Aspiração uterina a vácuo

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Aspiração uterina a vácuo ou apenas aspiração a vácuo é um método de aborto que consiste na aspiração do conteúdo uterino através de sonda acoplada a um dispositivo que faz a sucção.[1] Pode ser utilizado como um método de indução ao aborto, um procedimento terapêutico aplicado após o aborto, ou um processo de obtenção de uma amostra de biópsia do endométrio. A taxa de infecção de 0,5% é inferior a qualquer outro procedimento cirúrgico abortivo.[2] Algumas fontes podem usar os termos dilatação e evacuação[3] ou dilatação e curetagem[4] para se referir a aspiração a vácuo, embora esses termos são normalmente utilizados para se referir a processos distintos.

História[editar | editar código-fonte]

Aspirar como um meio de remover o conteúdo uterino, ao invés do uso prévio de uma cureta dura de metal, foi algo pioneiro em 1958 lançado pelos Drs. Wu e Wu Yuantai Xianzhen na China,[5] mas seus trabalhos só foram traduzidos para o Inglês no quinquagésimo aniversário do estudo que concluiu esta técnina como "o procedimento obstétrico mais comum e mais seguro do mundo".[6]

No Canadá, o método foi pioneiro e melhorado por Henry Morgentaler, atingindo uma taxa de complicação de 0,48% sem mortes em mais de 5.000 casos.[7] Ele foi o primeiro médico na América do Norte a usar a técnica e treinou outros médicos para usá-la.[8]

Dorothea Kerslake introduziu o método no Reino Unido em 1967 e publicou um estudo nos Estados Unidos que espalhou ainda mais a técnica.[6] [9]

Harvey Karman nos Estados Unidos, refinou aa técnica no início dos anos 1970 com o desenvolvimento da cânula Karman cânula, uma cânula macia, flexível que evitava a necessidade de dilatação cervical inicial reduzindo assim o risco de perfuração do útero.[6]

Usos clínicos[editar | editar código-fonte]

A aspiração a vácuo pode ser utilizada como um método indutor ao aborto, como um processo terapêutico após o aborto, para auxiliar na regulação menstrual e para obter uma amostra de biópsia do endométrio.[10] É também utilizada para terminar gravidez molar.[11]

Quando usada como um tratamento para aborto ou método de aborto, a aspiração pode ser usada sozinha ou com dilatação cervical a qualquer momento no primeiro trimestre (até 12 semanas de idade gestacional). Para gestações mais avançadas, a aspiração a vácuo pode ser usado como uma etapa para o precedimento de dilatação e evacuação. [12] A aspiração a vácuo é o procedimento utilizado por quase todos os abortos de primeiro trimestre em muitos países.[10]

Procedimento[editar | editar código-fonte]

A diagram of a vacuum aspiration abortion procedure at 8 weeks gestation.
1: saco amniótico
2: Embrião
3: revestimento do útero
4: espéculo
5: Vacureta
6: Ligado a uma bomba de sucção

A aspiração a vácuo é um procedimento ambulatorial, que geralmente envolve uma visita à clínica de várias horas.[13] O procedimento em si geralmente leva menos de 15 minutos.[2] A aspiração é criado tanto com uma bomba elétrica (aspiração a vácuo elétrica ou EVA) ou uma bomba manual (aspiração manual ou MVA). Ambos os métodos utilizam o mesmo nível de sucção, e assim pode ser considerado equivalente em termos de eficácia e segurança.[14]

O médico pode usar primeiro um anestésico para entorpecer oa colo do útero Em seguida, o pode utilizar instrumentos chamados "dilatadores" para abrir o colo do útero, ou, por vezes, induzir a dilatação com drogas. Finalmente, uma cânula esterilizada é inserido no útero, esta cânula se liga a uma bomba que cria vácuo, esvaziando o conteúdo uterino.[2]

Depois de um processo de tratamento de aborto ou aborto, o tecido removido do útero é examinado para finalizar.[2] O conteúdo esperados incluem o embrião ou feto, bem como a decídua, vilosidades coriónicas, líquido amniótico, membrana amniótica e outros tecidos.

Vantagens sobre Dilatação e Curetagem[editar | editar código-fonte]

Dilatação e curetagem (D&C), também conhecido como "curetagem", foi certa vez o padrão de atendimento em situações que exigiam evacuação uterina. No entanto, a aspiração a vácuo tem um número de vantagens em relação a D & C e, em grande parte substituí a D & C em muitos contextos.[15]

A aspiração a vácuo pode ser utilizada mais cedo durante a gravidez do que a dilatação e curetagem (D e C). A spiração a vácuo manual é o único procedimento de aborto cirúrgico disponível mais cedo do que na 6ª semana de gravidez.[2] A aspiração a vácuo tem menores taxas de complicações quando comparados com a D & C.[14]

A aspiração a vácuo - especialmente a aspiração manual - é significativamente mais barata do que a D & C. O equipamento necessário para a aspiração custa menos do que um conjunto de curetaa. Ao contrário da D & C, a aspiração de vácuo não requer anestesia geral e por isso pode ser realizada como um procedimento de ambulatório em clínica, em vez de em um ambiente hospitalar cirúrgico. Embora a D & C é geralmente feita apenas por médicos, a aspiração de vácuo pode ser realizada por clínicos práticos como assistentes e parteiros.[16]

A aspiração a vácuo manual não requer eletricidade e assim pode ser fornecida em locais que têm serviço elétrico pouco confiável ou nenhum serviço. A aspiração também tem a vantagem de ser silenciosa, sem o ruído de uma bomba de vácuo eléctrica.[16]

Complicações[editar | editar código-fonte]

Quando utilizado para a evacuação uterina, aspiração a vácuo é 98% eficaz na remoção de todo o conteúdo do útero.[14] Produtos da concepção retidos requerem um segundo procedimento de aspiração. Isso é mais comum quando o procedimento é realizado muito cedo na gravidez, antes de 6 semanas de idade gestacional.[2]

Outras complicações ocorrem a uma taxa de menos do que 1 em 100 procedimentos e incluem a perda excessiva de sangue, infecção, ferimentos ao colo do útero ou no útero,[14] incluindo perfuração e aderências uterinas.[17]

Referências

  1. Antonio Carlos Lopes. Diagnóstico e tratamento. Manole; 2006. ISBN 978-85-204-2278-6. p. 185.
  2. a b c d e f «Manual and vacuum aspiration for abortion». A-Z Health Guide from WebMD. 2006. Consultado em February 18, 2006.  Parâmetro desconhecido |month= ignorado (|data=) (Ajuda)
  3. «Miscarriage». EBSCO Publishing Health Library. Brigham and Women's Hospital. 2007. Consultado em 2007-04-07.  Parâmetro desconhecido |month= ignorado (|data=) (Ajuda)
  4. «What Every Pregnant Woman Needs to Know About Pregnancy Loss and Neonatal Death». The Unofficial Guide to Having a Baby. WebMD. 2004-10-07. Consultado em 2007-04-29. 
  5. Wu Y and Wu X (1958). «A report of 300 cases using vacuum aspiration for the termination of pregnancy» (PDF). Chinese Journal of Obstetrics and Gynaecology (em English translation from BMJ) [S.l.: s.n.]: 447–9. 
  6. a b c Coombes R (2008). «Obstetricians seek recognition for Chinese pioneers of safe abortion». BMJ BMJ [S.l.] 336 (7657): 1332–3. doi:10.1136/bmj.39608.391030.DB. PMC 2427078. PMID 18556303.  Parâmetro desconhecido |month= ignorado (|data=) (Ajuda)
  7. Morgentaler H H (1973). «Report on 5641 outpatient abortions by vacuum suction curettage». CMAJ [S.l.: s.n.] 109(12): 1202–5. PMID 4758593. 
  8. Morgentaler H (1989). «Alan F. Guttmacher lecture». Am J Gynecol Health [S.l.: s.n.]: 38–45. PMID 12284999.  Parâmetro desconhecido |month= ignorado (|data=) (Ajuda)
  9. Kerslake D, Casey D (1967). «Abortion induced by means of the uterine aspirator». Obstet Gynecol [S.l.: s.n.] 30 (1): 35–45. PMID 5338708.  Parâmetro desconhecido |month= ignorado (|data=) (Ajuda)
  10. a b Baird, Traci L. and Susan K. Flinn (2001). «Manual Vacuum Aspiration: Expanding women's access to safe abortions services» (PDF) Ipas [S.l.]: 3. Consultado em 2008-01-28. , que cita:
    Greenslade, Forrest; Janie Benson, Judith Winkler, Victoria Henderson and Ann Leonard (1993). «Summary of clinical and programmatic experience with manual vacuum aspiration». Advances in Abortion Care [S.l.: s.n.] 3 (2). 
  11. «Managing complications in pregnancy and childbirth: A guide for doctors and midwives». World Health Organization. 2003. Consultado em 2006-09-14. 
  12. Baird (2001), pp 4-5,14 (laterais e caixa de informações).
  13. Baird (2001), p. 10 (tabela).
  14. a b c d Baird (2001), pp. 4-6.
  15. Baird (2001), p. 2.
  16. a b Baird (2001), pp. 5,8-13.
  17. Dalton, VK; Saunders NA, Harris LH, Williams JA, Lebovic DI (2006). «Intrauterine adhesions after manual vacuum aspiration for early pregnancy failure». Fertility and Sterility [S.l.: s.n.] 85 (6): 1823.e1–3. doi:10.1016/j.fertnstert.2005.11.065. PMID 16674955.  Parâmetro desconhecido |month= ignorado (|data=) (Ajuda);