Renda fixa

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Renda Fixa1 é um termo que se refere a todo tipo de investimento que possui uma remuneração paga em intervalos pré-definidos e em condições pré-definidas 2 .

O investimento em renda fixa deve ser entendido como um empréstimo: quem investe em renda fixa está comprando um Título de Dívida (bond, em inglês), isto é, empresta dinheiro ao emissor do papel (do título), que em troca lhe paga juros até a data de vencimento desse papel, quando ocorre o resgate do título 3 .

Fazer um investimento de renda fixa não significa que a rentabilidade não varie. Estas oscilações ocorrem em função das variações da cotação do título no mercado financeiro e do indexador, no caso de títulos com rentabilidade pós-fixadas.

O investimento em renda fixa pode ser contrastado com o investimento em ações: no primeiro caso, o investidor sabe quando receberá, enquanto no segundo caso não (já que a empresa na qual se investiu não necessariamente tem lucros e mesmo quando tem, não necessariamente distribui dividendos).

Classificação dos títulos de renda fixa[editar | editar código-fonte]

Os investimentos de renda fixa são aplicações financeiras em títulos de renda fixa, que podem ser classificados segundo quatro critérios:

  • Quanto ao tipo de emissor do título (=quem toma emprestado), se públicos (Governo) ou privados (empresas);
  • Quanto à rentabilidade (ou forma de remuneração)
    • Título pré-fixado: são aqueles cuja rentabilidade (nominal) o investidor conhece previamente, sendo a taxa de retorno da aplicação acertada previamente, no momento da aplicação. Esses títulos não têm indexador.
    • Título pós-fixado: só se conhece o retorno (rentabilidade) da aplicação na data de vencimento e a rentabilidade varia de acordo com o indexador.
  • Prazo do título
  • Risco de crédito: classificação feita por agências especializadas (como as americanas Moody's e Standard & Poor's) que avaliam o risco de inadimplência do título

Exemplos de títulos de renda fixa no Brasil

Forma de remuneração Indexador Emissor (quem toma emprestado)
Governo Empresas (públicas ou privadas)
Pré-fixada Não tem Letras do Tesouro Nacional (LTN)3 e Notas do Tesouro Nacional da série F (NTN-F)3 CDBs pré-fixados (emitidos por bancos)
Pós-fixada IPCA NTN-B Exemplo
IGP-M NTN-C 3 PETR12, debênture emitida em 2002 pela Petrobras com taxa de 11% ao ano + IGP-M 4
Taxa Selic Letras Financeiras do Tesouro (LFT)3 Exemplo
CDI CVRD27, debênture emitido pela Vale em 2006 com taxa de 0,25% + DI ao ano 5


Podemos citar como investimento em Renda Fixa a Caderneta de Poupança, o Certificado de Depósito Bancário (CDB), as Letras de Câmbio, as Letras Hipotecárias e os Títulos Públicos (LTN, LFT ou NTN).

Em finanças, Renda Fixa pode ser o nome do tipo de rendimento obtido por um investimento em títulos do mercado financeiro (chamado de aplicação financeira no Brasil). Existe ainda a Renda Variável, proveniente da aplicação / investimento em títulos mobiliários de risco, como as ações e os fundos mútuos de ações.

Em contabilidade, no regime brasileiro da lei 6.404/76 os valores aplicados em renda fixa são componentes do Ativo Circulante, enquanto os de renda variável podem ser contabilizados em Investimentos / Ativo Permanente

A Cetip registra e é central depositária de uma infinidade deles. São mais de 50 tipos de ativos registrados na câmara 6 que, em 2012, possui estoque de mais de R$ 3 trilhões em ativos de renda fixa 7 .

Exemplos de títulos de renda fixa[editar | editar código-fonte]

Caderneta de Poupança[editar | editar código-fonte]

Modalidade mais tradicional e conservadora do mercado. Permite ao investidor aplicar pequenas somas com rendimentos a cada 30 dias. Até 04 de Maio de 2012, a remuneração era composta por TR (taxa referencial) da data de aniversario da aplicação + 0,5% ao mês. Os montantes aplicados após esta data passaram a ser calculados da seguinte forma: sempre que a Selic for menor ou igual a 8,5%, o rendimento da poupança deixará de ser 0,5% ao mês mais a Taxa Referencial (TR) e passará a ser 70% da Selic (taxa básica de juros) mais a TR. A caderneta de poupança é uma aplicação pós-fixada. Os ganhos são isentos de imposto de renda, para aplicações menores que R$50.000. Se o aplicador resgatar seu investimento antes da data de aniversario da aplicação perde toda a rentabilidade do período (do montante resgatado e não do saldo).

O risco da poupança está diretamente associado ao banco que faz a captação desses recursos, pois o investidor, na verdade, está emprestando dinheiro ao banco captador, embora exista a garantia do FGC - Fundo Garantidor de Crédito - até o limite de R$ 250.000,00 por CPF e por instituição.

Certificado de Depósito Bancário – CDB[editar | editar código-fonte]

É um título de crédito (captação) emitido por bancos (comerciais, de investimento, desenvolvimento e múltiplos) que tem por objetivo captar recursos de investidores, passando posteriormente esses aos clientes na forma de empréstimos. Os CDBs consistem em um depósito a prazo determinado com rentabilidade prefixada ou pós-fixada. Todos os CDBs que contam com registro estão depositados na Cetip.8 .

Os prefixados tem sua rentabilidade expressa em taxas de juros e os pós-fixados são atrelados a algum índice (TR, TJLP ou TBF) como correção, mais taxas de juros referentes ao ano, com prazo mínimo de um mês. Os CDBs não podem ser prorrogados, mas renovados de comum acordo, havendo nova contratação. O CDB tem a garantia do Fundo Garantidor de Crédito – FGC (R$ 250.000,00 por CPF/CNPJ para cada instituição).

Títulos Públicos[editar | editar código-fonte]

São papéis emitidos pelos poderes públicos federais, estaduais ou municipais. Um dos principais objetivos dessa emissão é os governos poderem financiar as suas dívidas, pagando remuneração com taxas prefixadas ou pós-fixadas. As instituições financeiras interessadas compram esses títulos, emprestando recursos aos governos e colocam esses papéis nas carteiras dos fundos de investimento, remunerando o investidor. Os riscos dos títulos públicos é o risco dos governos não honrarem os compromissos assumidos.

  • NTN – Notas do Tesouro Nacional – São títulos pós-fixados (com exceção de NTN-F descrita a seguir), que podem ter uma remuneração através de uma taxa de juros fixa + um índice de correção específico, (TR, TJLP etc.) São títulos nominais.
  • NTN-F – Notas do Tesouro Nacional Série F - Títulos prefixados, rentabilidade conhecida no momento da aplicação.
  • LTN – Letras do Tesouro Nacional – Títulos prefixados, rentabilidade conhecida no momento da aplicação.
  • LFT – Letra Financeiras do Tesouro - Títulos pós-fixados e remunerados pela taxa, acumulada no mercado, SELIC.
  • Tesouro Direto – Recentemente se abriu a qualquer pessoa física a compra através da Internet. Limite mínimo para investimento é de R$ 100,00 e o máximo de R$ 400.000,00 por mês.

Letras de Câmbio[editar | editar código-fonte]

Títulos emitidos como instrumento de captação de recursos destinados ao financiamento de bens e serviços (CDC – Crédito Direto ao Consumidor), podendo ser com taxas prefixadas, pós-fixadas ou flutuantes.

Letras Hipotecárias[editar | editar código-fonte]

Papéis emitidos para captar recurso para o financiamento imobiliário, com juros prefixados, pós-fixados ou flutuantes, contam com garantia do FGC (Fundo Garantidor de crédito).

Lastreado em créditos garantidos por hipoteca de primeiro grau de bens imóveis. Seu prazo mínimo de emissão é de 180 dias e é proibido prazo maior que o de vencimento dos créditos que servem de lastro.

Debêntures[editar | editar código-fonte]

Títulos de crédito emitidos por sociedades não financeiras de capital aberto, com a garantia em seu ativo e com o intuito de obter recurso de médio e longo prazo. Equivalem a um empréstimo que o comprador (credor) do título faz a empresa emissora, garantindo esta uma taxa de juros fixa ou variável sobre o valor emprestado. Geralmente utilizado para financiar projetos de investimento ou alongamento do perfil de suas dívidas.

Normalmente com características de renda fixa, podendo, no entanto, serem considerados como de renda variável desde que a remuneração oferecida seja com base na participação dos lucros da empresa emitente.

Classificando-se em:

Simples – O credor recebe juros e correção monetária e não pode convertê-las em ações.

Conversíveis – O credor pode optar em transformar suas debêntures em ações (da empresa emissora) na data do vencimento.

Permutáveis – Permitem ao credor optar por transformar suas debêntures em ações que não as da empresa emissora.

Fundos de Renda Fixa[editar | editar código-fonte]

São Fundos de investimento que buscam retorno através de investimento em ativos de rendas fixas excluindo-se estratégias que impliquem risco de índices de preço, moeda estrangeira ou de renda variável (ações etc.).

Exemplos: Renda Fixa Crédito, Renda Fixa Multiíndices, Renda Fixa Alavancados.

Referências

  1. Renda Fixa, análise passo a passo com Excel (Dumrauf, Kindle Publishing, 2014).
  2. Renda fixa - ADVFN. [1]. Acesso a 17 de Setembro de 2011
  3. a b c d e Banco do Brasil. Guia de renda fixa. Disponível em: <http://www.bb.com.br/docs/pub/voce/dwn/rendafixa5.pdf>. Acesso em: 29 de dezembro de 2012.
  4. Caderno de debêntures- Petróleo brasileiro S.A. Disponível em: <http://www.debentures.com.br/Informacoes-Mercado/caderno/PETR12.pdf>. Acesso em: 29 de dezembro de 2012
  5. Caderno de debêntures. Disponível em: <http://www.debentures.com.br/Informacoes-Mercado/caderno/CVRD27.pdf>. Acesso em: 29 de dezembro de 2012.
  6. Renda fixa - Cetip. [2]
  7. Renda fixa - Cetip. [3]
  8. CDB - Cetip. [4]

Ligações externas[editar | editar código-fonte]