Príncipe Mikasa
O Príncipe Mikasa (三笠宮崇仁, Mikasa-no-miya?), nascido em 2 de dezembro de 1915, é o quarto filho do Imperador Taishō do Japão e de sua consorte, a Imperatriz Teimei.
É o irmão caçula do Imperador Shōwa (Hirohito) e o único tio paterno sobrevivente do atual Imperador, Akihito. Com a morte de sua cunhada, a Princesa Takamatsu, em 17 de dezembro de 2004, o Príncipe Mikasa se tornou o membro mais velho da Casa Imperial do Japão.
Depois de servir como oficial de cavalaria na Segunda Guerra Mundial, o Príncipe Mikasa tornou-se um letrado conferencista do Oriente Médio e de línguas semitas.
Índice |
Biografia [editar]
Família e carreira militar [editar]
O Príncipe Takahito nasceu no Palácio Imperial, em Tóquio, durante o terceiro ano do reinado de seu pai. Na infância, era chamado de Príncipe Sumi. Entre 1922 e 1932, ele fez sua educação elementar e secundária em Gakushuin, instituição que, à época, educava meninos da nobreza japonesa.
Quando seu irmão mais velho, Hirohito, ascendeu ao Trono do Crisântemo, os demais irmãos de Takahito, o Príncipe Chichibu e o Príncipe Takamatsu, já haviam entrado no Exército Imperial Japonês e na Marinha Imperial Japonesa, respectivamente. Ele foi então matriculado na Academia Militar, sendo comissionado como subtenente do 5.° Regimento de Cavalaria, em junho de 1936.
Quando adquiriu maioridade em dezembro de 1935, seu irmão, o Imperador, concedeu-lhe o título de Príncipe Mikasa e a autorização de estabelecer um novo ramo na Casa Imperial, isto é, contrair matrimônio e ter filhos.
O Príncipe Mikasa foi elevado a tenente em 1937; a capitão em 1939; e a major em 1941. Ele serviu como oficial de Estado-Maior no quartel das Forças Expedicionárias do Japão em Nanquim, China, entre janeiro de 1943 e janeiro de 1944. Depois, serviu como oficial de Estado-Maior no Quartel Geral Imperial, em Tóquio, até a rendição incondicional japonesa em agosto de 1945.
Em 1994, um jornal revelou que, durante a Guerra do Pacífico, o Príncipe Mikasa escrevera uma polêmica indiciação da conduta do Exército Imperial do Japão na China, tendo testemunhado as atrocidades japonesas contra civis chineses. Embora o documento tivesse sido abafado, restara uma cópia, que circulou naquele ano.
Casamento e filhos [editar]
| Casa Imperial do Japão |
|---|
|
SAI o Príncipe Mikasa |
No dia 22 de outubro de 1941, o Príncipe Mikasa desposou Yuriko Takagi (nascida em 1923), a segunda filha do visconde Masanori Takagi. O Príncipe a Princesa Mikasa tiveram cinco filhos, dos quais quatro ainda estão vivos. As duas filhas do casal deixaram a Casa Imperial com seus casamentos.
- Yasuko Konoe (26 de abril de 1944), nascida Princesa Yasuko de Mikasa; desposou, em 16 de dezembro de 1966, Tadateru Konoe, neto adotado do ex-primeiro-ministro Fumimaro Konoe e primo do também ex-primeiro-ministro Morihiro Hosokawa. Tadateru é o atual presidente da Sociedade da Cruz Vermelha do Japão. Eles têm um filho, Tadahiro.
- O Príncipe Tomohito de Mikasa (5 de janeiro de 1946); desposou, em 7 de novembro de 1980, Nobuko Aso, terceira filha do empresário Aso Takakichi e irmã de Taro Aso (atual primeiro-ministro do Japão). Nobuko é também neta do ex-primeiro-ministro Shigeru Yoshida. O casal tem duas filhas.
- O Príncipe Katsura (11 de fevereiro de 1948); não é casado.
- Masako Sen (23 de outubro de 1951), nascida Princesa Masako de Mikasa; desposou, em 14 de outubro de 1983, Masayuki Sen, o décimo sexto grão-mestre hereditário (iemato) da Escola de Cerimônia do chá Urasenke. Eles têm três filhos: Akifumi, Takafumi e Makiko.
- O Príncipe Takamado (29 de dezembro de 1954 — 21 de novembro de 2002); desposou, em 6 de dezembro de 1984, Hisako Tottori, filha mais velha de Shigejiro Tottori, ex-presidente da Matsui & Co. na França. O casal teve três filhas.
Visita ao Brasil [editar]
Em 1958, por ocasião do cinqüentenário da imigração japonesa, o então jovem Príncipe Mikasa veio ao Brasil para participar das comemorações. Juscelino Kubitschek trouxe-o para conhecer Brasília (em construção), onde, após um almoço no Palácio da Alvorada, o ex-presidente brasileiro quis apresentá-lo aos colonos japoneses. Embora o embaixador japonês no Brasil tivesse explicado a ele o protocolo imperial, que proíbe qualquer cidadão comum de ficar muito próximo de um membro da Casa Imperial, Juscelino desobedeceu a tradição. Os imigrantes japoneses emudeceram e, logo depois, choraram com a presença do Príncipe Mikasa1 .
Ele também esteve em Santos, onde foi recebido pelo então prefeito Sílvio Fernandes Lopes2 .
Carreira pós-guerra [editar]
Após a guerra, o Príncipe Mikasa estudou na Faculdade de Literatura da Universidade de Tóquio, estudando arqueologia, o Oriente Médio e línguas semitas. Desde 1954, ele tem dirigido a Sociedade Japonesa de Estudos do Oriente Médio, realizando palestras em várias universidades do país e do exterior, tais como a Universidade de Londres.