Pedro Pomar

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Pedro Ventura Felipe de Araújo Pomar
Nascimento 23 de setembro de 1913
Óbidos, Brasil
Morte 16 de dezembro de 1976 (63 anos)
São Paulo, Brasil
Nacionalidade Brasil brasileiro
Ocupação Político brasileiro, fundador do Partido Comunista Brasileiro (PCB)

Pedro Ventura Felipe de Araújo Pomar (Óbidos, 23 de setembro de 1913São Paulo, 16 de dezembro de 1976) foi um político brasileiro, fundador do Partido Comunista do Brasil (PCdoB).

Foi assassinado durante o ataque a tiros à casa 767 da Rua Pio XI, no bairro da Lapa, onde o Comitê Central do PCdoB esteve reunido entre os dias 11 e 15 de dezembro de 1976. Este episódio ficaria conhecido como Chacina da Lapa.

É um dos casos investigados pela Comissão da Verdade, que apura mortes e desaparecimentos na ditadura militar brasileira.

Biografia[editar | editar código-fonte]

Pedro Pomar nasceu em 1913 e logo aos 5 anos se mudou para Nova York com sua família. Era filho da maranhense Rosa de Araújo Pomar e do peruano Felipe Cossio Pomar, escritor e pintor que seria, no final dos ano 1920, um dos fundadores da Aliança para a Revolução Americana (APRA). Pedro tinha ainda dois irmãos: Roman e Eduardo. A família viveu nos Estados Unidos de 1918 a 1920, até que o casal se separou e Rosa voltou a Óbidos com os três filhos, sustentando-os com seu trabalho de costureira.

Aos 13 anos, em 1926, Pedro deixou Óbidos e mudou-se para o Pará, para estudar no Gymnásio Paraense, onde se envolveu na luta política dos anos 30, tornando-se um ativista estudantil. Pariticipou da organização de um levante armado em favor dos constitucionalistas de São Paulo em setembro de 1932, e, quando a situação foi neutralizada, passou um tempo no Rio de Janeiro, hospedado na casa da escritora Eneida de Moraes. Eneida era militante comunista e jornalista do Diário de Notícias, e foi responsável por convidar Pedro a fazer parte do Partido Comunista Brasileiro.

Ao sair do Rio de Janeiro, Pedro voltou para Belém, onde concluiu o ginásio e entrou na Faculdade de Medicina, aos 19 anos. Nessa época, ele também jogava futebol profissionalmente pelo Clube do Remo. Em 5 de dezembro de 1935, casou-se com Catharina Patrocínia Torres, que na época tinha 17 anos. O casal teve quatro filhos.

A primeira disputa de eleições de Pedro Pomar ocorreu no mês anterior, em 30 de novembro de 1935.  Em 1934, a Constituição havia imposto a realização de eleições indiretas para os governos estaduais. No Pará, o Partido Liberal se dividiu em Frente Única Paraense e União Popular Paraense (UPP). Meses antes da eleição, a UPP viu a independência de vários grupos dentro dela, incluindo a Ala Moça da UPP, que fundou o Partido da Mocidade Paraense, lançando uma chapa com Pedro e Solermo Moreira à frente. 

Nas eleições, em novembro, a UPP conseguiu 4.888 votos; o Partido Liberal, 4.460; as chapas Trabalhador para Trabalhador e Vanguarda Operária e Poupular, juntas, 844; a Ação Integralista, 219; e o Partido da Mocidade do Pará, apenas 64 votos[1] .

Pedro foi preso pela primeira vez em janeiro de 1936, quando estava no terceiro ano da faculdade, e solto apenas em 16 de junho de 1937. Com a repressão política aumentando, Pomar resolveu viver na clandestinidade, abandonando o curso de medicina e tornando-se militante profissional do PCB.

Foi preso novamente em setembro de 1939, e apenas em 5 de agosto de 1941 conseguiu fugir, seguindo um plano arquitetado com a ajuda de companheiros comunistas como Maurício Grabois e Amarília de Vasconcelos.

Foi eleito com mais de 100 mil votos[2] em janeiro de 1947, pela legenda do Partido Social Progressista (PSP) no pleito complementar para a Câmara Federal, juntamente com outros militantes do PCB. O registro do partido, porém, foi cassado em 1947, durante o governo de Eurico Gaspar Dutra. Apenas Pedro Pomar e Diógenes Arruda, que haviam sido formalmente eleitos pela sigla do PSP, não foram expulsos, direferentemente de todos os parlamentares comunistas. Na tribuna, denunciava as arbitrariedades da forte e violenta repressão política aos comunistas. Mais do que isso, Pomar também facilitava a entrada de seus companheiros na clandestinidade, e prestava solidariedade aos presos.

Houve um pedido de cassação de seu mandato, encaminhado pelo deputado Nobre FIlho. O motivo seria o discurso feito por Pomar no Congresso Mundial pela Paz, realizado na Cidade do México. Pomar foi chefe da delegação brasileira no evento. O pedido foi rejeitado pela Câmara, e seu mandado terminou apenas em 1950.

Pomar voltou à clandestinidade, pois houve a proibição de candidatura de comunistas por qualquer partido. Foi morar no Rio Grande do Sul, onde atuou em lutas populares e operárias sob o codinome Ângelo.

Em 1953, voltou ao Rio de Janeiro com sua família, e logo depois, foi estudar na União Soviética até 1955. Entre 1957 e 1962, fez parte da luta interna no PCB, o que fez com que seu cargo, que na época era de dirigente regional, passasse a dirigente do Comitê Distrital do Tatuapé. Depois de muitas divergências, foi expulso do partido, e criou, em fevereiro de 1962, o PCdoB, com Ângelo Arroyo, Carlos Danielli, João Amazonas, Kalil Chace, Lincoln Oest e Maurício Grabois.

Em 1964, com o golpe militar, a polícia vasculhou e depredou a casa de Pomar, no bairro do Tatuapé, na cidade de São Paulo, e decretou sua prisão preventiva. Pomar se retirou para um esconderijo e viveu com sua família na clandestinidade, se passando por vendedor de medicamentos em suas viagens a áreas rurais, onde instalava militantes.

Morte[editar | editar código-fonte]

Pedro foi morto do episódio conhecido como Chacina da Lapa, a última grande operação de aniquilamento de opositores políticos feita pelos regime militar através de seus órgãos de segurança. Estava na presença de Ângelo Arroyo e João Batista Franco Drummond, os três em reunião da alta cúpula do PCdoB. Segundo a ficha de Pomar, “quem espiou pela janela viu ao menos 10 viaturas do Exército e 40 agentes policiais e militares armados com revólveres, carabinas e metralhadoras, apontando para a casa de número 767"[3] . Pomar e Arroyo foram mortos no local; Drummond foi levado e torturado até a morte no DOI-Codi.

A causa da morte de Pomar foi apontada pelos legistas José Gonçalves Dias e Abeylard de Queiroz Orsini como "hemorragia interna traumática". O corpo de Pomar foi atingido por aproximadamente 50 tiros.

Acredita-se que a reunião apenas foi descoberta por uma traição: Jover Telles, membro do Comitê Central, foi preso três meses antes da chacina, e teria colaborado com o governo para capturar os companheiros do partido “em troca de bom tratamento e emprego para ele e sua filha na fábrica de armas Amadeo Rossi, no Rio Grande do Sul[4] .

Pomar foi enterrado sob nome falso em Perus, no Cemitério Dom Bosco. Em 1980 seu corpo foi localizado por sua família, que fez o traslado dos restos mortais para Belém do Pará.[5]

Ver também[editar | editar código-fonte]

Lista dos mortos e desaparecidos políticos na ditadura brasileira

Fontes[editar | editar código-fonte]

Referências

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