Quinto Petílio Cerial

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Cerial amostra clemência com os soldados que desertaram ao inimigo, 69-70.Gravado de Antonio Tempesta (1612).Amsterdão, Rijksmuseum .

Quinto Petílio Cerial (em latim, Quintus Petillius Cerialis) (ca. 30 — ?) foi um general romano do século I d.C.

Família[editar | editar código-fonte]

Pouco é conhecido da sua família e das circunstâncias do seu nascimento, embora a sua família provavelmente fosse originaria da Úmbria e que ele nascesse entre 25 e 28 d.C. a.C. Birley aponta a possibilidade de que, atendendo ao seu nome Petílio Cerial fosse filho adotivo da família Césio dentro dos Petílios. Seu pai (natural ou adotivo) poderia ter sido Petílio Rufo, pretor em 28 e, de ser adotado, talvez o seu irmão maior fosse Césio Nasica, o seu imediato antecessor no comando da IX Hispânica.[1]

Quanto aos seus matrimônios, Petílio Cerial teria-se casado em duas ocasiões, uma antes de 50 e outra em data desconhecida, mas que o teria levado a aparentar com o Tito Flávio Vespasiano, antes que este chegasse a ser imperador. Tácito e Dião Cássio identificam a sua esposa como parente político não afastada por parte da mulher de Vespasiano.[2] .

Carreira política e militar[editar | editar código-fonte]

A primeira menção que os historiadores antigos fazem de Quinto Petílio Cerial situam-o como legado de uma legião na ilha de Britânia em 61. Tratava-se da legião romana IX Hispânica, situada na província romana de Britânia, então sob o governo de Caio Suetônio Paulino. Nessa época aconteceu a rebelião de 60 e 61 da rainha Boadiceia dos Icenos, que ajudou a reprimir. Contudo, Petílio Cerial sofreu uma importante derrota quando intentava libertar a cidade de Camuloduno (atual Colchester), que foi destruída pelos Britanos. Petílio acudira a marchas forçadas para libertar a cidade, mas sofreu uma emboscada pelos Britanos, que aniquilaram a sua infantaria. Ele pôde escapar com a cavalaria, refugiando-se nas fortificações das quais partira.[3]

Como parente de Vespasiano, Vitélio tomou-o como refém em 69 d.C., durante as guerras civis do ano dos quatro imperadores. Cerial conseguiu escapar, e foi um dos comandantes de cavalaria que conquistou Roma para Vespasiano.

Esta vitória, com a confiança que tinha nele Vespasiano, deu-lhe o comando da Legio XIV Gemina, que era estacionada na difícil província de Germânia Inferior. Uma vez mais, Cerial teve de enfrentar uma revolta local, a rebelião dos Batávios: Caio Júlio Civil, um príncipe germano romanizado, assediava duas legiões romanas em Castra Vetera, junto a Xanten. Petílio Cerial voltou a sair vitorioso da revolta e recebeu honras de Vespasiano.

Em 71 Cerial foi designado governador da Britânia, levando com ele a Legio II Adiutrix. Era apoiado por Cneu Júlio Agrícola, comandante da Legio XX Valeria Victrix.

Como governador, Petílio Cerial lutou contra os Brigantes a norte da Inglaterra. Em 74, Cerial deixou Britânia e voltou para Roma como cônsul sufecto. Em 83 foi designado cônsul por segunda vez, como cônsul júnior e companheiro do imperador Domiciano.

Tácito afirma que era mais um soldado do que um general cuidadoso, e que preferia arriscar tudo num só confronto. Possuía uma eloquência natural que conseguia a lealdade dos seus soldados. Ele, pela sua vez, demonstrou uma lealdade inquebrantável aos seus superiores.

Precedido por:
Marco Vétio Bolano
Governador da Província Romana da Britânia
71 - 74
Sucedido por:
Sexto Júlio Frontino

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. Rodríguez González, Julio - RES GESTAE pp. 97-98
  2. Rodríguez González, Julio - RES GESTAE p. 98
  3. Rodríguez González, Julio - RES GESTAE pp. 101-102