Séries médicas

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A realização de uma cirurgia é uma situação comum em séries médicas como ER e Nip/Tuck.

No mercado televisivo, existem diversos gêneros. Há espaço para sitcoms como Friends e Seinfeld, para seriados de ficção científica, como Babylon 5 e Battlestar Galactica, e há ainda os populares seriados adolescentes, como Melrose e Barrados no Baile.

Mas dentre tantos, há um gênero que produziu séries de enorme destaque: As séries médicas, que se focam em mostrar o cotidiano de médicos, cirurgiões e enfermeiras, seja nos seus consultórios, no hospital ou em suas vidas privadas. Um conhecidissimo exemplo é o seriado ER, também chamado no Brasil como Plantão Médico e em Portugal de Serviço de Urgência. A maioria dos telespectadores deste tipo de série são do público masculino.

As séries médicas começaram a se tornar populares nos anos 60, com séries como Ben Casey, Dr. Kildare (nos EUA) e Emergency Ward 10 (no Reino Unido). No Brasil, um exemplo de série médica só viria à surgir nos anos 90, com o seriado Mulher, estrelado por Patrícia Pillar e Eva Wilma.

Com o passar dos anos, o gênero se provou muito mais que uma moda passageira, sempre se mantendo firme. Ainda que tenha passado por períodos de baixa, como o final dos anos 90, em que apenas E.R. se manteve em destaque, há muito que sempre se pode ver uma série médica sendo exibida.

Os últimos anos mostram uma revitalização do gênero, com diversos seriados surgindo e se tornando bastante populares. Destacam-se dessa leva Grey's Anatomy, House e Scrubs.

ER ainda consegue se manter em destaque, chamando a atenção por contagiar os fãs por mais de 14 anos. Recentemente, o seriado terminou sua 14ª temporada, e encerrará sua longa e elogiada trajetória no final da 15ª em abril de 2009.

Outras séries médicas que, apesar de já terem sido encerradas, merecem ser citadas pela popularidade conquistada, incluem M*A*S*H, Doogie Howser, M.D. e Chicago Hope.

Características[editar | editar código-fonte]

Uma série médica tende à seguir a linha do drama e ter episódios com uma hora de duração cada e se centrar basicamente no coditiano de um hospital, o qualquer outro ambiente semelhante, como uma clínica, um consultório cirúrgico, etc.

Com o tempo, adicionou-se ao "padrão" a necessidade de mostrar a vida pessoal dos médicos, mostrando sua família e relacionamentos fora do hospital. Entretanto, não é incomum que nesses seriados vida pessoal e trabalho se misturem, com muitos relacionamentos entre médicos e/ou entre médicos e enfermeiras ocorrendo, vide os constantes casos entre o staff de séries como ER e Grey's Anatomy.

As séries médicas são por muitas vezes chamadas de dramas médicos, pois é essa a direção que muitas tendem à adotar, mas é curioso notar como o gênero permite as mais variadas vertentes, com a inclusão de "subgêneros", vide:

Críticas ao formato[editar | editar código-fonte]

Assim como qualquer "formato" de seriado, as séries médicas não estão salvas de críticas, que vão desde ao sensacionalismo de algumas situações ao suposto exagero de relacionamentos entre os membros de um mesmo hospital.

Grey's Anatomy é o atual campeão de reclamações, paradoxo interessante com seu enorme sucesso. As críticas vão desde à falta de realismo de muitas das situações médicas ali mostradas ao exagerado número de relacionamentos entre o staff.

Clichês[editar | editar código-fonte]

Os enfermeiros[editar | editar código-fonte]

É comum, numa série médica, que enfermeiros, enfermeiras e médicos entrem em conflito, assim como em relacionamentos amorosos.

Mas é interessante ver como são elas quem "dão o tom" ao hospital. São personagens que podem não ter muito destaque, ou sequer fazer parte do elenco regular, mas são as enfermeiras e enfermeiros que agem nos bastidores, atendem mais profundamente os pacientes e mantêm o hospital funcionando.

ER, House e Grey's Anatomy mostraram, recentemente, episódios em que as enfermeiras entraram em greve, o que desestabilizou totalmente os hospitais, levando os médicos ao desespero, mas, também, a perceber que não conseguem trabalhar sem elas.

Os paramédicos[editar | editar código-fonte]

Ambulância em um atendimento de urgência. Ministério da Saúde/Divulgação/ABr. Agosto/2004.

Outros "personagens" comuns das séries médicas são os paramédicos. Apesar de ser raro que esses personagens tenham um grande destaque, sua presença é quase que obrigatória, em especial em série como ER e Grey's Anatomy, aonde o centro cirúrgico e o pronto-socorro possuem grande importância.

O "papel" dos paramédicos é, geralmente, apresentar o paciente ao chegar ao hospital, detalhando qual ferimentos ele possui, aonde estava, como foi socorrido, e outros detalhes que possam ajudar o médico no tratamento.

Em sua 13ª. temporada, ER apresentou Tony Gates, um paramédico estudante de medicina, como personagem regular. Ele é interpretado por John Stamos.

Apesar dessa ser a primeira vez que um paramédico entrará para o elenco regular de uma série médica popular, Third Watch (Parceiros da Vida, no Brasil), tinha, entre seu elenco, um "núcleo" de paramédicos. Entretanto, devido ao fato de focar tanto policias quanto bombeiros e paramédicos, o seriado não é considerado uma "série médica".

História e evolução do gênero[editar | editar código-fonte]

Anos 60[editar | editar código-fonte]

Dr. Kildare, exibida pela primeira vez em 1961 pela NBC, é considerada como o primeiro drama médico norte-americano. A série continuaria no ar até 1965, tendo um total de 190 episódios. Na mesma época, estreava na ABC, emissora rival, Ben Casey, sobre um jovem cirurgião interpretado por Vince Edwards.

Dr. Kildare (e Ben Casey em menor grau) são, de certa forma, responsavéis pela popularização do gênero, pois, ao adquirirem rapidamente um grande sucesso abriram o precedente para que novos seriados abordando o "universo médico" pudessem surgir.

"Kildare" contava a história de um jovem interno, o Dr. James Kildare (Richard Chamberlain), que trabalhava no fictício hospital Blair General, ao mesmo que tentava aprender sobre sua profissão, lidar com os problemas dos pacientes e ganhar o respeito de seu supervisor, o Dr. Leonard Gillespie (Raymond Massey).

No primeiro episódio da série, Gillespie diz à um sério e iniciante Kildare:

Cquote1.svg Nosso trabalho é manter as pessoas vivas, não dizer a elas como viver. Cquote2.svg

Kildare simplesmente ignora o aviso, o que seria a base para a maior parte das histórias das quatro temporadas que se sucederiam. A série foi a grande responsável por fazer de Chamberlain - que havia vencido outros 35 candidatos ao papel - um dos maiores ídolos juvenis dos anos 60, chegando a gravar uma música, intitulada Three Star Will Shine Tonight, tomando como base a música-tema do seriado.

A primeira série médica britânica, Emergency Ward 10, foi criada em 1957, após um mal-entendido. Tessa Diamond, criadora da série, estava procurando por um novo conceito, algo que pudesse gerar um novo programa quando seu agente sugeriu uma série sobre o dia-a-dia de um hospital. Ele queria, na verdade, que ela criasse um documentário, mas Diamond o interpretou erroneamente, e acabou criando um drama. [1]

A série é considerada, ao lado de The Groove Family como uma das primeiras grandes telenovelas do Reino Unido.

A série foi produzida pela ATV e se passava num hospital fictício chamado Oxbridge General. Inicialmente, a proposta para a série era a de uma minissérie que duraria apenas seis semanas - e se chamaria "Calling Nurse Roberts" - mas acabou se tornando uma das primeiras telenovelas da ITV, sendo exibida duas vezes por semana, à noite.

Emergency Ward 10 pode ser considerada "leve" para os padrões atuais, mas é inegável sua importância não só para a TV britânica, mas para as séries de televisão em geral. Foi a primeira a combinar, de forma bem-sucedida, histórias envolvendo a vida pessoal dos médicos e enfermeiras com os assuntos envolvendo a medicina. Além disso, foi a primeira telenovela britânica a se passar num local de trabalho.

Em 1967, a série foi finalmente cancelada, quando a audiência começou a cair após o show já estar no ar por dez anos. Lew Grade, um executivo da ATV, mais tarde admitiria que cancelar o programa foi um dos maiores erros que ele cometeu em todo a sua carreira.

A série podia estar cancelada, mas a "fórmula" não. Posteriormente, uma série vespertina surgiria, mantendo o gênero vivo: General Hospital (nenhuma conexão com a telenovela norte-americana de mesmo nome), que seria exibida de 1972 a 1979.

Anos 70[editar | editar código-fonte]

Em 1970, o primeiro episódio de M*A*S*H foi ao ar. A série, apesar de ser, em síntese, uma comédia, apresentava momentos mais sombrios, em especial pelas diversas mortes causadas pela Guerra da Coréia - cenário do programa. Essa "fórmula", que mistura comédia com momentos mais sombrios pode ser encontrada também em Doogie Howser, M.D. e Scrubs.

M*A*S*H entraria para a história por seu episódio final, o mais assistido de todos os tempos, que reuniu mais de 100 milhões de norte-americanos na frente da TV, com cerca de 77% de share.

Anos 90[editar | editar código-fonte]

ER é, sem dúvida, um marco para o gênero. Uma das séries mais bem-sucedidas de todos os tempos, tendo iniciado recentemente sua 15ª e última temporada, já recebeu dezenas de prêmios e teve em seu elenco atores aclamados como Anthony Edwards, George Clooney e John Leguizamo.

O show é marcado por sua edição rápida, com vários eventos acontecendo ao mesmo tempo, de forma frenética, e por não "perder tempo" explicando cada um dos termos técnicos proferidos pelos médicos durante os episódios.

A idéia da série era, originalmente, para um filme, que seria dirigido por Steven Spielberg e roteirizado por Michael Crichton, mas os dois acabaram se envolvendo com Jurassic Park e o projeto foi adiado até se tornar uma série.

Crichton se tornou produtor executivo da série, e não mais se envolveu com os roteiros. Spielberg também produziu alguns episódios da primeira temporada.

A série possuiu diversos episódios notavéis, como "Love's Labor Lost"(Problemas no Parto, na versão traduzida do DVD) e "Motherhood"(Maternidade) - este último dirigido por Quentin Tarantino - "21 Guns", "The Gallant Hero and the Tragic Victor", entre outros.

Médicos em séries[editar | editar código-fonte]

Entretanto, não é apenas em séries médicas que médicos podem possuir papel de destaque, vide os médicos de Star Trek, que desempenham um papel fundamental para a série.

Controvérsias[editar | editar código-fonte]

Nip/Tuck[editar | editar código-fonte]

Para maiores detalhes, veja Nip/Tuck

Uma razoável polêmica transcorre sobre o fato da série Nip/Tuck, do canal a cabo americano FX (exibida no Brasil pela FOX) ser ou não uma série médica. Por tratar da vida de dois cirurgiões plásticos, em tese, poderia sim ser considerada parte do gênero.

Mas, sua natureza polêmica, por retratar os personagens totalmente fora do que se costuma ver no gênero, a alta presença de cenas de sexo, além de mostrar as cirurgias de forma muito explícita, enfim, por "quebrar" diversas convenções e padrões do gênero, é considerada à parte por muitos. Curioso notar, entretando, que aquele que é considerado a maior de todas as séries médicas, ER, também "fugia dos padrões" da época em que foi lançado, com sua edição rápida, em ritmo frenético e por se focar nos personagens e não nos pacientes.

Séries médicas no Brasil[editar | editar código-fonte]

Além do grande sucesso que ER fez durante o período em que foi exibido pela Rede Globo e pelo SBT, vale destacar o seriado Mulher, criado por Daniel Filho e protagonizado por Eva Wilma e Patrícia Pillar.

Reality Shows[editar | editar código-fonte]

Vários reality shows que tem a medicina como tema central já foram criados, e não raro causam polêmica. Vão desde Dr.90210, que mostra a vida do famoso cirurgião Dr. Robert Rey à I Want a Famous Face, que é duramente criticado por mostrar jovens se submetendo à cirurgias para tornarem-se mais parecidos com celebridades.

Dr. 90210[editar | editar código-fonte]

Dr. 90210 é, talvez, o mais proeminente reality show relacionado à medicina da atualidade. A série mostra o cotidiano do brasileiro Robert Rey, um dos melhores e mais populares cirurgiões de Beverly Hills - cujo código postal ele toma emprestado para dar título à série. Dr. 90210 foi inspirado no seriado Nip/Tuck.É transmitido aos domingos na Rede Tv e chamase Dr. Hollywood.

Séries médicas ao redor do mundo[editar | editar código-fonte]

Além dos EUA e do Brasil, as séries médicas também existem em várias outras partes do globo. Com um formato semelhante, as séries médicas provam ser um dos gêneros mais populares na televisão. Alguns exemplos de séries médicas em outros países:

  • Casualty (Reino Unido): É a série médica que está há mais tempo no ar em todo o mundo. Produzida e exibida pela BBC, Casualty narra as histórias de médicos e enfermeiras ambientadas no hospital e na cidade fictícia de Holby City. Sua primeira transmissão foi no dia 6 de setembro de 1986. É considerada um dos programas mais tradicionais do Reino Unido e encontra-se na sua 23ª temporada. Vários atores já participaram da série, como: Parminder Nagra (que participou das últimas temporadas do também famoso drama médico americano ER), Kate Winslet, Orlando bloom, entre outros.
  • Holby City (Reino Unido): Spin-off do drama de longa data Casualty. Aborda mais os cirurgiões e enfermeiras e enfermeiros da ala cirúrgica do Holby City Hospital. Estreou dia 12 de janeiro de 1999 e atualmente está na sua 11ª temporada.
  • Hospital Central (Espanha): Tem um formato mais semelhante à novela. A série narra o dia-a-dia do staff do Hospital Central em Madrid. É considerada a versão espanhola de ER. Fez bastante sucesso nos primeiros anos - de 2000 até 2004 - entretanto, após a colocação de um casal homossexual como protagonista, a série entrou em declínio no que diz respeito a audiência. É exibida pela Telecinco na Espanha e pelo AXN em Portugal e em outros países.

Notas e referências[editar | editar código-fonte]

  1. screenonline: Medical drama - em inglês.

Ligações externas[editar | editar código-fonte]