Cipião Africano

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Cipião Africano
Publius Cornelius Scipio Africanus
Nascimento 236 a.C.
Morte 183 a.C. (53 anos)
Nacionalidade romano
Progenitores Pai: Públio Cornélio Cipião (cônsul de 218 a.C.)
Cargo General

Públio Cornélio Cipião Africano, dito o Velho (em latim Publius Cornelius Scipio Africanus abrev. P·CORNELIVS·P·F·L·N·SCIPIO·AFRICANVS¹, 236 a.C.183 a.C.) foi um general durante a Segunda Guerra Púnica e um estadista da República Romana. Filho de Públio Cornélio Cipião, ele é mais conhecido por ter derrotado Aníbal de Cartago, na batalha de Zama (que alguns historiadores rotulam de "Batalha de Waterloo" da antiguidade), um feito que lhe rendeu o apelido Africanus. Quando Cipião morreu em meio a acusações de seus rivais de ter aceitado suborno de Antíoco III, a quem havia derrotado na Ásia Menor, o general tinha exilado-se na Hispânia, longe de sua terra natal, Roma, e dizem que em seu túmulo mandou escrever: "Minha pátria ingrata não terá meus ossos."

Inimigos e companheiros ao mesmo tempo[editar | editar código-fonte]

Encontro de Cipião, o africano, e Aníbal em Zama.

O título é paradoxal, mas foi isso o que aconteceu entre os dois grandes generais: de um lado Aníbal, general cartaginês, e do outro Cipião, general romano. Historiadores antigos de renome como: Tito Lívio e Políbio relataram, como foi à véspera da batalha que iria dar um fim ao império cartaginês (batalha de Zama), em 202 a.C.

Nesse dia houve uma conversa entre os dois generais e daí saiu uma admiração mútua. Atribui-se a Cipião o aviso que salvou Aníbal após o final da Segunda Guerra Púnica. Cipião teria alertado o inimigo a deixar Cartago. Mas um fato é curioso: o general romano tinha motivos de sobra para odiar os Barcas e vice-versa. Enviado para a Hispânia, ele viu o pai e o tio serem mortos pelo irmão de Aníbal, Asdrúbal, na batalha de Bétis (211 a.C.). Todavia, coube a ele, três anos depois, derrotar o próprio Asdrúbal, na batalha de Bécula (208 a.C.), e seu irmão caçula Magão Barca, na batalha de Ilipa (206 a.C.), assegurando o domínio romano na Hispânia.

A maioria dos demais generais romanos tinha sido ofuscada pelo brilhantismo de Aníbal, e pelo fato de que ele vagueava à solta por toda a Península Itálica. Para eles, Aníbal era o inimigo. Cipião, por outro lado, sabia que era Cartago, e que a cidade norte-africana devia ser subjugada em seu próprio território antes que a guerra pudesse terminar. O primeiro passo em direção a esse almejado objetivo seria privá-la de seu império na Península Ibérica. Isolá-la de seus suprimentos das minas de prata e de outros minérios, e transferir a fidelidade dos vigorosos combatentes do país de Cartago para Roma. Aníbal, apesar de seu inquestionável brilhantismo no campo de batalha, não passaria de uma distração. Cipião, como todos os grandes comandantes, possuía uma visão bem ampla dos elementos e objetivos de uma guerra. A captura de Cartagena não era somente uma vitória a ser aclamada em Roma quando chegassem os espólios e tributos: era o princípio do fim. Foi o primeiro passo de uma longa estrada, que terminaria com sua vitória final, em Zama.

Família[editar | editar código-fonte]

Cipião casou-se com Emília Paula e teve quatro filhos:

Caráter[editar | editar código-fonte]

Ficheiro:Scipio.jpg
Cipião Africano quando jovem. Imagem em anel de selo de ouro de Cápua (século III a.C. ou século II a.C.), assinado por Herakliedes.

O caráter de Cipião era complexo e com um grau de sofisticação pouco compreendido por seus contemporâneos romanos, e mesmo por historiadores como Políbio e Tito Lívio. Como Aníbal, ele havia sido educado segundo a cultura da Grécia Antiga e possuía a mesma curiosidade intelectual e conhecimento dos compêndios da guerra, entre outras coisas, que Aníbal havia tido em sua idade — embora menos experiência que este último em campo.

Cipião, escreveu Lívio, era notável não apenas por suas reais habilidades, mas, graças a uma certa perícia, havia adaptado a si mesmo para exibi-las, realizando muitas de suas ações perante o público, ora como se eles fossem tomados por visões da noite ou inspirados por uma certa superstição, ora de modo a que os homens levassem a cabo suas ordens e conselhos, ainda que provenientes de uma resposta oracular (…)

Desde o momento em que colocou sua briosa toga, não houve um só dia em que ele fizesse qualquer negócio público ou privado sem ir primeiro ao Capitólio e após ter adentrado o templo, sentado e passado algum tempo ali sozinho em retiro. Esse costume, que manteria por toda a sua vida, confirmava em alguns a crença, deliberadamente divulgada ou não, de que ele era um homem de uma raça divina. Dois historiadores atuais, Dorey e Dudley, talvez o tenham avaliado de um modo mais simpático, descrevendo seus dons de superioridade intelectual, sua natural cortesia, genuína cultura e real simpatia por pessoas de outras raças. "Por sua posição tão claramente distante dos nobres romanos comuns, causava muita inveja entre eles. Como soldado, sua grandeza é indiscutível. Foi um dos mais criativos pensadores no campo da guerra, e as táticas que desenvolveu tornaram o exército romano supremo por muitos séculos. Foi, também, um proeminente comandante de campo; dotado de um maravilhoso senso de adaptação, podia executar complicadas manobras com sucesso sob os olhos do inimigo".

Ele havia aprendido muito com Aníbal, e a principal lição foi ser flexível em seu modo de pensar e não abordar todo evento e todo campo de batalha nos velhos moldes romanos de consistência inflexível. Na ocasião, a indicação de Cipião para o importante comando na Hispânia justificava plenamente a fé dos senadores nele. Um ano depois de sua chegada à península Ibérica, o golpe que desfechara no império cartaginês fora duro a ponto de ter mudado diretamente o curso da guerra. Os romanos, desalentados por tantos motivos — perda de prestígio, virtual bancarrota, imensos impostos e constante consciência da negra sombra de Aníbal pairando sobre a terra — seriam reanimados por notícias quase inacreditáveis: Cartagena, a "Nova Cartago", capital da Península Ibérica cartaginesa, havia sucumbido ante as forças de Cipião. De um só golpe, ele havia privado os cartagineses de seu melhor porto na Hispânia, a capital administrativa de seu império ibérico e fonte principal de sua riqueza e poder no oeste. Foi o primeiro passo de uma trajetória que culminaria com sua vitória final contra Aníbal, em Zama.

Notas[editar | editar código-fonte]

P·CORNELIVS·P·F·L·N·SCIPIO·AFRICANVS significa Publius Cornelius Publii filius Lucii nepos Scipio Africanus, "Públio Cornélio Cipião Africano, filho de Públio, neto de Lúcio"

Cipião no Cinema[editar | editar código-fonte]

Ver também[editar | editar código-fonte]

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