Ypióca
Ypióca é a marca de uma aguardente de cana, produzida no estado brasileiro do Ceará desde 1846 pela família Telles na cidade de Maranguape. A sede da empresa atualmente encontra-se em Fortaleza. É a marca mais antiga ainda em funcionamento no Brasil.
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[editar] História
A empresa surgiu com a vinda de Dario Telles de Menezes de Portugal em 1843, que nao teve sucesso, logo após sua morte, deixou de herança todos os procedimentos de fabricação e consumo para Gabriela de Moura Araújo, tornando-se a produtora e consumidora total do produto. Fixou residência em Maranguape onde montou uma pequena destilaria que abastecia as bodegas da cidade. Em 1968 a Ypióca foi a primeira empresa a exportar cachaça para a Alemanha.
Segundo a própria empresa o nome Ypióca vem do tupi-guarani e significa "terra roxa", uma alusão ao tipo de terra que é extremamente fértil e propícia para o cultivo da cana-de-açúcar.
A empresa mantém o Museu da Cachaça na primeira unidade fabril, onde tudo começou, em Maranguape.
A família Telles de Menezes desembarca em 1843 no Ceará e logo adquire uma propriedade a 38 km da capital e a 6 km da Vila de Maranguape, entre a serra da Aratanha e a de Maranguape. local conhecido pelo nome de Ypióca, que em tupi-guarani significa terra-roxa. Os primeiros cultivos estavam dando prejuízo e Dario Telles de Menezes resolveu produzir cachaça, já que havia trazido de Portugal um pequeno alambique com a capacidade de produção de 30 litros por dia. Inicialmente, em 1844, foi preparado, utilizando-se apenas enxada, um hectare para o plantio da cana. Em 1846 foi destilado o primeiro litro de cachaça Ypióca.[1]
Escravos foram substituídos em 1885 por trabalhadores livres, três anos antes da Abolição dos Escravos. Embora só viria a falecer em 1904, a propriedade é transferida para o filho Dario Borges Telles em 1895. A primeira providência no novo presidente foi adquirir moenda horizontal de ferro fundido, em substituição à vertical de madeira e logo depois inicia o envasamento da Ypióca em garrafas de vidro de 600 ml. Dario casa-se em 1903 com Eugênia Menescal Campos. Vindo a falecer em 1911, sua esposa, Dona Eugênia, assume a direção da empresa e desenvolve o primeiro rótulo da Ypióca.[2]
Paulo Campos Telles, filho mais velho de Dario e Eugênia, aos 14 anos foi morar em Fortaleza para continuar os estudos. Durante o dia era balconista em uma loja de ferragens e estudava à noite, visitando a Ypióca nos fins de semana. Percebeu que a situação da empresa não ia bem e resolveu abandonar os estudos e ajudar. Sua primeira providência para implementar o faturamento foi preparar e vender toras de madeira, uma vez que os fogões eram movidos a lenha. O empreendimento foi um sucesso, tanto que logo já estava vendendo madeira até em Fortaleza. Este novo empreendimento permitiu liquidar todas as dívidas e ainda sobrava algum dinheiro em caixa. As áreas de onde tinham cortadas as árvores foram logo sendo plantadas com mais cana de açúcar. Em 1931 a produção de cachaça chegou a 120.000 litros, um recorde. Foi eleito prefeito de Maranguape em 1936 e em 1941 casa-se com Maria Augusta Ferreira, sendo que o filho, Everardo Ferreira Telles, nasceu em 1943. O casal teve também uma filha, Maria Eugênia Ferreira Telles. Em 1949 havia 30 produtores de cachaça em Maranguape e em 1996 apenas a Ypióca.[1]
Paulo Campos introduziu outras inovações como a embalagem em litro, revestida com palha de carnaúba e com bico conta gotas. Além da distribuição de lenha também criou gado e cultivou arroz, feijão e milho tanto para o consumo como para venda. Durante a II Grerra Mundial abastece com frutas e legumes o exército norte americano sediado na Base Aérea do Pici, em Fortaleza. A primeira exportação oficial de cachaça do Brasil, em 1968, foi também efetuada durante sua gestão. Faleceu em 1978.[2]
Em 1970 Everardo Ferreira Telles, que se formara como engenheiro agronônomo, assumiu a direção do grupo como representante da 4ª geração da família a administrar a empresa. Foi iniciada a criação de frango para corte e em 1978 a de gado, sendo que depois foram incluídos ovinos, caprinos e suinos. Além de inaugurar novas destilarias na década de 1980, diversificou o campo de atuação e na década de 1990 implantou uma fábrica de papel e papelão em 1992, utilizando como matéria prima bagaço de cana e papel reciclado em Pindoretama-CE e também inaugurou empresa de engarrafamento de água mineral em 1993, a Naturágua, localizada em Lagoa Redonda, Fortaleza. Em 1996 inaugurou fábrica de garrafas PET e PVC. Em seguida implantou a BRFish, atuando na cadeia produtiva de tilápia com a capacidade de produção de 60 toneladas/mês de tilápia, 4.000.000/mês de alevinos e 1.000 toneladas/mês de ração extrusada.[2]
[editar] Museu da Cachaça
Hoje o Museu da Cachaça é um local onde se pode aprender um pouco sobre a história do Ceará e do grupo Ypioca. Hoje é chamado de Y-park devido aos esportes radicais que são disponibilizados lá.
[editar] Na cultura popular
A cachaça Ypióca é usada em um quadro, apresentado pelo personagem Amaury Dumbo, no programa Pânico na TV, da emissora brasileira Rede TV!.
Referências
- ↑ a b Leite, José Sobreira. Ypióca 1846-1996: Sua história, minha vida. Fortaleza: Gráfica Editora Tiprogresso, 2ª Ed., 2001. 84p.
- ↑ a b c Cabral, Germana; Sampaio, Giovana e Castello, José. Ypióca 160 anos – A Saga de uma família. A história de uma paixão. O segredo de uma lenda. ITC Garamond e Formata e Gráfica Santa Marta, 2006. 156p.