Públio Cornélio Cipião Násica Serápio

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Públio Cornélio Cipião Násica Serápio (em latim Publius Cornelius Scipio Nasica Serapio; 183 a.C.132 a.C.), filho de Públio Cornélio Cipião Násica Córculo, foi um militar e político romano da República Romana. O assassinato de Tibério Graco foi executado por sua iniciativa.

Carreira política[editar | editar código-fonte]

Sucedeu ao seu pai como pontífice máximo (pontifex maximus) em 141 a.C.. Obteve o cargo de cônsul em 138 a.C.

Odiava Tibério Graco, porque ele possuía muitas terras públicas, e se ressentia de ter sido forçado a devolvê-las.[1] Dirigiu a oposição à sua política agrária.

Em 133 a.C., Tibério Graco apresentou-se na assembleia para tentar a reeleição no seu cargo de tribuno, mas o povo virou-lhe as costas. Tibério, temendo pela sua vida, armou seus aliados com porretes improvisados.[2] Seus opositores foram ao senado romano, avisar do que Tibério estava fazendo,[3] e Násica demandou que o cônsul salvasse o estado, derrubando o tirano.[4] Públio Múcio Cévola, [carece de fontes?], o cônsul, respondeu que não usaria da violência e não mataria um cidadão sem julgamento, mas se o povo, persuadido por Tibério, votasse alguma coisa que fosse ilegal, ele não aceitaria este voto.[4] Násica se levantou e disse que, se o principal magistrado trai o estado, aqueles que querem seguir a lei deveriam segui-lo;[4] cobrindo sua cabeça com a toga, ele se dirigiu ao Capitólio, junto com vários senadores, que enrolaram a toga no braço.[5] [nota 1] Os atentendes dos senadores carregavam porretes, que tinham trazido de casa, e os senadores improvisaram com fragmentos do mobiliário que havia sido destruído pela multidão.[6] Graco tentou fugir, mas seguraram sua toga,[6] ele a largou, fugindo de túnica, mas tropeçou na sua fuga, e foi morto pelo seu inimigo a bordoadas.[6] O primeiro a atingir Graco foi Públio Satireu, golpeando-o na cabeça com a perna de um banco, seguido de Lúcio Rufo.[7] Cerca de trezentas pessoas foram mortas por golpes de paus e pedras, e nenhuma pela espada.[7]

Durante a perseguição aos seguidores de Graco, em que Diófanes o retórico foi assassinado e Caio Vílio foi trancado em uma jaula onde colocaram víboras e serpentes para matá-lo, Blóssio de Cumas foi levado aos cônsules para julgamento.[8] Blóssio disse que tudo que fizera, foi por ordens de Tibério Graco, e Násica perguntou, se Tibério tivesse ordenado por fogo no Capitólio, se ele teria obedecido.[9] Blóssio' respondeu que Tibério jamais teria dado tal ordem, mas quando a mesma pergunta foi feita por outras pessoas, ele disse que, se um homem como Tibério tivesse dado tal ordem, então seria certo fazer isso, porque Tibério não daria esta ordem se não fosse pelo interesse do estado.[9] Blóssio foi inocentado, e se juntou ao usurpador Aristônico, pretendente ao reino do Pérgamo, na Ásia.[9]

Násica passou a sofrer a hostilidade do povo, chamando-o de um homem amaldiçoado e tirano, que havia poluído, pelo assassinato de um homem sagrado e inviolável, o mais santo dos santuários da cidade.[10] Para evitar a vingança dos populares, Serápio foi enviado para a Ásia,[11] na comissão que devia concertar a sucessão de Atalo III, o qual legara o reino de Pérgamo a Roma, e acabava de falecer. Tudo isto apesar de que, teoricamente não pudesse abandonar Roma, na sua qualidade de Pontífice máximo.[10] Ele morreu logo depois, em Pérgamo.[10]

Notas

  1. Conforme o texto de Plutarco indica, os romanos vestiam uma túnica e, por cima desta, uma toga.

Referências

  1. Plutarco, Vidas Paralelas, Vida de Tibério, 13.3
  2. Plutarco, Vidas Paralelas, Vida de Tibério, 19.1
  3. Plutarco, Vidas Paralelas, Vida de Tibério, 19.2
  4. a b c Plutarco, Vidas Paralelas, Vida de Tibério, 19.3
  5. Plutarco, Vidas Paralelas, Vida de Tibério, 19.4
  6. a b c Plutarco, Vidas Paralelas, Vida de Tibério, 19.5
  7. a b Plutarco, Vidas Paralelas, Vida de Tibério, 19.6
  8. Plutarco, Vidas Paralelas, Vida de Tibério, 20.3
  9. a b c Plutarco, Vidas Paralelas, Vida de Tibério, 20.4
  10. a b c Plutarco, Vidas Paralelas, Vida de Tibério, 21.3
  11. Plutarco, Vidas Paralelas, Vida de Tibério, 21.2

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

Historia universal siglo XXI. La formación del Imperio Romano ISBN 84-323-0168-X Ed. Akal. Historia del mundo antiguo.Roma.La Roma primitiva

Precedido por
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Cônsul da República Romana
138 a.C.
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Pontífice máximo da República Romana
141 a.C.
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