Sinfonia n.º 3 (Beethoven)

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"Sinfonia n.º 3"
Composição Beethoven
Época de composição 1803-1804
Estreia Verão de 1804, Boêmia
Dedicatória Príncipe Lobkowitz
Tonalidade Mi bemol maior
Tipo Sinfonia
Catalogação Opus 55
Duração Entre 44 a 55 minutos
Instrumental 2 flautas, 2 oboés, 2 clarinetes, 2 fagotes, 3 trompas, 2 trompetes, tímpano e cordas.
Andamentos

A Sinfonia n.º 3, Em Mi Bemol Maior (Op. 55) de Ludwig van Beethoven (conhecida como Eroica que em italiano significa "heroica") é uma obra musical, por vezes citada como marco do fim da Era Clássica e o começo da música romântica.

Instrumentos[editar | editar código-fonte]

A sinfonia é composta por 2 flautas, 2 oboés, 2 clarinetes em si bemol, 2 fagotes, 3 trompas em mi bemol, fá e dó, 2 trompetes em mi bemol e dó, tímpano e cordas.

Estrutura[editar | editar código-fonte]

A obra é constituída de quatro movimentos:

  1. Allegro con brio
  2. Marcia funebre: Adagio assai em dó menor
  3. Scherzo: Allegro vivace
  4. Finale: Allegro molto

Visão Geral[editar | editar código-fonte]

Beethoven em 1804, quando estava compondo Eroica.

Dedicação e Estreia[editar | editar código-fonte]

Beethoven tinha inicialmente a ideia de dedicar a sinfonia à Napoleão Bonaparte. O biógrafo Maynard Solomon relata que Beethoven admirava os ideais da Revolução Francesa, e Napoleão era como se fosse sua personificação. No outono, o compositor começou a repensar sobre a dedicação. O príncipe Lobkowitz disse que se dedicasse a sinfonia a ele, não precisaria de pagar um imposto. No entanto, ele continuou com a dedicação a Bonaparte.

Quando Napoleão proclamou-se Imperador da França em Maio de 1804, Beethoven se revoltou e foi à mesa onde estava a obra já pronta. Ele pegou a página-título e riscou o nome Bonaparte tão violentamente com uma faca que criou um buraco no papel.[1] Mais tarde ele mudou o nome para Sinfonia eroica, composta per festeggiare il sovvenire d'un grand'uomo ("sinfonia heróica, composta para celebrar a memória de um grande homem"). Seu assistente Ferdinand Ries conta a história em sua biografia de Beethoven:

Ao escrever esta sinfonia Beethoven tinha pensado em Buonaparte, mas Buonaparte como Primeiro Cônsul. Naquela época, Beethoven tinha a maior estima por ele e o comparou aos máximos cônsules da antiga Roma. Não só eu, mas muitos dos amigos mais próximos de Beethoven, viu esta sinfonia em sua mesa, lindamente copiados à mão, com a palavra "Buonaparte" inscrito no topo da página-título e "Ludwig van Beethoven" na parte inferior. …Eu fui o primeiro a dizer a notícia de que Bonaparte havia se auto-declarado imperador, quando de repente teve um acesso de fúria e exclamou, "Então ele não é mais do que um mortal comum! Agora, também, ele vai pisar no pé de todos os direitos do homem, saciando somente a sua vontade; agora ele vai pensar que é superior a todos os homens, se tornando um tirano!" Beethoven foi até a mesa, pegou a página-título, rasgou ao meio e jogou-o no chão. A página tinha de voltar a ser copiado e foi só agora que a sinfonia recebeu o título de "Sinfonia Eroica."[2]

No entanto, o caminho para a titulação da obra Eroica tinha mais história. Após a conclusão da obra, Beethoven escreveu a seu editor no verão de 1804 que "O título da sinfonia é realmente Bonaparte." O título final não foi aplicado ao trabalho até que as partes foram publicadas em outubro de 1806. Na verdade, Anton Felix Schindler diz que na audiência sobre a morte de Napoleão na ilha de Santa Helena em 1821, Beethoven diz: "Eu escrevi a música para este triste acontecimento dezessete anos atrás" - referindo-se a Marcha Fúnebre (segundo movimento).

Beethoven escreveu a maior parte da sinfonia no final de 1803 e completou no início de 1804. A sinfonia foi estreada em particular no Verão de 1804, no castelo de seu protetor Príncipe Lobkowitz em Eisenberg (Jezeri) na Boêmia. A primeira apresentação pública foi dada no Teatro an der Wien, em Viena, no dia 7 de Abril de 1805 com o compositor de condução. Para a performance, o trabalho foi apresentado em D#.[3]

Recepção Crítica[editar | editar código-fonte]

A obra é um marco na história da sinfonia clássica por várias razões. A obra é duas vezes mais longa que as sinfonias de Haydn ou Mozart—o primeiro movimento sozinho é quase tão longo quanto muitas sinfonias clássicas, se a repetição for observada. A obra tem uma abrangência emocional maior que os seus outros trabalhos, e é frequentemente citada como o início do período romântico na música. O segundo movimento, em particular, exibe uma grande gama de emoção - da miséria do tema principal marcha fúnebre, para o conforto relativo de felicidade. O final da sinfonia mostra uma organização semelhante, e é dada uma importância no esquema geral que era virtualmente desconhecido antes — ao passo que em sinfonias anteriores o final era rápido e alegre, aqui é um conjunto extenso de variações e fuga sobre um tema de Beethoven tinha escrito originalmente para a sua música de balé "As Criaturas de Prometeu".

De acordo com Harold C. Schonberg, “O Musical de Viena ficou dividida sobre o mérito da Eroica. Alguns diziam que era a obra-prima de Beethoven. Outros disseram que o trabalho apenas ilustrou "uma busca de originalidade que não teve." [4] A Sinfonia em mi bemol pelo desconhecido Anton Eberl (1765-1807) foi também estreada no concerto e recebeu um pouco mais opiniões positivas do que a Sinfonia de Beethoven.[3]

O crítico de música J. W. N. Sullivan escreveu[5] que o primeiro movimento é uma expressão de coragem de Beethoven em confrontar sua surdez, o segundo, lento e triste, retratando o desespero esmagador que sentia, o terceiro, Scherzo, uma revolta "indomável de energia criativa", e o quarto um derramamento de exuberante energia criativa. Hector Berlioz discutiu sbre o uso da trompa e do oboé no seu Grande Tratado de Instrumentação.

A música de luto de Richard Strauss Metamorphosen é baseada no tema da marcha fúnebre da Eroica, e combina harmonicamente variantes distorcidas de seus motivos principais. Logo no final das barras de abertura da marcha fúnebre são citadas literalmente no baixo.

Escritores sobre a arte da tradição marxista, frequentemente fazem uso da Eroica. Gareth Jenkins escreveu que "Beethoven estava fazendo a música que Napoleão estava fazendo para a sociedade—virando a tradição de cabeça para baixo", e que a sinfonia estava carregada de "sentido do potencial humano e liberdade" pela primeira vez no período da Revolução Francesa..[6]

Anedota do Solo de Trompa[editar | editar código-fonte]

No primeiro movimento, o solo de trompa entra com o tema principal quatro compassos antes da "real" recapitulação. O discípulo de Beethoven Ferdinand Ries contou:[7]

O primeiro ensaio da sinfonia foi terrível, mas o trompista de fato começou a tocar quando foi dado o sinal. Eu estava em pé ao lado de Beethoven e, acreditando que ele tinha feito uma entrada errada, disse: 'Aquele maldito trompista! Ele não consegue contar? Isso soa terrivelmente errado.' Eu estava com medo de ficar com meus ouvidos machucados. Beethoven não me perdoou por um bom tempo.

Uso do Segundo Movimento em Funerais[editar | editar código-fonte]

Eroica nas Telas[editar | editar código-fonte]

Em 2003 um filme de Simon Cellan Jones-BBC/Opus Arte Eroica foi lançado, sendo que Ian Hart interpretou Beethoven. A Orchestre Révolutionnaire et Romantique, conduzida pelo Sir John Eliot Gardiner, apresentou a Eroica inteiramente. O tema do filme é a estréia em 1804 privada da Sinfonia Eroica, no palácio do príncipe Lobkowitz (interpretado por Jack Davenport). O filme é baseado, em parte, das lembranças de Ferdinand Ries do evento. [11]

Notas[editar | editar código-fonte]

  1. Steinberg, Michael. "A sinfonia: um guia para ouvintes". p. 12. Oxford University Press, 1995.
  2. Eroica, A Era Napoleônica.
  3. a b Dicionário Grove de Música e Músicos, 5ª ed., 1954, Eric Blom, ed.
  4. Aaron Green. "Notas Histórica na Sinfonia n.º 3 de Ludwig van Beethoven, Op. 55." About.com http://classicalmusic.about.com/od/symphonies/a/aaeroica.htm
  5. Eroica Symphony, Wiſdom Portal.
  6. Gareth Jenkins. "Grito de Liberdade de Beethoven" Trabalhador Socialista (Reino Unido) 4 de Outubro de 2003. http://www.socialistworker.co.uk/art.php?id=2496
  7. Ries, Ferdinand; Franz Wegeler; Frederick Noonan, trans.. Beethoven lembrou: as notas biográficas de Wegeler e Franz Ferdinand Ries. Arlington, Va.: Great Ocean Publishers, 1987. p. 69. ISBN 0-915556-15-4
  8. American Heritage.
  9. Music and Arts.
  10. Wilfrid Blunt, Nas Asas da Canção, uma biografia de Felix Mendelssohn, Londres, 1974.
  11. Sinfonia n.º 3 (Beethoven) (em inglês) no Internet Movie Database

Referências[editar | editar código-fonte]

Links Externos[editar | editar código-fonte]

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