Catão, o Velho

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Catão, "o Censor"

Marco Pórcio Catão (em latim: Marcus Porcius Cato[1] ; Túsculo 234 a.C.Roma, 149 a.C.), também conhecido como Catão, o Velho ou Catão, o Censor, foi um político romano. Foi cônsul de Roma em 195 a.C., e censor em 184 a.C.

Catão procedia de uma antiga família plebeia que se distinguira por resenháveis serviços militares, mas não pelo desempenho de magistratura política. Fora criado ao modo dos seus antepassados latinos e educado na agricultura, à qual se dedicava quando não estava integrado no serviço militar. Contudo, Catão chamou a atenção de Lúcio Valério Flaco, que o levou para Roma, onde, graças à sua influência, Catão foi ascendendo através das diferentes etapas do Cursus honorum: tribuno em 214 a.C., questor em 204 a.C., pretor em 198 a.C., cônsul em 195 a.C. junto ao seu velho patrão, e finalmente censor em 184 a.C.

Como censor, Catão distinguiu-se pela sua conservadora defesa das tradições romanas em contraposição com o luxo da corrente helenística procedente de Oriente.[2] Além disso, e no quadro do seu trabalho de censura, protagonizou um duro confronto com Públio Cornélio Cipião o Africano. Como político, Catão foi o maior defensor e impulsionador da guerra com Cartago.

Como militar, combateu os cartagineses na Segunda Guerra Púnica entre 217 a.C. e 207 a.C., participando na decisiva batalha do Metauro, onde Asdrúbal morreu. Durante o seu período de procônsul da Hispânia Citerior dirigiu as suas tropas de modo dinâmico e hábil subjugando os insurgentes hispânicos com dureza. Em 191 a.C. interveio como tribuno militar na campanha da Grécia contra o Império Selêucida de Antíoco III Magno, participando decisivamente na batalha das Termópilas que marcou a queda dos Selêucidas.

É considerado o primeiro escritor em prosa latina de importância; foi o primeiro autor de uma íntegra história da Itália em latim. Alguns historiadores argumentaram que, de não ser pelo impacto que causaram os seus escritos, o grego teria substituído o latim como língua literária em Roma. O seu manual De Agri Cultura (também chamada De Re Rustica) ou Acerca da Agricultura é a única das suas obras que sobreviveu na íntegra. Nela descreve-se o rito das suovetaurílias, entre muitos outros temas.

Origens[editar | editar código-fonte]

Gens Pórcia[editar | editar código-fonte]

Catão o Velho nasceu em Túsculo, um distrito municipal integrado no Lácio ao que os seus antepassados pertenceram por várias gerações. Seu pai ganhara uma grande reputação como valente soldado e o seu bisavô recebera uma recompensa do Estado ao matar cinco soldados montados durante uma batalha. Porém, os integrantes da Gens Porcia, como eram conhecidos, não desempenharam nunca uma magistratura romana. Quando começou a sua carreira política na capital, era considerado entre os aristocratas como um Homo novus; o sentimento de se encontrar numa posição injusta, unido à sua crença de ser superior aos seus rivais políticos, contribuíram para estimular a sua ambição.

Cognome Catão[editar | editar código-fonte]

Os varões pertencentes às três gerações imediatamente anteriores ao nascimento de Catão receberam o nome de Marco Pórcio e, segundo Plutarco,[3] Catão era conhecido originalmente como Priscus; porém, adotou posteriormente o cognome de "Catão" (Cato) - que indica uma sabedoria prática unida a uma sagacidade política natural e combinada com a experiência de manejar assuntos civis e administrativos. Porém, é provável que o epíteto mais comum de Catão fosse Priscus - utilizado para o distinguir dos seus sucessores até a ascensão do célebre Catão, o Uticense. Também é possível que este cognome fosse dado na sua infância como um símbolo de distinção. As qualidades implícitas neste cognome eram resumidas no antiquado título de Sapiens, com o que seria conhecido na sua velhice, e do qual o escritor Marco Túlio Cícero afirma que se converteu no seu cognome "formal".[4] Homem de grande eloquência nas suas dissertações e possuidor de grande estilo oratório,[5] [6] Na atualidade, Catão, o Velho (Cato Maior) e Catão, o Censor (Cato Censorius) tornaram-se os seus apelidos mais comuns.

Ano de nascimento[editar | editar código-fonte]

Com o fim de determinar a data do nascimento de Catão o Velho tem-se de considerar os registos que referem a sua idade no momento da sua morte, acontecida em 149 a.C. Segundo os escritos de Cícero,[7] Catão nasceu em 234 a.C., no ano anterior ao consulado de Quinto Fábio Máximo Verruscoso Cunctator, e faleceu com 85 anos, durante o consulado de Lúcio Márcio Censorino (o cônsul que iniciou o cerco de Cartago) e Mânio Manílio. Plínio o Velho[8] mostra-se de acordo com Cícero, apesar da marcada tendência entre os historiadores clássicos para exagerar a idade de Catão. Segundo Valério Máximo,[9] sobreviveu ao seu 86º aniversário, enquanto Tito Lívio[10] e Plutarco[3] defendem que à sua morte contava 90 anos.

Plutarco rebate estas afirmações[11] ao mencionar na sua obra uma frase que atribui a Catão; nela, o censor dizia que serviu na sua primeira campanha aos 17 anos, quando o comandante cartaginês Aníbal, entrou na Itália à cabeça de um enorme exército. Porém, Plutarco não observou que a afirmação da sua principal fonte, Tito Lívio, era errada ao tomar o 17.º aniversário de Catão como 222 a.C., ano em que Aníbal não estava presente na Itália.

Porém, o cômputo realizado por Cícero foi estabelecido como o correto devido a que situa o 17 aniversário de Catão no quadro da Segunda Guerra Púnica.

Juventude[editar | editar código-fonte]

Segunda Guerra Púnica[editar | editar código-fonte]

Mapa da Segunda Guerra Púnica

Quando Catão era ainda muito novo, o seu pai faleceu deixando-o na posse de uma pequena herança, umas propriedades no território da Sabina, a pouca distância da sua povoação natal. Lá Catão passou a maior parte da sua juventude, supervisionando e dirigindo as operações agrícolas das suas propriedades, aprendendo como devia dirigir os seus negócios e estudando as regras da agricultura. Perto das terras de Catão, existia uma modesta cabana que fora habitada após a celebração dos seus três triunfos por Mânio Cúrio Dentato, cujas proezas no exército romano e cujo caráter forte e moralista permaneciam na memória de todos os romanos. Dentato era muito admirado entre a vizinhança, e as suas proezas inspiraram Catão, que decidiu tentar imitar o seu caráter e atingir a sua glória partindo para combater os cartagineses na Segunda Guerra Púnica em 217 a.C. Existem muitas discrepâncias tanto entre as fontes antigas como nas modernas quanto ao começo do serviço militar de Catão. Em 214 a.C., Catão serviu em Cápua e o historiador Wilhelm Drumann[12] teoriza que Catão era nesse momento, com 20 anos, um mero tribuno militar. Quinto Fábio Máximo, que ostentava o comando em Cápua durante o seu quarto consulado, não tardou em ver o valor de Catão e travou uma íntima amizade com o novo militar. No cerco de Tarento de 209 a.C., Catão lutou de novo junto a Fábio e dois anos mais tarde, em 207 a.C., Catão fez parte do seleto grupo que acompanhou o cônsul Caio Cláudio Nero desde Lucânia para norte da península, com o objetivo de frear o avanço de Asdrúbal Barca. Os antigos escritos recolhem que Catão contribuiu para a decisiva vitória dos romanos na batalha do Metauro, onde Asdrúbal resultou morto.

Período de paz[editar | editar código-fonte]

No período entre as diferentes campanhas, Catão voltou para a sua granja de Sabina. Os vizinhos de Catão apreciavam-no pela sua juventude, pelo seu jeito de vida e pela sua concisa e antiquada oratória, e selecionavam-no habitualmente para agir de árbitro nas disputas vicinais ou para os representar frente do Estado, tarefas para as que Catão, pelo seu muito ativo jeito de vida, se mostrava disposto.

Como consequência de todas estas atividades, a capacidade oratória de Catão foi melhorando: o novo camponês ganhou confiança em si mesmo, aprendeu os modos que utilizavam os nobres ao parlamentar e começou no estudo das leis.

Moral romana[editar | editar código-fonte]

Nas cercanias da granja de Catão situavam-se as terras de Lúcio Valério Flaco, um jovem pertencente a uma família patrícia de grande influência. Na sociedade romana decorria uma transição dos valores tradicionais da vida rústica para valores mais ostentosos, procedentes da civilização helênica e oriental. A máxima magistratura política de Roma, o consulado, ficara nas mãos de umas poucas famílias aristocráticas imensamente ricas. Estes patrícios, embora famosos pela sua corruptibilidade, também eram populares entre os romanos pela sua generosidade, elegantes modais, refinada oratória, conhecimentos artísticos e literários e pela fama dos seus antepassados. Os nobres menos favorecidos reagiram encabeçando uma fação dentro do Senado que defendia o retorno aos valores tradicionais herdados pelos sabinos, usados como símbolo de resistência e robustez. Flaco, pertencente a esta fação conservadora, notou a energia e moral de Catão, a sua austeridade e a sua forma de viver, ao qual se somavam a sua eloquência e talento militar. Os líderes da fação senatorial que promoviam a transição para o modelo de vida oriental eram a família Cipião, com Públio Cornélio Cipião o Africano à cabeça, Marco Cláudio Marcelo e Tito Quincio Flaminino; a facção conservadora era liderada por Flaco, Quinto Fábio Máximo, Catão e os seus aliados.

Carreira política[editar | editar código-fonte]

Flaco encontrou no espírito marcial e eloquência oratória de Catão um possível candidato para a sua facção, sabendo que as virtudes de coragem e capacidade de persuasão de Catão seriam muito valoradas em Roma, e que o único modo para Catão aceder às altas magistraturas era distinguindo-se no Fórum Romano. Por isso, sugeriu ao jovem camponês que conduzisse a sua ambição para a atividade política, e convidando-o à sua residência em Roma, fazendo que o jovem começasse a distinguir-se no Fórum, e tornando-se assim num candidato a aceder a uma magistratura.

Princípios da sua carreira militar e política[editar | editar código-fonte]

Questor[editar | editar código-fonte]

Em 205 a.C. Catão foi designado questor, e ao ano seguinte começou a desempenhar as tarefas que o posto exigia, quando marchou junto a Públio Cornélio Cipião até a Sicília. Quando Cipião conseguiu, após derrotar uma forte oposição no Senado, que este aprovasse a partida das tropas da ilha para o Norte da África, Catão e Caio Lélio foram designados como escolta dos navios de transporte. A relação entre Catão e Cipião não era boa, pois quando Cipião solicitara ao Senado que lhe permitisse transportar as suas tropas à África para atacar o inimigo cartaginês no seu próprio território, Quinto Fábio Máximo — o antigo general de Catão — opôs-se , e Catão, cuja nomeação era destinada a vigiar o comportamento de Cipião, aprovou os pontos de vista do seu antigo comandante.

Sicília, província proconsular de Cipião

Segundo Plutarco, o relaxamento da disciplina entre as tropas de Cipião, e as enormes despesas nas quais incorria o general provocaram a ira do austero Catão, ao que o general respondeu alegando que "contasse as vitórias, e não o dinheiro".[13] Após a discussão, Catão demitiu do seu serviço e regressou para o Senado. Pronunciou uma queixa frente da Câmara referente às desorbitadas despesas do general. Ante esta petição, secundada por Fábio Máximo, uma delegação foi enviada para pesquisar. Os integrantes da mesma não encontraram provas do esbanjamento do general.[14] A versão de Tito Lívio discrepa, porém, com a de Plutarco e assegura que as queixas de Catão eram motivadas por incompatibilidades ideológicas com o seu comandante. Se a versão de Lívio for correta, a delegação foi enviada para tratar as queixas dos habitantes de Lócris Epicefíria, que teriam sofrido uma grande opressão sob o comando de um dos legados de Cipião, Quinto Plemínio. Lívio não diz nada a respeito de uma possível ingerência de Catão neste assunto, embora mencione a amargura com a que o jovem questor se queixou ao seu aliado Fábio Máximo de como Cipião corrompera a disciplina militar, e da sua marcha ilegal desde Sicília para tomar Lócris.[15]

O autor da curta versão acerca da vida de Catão, cuja identidade é atribuída geralmente a Cornélio Nepote, afirma que Catão, após o seu regresso da África, parou na Sardenha e embarcou na sua nave o poeta Quinto Ênio. Contudo é mais provável que o primeiro contato entre o poeta latino e o senador ocorresse quando este era pretor da Sardenha.[16]

Edilato e Pretura[editar | editar código-fonte]

Sardenha, província propretoriana de Catão

Em 199 a.C., Catão foi eleito edil e junto ao seu colega no posto, Hélvio, restaurou os jogos plebeus e deu o consentimento para celebrar um banquete em honra de Júpiter. Foi eleito pretor em 198 a.C., e a ilha de Sardenha foi declarada província, à que partiu no comando de 3000 soldados de infantaria e 200 de cavalaria. Aqui teve Catão a sua primeira oportunidade para demonstrar as suas crenças em relação a uma estrita moral pública. Reduziu os custos das operações navais, caminhou através da sua província em companhia de um único assistente e pôs de relevo o forte contraste entre o seu austero modo de vida e a suntuosidade com a que viviam os magistrados provinciais de classe ordinária. Os ritos religiosos celebraram-se com uma razoável poupança, a justiça administrou-se com razoável imparcialidade, a usura foi perseguida e desterrados os que a praticavam.

Consulado[editar | editar código-fonte]

Lex Oppia[editar | editar código-fonte]

Em 195 a.C., Catão foi eleito cônsul junto ao seu antigo amigo e patrono, Lúcio Valério Flaco, que comprometeu Catão com a sua esposa Licínia, com a que Catão se casou aos 39 anos. Durante o consulado de Catão e Flaco, aconteceu uma grande disputa legal que deu ao manifesto os arraigados ideais conservadores do cônsul. Em 215 a.C., durante o apogeu da Segunda Guerra Púnica, um tribuno da plebe chamado Caio Ópio aprovara uma lei (a denominada Lex Oppia). Esta lei tinha por objeto a restrição do luxo às mulheres, para o qual instaurava uma série de proibições, entre as quais cabe citar a proibição de levar joias de um valor superior a uma onça de ouro, a proibição de levar vestidos de várias cores, etc. Com Aníbal derrotado e a economia da República novamente próspera graças ao confisco dos tesouros cartagineses, já não havia necessidade de continuar aplicando a Lex Oppia. Em consequência, os tribunos Marco Fundânio e Lúcio Valério tentaram efetuar uma reprovação da lei, mas encontraram a oposição dos seus colegas Marco Júnio Bruto e Tito Júnio Bruto. Esta disputa legislativa gerou um maior interesse que os assuntos administrativos e estatais. As mulheres de mediana idade plantavam-se nas imediações do Fórum Romano e pediam que restaurassem os direitos das mulheres romanas. Cada vez mais decididas, as matronas rogaram aos pretores, cônsules e consulares a reprovação da lei, mas Catão mostrou-se inflexível e realizou um grosseiro discurso cujo núcleo foi resgatado por Tito Lívio. Ao final, as mulheres conseguiram o que queriam.[17] As mulheres, para celebrar o seu sucesso, desfilaram em procissão pelas ruas da capital luzindo as joias e os vestidos mais voluptuosos possíveis, os quais eram por fim legais.[18]

Este assunto porém não danou em excesso a imagem pública de Catão. Quando venceu o seu consulado, foi designado procônsul ao cargo da província de Hispânia Citerior.

Hispânia Citerior[editar | editar código-fonte]

Durante a sua campanha na Hispânia, Catão comportou-se de acordo à sua reputação de incansável trabalhador e em constante alerta. Viveu em função aos seus ideais estoicos, compartilhando tanto as tarefas quanto os víveres dos seus soldados rasos. Catão dirigia as suas tropas de modo dinâmico e hábil. Os movimentos do exército de Catão eram dirigidos para se ajustarem às estratégias do resto de generais romanos acantonados na Hispânia. Apesar de ser um general novo e de talento, mostrava uma infrequente humildade ao elaborar as suas estratégias em consonância aos conselhos de vários peritos. Catão enfrentou as tribos hispânicas entre elas e, aproveitando-se da sua debilidade, chegou mesmo a usar muitos deles como mercenários contra os outros nativos.

Divisão provincial da Hispânia na época de Catão

Os pormenores desta campanha foram recopilados pelo historiador Tito Lívio[19] e ilustrados com anedotas de Plutarco. Ambos os historiadores contam o horror que caracterizou as operações militares acontecidas durante o conflito e a rapidez e falta de clemência com a que Catão subjugou os revoltosos hispânicos. Pode-se ler nestas obras que houve multidões às que, após despojá-las das suas armas, executou-as pela sua desonra ou massacrou-as durante os saques.

Triunfo[editar | editar código-fonte]

Uma vez reduzidos os revoltosos hispânicos no território entre o rio Ebro e os Pirenéus, Catão dirigiu a sua atenção para a administração da província. Durante o seu governo, a renda aumentou, ao incrementar os benefícios do Estado pela exploração dos recursos mineiros situados a norte da península Ibérica. Graças a todos estes sucessos, o Senado decretou três dias de agradecimento em honra ao glorioso general. No fim de 194 a.C., Catão regressou para Roma e o Senado votou em favor da celebração de um triunfo, no que exibiu uma extraordinária quantidade de ouro, prata e latão. Durante a distribuição da pilhagem, Catão mostrou-se muito mais liberal do que seria esperado nele.[20]

Final do seu consulado[editar | editar código-fonte]

É provável que o regresso de Catão fosse antes do previsto, devido a que o seu inimigo Públio Cornélio Cipião o Africano, que era cônsul esse ano, desejava arrebatar a província ao procônsul. Há certo desacordo entre os escritos dos historiadores Cornélio Nepote e Plutarco[21] o primeiro afirma que Cipião não teve sucesso em obter a província mediterrânea e que, devido ao seu anojo, recusou deixar a capital republicana até o final do seu consulado. Plutarco afirma, porém, que Cipião teve sucesso em obter a província do seu rival, mas que não conseguiu a aprovação de uma moção de censura contra o seu inimigo e que, como réplica aos seus opositores, se manteve durante o seu proconsulado em Roma. Os escritos recolhidos por Tito Lívio,[22] afirmam que Sexto Digítio foi designado governador da Hispânia Citerior. É provável que Plutarco se equivocasse nesse ponto ao ser esse mesmo ano Públio Cornélio Cipião Násica designado governador de Hispânia Ulterior.

Aparentemente Catão tentou sem sucesso demonstrar através da sua eloquência a veracidade das contas financeiras da província. Existem fragmentos de alguns dos seus discursos que testemunham a força dos seus argumentos.

Plutarco[23] afirma que após o seu consulado, Catão acompanhou Tibério Semprônio Longo à Trácia como legado, mas parece que há um erro, pois em 193 a.C. foi designada a Semprônio Longo como governador da província da Gália Cisalpina[24] (situada na atual França). Esse mesmo ano Catão financiou a construção de um pequeno templo em honra a Victoria Virgo, o qual prometera dois anos antes, pelo que parece improvável que servisse como legado na Macedônia.[25]

Final da carreira militar[editar | editar código-fonte]

Busto de Antíoco III (Museu do Louvre)

Batalha das Termópilas[editar | editar código-fonte]

Apesar de Catão não ser já um homem novo, a sua carreira militar não terminara ainda. Em 191 a.C. foi designado tribuno militar[26] do cônsul Mânio Acílio Glábrio, o qual foi enviado a Grécia para opor-se ao rei do Império Selêucida, Antíoco III Megas.

Na decisiva batalha das Termópilas (que não deve ser confundida com a famosa batalha do mesmo nome durante as Guerras Médicas), que marcou o começo da queda de Antíoco, Catão mostrou o seu valor e obteve uma grande fortuna. Numa valente incursão no território inimigo, o exército romano eliminou os seus inimigos da Liga Etólia que estavam situados no ponto mais alto do monte Eta, a seguir as legiões descenderam depressa do Eta, causando terror no acampamento inimigo e forçando a retirada da Grécia do exército selêucida. Por esta perigosa estratégia, o general Catão foi muito considerado entre as suas tropas que lhe atribuíram todo o mérito da vitória. Após o período entre a perseguição de Antíoco e a pacificação do território grego, Catão foi enviado a Roma pelo cônsul Glábrio para que comunicasse as notícias da vitória. Catão viajou depressa, chegando à capital antes de Lúcio Cornélio Cipião Asiático, que fora enviado antes.[27]

Visita a Atenas[editar | editar código-fonte]

Segundo os escritos de Plutarco, durante a campanha na Grécia sob o comando de Glábrio, após a batalha das Termópilas, Catão foi enviado a proteger os territórios de Corinto, Patras e Egito com o objetivo de que não mudassem para o bando de Antíoco. Foi então que Catão visitou Atenas e dirigiu um discurso em latim à população da cidade grega. É bastante provável que Catão tivesse noções básicas de grego, pois segundo Plutarco, Catão estudara esta língua na sua juventude em Tarento, onde travou amizade com o filósofo grego Nearco. Segundo Aurélio Víctor, durante a pretura de Catão na Sardenha, este recebeu classes de grego de Quinto Ênio. Contudo, era conhecido o desdém de Catão pelo mundo helênico. É provável, no entanto, que se dirigisse à população ateniense em latim devido a que era de obrigado cumprimento para os magistrados romanos, pois mostrava a dignidade romana.[28]

Censorado[editar | editar código-fonte]

Catão foi eleito censor em 184 a.C. junto ao seu antigo patrono Lúcio Valério Flaco. Com uma firme reputação como soldado, Catão preferiu servir o estado no seu lar, escrutando a conduta dos candidatos a honras públicas e dos generais no campo de batalha. Embora não se implicasse na persecução dos Cipiões (Africano e Asiático) por corrupção, sim que foi a sua vontade a que animou o ataque político contra eles. Cipião foi absolto por aclamação, após recusar-se a defender-se das suas acusações.[29] Apesar disso, o escândalo das acusações acabou com a vida pública do Africano, quem teve de se retirar para a sua vila de Liternum. A inimizade de Catão com Cipião remontava à campanha da África, quando se enfrentou este pelo seu esbanjamento na repartição da pilhagem entre as tropas e pelo luxo e a extravagância de que Cipião fazia gala.

Contudo, Catão tinha uma tarefa ainda mais séria, pois opunha-se à expansão da cultura helênica que ameaçava com destruir a áspera simplicidade do modo de vida romano. Considerava esta resistência à invasão cultural como a sua missão especial. Catão exibia esta determinação com mais firmeza no seu censorado, razão pela qual seria apodado "o Censor". Revisou com uma severidade inusitada as listas de senadores e cavaleiros, expulsando aqueles que considerava que não eram merecedores do mesmo, quer por motivos morais quer pela ambição destes. A expulsão de Lúcio Quíncio Flamino por crueldade foi um exemplo do seu rígido modo de entender a justiça.

As suas ordenanças contra o luxo foram severas. Impôs um elevado imposto sobre vestidos e adornos pessoais, especialmente nos adornos femininos, e sobre os escravos jovens comprados como "favoritos". Em 181 a.C. apoiou a Lex Orchia (de acordo com outras fontes, primeiro opôs-se à sua introdução e posteriormente à sua abolição), que prescrevia um limite ao número de hóspedes numa hospedaria, e em 169 a.C. promoveu a Lex Voconia, que entre outras questões continha uma normativa visando revisar a acumulação desproporcionada de riquezas nas mãos de uma mulher.

Reparou os aquedutos, limpou os esgotos, previu o uso privado das águas públicas, ordenou a demolição das casas que estreitavam as vias públicas e construiu a primeira basílica no Fórum Romano, perto da Cúria.[30] Elevou também a quantidade entregue pelos publicanos pelos direitos de arrecadação de impostos, e ao mesmo tempo diminuiu os preços dos contratos para a construção de obras públicas.

Últimos anos[editar | editar código-fonte]

Grupo funerário de Catão o Velho e a sua esposa Licínia (Museus Vaticanos)

Do seu período como censor (184 a.C.), até a sua morte em 149 a.C., Catão não ocupou cargo público algum, embora continuasse distinguindo-se no senado como um persistente adversário contra as novas ideias. Assim, horrorizava-o o licencioso dos mistérios báquicos, e exigiu a expulsão dos filósofos gregos (Carnéades, Diógenes e Critolao), os quais chegaram como embaixadores desde Atenas, por causa da perigosa natureza dos seus pontos de vista.

Catão tinha terror aos médicos, os quais eram na sua grande maioria gregos. Geriu a libertação do historiador Políbio e dos seus companheiros prisioneiros, perguntando com desprecio aos senadores se não tinham nada melhor de fazer que discutir acerca de se uns quantos gregos deviam falecer em Roma ou na sua terra. Não conheceu a literatura grega até ser octogenário, embora alguns estudiosos dos seus escritos pensem que devia conhecer as letras gregas desde jovem.

Delenda est Carthago[editar | editar código-fonte]

Plano de Cartago e da península

A sua última atividade pública foi promover o início da Terceira Guerra Púnica e a destruição de Cartago. Em 157 a.C. foi um dos deputados enviados a Cartago para arbitrar entre os cartagineses e Massinissa, rei da Numídia. A missão foi infrutuosa, e os comissionados voltaram. Mas Catão voltava tão impressionado pelas evidências da prosperidade cartaginesa que estava convencido de a segurança de Roma depender da aniquilação de Cartago. Naqueles tempos, durante e fora das sessões, repetidamente clamava: "Ceterum censeo Carthaginem esse delendam" ("Por outro lado, opino que Cartago deve ser destruída").[31] Esta frase em todos os seus discursos fê-lo também muito famoso em Roma.

Para Catão, a vida privada foi disciplina, e a vida pública, a disciplina da maioria. Considerava o cabeça-de-casal como o gérmen da família mesma, e à família como o gérmen do estado. Mediante uma estrita economia do tempo realizou uma quantidade imensa de trabalho, exigindo a mesma atitude dos seus familiares, e mostrando-se como um esposo duro, um pai estrito e um amo severo e cruel. Aparentemente, havia pouca diferença entre o interesse que prestava para a sua família e para os seus escravos.

Nada havia no comportamento de Catão que merecesse a censura dos seus compatriotas, que o viam como um exemplo da forma de vida romana tradicional. Na passagem em que Tito Lívio descreve o caráter de Catão não há uma só palavra de crítica para a rígida disciplina da sua casa.

Vida doméstica[editar | editar código-fonte]

Estátua de Catão o Jovem, Museu do Louvre

Durante toda a sua vida Catão manteve o espírito rural inculcado pelos pais. Contraiu matrimônio com uma aristocrata romana da gens Licínia. Com a sua primeira mulher teve um único filho, conhecido como Marco Pórcio Catão Liciniano, para diferenciá-lo do seu meio-irmão. Ao seu primeiro filho, Catão inculcou os seus mesmos valores tradicionais, e este chegou a ser um homem de grande valia, inteligente, brilhante jurista, sagaz político e valente soldado.

Porém, à morte da sua primeira esposa, a inegável moralidade de Catão ficou em entredito quando este, apesar de se encontrar numa idade muito avançada, tomou uma nova esposa dentre as suas escravas, uma jovem de grande beleza chamada Salônia, com a que teve um filho chamado Marco Pórcio Catão Saloniano. O primogênito de Catão, retirou ao seu pai a palavra.

A inimizade entre ambos os ramos da família de Catão seguiria à morte do patriarca. Apesar de que em teoria o ramo dos Licinianos tê-lo mais fácil pelo maior poder econômico e influência política, os que mais se lembram são os do ramo dos Salonianos graças ao seu descendente Catão, o Jovem.[32]

Escritos de Catão[editar | editar código-fonte]

Catão não é famoso somente pela sua importância política e reconhecimentos militares, mas também como escritor. Catão foi um historiador, o primeiro escritor em prosa latina de importância,[33] e o primeiro autor de uma íntegra história da Itália em latim. Alguns historiadores argumentaram que, de não ser pelo impacto que causaram as escritas de Catão, o grego teria substituído o latim como língua literária em Roma.[34] Catão é um dos poucos autores do nascimento da literatura latina que podiam afirmar que esse idioma era a sua língua materna.[35]

  • Seu manual acerca de como deve dirigir uma granja (De Agri Cultura), é a única das suas obras que sobreviveu na íntegra. Trata-se de uma coleção de livros que recopila as normas e regras de cria e gestão de granjas, incluindo anedotas acerca da vida rural dos camponeses itálicos do século II a.C. Adotada por muitos como um livro de texto, De Agri Cultura proporciona regras para dirigir uma granja ampla e dotada de muitos escravos. Catão assessora os granjeiros na aquisição de trabalhadores para a recolhida de azeitonas[36] bem como proporciona técnicas de turnos de refresco escravistas que evitam o extremo cansaço de alguns, o que provocava um descenso na produção. Afirma na sua obra que é preciso vender escravos quando estes envelhecem ou se põem enfermos.[37] Catão proporcionou aos granjeiros interessados na sua obra uma série de discursos que são citados por diversos autores latinos.[38]
  • A que é provavelmente a obra mais importante de Catão, Origenes, oferece num pequeno compêndio de sete livros uma visão da antiga história das cidades italianas, em especial Roma, acerca da qual escreve, da fundação até os seus dias. Embora a obra se perdesse, diversos fragmentos sobreviveram graças a antigos autores que os recuperaram.[39]
  • Durante o Império Romano conservaram-se uns 150 discursos políticos de Catão. Em eles Catão proclamava a sua repulsa à decadência da moral romana e exercia vinganças verbais contra os seus adversários políticos. Atualmente não se conhecem sequer os títulos destes discursos, embora se conservem alguns fragmentos. O primeiro do qual se pode dar uma data concreta é uma obra chamada Acerca da Eleição de Edis, escrita em 202 a.C. Existem ademais uma série de discursos a partir do seu consulado seguida de uma retrospetiva auto-justificativa chamada Sobre o seu Consulado, que recopila numerosos discursos emitidos durante o seu censorado. Não é seguro que Catão permitisse ler ou copiar os seus discursos enquanto estava vivo. Também se desconhece se a sua circulação ocorreu imediatamente após a sua morte.[40]
  • De re militari é um manual militar prático comparável a De Agri Cultura.[41]
  • De lege ad pontifices auguresque spectanti ("Sobre a Lei relativa a Sacerdotes e Augures) é uma obra da qual apenas se conhece um pequeno fragmento que seguia certas seções de De Agri Cultura. O estilo literário de Catão é praticamente invariável nas suas obras e quase todas seguem uma mesma estrutura.[42]
  • Praecepta ad Filium, "Máximas dirigidas ao seu filho",[43] Citado por Plínio o Velho, Naturalis Historia 29.13-14.
  • Uma história de Roma com a que ensinou ao seu filho a ler.
  • Carmen de moribus ("Poema da moral"), aparentemente em prosa, apesar do título.[44]
  • Uma coleção de ensaios, alguns dos quais foram traduzidos para o grego.

As duas coleções de provérbios que sobreviveram até o nossos dias e que se conhecem como Estes de Catão e Monosticha Catonis, escritas em versos hexâmetros, pertencem provavelmente ao século IV a.C., e portanto é impossível que fossem escritas pelo censor, apesar de ser atribuídas tradicionalmente.

Cronologia[editar | editar código-fonte]

  • 234 a.C. — Nascimento de Catão em Túsculo.
  • 217 a.C. — Catão marcha a combater contra Aníbal.
    • 214 a.C. — Serve em Cápua.
    • 209 a.C. — Participa no cerco de Tarento.
    • 207 a.C. — Passa ao serviço de Caio Cláudio Nero.
  • 205 a.C. — Entra para o Senado ao ser nomeado questor.
  • 204 a.C. — Como proquestor passa ao serviço do procônsul Cipião o Africano.
  • 202 a.C. — Escreve a sua primeira obra, intitulada Sobre a escolha de edis.
  • 199 a.C. — É eleito edil.
  • 198 a.C. — É eleito pretor.
    • 197 a.C. — Governa como propretor na província da Sardenha.
  • 195 a.C. — É eleito cônsul junto a Lúcio Valério Flaco. Esse mesmo ano vê-se obrigado a derrogar a Lex Oppia.
    • 194 a.C. — Governa como procônsul a província da Hispânia Citerior. Ao regressar para Roma celebra um triunfo.
  • 191 a.C. — É nomeado tribuno militar e marcha a leste na qualidade de legado de Mânio Acílio Glábrio.
  • 184 a.C. — É eleito censor junto a Lúcio Valério Flaco.
  • 181 a.C. — Opõe-se à introdução da Lex Orchia e depois à sua abolição.
  • 169 a.C. — Promove a Lex Voconia.
  • 160 - 150 a.C. — Disse pela primeira vez a sua frase mais famosa, Ceterum censeo Carthaginem esse delendam.
  • 157 a.C. — É enviado para a África à cabeça de uma delegação para arbitrar as diferenças entre Numídia e Cartago.
  • 149 a.C. — Morre em Roma.

Referências

  1. M·PORCIVS·M·F·CATO - Marcus Porcius Cato, filho de Marcus.
  2. Vidal, Gerardo (2002–3), Catón el viejo y la primera asimilación romana de la cultura griega, 115–26
  3. a b Plutarco, Vida de Catão o Velho 1.
  4. Cícero, Laelius, sive De Amicitia 2.
  5. Justino xxxiii.2
  6. Aulo Gélio xvii.21.
  7. Cícero, Cato maior, sive De Senectute 4.
  8. Plínio o Velho, Naturalis Historia xxix.8.
  9. Valério Máximo viii.7.1.
  10. Tito Lívio, História de Roma xxxix.40.
  11. Plutarco, cit.
  12. Wilhelm Drumann, Geschichte Roms (História de Roma), v. p. 99, 6 Bde. Königsberg 1834-1844.
  13. Plutarco, Vida de Catão o Velho 3: "Cipião respondeu (...) que não precisava um questor tão severo, porque do que tinha de dar conta à cidade era das suas ações e não do dinheiro".
  14. Plutarco, Vida de Catão o Velho 3.
  15. Lívio, História de Roma, xxix. 19, etc.
  16. Aurélio Víctor, Origo Gentis Romanae , 47.
  17. Lívio, História de Roma, xxxiv. 1, 8.
  18. Valério Máximo, ix. 1. §3.
  19. Tito Lívio, História de Roma, book xxxiv.
  20. Tito Lívio, História de Roma, xxxiv. 46.
  21. Plutarco, Vida de Catão o Velho 11.
  22. Tito Lívio, História de Roma, xxxiv. 43.
  23. Plutarco, Catão o Velho 12.
  24. Tito Lívio, História de Roma, xxxiv. 43, 46.
  25. Lívio, História de Roma, xxxv. 9.
  26. Lívio, História de Roma, xxxvi. 17, 21.
  27. Lívio, História de Roma, xxxvi. 21.
  28. Valério Máximo, ii, 2. § 2.
  29. Michel de Montaigne põe em boca de Cipião as palavras: "Vamos lá, concidadãos, vamos dar graças aos deuses pela vitória que atingi contra os cartagineses tal dia como hoje" (Biblioteca Virtual Miguel de Cervantes, Alicante, 2003).
  30. Tito Lívio, História, 33,44; Plutarco, Marco Catão 19.
  31. Plutarco, Vida de Catão o Velho.
  32. Colleen Mccullough, A Coroa de Herva.
  33. Rodríguez Martínez, Felipe (2005), Misterios de las religiones : Catón el Viejo, el defensor de Roma
  34. Bonner, Stanley F. (1984), La educación en la antigua Roma : desde Catón el Viejo a Plinio el joven
  35. (Dalby 1998, pp. 7-8).
  36. Catão, De Agri Cultura 64–8.
  37. Catão, De Agri Cultura 2.
  38. (Dalby 1998, pp. 22-28).
  39. (Chassignet 1986).
  40. (Malcovati 1955); (Dalby 1998, p. 13).
  41. (Astin 1978, pp. 184-185).
  42. (Astin 1978, p. 185).
  43. (Astin 1978, pp. 332-340).
  44. (Astin 1978, pp. 185-186)

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • Astin, A. E.(1978), escrito(a) em Oxford,', Clarendon Press
  • Chassignet, M.(1986), escrito(a) em Paris,', Coleção Budé, Les Belles Lettres
  • Dalby, Andrew(1998), escrito(a) em Totnes,', Prospect Books, ISBN 0907325807
  • Malcovati, H.(1955), escrito(a) em Turim,', Parávia
  • Gerardo Vidal(2002-2003),'
  • Felipe Rodríguez Martínez(2005),', Clarendon Press
  • Stanlei F. Bonner(1984), escrito(a) em Barcelona,', Herder
  • Goujard, R. (1975), Caton: De l'agriculture, Paris: Les Belles Lettres
  • Montanelli, I. (1957), Storia di Roma, Rizzoli Editore

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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