Primeiros socorros

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
(Redirecionado de Respiração artificial)
Ir para: navegação, pesquisa
Emblem-question.svg
Este artigo ou seção pode conter texto de natureza não enciclopédica. (desde janeiro de 2013)
Justifique o uso dessa marcação e tente resolver essas questões na página de discussão.
A Estrela da Vida, símbolo usado nas ambulâncias de emergência de diversos países para significar os seis estágios do socorro pré-hospitalar.

De acordo com a Federação Internacional das Sociedades da Cruz Vermelha e do Crescente Vermelho, define-se os primeiros socorros como a prestação de assistência médica imediata a uma pessoa doente ou ferida até à chegada de ajuda profissional. Centra-se não só no dano físico ou de doença, mas também com o atendimento inicial, incluindo o apoio psicológico para pessoas que sofrem emocionalmente devido a vivência ou testemunho de um evento traumático.[1]

O melhor é conseguir treino em primeiros socorros antes de se precisar usar os procedimentos em quaisquer situações de emergência.

Diversas situações podem precisar de primeiros socorros. As situações mais comuns são atendimento de vítimas de acidentes automobilísticos, atropelamentos, incêndios, tumultos, afogamentos, catástrofes naturais, acidentes industriais, tiroteios ou atendimento de pessoas que passem mal: apoplexia (ataque cardíaco), ataques epilépticos, convulsões, etc.

Tão importante quanto os próprios primeiros socorros é providenciar o atendimento especializado. Ao informar as autoridades, deve-se ser direto e preciso sobre as condições da(s) vítima(s) e o local da ocorrência.

SAMU 192 - Lancha de salvamento

Conceitos e definição[editar | editar código-fonte]

Os primeiros socorros referem-se ao atendimento temporário e imediato de uma pessoa que está ferida ou adoeceu repentinamente. Também podem envolver o atendimento em casa quando não se pode ter acesso a uma equipe de resgate ou quando técnicos em emergência médica (TEM) não chegam. Trata-se de procedimentos de emergência, os quais devem ser aplicados a vítimas de acidentes, mal súbito ou em perigo de vida, com o intuito de manter sinais vitais, os procedimentos não substituem o médico, a enfermeira ou a equipe técnica. Na verdade, um dos principais fundamentos dos primeiros socorros é a obtenção de assistência médica em todos os casos de lesão grave. O socorro tende a ser prestado sempre que a vítima não tem condições de cuidar de si própria, recebendo um primeiro atendimento e logo acionando-se o atendimento especializado.[2] [3]

Avaliação das condições gerais da vítima[editar | editar código-fonte]

Todo procedimento de primeiros socorros deve começar com a avaliação das condições da vítima.[4] Sua avaliação é particularmente vital para fornecer a ajuda correta à vítima: em casos de regiões selvagens, talvez o equipamento necessário para o socorro tenha que ser carregado por quilômetros em terreno irregular.[5]

Atitudes de coragem ou medo são reações bastante compreensíveis. Algumas pessoas não se manisfestam pois não sabem o que fazer, enquanto outras, sabendo ou não, podem se apresentar paralisadas pelo pânico ou pelo medo, ficando incapazes de tomar qualquer atitude.[6]

Desta forma um ponto importante tanto para o socorrista profissional ou leigo será em primeiro momento avaliar o nível de consciência de sua vítima usando um parâmetro muito simples, chamado A.V.D.S.:

  • A (ALERTA)
  • V (RESPONDE À VOZ)
  • D (RESPONDE À DOR)
  • S (SEM RESPOSTA)

Em primeiro lugar, abordar a vítima independente do mecanismo sendo traumático ou clínico: se ao tocar na vítima o socorrista percebe uma reação espontânea, concluímos que ela está na fase A (ALERTA). Isto é um indício de que existe atividade neurológica: o cérebro está sendo suprido de oxigênio, pois para isto acontecer ele tem de estar estimulando o grupo muscular da respiração, como musculatura diafragmática e intercostal (caixa torácica).

Já a fase V (VOZ) é percebida quando a vítima não responde ao ser chamada pelo nome. É bom lembrar que a audição é um dos últimos sentidos a serem perdidos antes de o cérebro entrar em estado de inconsciência.

Não havendo nenhuma resposta à solicitação verbal estimularemos a D (DOR): feche a mão e com a área da dobra dos dedos friccionar o esterno da vítima, que fica localizado no meio do tórax, na junção das costelas. Havendo uma resposta muscular da vítima tanto em tentar inibir o estímulo ou qualquer outra que seja, saberemos que ainda existe uma atividade neurológica funcional, pois o cérebro ainda recebe oxigênio.

Entretanto, se não houver nenhum tipo de resposta como em não estar em ALERTA, responsivo à VOZ ou à DOR, a vítima está no estágio de I (INCONSCIÊNCIA), no qual o cérebro não mais recebe oxigênio e por falta deste não haverá estímulo muscular. O que preocupa é a possibilidade da necrose, que é a morte de parte dos tecidos dos cérebro por escassez de oxigênio. Isso pode levar à paralisia, ao coma, e, em casos mais graves, à morte. Acontece também o que chamamos de relaxamento muscular generalizado, e o músculo da cavidade bucal, localizado imediatamente abaixo da língua, pode fazê-la inclinar-se para trás, o que obstrui a passagem de ar.

Assistência[editar | editar código-fonte]

Os Médicos sem Fronteiras são uma organização não-governamental que presta assistência médica internacional.

Segundo o médico oncologista brasileiro Drauzio Varella, "diante de um acidente, qualquer pessoa com pouco conhecimento e técnica pode prestar os primeiros socorros e evitar o agravamento do problema, até que a vitima receba atendimento especializado."[7] O Comitê Internacional da Cruz Vermelha atende os feridos quando as condições decorrentes de guerras impedem que o atendimento médico seja prestado por organismos médicos públicos.[8] Existem muitas organizações médicas como os Médicos sem Fronteiras (MSF), uma organização não-governamental, que atua na proteção de refugiados através de seus campos e assistências médica. Em geral, a MSF oferece tratamentos contra a desnutrição, cuidados de saúde básica, vacinação e saúde mental, além de construir latrinas e postos nos quais a água encontrada em locais próximos ao campo — geralmente contaminada — é tratada e distribuída às famílias.[9] Em Moçambique, na África, cerca de 85 bebês são infectados pelo vírus da imunodeficiência humana (HIV) todos os dias. Existem cerca de 100 voluntários brasileiros membros dos MSF espalhados no mundo, a maioria na África. Em Moçambique, as missões da organização iniciaram-se em 1985 e se concentram no combate à síndrome da imunodeficiência adquirida (Aids). Em 1986 foi oficialmente registado o primeiro caso de AIDS em Moçambique. Nos finais de 1992, o número aumentou para 662. De acordo com as estimativas do programa Nacional de Combate às DTS/SIDA, até ao final de 1998, existiam em Moçambique 1 140 000 pessoas infectadas. Mais de 100 000 pessoas já faleceram devido à AIDS, segundo dados da UNAIDS de Junho de 2000.[10] [11]

Tais como os voluntários dos Médicos sem Fonteiras, existem ainda os Capacetes Brancos, corpos de voluntários civis para trabalhos humanitários e os Capacetes Azuis, criado pela Organização das Nações Unidas. Eles constituem um grupo de soldados de diversas origens que representam a Comunidade Internacional e se interpõem entre os contedores ou levam ajuda às populações açoitadas pela guerra e pela fome.[12] Em março de 1961, seis meses após o início de seu mandato, John F. Kennedy fundou o Corpo da Paz, uma agência de voluntários em países em desenvolvimento, com a organização, jovens norte-americanos poderiam transformar seus ideais nacionais em ganhos internacionais — tanto para cidadãos de países hostis quanto para os Estados Unidos.[13] [14]

  • Respiração
  • A respiração é crítica para a sobrevivência do organismo, e garanti-la é o ponto fundamental de qualquer procedimento de primeiros socorros. O cérebro tem lesões irreversíveis (necroses) em no máximo 6 minutos após a interrupção da respiração. Após 10 minutos, a morte cerebral é quase certa.
  • Para verificar a respiração, flexione a cabeça da vítima para trás, coloque o seu ouvido próximo à boca do acidentado, e ao mesmo tempo observe o movimento do tórax. Ouça e sinta se há ar saindo pela boca e pelas narinas da vítima. Veja se o tórax se eleva, indicando movimento respiratório.
  • Se não há movimentos respiratórios, isso indica que houve parada respiratória.
  • Abertura das vias respiratórias
  • O primeiro procedimento é verificar se há obstrução das vias aéreas do paciente.

Para isso, deixe o queixo da vítima levemente erguido para facilitar a respiração. Usando os dedos, remova da boca objetos que possam dificultar a respiração: próteses, dentaduras, restos de alimentos, sangue e líquidos. Os movimentos do pescoço devem ser limitados, e com o máximo cuidado: lesões na medula podem causar danos irreparáveis. Também é bom ressaltar: nunca aproxime a mão ou os dedos na boca de uma vítima que esteja sofrendo convulsões ou ataques epilépticos.

  • Respiração artificial
  • É o processo mecânico empregado para restabelecer a respiração que deve ser ministrado imediatamente, em todos os casos de asfixia, mesmo quando houver parada cardíaca.
  • Os pulmões precisam receber oxigênio, caso contrário ocorrerão sérios danos ao organismo no aspecto circulatório, com grandes implicações para o cérebro.
  • A respiração artificial pode ser feita de cinco modos:
a) boca a boca;
b) boca-nariz;
c) boca-nariz-boca;
d) boca-máscara;
e) por aparelhos (entubação).

A máscara de respiração é obrigatória para preservar o socorrista do contágio de doenças. Sendo utilizado contato direto com o paciente apenas em situações adversas.

Procedimentos[editar | editar código-fonte]

Os procedimentos são os seguintes:

  • deitar a vítima de costas sobre uma superfície lisa e firme;
  • retirar da boca da vítima próteses (dentaduras, aparelhos de correção, se possível) e restos de alimentos, desobstruindo as vias aéreas;
  • elevar com delicadeza o queixo da vítima, estabilizando a coluna cervical (é importante o cuidado com a medula e que a vítima não se movimente, especial atenção em casos de possível traumatismo);
  • tapar as narinas com o polegar e o indicador e abrir a boca da vítima completamente;
  • a partir dai o socorrista deverá respirar fundo, colocar sua boca sobre a boca da vítima (sem deixar nenhuma abertura) a soprar COM FORÇA por duas vezes seguidas , até encher os pulmões, que se elevarão;
  • afastar-se, tomar novamente ar e repetir a operação em média 12 vezes por minuto, de maneira uniforme e sem interrupção (ou seja, a cada 5 segundos a pessoa deve repetir a operação).

É importante dizer que a ausência de pulsação requer o procedimento de compressão torácica externa (massagem pulmonar) ou reanimação cardíaca vale dizer também que a pessoa que teve um ataque cardíaco não tem mais de 5 minutos de vida e a cada minuto que se passa a vitima perda 10% de chance de sobrevir.

Asfixia/sufocação[editar | editar código-fonte]

Dependendo da gravidade da asfixia, os sintomas podem ir de um estado de agitação, palidez, dilatação das pupilas (olhos), respiração ruidosa e tosse, a um estado de inconsciência com parada respiratória e cianose (tonalidade azulada) da face e extremidades (dedos dos pés e mãos).

Circulação[editar | editar código-fonte]

Avaliação[editar | editar código-fonte]

A circulação é inicialmente avaliada através do pulso: a onda de pressão que é sentida quando o coração bombeia o sangue através das artérias, indicando as condições cardíacas.

É sentida nas artérias carótidas, que se localizam uma a cada lado do pescoço, ao lado do pomo-de-adão, no sulco entre a traqueia e o músculo do pescoço. Existem diversos outros pontos onde se pode sentir o pulsar das artérias, entre elas a artéria radial (logo abaixo da mão). O pulso deve ser sentido com os dedos indicador e médio, que devem pressionar levemente o local.

Dada a complexidade da avaliação do pulso, em formações para leigos, a medição do pulso foi eliminada, na medida em que seriam precisos mais que 10 segundo de VOSP para uma correcta medição do pulso. Dado isto, os sinais de circulação são avaliados pela existência de tosse, movimentos corporais voluntários (excluir convulsões, espasmos) e sinais respiratórios.

Hemorragias[editar | editar código-fonte]

É o derramamento de sangue para fora dos vasos que devem contê-lo com repercussão clínica ou laboratorial (exames), por menor que seja.

Sendo utilizado para transportar oxigênio, nutrientes para as células, bem como gás carbônico e outras excretas para os órgãos de eliminação, o sangue constitui-se como o meio de inquestionável importância, tanto na respiração, nutrição e excreção, como na regulação corpórea, transportando hormônios, água e sais minerais para a manutenção de seu equilíbrio. O volume circulante em um adulto varia em torno de 5 a 6 litros, levados em conta a relação de 70ml por kg de peso corporal, o que corresponde, por exemplo, a 4.900ml de sangue em uma pessoa de 70kg.

Havendo uma diminuição brusca do volume circulante, como a que ocorre em uma grande hemorragia, o coração poderá ter sua ação como bomba comprometida, o que chegando a determinados níveis, levará a vítima a um colapso circulatório, podendo resultar e morte.

Classificação da hemorragia quanto à localização[editar | editar código-fonte]

Hemorragia externa

Sangramento "exterior ao corpo"; normalmente é facilmente visualizada. Pode ser oriunda de estruturas superficiais, ou mesmo de áreas mais profundas através de aberturas ou orifícios artificiais (comuns nos traumas). Normalmente pode ser controlada utilizando-se técnicas de primeiros socorros.

Hemorragia interna

Hemorragia das estruturas mais profundas podendo ser oculta ou exteriorizada, como ocorre em sangramento no estômago, em que a vítima expele o sangue pela boca. A hemorragia interna é mais grave devido ao fato de não podermos visualizá-la, o que faz com que não saibamos a extensão das lesões. O tratamento necessariamente deve ser realizado em ambiente hospitalar, cabendo ao socorrista apenas algumas manobras que visam evitar que o estado de choque se instale.

Classificação da hemorragia quanto ao tipo do vaso rompido[editar | editar código-fonte]

Hemorragia arterial

O sangramento ocorre em jatos intermitentes, no mesmo ritmo das contrações cardíacas. Sua coloração é um vermelho claro. A pressão arterial torna este tipo de hemorragia mais grave que um sangramento venoso devido à velocidade da perda sanguínea.

Hemorragia venosa

Sangramento contínuo de coloração vermelho escuro, pobre em oxigênio e rico em gás carbônico.

Hemorragia capilar

Sangramento contínuo com fluxo lento, como visto em arranhões e cortes superficiais da pele. Obs: considerando que as artérias estão localizadas mais profundamente na estrutura do corpo, as hemorragias venosa e capilar são mais comuns do que a do tipo arterial.

Consequências das hemorragias[editar | editar código-fonte]

Uma grande hemorragia não tratada pode conduzir a vítima a um estado de choque e consequentemente a morte. Já sangramentos lentos e crônicos podem causar anemia (baixa quantidade de glóbulos vermelhos).

Hemorragia nasal[editar | editar código-fonte]

A hemorragia nasal é causada pela ruptura de vasos sanguíneos da mucosa do nariz. Caracteriza-se pela saída de sangue pelo nariz, por vezes abundante e persistente, e se a hemorragia é grande o sangue pode sair também pela boca.

Ataque cardíaco (apoplexia)[editar | editar código-fonte]

Um ataque cardíaco acontece quando parte de seu coração não recebe oxigênio em quantidade suficiente.

O coração é um músculo e como os outros do corpo, precisa de oxigênio, que é fornecido pelo sangue dos vasos sanguíneos, conhecidos como artérias coronárias. Um coágulo sanguíneo em uma dessas artérias pode bloquear o fluxo de sangue para o músculo cardíaco o que acarreta prejuízos ao coração e a depender do tempo de duração deste bloqueio, uma parte do coração necrosa (morre) fazendo com que pare de funcionar corretamente.

Ataques cardíacos podem ocorrer caso seu coração passe a precisar subitamente de mais oxigênio durante exercícios intensos. Tanto homens como mulheres têm ataques cardíacos, risco este que aumentam com a idade.

Placas de ateroma (fragmentos de colesterol) podem crescer no interior das artérias diminuindo seu diâmetro. Além disso, coágulos sanguíneos podem então se formar nesta artéria estreitada e bloqueá-la.

Diagnóstico[editar | editar código-fonte]

O médico o examinará e perguntará sobre seu histórico médico. Pode ser necessário a realização de alguns exames para que se verifique como o seu coração está trabalhando.

Tratamento[editar | editar código-fonte]

  • Permanecerá no hospital por 2 a 7 dias.
  • Receberá oxigénio , por um determinado período, para melhorar a função e oxigenação do músculo cardíaco.
  • Realizará um austerismo cardíaco ( cinematografia e ventricular) para verificar qual artéria do coração ( coronária ) está danificada (bloqueada totalmente ou parcialmente) e quanto da função cardíaca foi avariada , e assim realizar uma coroplastia imediatamente ou programar autoplastia ou vascularização miocárdio ou tratamento clínico.
  • Pode ser necessário a realização de uma cirurgia para abrir ou criar um caminho acessório (bypass) para a artéria bloqueada.
  • Poderá receber medicação para dissolver o coágulo.
  • Outros medicamentos podem ser administrados.

Todo esse tratamento é a critério médico.

Assim que melhore, o médico criará um programa de cuidados. Quando for para casa, pode ser necessário que use um pequeno monitor cardíaco nos primeiros dias que gravará os batimentos cardíacos.

Prevenção[editar | editar código-fonte]

Existem muitas maneiras de se proteger o coração e diminuir os riscos:

  • Não consumir drogas
  • Se tem diabetes, tente mantê-lo sob controle.
  • Alimente-se bem.
  • Controle a sua pressão sanguínea.
  • Coma alimentos pobres em gordura e sal.
  • Pratique exercícios regularmente.

Desmaio[editar | editar código-fonte]

O desmaio é provocado por falta de oxigênio ou açúcar no cérebro, a que o organismo reage de forma automática, com perda de consciência e queda do corpo. Tem diversas causas: excesso de calor, fadiga, falta de alimentos, etc, e é caracterizada por palidez, suores frios, falta de forças e pulso fraco. Recomenda-se deixar a vítima em estado de repouso, deitada, sempre acomodando-a.[15]

Estado de choque[editar | editar código-fonte]

O choque é uma situação em que algumas alterações no corpo podem levar à morte. O caso de vítima de estado de choque manifesta-se de diferentes formas.[16] A vítima pode apresentar diversos sinais e sintomas, ou apenas alguns deles, dependendo da intensidade de cada caso. O quadro clínico é praticamente o mesmo, não importa a causa que desencadeou o estado. Tal estado é uma situação grave, acontece quando o fluxo de oxigênio para as células do corpo diminui ou para por completo.[17] Este caso que requer atendimento médico imediato.[18] [16]

Caso se trate de um estado de choque que provoque a inconsciência da vítima deve-se colocar o indivíduo em posição lateral (PLS), continuando com os mesmos procedimentos. Nota importante: nunca administrar líquidos ao sinistrado. São vários os fatores que ocasionam o estado de choque, considerado reação comum em vítimas de acidentes com hemorragias internas ou externas, emoções fortes, choques elétricos, queimaduras, etc..

Ferimentos[editar | editar código-fonte]

Picadas[editar | editar código-fonte]

As crianças, devido à sua enorme curiosidade e devido ao facto de lhes agradar as actividades ao ar livre, estão muitas vezes susceptíveis a picadas de insectos, nomeadamente de abelhas e vespas e também a picadas de peixes venenosos, ouriços e alforrecas (medusas, águas-vivas), quando as crianças frequentam a praia.

Mordeduras[editar | editar código-fonte]

Os tipos de mordeduras mais comuns são as de cães, gatos e de outros animais. Menos comuns, mas, geralmente, mais perigosas, são as mordeduras de cobras e roedores. Os problemas de saúde consequentes de uma mordedura dependem do tipo de animal e da gravidade da mordedura, e incluem:

  • Raiva: infecção grave, causada por um vírus que ataca o [sistema nervoso central] e que geralmente, é fatal;
  • Veneno;
  • Hemorragia;
  • Infecção;
  • Perda de tecido, em ferimentos desfigurantes;
  • Tétano: Doença em que ocorre uma libertação de uma toxina, que causa endurecimento persistente do maxilar inferior e que pode ser prevenida pela vacina contra o tétano;
  • Reacções alérgicas;

Perfurações[editar | editar código-fonte]

É a penetração de um corpo estranho perfurante, sendo ferimentos estreitos causando rompimento da pele e dos órgãos internos. Podendo ser com ou sem empalamento, ou seja, podendo ou não o objeto permanecer no local. O empalamento é uma forma de contenção da hemorragia, deve-se avaliar a retirada ou não do objeto, para melhor segurança do acidentado. No caso de perfuração do tórax (pneumotórax) deverá ser realizado um curativo de três pontos, onde será utilizada com um pedaço de sacola que será tampado três lados, caso a vítima esteja em decúbito dorsal, a parte de baixo não pode ser fechada, pois será por lá que haverá a saída do sangue. Procedimento: é levar a vítima para o pronto atendimento.

Queimaduras[editar | editar código-fonte]

Definição[editar | editar código-fonte]

Queimadura de primeiro grau causada 19 horas após um acidente de cozinha.

Uma queimadura pode ter vários graus de gravidade e esta pode ser considerada grave quando as suas características fazem com que seja necessária uma consulta médica ou a hospitalização. A gravidade da queimadura depende de vários fatores: do local atingida pela queimadura, extensão da queimadura, profundidade, natureza ou causa da queimadura e da fragilidade do indivíduo. A queimadura está entre as lesões mais comuns ocorridas dentro de uma residência – principalmente na cozinha. Segundo as dermatologistas Denise Steiner e Márcia Purceli "não existe produto ou receita caseira que alivie na hora nem as dores e nem as lesões causadas pela queimadura.[19] [20]

A complicação mais imediata de uma queimadura grave é o estado de choque e a paragem cardiovascular, causados pela dor, pela perda de plasma em correspondência com a zona queimada e pelas substâncias libertadas pelos tecidos lesionados. As complicações tardias são de dois tipos: a infecção da queimadura; uma cicatrização insuficiente que requer um enxerto cutâneo.

Classificação das queimaduras[editar | editar código-fonte]

O sistema de avaliação utilizado para descrever a gravidade das queimaduras baseia-se no número de camadas de tecido envolvidas. As queimaduras mais graves destroem não apenas camadas de pele e tecido subcutâneo, mas também tecidos subjacentes. Podem possuir características causadas por produtos químicos, como produtos corrosivos que podem ser bases fortes ou de origem ácida, tais como o álcool ou a gasolina, bases e ácidos. Ou por intermédio de produtos físicos como o calor ou o frio, através de exposição, condução ou radiação eletromagnética, existem ainda as de origem biológica como animas: água-viva, lagarta-de-fogo e a medusa.[19] [21] Passados os primeiros socorros, também é preciso tomar uma série de cuidados nos dias seguintes. Bolhas formam uma proteção natural ao local e não devem ser estouradas, porque isso aumenta o risco de infecção do local. O uso do algodão também não é indicado, porque ele pode grudar nos ferimentos.[20]

Queimaduras de 1º grau são as queimaduras menos graves; apenas a camada externa da pele (epiderme) é afetada. A pele fica avermelhada e quente e há a sensação de calor e dor (queimadura simples), causa algum desconforto e o avermelhamento da pele, a destruição do tecido é mínima.[19]

Às características das queimaduras de 1º grau juntam-se a existência de bolhas com líquido ou flictenas. Esta queimadura já atinge a derme e é bastante dolorosa (queimadura mais grave). Às características das queimaduras do 1º e do 2º, juntam-se a destruição de tecidos. A queimadura atinge tecidos mais profundos provocando uma lesão grave e a pele fica carbonizada (queimadura muito grave). A vítima pode entrar em estado de choque.

As queimaduras de 4° e 5° grau são as mais graves, são caracterizadas pela exposição de músculos, tendão, ossos (geralmente por eletricidade). Carbonização do corpo. Acaba resultando em óbito.

Entorses[editar | editar código-fonte]

A entorse é uma lesão nos tecidos moles (cápsula articular e/ou ligamentos) de uma articulação. Manifesta-se por uma dor na articulação, gradual ou imediata, um inchamento na articulação lesada e pela incapacidade do lesado para mexer a articulação.

As entorses se originam de movimentos bruscos, traumatismos, má colocação do pé ou de um simples tropeçar que force a articulação a um movimento para o qual ela não está preparada. Pode igualmente acontecer de uma intensa tração, a que o ligamento seja submetido, provocar o seu estiramento ou ruptura e que isso chegue a arrancar um pequeno fragmentoósseo.

Fraturas[editar | editar código-fonte]

Uma fractura é caracterizada por uma dor intensa no local, inchaço, falta de força, perda total ou parcial dos movimentos, e encurtamento ou deformação do membro lesionado.

Em caso de fratura ou suspeita de fractura, o osso deve ser imobilizado. Qualquer movimento provoca dores intensas e deve ser evitado.

O que fazer[editar | editar código-fonte]

Star of life caution.svg
Advertência: A Wikipédia não é consultório médico nem farmácia.
Se necessita de ajuda, consulte um profissional de saúde.
As informações aqui contidas não têm caráter de aconselhamento.
  • expor a zona da lesão (desapertar ou se necessário cortar a roupa);
  • verificar se existem ferimentos;
  • tentar imobilizar as articulações que se encontram antes e depois da fratura usando talas apropriadas, ou na sua falta, improvisadas;
  • dar analgésico (Ben-u-ron) se a criança estiver consciente e com dor e mantê-la em jejum pela possibilidade de cirurgia;
  • em caso de fractura exposta, cobrir o ferimento com gaze ou pano limpo.

Nota: As talas devem ser sempre previamente almofadadas e bastante sólidas.

Choques elétricos[editar | editar código-fonte]

A morte causada por eletricidade é também conhecida como eletrocussão e consiste na passagem de uma corrente eléctrica pelo corpo. A electrocussão pode provocar a morte instantânea, perda dos sentidos mais ou menos prolongada, convulsões e queimaduras no ponto de contacto.

É necessário tomar cuidado com quem está sujeito ao choque, tocá-lo pode ser perigoso. O ideal é pegar num objecto constituído por plástico pois conduzem pouco a eletricidade; afastá-lo do objeto que lhe dá o choque, e verificar os sinais vitais da vitima. Caso esta se encontre em paragem cardiorrespiratória deve-se retirar os objectos adjacentes a esta como por exemplo dentaduras, óculos, etc… desapertar a roupa e expor o tórax, e proceder então à reanimação colocando sobre o tórax as duas mãos sobrepostas e realizar 30 compressões seguidas de suas insuflações. Se a vitima estiver inconsciente mas com pulso e a ventilar deve-se colocá-la em PLS e contactar o 112 (193 no Brasil) para obter transporte ao Hospital mais próximo.

Envenenamento e Intoxicação[editar | editar código-fonte]

O envenenamento é o efeito produzido no organismo por um veneno que seja introduzido.

Envenenamento por via digestiva[editar | editar código-fonte]

Por produtos alimentares[editar | editar código-fonte]

Caracteriza-se por arrepios e transpiração abundante, dores abdominais, náuseas e vómitos, prostração, desmaio, agitação e delírio.

O que fazer[editar | editar código-fonte]

  • Verificar sinais de vida;
  • chamar ajuda, nunca faça um socorro sozinho, somente em último caso;
  • se possível, interrogar a vítima no sentido de tentar perceber a origem do envenenamento;
  • manter a vítima confortavelmente aquecida;
  • é uma situação grave que necessita de transporte imediato para o hospital feita por especialistas.

Por medicamentos[editar | editar código-fonte]

Dependendo do medicamento ingerido, podem observar-se: vómitos, dificuldade respiratória, perda de consciência, sonolência, confusão, etc.

Insolação[editar | editar código-fonte]

O suor é o nosso ar condicionado natural. À medida que ele se evapora da nossa pele ocorre o esfriamento do corpo. Porém, esse sistema pode falhar se ocorrer uma exposição prolongada ao calor, num local fechado e sobreaquecido (por ex:, dentro de uma viatura fechada, ao sol) ou se ocorrer uma exposição prolongada ao sol.

A insolação é caracterizada por: cefaleias (dores de cabeça), tonturas, vómitos, excitação, pele fria e pegajosa, boca seca, fadiga e fraqueza, pulso rápido e inconsciência.

Transporte de vítimas[editar | editar código-fonte]

Um metodo de transporte de vítimas é o transporte aeromédico.

O transporte de vítimas é um procedimento arriscado que muitas vezes, na tentativa de ajudar, a pessoa acaba agravando um quadro estável, recomendasse que em casos de vítima grave, com possível lesão na medula, movimenta-se a vítima o menos possível. Em caso de vítima de mal-estar, desmaio ou intoxicação leve-se a vítima "no colo colocando um braço por baixo dos joelhos e o outro em torno das costas dela." Recomendações posteriores incluem para que pessoas não se impressionem com a gravidade, a avaliação é que as lesões possam ser "cuidadas rapidamente". A Triagem é o procedimento pelo qual doêntes e feridos são classificados de acordo com o tipo de urgência e suas condições.[22] [23]

Orientações gerais[editar | editar código-fonte]

  • manter a vítima calma;
  • procure socorro;
  • evite mover a vítima;
  • sinalizar o local onde ocorreu o acidente;
  • ligar para socorro médico.

Contatos para socorro especializado no Brasil[editar | editar código-fonte]

Em todo o território nacional, discar:

  • Polícia: 190 ou 911 ou 112 [24]
  • Emergência médica (SAMU): 192
  • Bombeiros: 193
  • Polícia de Trânsito - 194
  • Polícia Rodoviária Federal: 191
  • FONE 0800 ****** nas Rodovias sob concessão. Vale a pena ter tal telefone antes de pegar a estrada, visto que em tais rodovias costuma haver serviço de auxílio médico e mecânico ao usuário.
  • CEATOX - Centro de Assistência Toxicológica - 0800 014 81 100
  • Ligar para a família da pessoa

Obs.: Alguns estados unificaram os telefones 19X em uma "central de emergência" (ex.: DF, ES(CIODES))

Contatos de emergência em Portugal[editar | editar código-fonte]

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. Pascal Cassan (2011). International first aid and resuscitation (PDF) (em inglês). Federação Internacional das Sociedades da Cruz Vermelha e do Crescente Vermelho. Página visitada em 02 de dezembro de 2013.
  2. Hafen 1999, pp. 3.
  3. Amariz, Marlene. Primeiros Socorros (em português). InfoEscola. Página visitada em 02 de dezembro de 2013.
  4. Primeiros Socorros (PDF) (em português). Governo do Estado do Pará. Departamento de Trânsito do Estado do Pará. Página visitada em 02 de dezembro de 2013.
  5. Hafen 1999, pp. 449.
  6. Pessoa 2002, pp. 10.
  7. Varella pp. 7.
  8. Primeiros Socorros e Assistência Hospitalar (em português). Comitê Internacional da Cruz Vermelha. Página visitada em 05 dedezembro de 2013.
  9. Néspoli, Gabriela. Médicos Sem Fronteiras recria campo de refugiados no Ibirapuera (em português). UOL. Opera Mundi. Página visitada em 05 de dezembro de 2013.
  10. Correia Filho, João (Novembro de 2011). Voluntários sem fonteiras (em português). Terra. Revista Planeta. Página visitada em 05 de dezembro de 2013.
  11. Carta dos Médicos sem Fronteiras - Emergência em Moçambique. UNAIDS. AIDSPortugal (1º de julho de 2001). Página visitada em 05 de dezembro de 2013.
  12. Mora Anda 2006, pp. 194.
  13. Recorde os grandes momentos da vida de John F. Kennedy (em português). France Presse; Globo.com. G1 (22 de novembro de 2013). Página visitada em 05 de dezembro de 2013.
  14. Kennedy pp. 86.
  15. Davidson 2008, pp. 279.
  16. a b Pessoa 2002, pp. 28.
  17. Estado de choque (em português). Portal iG. Página visitada em 03 de dezembro de 2013.
  18. Lima, Ana Luiza. Tipos de choque (em português). Tua Saúde. Página visitada em 03 de dezembro de 2013.
  19. a b c Thibodeau 2002, pp. 90.
  20. a b Queimadura deve ser aliviada só com água, sem produtos químicos (em inglês). Globo.com. Bem Estar (30 de abril de 2013). Página visitada em 07 de dezembro de 2013.
  21. Amariz, Marlene. Tipos de Queimaduras (em português). InfoEscola. Página visitada em 07 de dezembro de 2013.
  22. Transporte da vítima (em português). Portal iG. Página visitada em 05 de dezembro de 2013.
  23. Hafen 1999, pp. 470.
  24. http://www.anatel.gov.br/Portal/exibirPortalNoticias.do?acao=carregaNoticia&codigo=31768
  25. Este número apenas deve ser marcado em caso de emergência, em qualquer outra situação devem ser utilizados os números regulares para contactar as referidas entidades

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

Ligações externas[editar | editar código-fonte]