10.1213/ane.0b013e318160644d</a><a href="https://en.wikipedia.org/wiki/PubMed_Identifier" title="PubMed Identifier" class="mw-redirect" style="background-color: rgb(221, 238, 255); font-size: 11.818181991577148px; line-height: 17.27272605895996px;">PMID</a> <a href="https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/18227323" rel="nofollow" class="external text" style="color: rgb(102, 51, 102); background-image: url(data:image/png;base64,iVBORw0KGgoAAAANSUhEUgAAAAoAAAAKCAYAAACNMs+9AAAAVElEQVR42n3PgQkAIAhEUXdqJ3dqJ3e6IoTPUSQcgj4EQ5IlUiLE0Jil3PECXhcHGBhZ8kg4hwxAu3MZeCGeyFnAXp4hqNQPnt7QL0nADpD6wHccLvnAKksq8iiaAAAAAElFTkSuQmCC); background-color: rgb(221, 238, 255); padding-right: 13px; font-size: 11.818181991577148px; line-height: 17.27272605895996px; background-position: 100% 50%; background-repeat: no-repeat no-repeat;">18227323</a>.