Alice Moderno

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Ir para: navegação, pesquisa
Alice Moderno
Retrato fotográfico
Nome completo Alice Augusta Pereira de Melo Maulaz Moderno
Nascimento 11 de agosto de 1867
Paris, França
Morte 20 de fevereiro de 1946 (78 anos)
Ponta Delgada, Portugal
Residência Ponta Delgada
Nacionalidade Portugal Portuguesa
Cônjuge Maria Evelina de Sousa
Ocupação Professora, escritora, publicista e poetisa
Magnum opus Na véspera da incursão: peça em um acto

Alice Augusta Pereira de Melo Maulaz Moderno (Paris, 11 de Agosto de 1867Ponta Delgada, 20 de Fevereiro de 1946), mais conhecida por Alice Moderno, foi uma professora, escritora, tradutora, jornalista, publicista e poetisa[1], que se distinguiu como feminista e activista dos direitos dos animais. Fundou a Sociedade Micaelense Protectora dos Animais, pioneira na protecção dos animais nos Açores. Era fluente em português e francês[1].

Biografia[editar | editar código-fonte]

Nasceu em Paris, filha de pais portugueses emigrados em França (Celina Pereira de Melo Maulaz e João Rodrigues Pereira Moderno)[1], indo alguns meses para a ilha Terceira, pouco depois, para regressar a França em seguida. Em 1876 voltou com os pais à Terceira, onde a família permaneceu até 1883, ano em que se fixou em Ponta Delgada. Foi a primeira jovem a frequentar o ensino liceal em Ponta Delgada (1887/1888) e desde muito cedo se assumiu como uma mulher emancipada, desafiando os costumes conservadores da época. Ficou conhecida como uma das primeiras feministas dos Açores. Usava o cabelo curto e terá sido uma das primeiras mulheres que na ilha de São Miguel fumavam em público.

Logo no ano em que se fixou em Ponta Delgada publicou a poesia Morreu! no Açoriano Oriental (edição de 18 de Setembro de 1883), a que se seguiu em 1886 a publicação de um livro de poemas, intitulado Aspirações. Em 1892 publicou o seu primeiro romance, intitulado O Dr. Luís Sandoval, a que se seguiram três peças de teatro e um ensaio. Foi premiada em vários concursos de poesia e alguns dos seus poemas foram traduzidos.

Trabalhou como professora do ensino particular, ensinando primeiras letras e língua francesa, mas também se dedicou aos negócios da família, trabalhando como comerciante e agente de seguros, o que lhe permitia viajar frequentemente para onde tinha parentes e interesses comerciais.

Com grande gosto pela escrita e pelo jornalismo, fundou os jornais O Recreio das Salas (1888) e A Folha (1902-1917). Também colaborava em diversos outros periódicos, com artigos originais e traduções do francês, com destaque para o Diário de Anúncios, de que foi directora em 1892 e 1893.

Republicana e feminista, a partir de 1910, com a implantação da República Portuguesa, passou a participar activamente na vida social e política de Ponta Delgada. Participou activamente na campanha a favor da aprovação da lei do divórcio. Fundou em 1911 a Sociedade Micaelense Protectora dos Animais, a primeira associação dedicada ao bem-estar animal nos Açores. Foi também fundadora do Sindicato Agrícola Micaelense. Ganhando reconhecimento nacional, foi sócia da diversas agremiações cientificas e literárias, entre as quais a Società Luigi Camoens (Itália), a Sociedade Literária Almeida Garrett, a Sociedade de Geografia de Lisboa, o Grémio Literário Funchalense e o Instituto de Coimbra. Pertenceu também a diversas organizações feministas, entre as quais a International Women Union (Londres), a Liga Republicana das Mulheres Portuguesas e a Associação de Propaganda Feminina.

Nunca casou, mas esteve noiva na juventude de Joaquim de Araújo, com o qual se correspondeu. Foram trocadas, entre os anos de 1888 e 1911, 71 cartas entre Alice Moderno e Joaquim de Araújo (poeta e escritor penafidelense que muito divulgou a cultura portuguesa pelo estrangeiro, nomeadamente em Itália). Sendo ambos poetas e jornalistas, fundadores de jornais e revistas, absorvidos por interesses culturais, ocupados em actividades intelectuais, criadores e difusores de literatura, as suas cartas de namoro contemplam assuntos que ultrapassam largamente a vida sentimental, ocupando um vasto espaço sobre a vida cultural portuguesa daquela época. Manteve uma longa relação com a professora primária Maria Evelina de Sousa, com a qual viveu, e que faleceu apenas oito dias depois da sua morte. O seu relacionamento causou especulação na sociedade micaelense mas desconhece-se se era meramente platónico.

Legou os seus bens a diversas causas de beneficência, tendo em 1956, com o dinheiro da arrematação dos seus bens, sido comprado o imóvel das Capelas destinado à Casa do Gaiato. Em 1948 foi inaugurado o Hospital Alice Moderno, destinado a acolher animais maltratados.

Obras[1][editar | editar código-fonte]

Muitas das suas obras foram publicadas sobre pseudónimos. Alguns destes são: Da Janela do Levante, Dominó Preto, Ecila, Eurico, O Secular, Gavroche, Gil Diávolo, Gyp, Veritas[1].

Obras desaparecidas[editar | editar código-fonte]

  • Correspondência com Joaquim de Araújo

Obras impressas[editar | editar código-fonte]

  • Adeus! Despedida da actriz Chrimilda Augusta da Silva Gomes. Ao publico michaelense, Ponta Delgada, typ. Açoriano oriental, 1885.
  • Aspirações, Primeiros versos 1883-1886, Ponta Delgada, typ. Popular 1886. 
  • "Tributo Singelo" In Memoriam Antero de Quental, 1887
  • Trillos. Poesias, Ponta Delgada, typ. Popular, 1888. 
  • O Dr. Luis Sandoval. Romance, Ponta Delgada, typ. e lith. Minerva, 1892.
  • Os Martyres do Amor, Lisboa, typ. da Companhia Nacional Editora, 1894. 
  • No Adro, 1899
  • Os Martyres, 1904
  • Mater Dolorosa. Monólogo, sl., 1909
  • Versos da Mocidade 1888-1911, Ponta Delgada, A. Moderno, 1911
  • Açores, Pessoas e Coisas, Ponta Delgada, Tip. Popular, 1901 
  • "Coroa de Saudades oferecida a Teófilo Braga e sua esposa para a sepultura de seus filhos"
  • Na véspera da incursão (peça em um acto), Ponta Delgada, Tip. A. Moderno, 1913 
  • Trevos, 1930

Tradução[editar | editar código-fonte]

  • Auguste Méquignon, O Romantismo em França, Ponta Delgada, Minerva, 1894

Colaborações[editar | editar código-fonte]

  • Carteira do Viajante, 1882
  • Correio Micaelense
  • Revista Pedagógica
  • Diário dos Açores
  • A Persuasão
  • A Madrugada
  • Revista Pedagógica
  • Novidades
  • Século
  • Revista de Portugal
  • Bouquet Literário 1885
  • A Alvorada 1887
  • A Apoteose 19/10/1887
  • Gazeta das Salas (30/1/1890)
  • A Festa das Crianças (18/10/1891)
  • Nova Alvorada 1891-1903
  • Almanaque das Senhoras 1896, 1899, 1903, 1904, 1913-1919, 1923
  • Almanaque Micaelense 1928-1934
  • Almanaque Anuário Micaelense 1940
  • A Crónica 1900-1906
  • O País 1901-1904
  • Revista de Lisboa 1901-1909
  • Folha da Saudação 1902
  • A Sociedade Futura 1902-1904
  • Álbum Açoriano 1903
  • Jornal das Senhoras 1904-1905
  • Alma Feminina 1907-1908
  • O Domingo (1909-1911)
  • Comédia 1910
  • Límia 1910-1911
  • Atlântico  1916-1920
  • Revista Micaelense 1918-1921
  • Os Açores 1922-1924, 1928
  • O Despertar de Angeja 1924-1927
  • O Instituto Coimbra
  • Portugal Feminino
  • A Leitura 1932
  • Ínsula (c. 1930)
  • Viagem. Revista de turismo, divulgação e cultura, 1942
  • O Primeiro de Janeiro 1943

Publicações que dirigiu[editar | editar código-fonte]

  • O Recreio das Salas (1888-1889)
  • Diário dos Açores
  • A Folha (5/10/1902-15/4/1917)
  • Diário de Anúncios, Ponta Delgada (1892-?)

Referências[editar | editar código-fonte]

  • Maria da Conceição Vilhena, Alice Moderno a mulher e a obra. Angra do Heroísmo, Direcção Regional dos Assuntos Culturais, Secretaria Regional da Educação e Cultura, 1987.
  • Maria da Conceição Vilhena, Uma Mulher Pioneira, Lisboa, Edições Salamandra, 2001.

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • AIRES, Fernando, Alice Moderno – A Mulher e a Obra, separata da revista Insulana, vol. XLI, 1985
  • LEAL, Gomes, "Alice Moderno" Sociedade Futura, nº 7, 1902 
  • VILHENA, Maria da Conceição, Alice Moderno. A Mulher e a Obra, Angra do Heroismo, SREC, 1987
  • VILHENA, Maria da Conceição, Alice Moderno e a Inovação, Editorial Ilha Nova, 1988

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

  1. a b c d e «Alice Moderno». "Escritoras em Português" - Projeto FLUL. Consultado em 6 de outubro de 2017