Aborto farmacológico

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Ir para: navegação, pesquisa

Aborto farmacológico, aborto medicinal, aborto medicamentoso ou aborto químico é uma técnica de aborto induzido que consiste na administração de fármacos com o objetivo de provocar a interrupção da gravidez sem recorrer a práticas cirúrgicas.

O aborto farmacológico é um tipo de aborto não-cirúrgico no qual são utilizados medicamentos abortivos para induzir um aborto. A preparação oral para aborto farmacológico é geralmente conhecida por pílula abortiva.

O aborto farmacológico tornou-se num método alternativo de aborto com a disponibilização de análogos da prostaglandina nos anos 70 e da antiprogesterona mifepristona nos anos 80.[1][2][3]

Usos Médicos[editar | editar código-fonte]

Segundo a publicação da Organização Mundial da Saúde (OMS) de 2006 Frequently asked clinical questions about medical abortion, quando se aconselha uma mulher sobre que tipo de aborto deve fazer, há poucas diferenças em termos de segurança e eficácia entre o aborto farmacológico e o aborto cirúrgico:[4]

Há pouca, se houver mesmo alguma, diferença entre o aborto farmacológico e o cirúrgico em termos de segurança e eficácia. Portanto, ambos os métodos são semelhantes do ponto de vista médico e existem apenas algumas situações onde uma recomendação médica por um em detrimento do outro poderá ser dada.

Pode haver uma preferência pelo aborto farmacológico se:

  • For a preferência da mulher;
  • Para gestações até aos 49 dias, o aborto farmacológico é considerado mais eficaz que o aborto cirúrgico, principalmente quando a prática clínica não inclui inspeção detalhada do tecido aspirado;
  • Se uma mulher sofrer de obesidade severa (índice de massa corporal maior que 30) mas não sofrer de outros fatores risco cardiovascular, pois o tratamento cirúrgico pode ser tecnicamente mais difícil;
  • Se a mulher sofrer de alguma malformação uterina ou tiver útero fibroide, ou tenha previamente realizado uma cirurgia cervical (pois pode fazer com que o aborto cirúrgico seja tecnicamente mais difícil);
  • Se a mulher quiser evitar uma intervenção cirúrgica.

Pode haver uma preferência pelo aborto cirúrgico se:

  • For da preferência da mulher ou se ela requerer uma esterilização em simultâneo.
  • A mulher tiver contraindicações para um aborto farmacológico;
  • Se houver constrangimentos de tempo ou geográficos que impeçam o acompanhamento necessário para confirmar que o aborto foi completo.


Efeitos secundários[editar | editar código-fonte]

De acordo com a Women on Web, um serviço de telemedicina que apoia mulheres à procura de abortos por todo o mundo:[5]

Um aborto medico realizado nas primeiras 9 semanas de gravidez possui um risco muito baixo de ocorrência de complicações. Este risco é o mesmo associado a um aborto espontâneo. Estes problemas podem ser facilmente tratados por um medico. Em cada 100 mulheres que fazem um aborto farmacológico, 2 ou 3 têm de recorrer a um médico, centro de primeiros-socorros ou hospital.[6]

Segundo uma tabela incluída no Handbook of Obstetric and Gynecologic Emergencies, 4th edition de 2010, as possíveis complicações de um aborto médico e de um aborto cirúrgico são as seguintes:[7]

  • Aborto farmacológico:
    • Hemorragia
    • Aborto incompleto
    • Infeção uterina ou pélvica
    • Continuação da gravidez, requerendo aborto cirúrgico para completar
    • Gravidez ectópica mal diagnosticada/reconhecida
  • Aborto cirúrgico:
    • Hemorragia
    • Aborto incompleto
    • Infeção uterina ou pélvica
    • Continuação da gravidez, requerendo um segundo procedimento
    • Gravidez ectópica mal diagnosticada ou mal reconhecida
    • Hematometra (coágulos de sangue acumulados no útero)
    • Perfuração uterina
    • Laceração cervical

Apesar do aborto médico estar associado com um maior sangramento que o aborto cirúrgico, a totalidade do sangramento para os dois métodos é mínima e não é clinicamente diferente.[8] Num ensaio clínico prospetivo de larga escala realizado em 1992 com 160.000 mulheres que realizaram um aborto farmacológico com diferentes doses de gemeprost ou sulprostona, apenas 0,1% tiveram uma hemorragia que necessitou uma transfusão de sangue.[8][9] É geralmente aconselhada a procura de serviços de saúde se a hemorragia for tão intensa que encha completamente mais de 2 absorventes por hora, por duas horas consecutivas.[8]

Desde 2001, 10 mulheres - uma no Canadá,[10] oito nos Estados Unidos da América, [11][12][13] e uma em Portugal [14]– morreram devido a Síndrome do choque tóxico causado por Clostridium (nove casos causados por Clostridium sordellii[10][11][12][13] e um caso causado por Clostridium perfringens[12]) após a realização de um aborto farmacológico em início de gestação utilizando 200mg de mifepristona oralmente, seguidos de 800µg de misoprostol – em nove casos vaginalmente,[10][11][12][13][14]e num caso bucalmente[12] – sem antibióticos profiláticos.

Um estudo retrospetivo, publicado no The New England Journal of Medicine em Julho de 2009, realizado com 227.823 mulheres que realizaram um aborto farmacológico nos centros afiliados da Planned Parenthood nos EUA, entre Janeiro de 2005 até Junho de 2008, descobriram que a taxa de infecção após a realização de um aborto farmacológico, teve uma redução de 93% após uma mudança na administração do misoprostol de vaginal para bucal, combinado com a administração profilática de rotina de antibióticos de doxicilina.[15]

Contraindicações[editar | editar código-fonte]

Segundo a publicação da OMS Frequently asked clinical questions about medical abortion:[4]

As contraindicações ao aborto farmacológico são poucas e incluem:

  • Reação alérgica prévia aos fármacos envolvidos no procedimento;
  • Porfíria hereditária;
  • Insuficiência hepática ou suprarrenal crónica ou aguda
  • Confirmação ou suspeita de gravidez ectópica

É requerida prudência em algumas circunstâncias, incluindo:

  • Se a mulher estiver a fazer uma terapia de longo termo com corticosteroides (incluindo mulheres com asma severa e descontrolada);
  • Se a mulher sofrer de desordem hemorrágica;
  • Se a mulher sofrer de anemia severa;
  • Se a mulher tiver uma doença cardíaca pré-existente, ou se tiver fatores de risco cardiovascular (ex. ser hipertensa e fumadora).

Gestão de hemorragia prolongada[editar | editar código-fonte]

Segundo a publicação da OMS Frequently asked clinical questions about medical abortion,[4] normalmente, a hemorragia vaginal diminui gradualmente durante as duas semanas após um aborto farmacológico, mas algumas mulheres referem ter manchas até 45 dias depois. Se a mulher estiver bem de saúde, nem o sangramento prolongado nem a presença de tecido no útero (detectado através de um ultrassom obstétrico) são indicadores de intervenção cirúrgica (ou seja, aspiração a vácuo ou dilatação e curetagem). Os produtos da concepção restantes no útero, serão expulsos em subsequentes sangramentos vaginais. Ainda assim, uma intervenção cirúrgica pode ser realizada a pedido da mulher, se a hemorragia for forte ou prolongada, ou cause anemia, ou se houver evidência de endometriose.

Métodos[editar | editar código-fonte]

Feto com uma idade gestacional de 10 semanas a ser expelido do útero durante um aborto farmacológico. A abertura do cérvix pode ser vista na parte inferior esquerda da imagem.

A Organização Mundial da Saúde (OMS), recomenda um regime para aborto farmacológico seguindo a medicina baseada em evidências, que consiste numa combinação de mifepristona e misoprostol; para situações em que a mifepristona não esteja disponível, recomenda um regime com misoprostol apenas.[16][17] Um regime com uma combinação de metotrexato-misoprostol pode também ser usado[18] no entanto, porque o metotrexato pode ser teratogénico para o feto em caso de aborto incompleto, a OMS não recomenda os regimes que combinam metotrexato-misoprostol para aborto farmacológico.[16][17] Os regimes que combinam mifepristona-misoprostol são mais rápidos e são mais eficazes em gestações mais avançadas que os regimes que combinam metotrexato-misoprostol.[2] Os regimes que combinam mifepristona-misoprostol e metotrexato-misoprostol são mais eficazes que o misoprostol apenas.[2]

Os regimes de aborto farmacológico que usam mifepristona com o análogo da prostaglandina são os métodos mais comumente utilizados para induzir abortos durante o segundo trimestre no Canadá, na maior parte da Europa, na China e Índia,[3] em contraste com os Estados Unidos onde 96% dos abortos realizados durante o segundo trimestre são realizados cirurgicamente através de dilatação e evacuação.[19]

O regime utilizado para o aborto farmacológico no inicio do primeiro trimestre (200mg de mifepristona oral, seguidos de 800µg de misoprostol bucal após 24-48 horas) usado atualmente nas clínicas da Planned Parenthood nos Estados Unidos desde Abril de 2006, é 98,3% eficaz até ao fim dos 59 dias de gestação.[20] O regime utilizado para o aborto farmacológico (200mg de mifepristona oral, seguidos de 800µg de misoprostol vaginal após 24-48 horas) anteriormente utilizado nas clínicas da Planned Parenthood nos Estados Unidos entre Março de 2001 e Março de 2006, demonstrou uma eficácia de 98,5% até aos 63 dias de gestação, apresentando uma taxa de continuação de gravidez de 0,5% e uma taxa de 1% de pacientes que realizaram uma evacuação uterina por vários motivos. Estes motivos incluem hemorragia problemática, saco gestacional persistente, decisão clínica ou a pedido da mulher.

Em 2011, uma revisão sistemática descobriu que era mais simples e igualmente seguro administrar mifepristona numa clínica e fazer a mulher grávida tomar o misoprostol em casa mais tarde, do que administrar ambas as drogas na clínica.[21]

Custo[editar | editar código-fonte]

Em 2009 nos Estados Unidos, o preço médio cobrado por um aborto farmacológico até às 9 semanas de gestação era $490, 4% mais elevado que os $470 cobrados em média para um aborto cirúrgico até às 10 semanas de gestação.[22] Nos Estados Unidos, em 2008, 57% das mulheres que fizeram um aborto, pagaram-no elas próprias.[23]

Em Abril de 2013, o governo australiano começou um processo de avaliação para decidir se devia listar a mifepristona (RU486) e o misoprostol no Pharmaceutical Benefits Scheme (PBS) do país. Se este listamento fosse aprovado pela Ministra da Saúde, Tanya Plibersek e pelo governo federal, os fármacos tornar-se-iam mais acessíveis devido a uma redução dramática no preço de retalho – o preço seria reduzido de entre AU$300 e AU$800, para AU$12 (taxa subsidiada por titular de cartão de concessão) ou AU$35.[24]

A 30 Junho de 2013, a Ministra da Saúde, Hon Tanya Plibersek MP, anunciou que o Governo Australiano tinha aprovado o listamento da mifepristona e do misoprostol no PBS para abortos medicinais em inicio de gestação, o que foi ao encontro da recomendação da Pharmaceutical Benefits Advisory Committee (PBAC). O listamento na PBS aconteceu a 1 de Agosto de 2013.

Prevalência[editar | editar código-fonte]

Percentagem de abortos medicinais considerando o total de abortos realizados
País Percentagem
Holanda 12% em 2008[25]
Alemanha 21% em 2014[26]
Bélgica 22% em 2011[27]
Estados Unidos 23% em 2011[28]
Espanha 27% em 2013[29]
Inglaterra e País de Gales 51% em 2014[30]
Islândia 55% em 2013[31]
França 58% em 2013[32]
Dinamarca 63% em 2013[31]
Suíça 70% em 2014[33]
Escócia 80% in 2014[34]
Suécia 83% em 2012[35]
Noruega 84% em 2014[36]
Finlândia 94% em 2013[31][37]

Um inquérito realizado a prestadores de serviço de aborto pelo Guttmacher Institute estimou que o aborto farmacológico em início de gestação representa 23% de todos os abortos não-hospitalares e 36% dos abortos realizados antes das 9 semanas de gestação nos Estados Unidos em 2001;[28][38] o aborto farmacológico representa 32% dos abortos no primeiro trimestre nas clínicas da Planned Parenthood nos Estados Unidos. [15]

Referências[editar | editar código-fonte]

  1. Kulier, Regina; Kapp, Nathalie; Gülmezoglu, A. Metin; Hofmeyr, G. Justus; Cheng, Linan; Campana, Aldo (November 9, 2011). «Medical methods for first trimester abortion». Cochrane Database of Systematic Reviews [S.l.: s.n.] (11): CD002855. doi:10.1002/14651858.CD002855.pub4. PMID 22071804. 
  2. a b c Creinin, Mitchell D.; Danielsson, Kristina Gemzell (2009). «Medical abortion in early pregnancy». In: Paul, Maureen; Lichtenberg, E. Steve; Borgatta, Lynn; Grimes, David A.; Stubblefield, Phillip G.; Creinin, Mitchell D. (eds.). Management of unintended and abnormal pregnancy : comprehensive abortion care (Oxford: Wiley-Blackwell). pp. 111–134. ISBN 1-4051-7696-2. 
  3. a b Kapp, Nathalie; von Hertzen, Helena (2009). «Medical methods to induce abortion in the second trimester». In: Paul, Maureen; Lichtenberg, E. Steve; Borgatta, Lynn; Grimes, David A.; Stubblefield, Phillip G.; Creinin, Mitchell D. (eds.). Management of unintended and abnormal pregnancy : comprehensive abortion care (Oxford: Wiley-Blackwell). pp. 178–192. ISBN 1-4051-7696-2. 
  4. a b c International Consensus Conference on Non-surgical (Medical) Abortion in Early First Trimester on Issues Related to Regimens and Service Delivery (2006). Frequently asked clinical questions about medical abortion (PDF) (Geneva: World Health Organization). ISBN 92-4-159484-5. 
  5. Bazelon, Emily (August 28, 2014). «The dawn of the post-clinic abortion». The New York Times Magazine [S.l.: s.n.] 
  6. Women on Web (2014). «How do you know if you have complications and what should you do?». Amsterdam: Women on Web. 
  7. Botha, Rosanne L.; Bednarek, Paula H.; Kaunitz, Andrew M.; Edelman, Alison B. (2010). «Chapter 18. Complications of medical and surgical abortion». In: Benrubi, Guy I. (ed.). Handbook of obstetric and gynecologic emergencies 4th ed. (Philadelphia: Lippincott Williams & Wilkins). p. 258. ISBN 1-60547-666-8.  Table 18.1 Possible complications of surgical and medical abortion.
  8. a b c Kerns, Jennifer; Steinauer, Jody (March 2013). «Management of postabortion hemorrhage: release date November 2012 SFP (Society of Family Planning) Guideline #20131». Contraception [S.l.: s.n.] 87 (3): 331–342. doi:10.1016/j.contraception.2012.10.024. PMID 23218863. 
  9. Ulmann, André; Silvestre, Louise; Chemama, Laurence; Rezvani, Yvonne; Renault, Marguerite; Aguillaume, Claude J.; Baulieu, Étienne-Émile (May 1992). «Medical termination of early pregnancy with mifepristone (RU 486) followed by a prostaglandin analogue. Study in 16,369 women». Acta Obstetricia et Gynecologica Scandinavica [S.l.: s.n.] 71 (4): 278–283. doi:10.3109/00016349209021052. PMID 1322621. 
  10. a b c Sinave, Christian; Le Templier, Geneviève; Blouin, Daniel; Léveillé, François; Deland, Éric (December 1, 2002). «Toxic shock syndrome due to Clostridium sordellii: a dramatic postpartum and postabortion disease» (PDF). Clinical Infectious Diseases [S.l.: s.n.] 35 (11): 1441–1443. doi:10.1086/344464. PMID 12439811. 
  11. a b c Fischer, Marc; Bhatnagar, Julu; Guarner, Jeannette; Reagan, Sarah; Hacker, Jill K.; Van Meter, Sharon H.; Poukens, Vadims; Whiteman, David B.; Iton, Anthony; Cheung, Michele; Dassey, David E.; Shieh, Wun-Ju; Zaki, Sherif R. (December 1, 2005). «Fatal toxic shock syndrome associated with Clostridium sordellii after medical abortion». New England Journal of Medicine [S.l.: s.n.] 353 (1): 2352–2360. doi:10.1056/NEJMoa051620. PMID 16319384. 
  12. a b c d e Cohen, Adam L.; Bhatnagar, Julu; Reagan, Sarah; Zane, Suzanne B.; D'Angeli, Marisa A.; Fischer, Marc; Killgore, George; Kwan-Gett, Tao Sheng; Blossom, David B.; Shieh, Wun-Ju; Guarner, Jeannette; Jernigan, John; Duchin, Jeffrey S.; Zaki, Sherif R.; McDonald, L. Clifford (November 2007). «Toxic shock associated with Clostridium sordellii and Clostridium perfringens after medical and spontaneous abortion». Obstetrics & Gynecology [S.l.: s.n.] 110 (5): 1027–1033. doi:10.1097/01.AOG.0000287291.19230.ba. PMID 17978116. 
  13. a b c Meites, Elissa; Zane, Suzanne; Gould, Carolyn; C. sordellii investigators (September 30, 2010). «Fatal Clostridium sordellii infections after medical abortions». New England Journal of Medicine [S.l.: s.n.] 363 (14): 1382–1383. doi:10.1056/NEJMc1001014. PMID 20879895. 
  14. a b Reis, T.; Chaves, C.; Soares, A.; Moreira, M.; Boaventura, L.; Ribeiro, G. (May 2011). «A Clostridium sordellii fatal toxic shock syndrome post-medical-abortion in Portugal (Abstract number R2542)». Clinical Microbiology and Infection [S.l.: s.n.] 17 (Suppl s4): S761. doi:10.1111/j.1469-0691.2011.03559.x. 
  15. a b Fjerstad, Mary; Trussell, James; Sivin, Irving; Lichtenberg, E. Steve; Cullins, Vanessa (July 9, 2009). «Rates of serious infection after changes in regimens for medical abortion» (PDF). New England Journal of Medicine [S.l.: s.n.] 361 (2): 145–151. doi:10.1056/NEJMoa0809146. PMC 3568698. PMID 19587339. 
    Allday, Erin (July 9, 2009). «Change cuts infections linked to abortion pill». San Francisco Chronicle [S.l.: s.n.] p. A1. 
  16. a b WHO Department of Reproductive Health and Research (2012). Safe abortion: technical and policy guidance for health systems (PDF) 2nd ed. (Geneva: World Health Organization). pp. 1–9, 46. ISBN 978-92-4-154843-4. 
  17. a b Dunn, Shelia; Cook, Rebecca (January 7, 2014). «Medical abortion in Canada: behind the times». CMAJ: Canadian Medical Association Journal [S.l.: s.n.] 186 (1): 13–14. doi:10.1503/cmaj.131320. PMID 24277708. 
  18. http://www.webmd.com/women/methotrexate-and-misoprostol-for-abortion
  19. Hammond, Cassing; Chasen, Stephen T. (2009). «Dilation and evacuation». In: Paul, Maureen; Lichtenberg, E. Steve; Borgatta, Lynn; Grimes, David A.; Stubblefield, Phillip G.; Creinin, Mitchell D. (eds.). Management of unintended and abnormal pregnancy : comprehensive abortion care (Oxford: Wiley-Blackwell). pp. 178–192. ISBN 1-4051-7696-2. 
  20. Fjerstad, Mary; Sivin, Irving; Lichtenberg, E. Steve; Trussell, James; Cleland, Kelly; Cullins, Vanessa (September 2009). «Effectiveness of medical abortion with mifepristone and buccal misoprostol through 59 gestational days». Contraception. [S.l.: s.n.] 80 (3): 282–286. doi:10.1016/j.contraception.2009.03.010. PMC 3766037. PMID 19698822. 
  21. Ngo, Thoai D.; Park, Min Hae; Shakur, Haleema; Free, Caroline (2011). «Comparative effectiveness, safety and acceptability of medical abortion at home and in a clinic: a systematic review». Bulletin of the World Health Organization [S.l.: s.n.] 89 (5): 360–370. doi:10.2471/BLT.10.084046. PMC 3089386. PMID 21556304. 
  22. Jones, Rachel K.; Kooistra, Kathryn (March 2011). «Abortion incidence and access to services in the United States, 2008» (PDF). Perspectives on Sexual and Reproductive Health [S.l.: s.n.] 43 (1): 41–50. doi:10.1363/4304111. PMID 21388504. 
    Stein, Rob (January 11, 2011). «Decline in U.S. abortion rate stalls». The Washington Post [S.l.: s.n.] p. A3. 
  23. Jones, Rachel K.; Finer, Lawrence B.; Singh, Shusheela (May 4, 2010). «Characteristics of U.S. abortion patients, 2008» (PDF). New York: Guttmacher Institute. 
    Mathews, Anna Wilde (May 4, 2010). «Most women pay for their own abortions». The Wall Street Journal (online) [S.l.: s.n.] 
  24. Peterson, Kerry (30 April 2013). «Abortion drugs closer to being subsidised but some states still lag». The Conversation Australia. The Conversation Media Group. Consultado em April 29, 2013. 
  25. Kruijer, Hans; Lee, Laura; Wijsen, Ciel (December 2009). «Landelijke Abortus Registratie 2008 (National Abortion Registration 2008)» (PDF). Utrecht: Rutgers Nisso Group, Netherlands. 
  26. . (March 10, 2015). «Schwangerschaftsabbrüche 2014 (Abortions 2014)» (PDF). Wiesbaden: Statistisches Bundesamt (Federal Statistical Office), Germany.  17.56% mifepristone + 3.30% other medical = 20.86% medical abortions
  27. Commission Nationale d'Evaluation des Interruptions de Grossesse (August 27, 2012). «Rapport Bisannuel 2010-2011». Brussels: Commission Nationale d'Evaluation des Interruptions de Grossesse.  prostaglandin 0.40% + mifepristone 21.23% = 21.63% medical abortions
  28. a b Jones, Rachel K.; Jerman, Jenna (March 2014). «Abortion incidence and service availability in the United States, 2011» (PDF). Perspectives on Sexual and Reproductive Health [S.l.: s.n.] 46 (1): 3–14. doi:10.1363/46e0414. PMID 24494995. 
    98% of nonhospital medical abortions used mifepristone and misoprostol—2% used methotrexate and misoprostol, or misoprostol alone—in the United States in 2011.
  29. . (December 30, 2014). «Interrupción voluntaria del embarazo; datos definitivos correspondientes al año 2013 (Voluntary interruption of pregnancy; final data for 2013» (PDF). Madrid: Ministerio de Sanidad, Politica Social e Igualdad (Ministry of Health and Social Policy).  14.2% mifepristone + 12.8% prostaglandin
  30. . (June 9, 2015). «Abortion statistics, England and Wales: 2014» (PDF). London: Department of Health, United Kingdom. 
    Medical abortion was the most common method used in abortions before 7 weeks gestation—and accounted for 62% of abortions before 9 weeks gestation—in England and Wales in 2014.
  31. a b c Heino, Anna; Gissler, Mika (March 26, 2015). «Pohjoismaiset raskaudenkeskeytykset 2013 (Induced abortions in the Nordic countries 2013)» (PDF). Helsinki: Terveyden ja hyvinvoinnin laitos (National Institute for Health and Welfare), Finland.  Appendix table 6. Drug-induced abortions in Nordic countries 1993–2013, %
  32. Vilain, Annick; Mouquet, Marie-Claude (July 9, 2015). «Les interruptions volontaires de grossesse en 2013 (Voluntary terminations of pregnancies in 2013)» (PDF). Paris: DREES (Direction de la Recherche, des Études, de l'Évaluation et des Statistiques), Ministère de la Santé (Ministry of Health), France. 
  33. . (June 16, 2015). «Interruptions de grossesse en Suisse en 2014 (Abortions in Switzerland 2014)». Neuchâtel: Office of Federal Statistics, Switzerland. 
  34. . (May 16, 2015). «Abortion statistics, year ending 31 December 2014» (PDF). Edinburgh: Information Services Division (ISD), NHS National Services Scotland. 
    Medical abortions accounted for 88% of abortions before 9 weeks gestation in Scotland in 2014.
  35. Lundqvist, Ellen; Gottvall, Karin (March 13, 2014). «Aborter 2012 (Induced Abortions 2012)» (PDF). Stockholm: Socialstyrelsen (National Board of Health and Welfare), Sweden. 
    Medical abortions accounted for 90% of abortions before 9 weeks gestation in Sweden in 2012.
  36. Løkeland, Mette; Askeland, Olaug Margrete; Bøyum, Bjug; Ebbing, Marta; Mjaatvedt, Aase Gunn; Nilssen, Steinar; Seliussen, Ingvei (March 26, 2015). «Rapport om svangerskapsavbrot for 2014 (Report on pregnancy terminations for 2014)» (PDF). Oslo: Divisjon for epidemiologi (Division of Epidemiology), Nasjonalt Folkehelseinstitutt (Norwegian Institute of Public Health), Norway. 
    Medical abortions accounted for 87% of abortions before 9 weeks gestation in Norway in 2014.
  37. Heino, Anna; Gissler, Mika; Soimula, Anne (October 16, 2014). «Raskaudenkeskeytykset 2013 (Induced abortions 2013)» (PDF). Helsinki: Suomen virallinen tilasto (Official Statistics of Finland), Terveyden ja hyvinvoinnin laitos (National Institute for Health and Welfare), Finland. 
  38. Pazol, Karen; Creanga, Andreea A.; Burley, Kim D.; Jamieson, Denise J. (November 28, 2014). «Abortion Surveillance — United States, 2011» (PDF). MMWR Surveillance Summaries [S.l.: s.n.] 63 (11): 1–41. PMID 25426741. 
    Medical abortions accounted for 20.0% of abortions—and 28.5% of abortions before 9 weeks gestation—in the United States in 2011 that were voluntarily reported to the CDC by 40 reporting areas (excluding Alabama, Arizona, California, Florida, Hawaii, Illinois, Louisiana, Maryland, New Hampshire, Tennessee, Vermont, Wisconsin, and Wyoming).

Ligações externas[editar | editar código-fonte]