Prémio Man Booker

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O Prémio Man Booker, também conhecido como Prémio Booker é um prémio literário criado em 1968, e um dos mais importantes atribuídos anualmente. Apenas podem concorrer obras de romance e ficção redigidas em língua inglesa por autores vivos que sejam cidadãos de um país membro da Commonwealth ou da República da Irlanda ou Zimbabwe. Ao vencedor é assegurado grande reconhecimento internacional, muito provavelmente seguido de significativo incremento nas vendas da obra premiada.

Em inglês, o prémio é conhecido como:

  • Booker Prize (designação mais comum)
  • Booker
  • Man Booker
  • Man Booker Prize
  • Man Booker Prize for Fiction (nome oficial completo)

Descrição[editar | editar código-fonte]

A Fundação Booker Prize coordena as atividades de seleção e promoção.

O processo de seleção inicia-se pela formação de um comité de consulta formado por um autor, de dois editores literários, um agente literário, um livreiro, um bibliotecário e um presidente de comité.

O comité determina a composição do comité de seleção, que varia de ano para ano, embora um antigo membro possa ocasionalmente ser escolhido uma segunda vez. Para manter a reputação de excelência do prémio, os membros do comité são escolhidos de entre críticos literários de renome, escritores, intelectuais e personalidades conhecidas.

História[editar | editar código-fonte]

Foi em 1969 que a sociedade Booker-McConnell criou o prémio, então denominado Booker-McConnell Prize, abreviado para Booker Prize. A gestão foi transferida para a Booker Prize Foundation em 2002 e, sob patrocínio da multinacional Man Group, renomeado para Man Booker Prize for Fiction.

O prémio tinha originalmente uma recompensa monetária de 21 000 libras esterlinas e, a partir de 2002, de 50 000 .

A fundação publica duas listas de seleção : a curta e a longa. Apenas os títulos que figurem na curta são candidatos efetivos. Qualquer obra e autor que surja na lista mais restrita recebe grande atenção e uma reputação invejável.

Desde 1992, existe um outro prémio Booker atribuído a obras em língua russa. Em 2005, surgiu o Prémio Internacional Man Booker dirigido a todos os autores vivos, independentemente da nacionalidade.

Em 2010 foi anunciada a lista de livros nomeados para o Lost Man Booker Prize, que consagrará o melhor romance publicado por um autor da Commonwealth (ou da República da Irlanda) em 1970. Esta é uma reparação à injustiça que acabou ocorrendo com as publicações de 1970, causadas pela mudança nas regras que selecionavam as obras a serem premiadas. Originalmente, a distinção era atribuída ao melhor romance do ano anterior. Quando foi lançado, em 1969, consagrou Something to Answer For, de P. H. Newby, que fora publicado em 1968. No ano seguinte foi entregue a Bernice Rubens, por The Elected Member, de 1969. Mas, em 1971, recebeu-o V. S. Naipaul, o futuro prémio Nobel da Literatura, com In a Free State, que fora publicado nesse mesmo ano, e não em 1970.

Em 1971, decidiram que o prémio passaria a ser atribuído aos romances do próprio ano, como ainda hoje sucede. Uma alteração que obrigou a atrasar para Novembro (costumava ser em Abril) o anúncio da obra vencedora.

Esta decisão deixou arbitrariamente de fora os livros publicados em 1970 e somente agora, 40 anos depois, esta sendo reparada a injustiça.

Várias das obras nomeadas para o Lost Man Booker Prize são, aliás, de autores que viriam a ganhar o prémio Man Booker noutros anos, como J. G. Farrell, Iris Murdoch ou David Lodge.

Os 22 romances da long list serão agora avaliados por um júri, todos eles nascidos por volta de 1970, ou seja, sensivelmente da mesma idade dos livros que lhes competirá julgar e o prémio pode ser póstumo.

Algumas estatísticas[editar | editar código-fonte]

  • Os editores podem submeter títulos, bem como os membros do comité de seleção. Em 2002, 110 foram submetidos por editores e 10 outros acresceram a lista pela outra via.
  • A longa lista de títulos foi publicada pela primeira vez em 2001. Em 2003 continha 23 obras; em 2002, 20; em 2001, 24.
  • Durante os primeiros 35 anos de atribuição, apenas por cinco vezes a lista curta tinha mais de seis obras.
  • A pessoa mais nova a ser premiada com o Man Booker Prize foi a neozelandesa Eleanor Catton em 2013, aos 28 anos, com a novela The Luminaries[1] .

Laureados com o Prémio Booker[editar | editar código-fonte]

O prémio tanto distingue obras de autores já consagrados, como Salman Rushdie ou Ian McEwan, como aposta na promoção de autores desconhecidos, como aconteceu com Arundhati Roy.


Ano Autor Título Género(s) Nacionalidade
1969 P. H. Newby Something to Answer For Novela  Reino Unido
1970 Bernice Rubens The Elected Member Novela  Reino Unido
1970
(retrospetivo)[2]
J. G. Farrell Troubles Novela  Reino Unido
 Irlanda
1971 V. S. Naipaul In a Free State Contos  Reino Unido
Trinidad e Tobago
1972 John Berger G. Literatura experimental  Reino Unido
1973 J. G. Farrell The Siege of Krishnapur Novela  Reino Unido
 Irlanda
1974 Nadine Gordimer The Conservationist Novela Flag of South Africa 1928-1994.svg África do Sul
Stanley Middleton Holiday Novela  Reino Unido
1975 Ruth Prawer Jhabvala Heat and Dust Novela histórica  Reino Unido
 Alemanha
1976 David Storey Saville Novela  Reino Unido
1977 Paul Scott Staying On Novela  Reino Unido
1978 Iris Murdoch The Sea, the Sea Novela filosófica  Irlanda
 Reino Unido
1979 Penelope Fitzgerald Offshore Novela  Reino Unido
1980 William Golding Rites of Passage Novela  Reino Unido
1981 Salman Rushdie Midnight's Children Realismo mágico  Reino Unido
 Índia
1982 Thomas Keneally Schindler's Ark Novela bibliográfica  Austrália
1983 J. M. Coetzee Life & Times of Michael K Novela Flag of South Africa 1928-1994.svg África do Sul
1984 Anita Brookner Hotel du Lac Novela  Reino Unido
1985 Keri Hulme The Bone People Ficção de mistério  Nova Zelândia
1986 Kingsley Amis The Old Devils Novela de comédia  Reino Unido
1987 Penelope Lively Moon Tiger Novela  Reino Unido
1988 Peter Carey Oscar and Lucinda Novela  Austrália
1989 Kazuo Ishiguro The Remains of the Day Novela histórica  Reino Unido
1990 A. S. Byatt Possession Novela histórica  Reino Unido
1991 Ben Okri The Famished Road Realismo mágico Nigéria
1992 Michael Ondaatje The English Patient Metaficção historiográfica  Canadá
Barry Unsworth Sacred Hunger Novela histórica  Reino Unido
1993 Roddy Doyle Paddy Clarke Ha Ha Ha Novela  Irlanda
1994 James Kelman How Late It Was, How Late Fluxo de consciência  Reino Unido
1995 Pat Barker The Ghost Road Novela de guerra  Reino Unido
1996 Graham Swift Last Orders Novela  Reino Unido
1997 Arundhati Roy The God of Small Things Novela  Índia
1998 Ian McEwan Amsterdam Novela  Reino Unido
1999 J. M. Coetzee Disgrace Novela África do Sul
2000 Margaret Atwood The Blind Assassin Novela histórica  Canadá
2001 Peter Carey True History of the Kelly Gang Novela histórica  Austrália
2002 Yann Martel Life of Pi Literatura fantástica/
romance de aventura
 Canadá
2003 DBC Pierre Vernon God Little Humor negro  Austrália
2004 Alan Hollinghurst The Line of Beauty Novela histórica  Reino Unido
2005 John Banville The Sea Novela  Irlanda
2006 Kiran Desai The Inheritance of Loss Novela  Índia
2007 Anne Enright The Gathering Novela  Irlanda
2008 Aravind Adiga The White Tiger Novela  Índia
2009 Hilary Mantel Wolf Hall Novela histórica  Reino Unido
2010 Howard Jacobson The Finkler Question Novela humorística  Reino Unido
2011 Julian Barnes The Sense of an Ending[3] Novela  Reino Unido
2012 Hilary Mantel Bring Up the Bodies Novela histórica  Reino Unido
2013 Eleanor Catton The Luminaries[1] Novela histórica  Nova Zelândia

Ligações externas (em língua inglesa)[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. a b publico.pt (16-10-2013). Neozelandesa Eleanor Catton ganhou o Man Booker Prize aos 28 anos. Página visitada em 16-10-2013.
  2. Melvern, Jack. "J G Farrell wins Booker prize for 1970, 30-year after his death", 20 de maio de 2010. Página visitada em 23 de dezembro de 2010.
  3. publico.pt (19-10-2011). Prémio Man Booker foi finalmente para Julian Barnes. Página visitada em 19-10-2011.