Antália (província)

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Turquia Antália

Antalya

 
—  Província (il)  —
Colagem da província de Antália
Colagem da província de Antália
Localização da província de Antália na Turquia
Localização da província de Antália na Turquia
Mapa dos distritos da província de Antália
Mapa dos distritos da província de Antália
Coordenadas 37° 10' N 30° 56' E
Região Mediterrâneo
Capital Antália
Administração
 - Governador (vali) Ahmet Altiparmak (2004) [1]
Área [2]
 - Total 20 723 km²
População (2009) [3]
 - Total 1 919 729
    • Densidade 92,6 hab./km²
Código postal 07xxx
Prefixo telefónico 242
Sítio Governo provincial: www.antalya.gov.tr
Fonte monumental em Perge, a antiga capital da Panfília.
Detalhe do túmulo Harpy, encontrado em Xantho e atualmente no Museu Britânico.

Antália (em turco: Antalya) é uma província (iller) do sul da Turquia, situada na região (bölge) do Mediterrâneo (em turco: Akdeniz Bölgesi) com 20 723 km² de superfície e 1 919 729 habitantes (2009).[3] A sua capital é a cidade de Antália, cuja população em 2007 era de 775 157 habitantes.[nt 1]

A província é o centro da indústria turística da Turquia, atraindo 30% dos turistas que visitam o país. A sua costa tem 657 km, com praias, portos e cidades antigas espalhadas um pouco por todo o lado, sendo uma delas, Xanthos, Património Mundial. A área oriental da província corresponde à antiga Panfília a a região ocidental à antiga Lícia.

Na década de 1990 era a província com a taxa de crescimento populacional mais elevada da Turquia, tendo crescido 4,17% entre 1990 e 2000, quando a média nacional foi de 1,83%. Este crescimento deveu-se principalmente ao crescimento da urbanização, em grande parte impulsionado pelo turismo e outros setores de serviços instalados na costa.

Etimologia[editar | editar código-fonte]

O nome da cidade e da província provem de Átalo II, rei de Pérgamo, que fundou Antália no século II a.C.

História[editar | editar código-fonte]

A região é habitada desde a Pré-história. Foram descobertos vestígios de ocupação humana do Paleolítico nas grutas de Karain que datam de há 150 ou 200 mil anos, 30 km a norte de Antália.[4] Entre outros achados importantes destacam-se os das grutas de Beldibi, do Mesolítico e os de Bademağacı Höyüğü, do Neolítico, além de outros de períodos mais recentes, que provam que a região foi habitada por diversas civilizações ao longo do tempo.

Antiguidade[editar | editar código-fonte]

Há longos períodos sobre os quais se sabe muito pouco. Os registos hititas referem-se à região como as "Terras Lukka", nome que deu origem a Lícia, e documentam fortes interações entre províncias no II milénio a.C. Como os seus descendentes, os lukkanos ou lícios, os povos desse tempo eram conhecidos pelos seus conhecimentos navais e demonstravam um aguerrido espírito independentista. Nem hititas nem o reino de Arzawa estiveram em paz com esses povos durante muito tempo. Lendas da Grécia Antiga conta, como essas comunidades cresceram e formaram cidades independentes que formaram uma federação, constituindo o que veio a chamar-se de Panfília. Há também histórias da migração do clã de Akha para a região depois da Guerra de Troia e da fundação de povoados gregos ao longo da costa e no interior.

Durante o período helenístico (323-147 a.C.), a parte ocidental do que é hoje a província de Antália pertencia à Lícia, a maior parte do oriente à Panfília, o extremo oriental à Cilícia e parte do norte à Pisídia.

Antes da conquista romana, a Liga Lícia teve a primeira constituição democrática do mundo, que em parte serviu de inspiração à Constituição dos Estados Unidos.[5] Antália fez parte do Reino da Lídia entre o século VII a.C. até à derrota dos lídios pelos persas na batalha de Sardis, em 546 a.C. A domínio persa terminaria com a derrota dos persas por Alexandre, o Grande. Cerca de 334 a.C. Alexandre tinha conquistado todas as cidades da região exceto Termesso e Silião, as quais conseguiram bater os exércitos macedónios em 333 a.C. Depois da morte de Alexandre, irrompeu uma longa guerra entres os seus generais, a qual duraria até 188 a.C., quando a região passou para o controle do Império Selêucida

O reinado de Pérgamo iniciou-se com a derrota do exército selêucida em Apameia, tendo Antália sido fundada pouco depois pelo rei de Pérgamo Átalo II. Quando Átalo III, o último rei de Pérgamo, morreu, em 133 a.C., deixou em testamento o seu reino aos romanos. Nessa época, a região estava sob o domínio de piratas que tinham as suas bases em pequenas cidades ao longo da costa, situação que perdurou até 102 a.C., quando a região foi organizada de diversas maneiras durante o domínio romano e bizantino.

Frescos em igreja de Mira, terra natal de São Nicolau.

Idade Média[editar | editar código-fonte]

Durante os séculos V e VI d.C. a cidade de Antália cresceu para fora das muralhas. A partir do século VII os árabes começaram a ser dominantes na região. Antália teria um papel importante três séculos depois, aquando das Cruzadas. O exército de Luís VII de França zarpou de Antália para a Síria em 1148 e Ricardo I de Inglaterra concentrou as suas tropas aqui antes da conquista de Chipre. No final do século XII e início do século XII, a maior parte da região caiu sob o domínio de tribos turcas, especialmente dos danismendidas, mas Antália foi retomada pelos bizantinos em 1120, que só a perderiam em 1207.[6]

Os seljúcidas chegaram tomaram Antália pela primeira vez em 1076. Kilij Arslan I, o sultão de Rum entre 1092 e 1107, chegou a ter um palácio na cidade, mas o domínio seljúcida só se estabilizaria a partir de 1220, tendo a cidade sido dividida em setores muçulmanos e cristãos , entre os quais se encontravam as comunidades mercantis de genoveses e venezianos. No mesmo período, Alanya prosperou.

Minarete da mesquita seljúcida Yivli Minare, em Antália.
A torre Hıdırlık (Hıdırlık Kulesi), em Antália, uma construção possivelmente helénica restaurada no século II d.C. e posteriormente pelos seljúcidas e otomanos.

Império Otomano e República Turca[editar | editar código-fonte]

Após o declínio do Sultanato de Rum, a área mudou de mãos várias vezes, chegando a fazer parte do reino cruzado de Chipre entre 1361 e 1373, até que foi definitivamente integrada no Império Otomano em 1432 por Murad II. O domínio otomano manteve-se estável na região até ao final da Primeira Guerra Mundial, quando foi ocupada brevemente pela Itália antes de ser integrada na República da Turquia em 1921.

Geografia[editar | editar código-fonte]

A província encontra-se no sul-sudoeste da Anatólia, entre as longitudes 29º20' e 32º35' E e as latitudes 36º07' e 37º29' N. Cobre uma área de 20 723 km², 26% do total da Turquia. O limite sul é o Mar Mediterrâneo enquanto que os Montes Tauro constitui a fronteira natural a norte. De ocidente para oriente, a província confina com a de Muğla, Burdur, Isparta, Konya e Mersin. 77,8% da região é montanhosa, 10,2% planície, sendo os restantes 12% ocupados por terrenos com relevo variado. Muitos dos cumes dos Montes Tauro teem mais de 500 metros de altitude, alguns ultrapassando os 3 000 m. Na península de Teke, a sudoeste, correspondente à zona histórica da Lícia, encontra-se diversos planaltos amplos e grandes bacias hidrográficas. O clima, agricultura, demografia e tipos de habitações apresentam grandes diferenças entre o interior montanhoso e as planícies costeiras.

Distritos e cidades[editar | editar código-fonte]

Os distritos costeiros são:

Os distritos do interior são todos em regiões altas e montanhosas dos Montes Tauro, com altitudes médias próximas dos 1 000 m. São eles:

Locais de interesse e atividades[editar | editar código-fonte]

O ponto mais alto da província é o Akdağ (montanha branca), com 3 025 m de altitude. A cerca de 50 km, a oeste de Antália encontra-se a estância de ski de Saklıkent, no maciço de Beydağları, normalmente em funcionamento entre novembro e maio. A estância conta com três meios mecânicos, 9 pistas a altitudes entre os 1850 e os 24547 metros[7] e alojamentos turísticos. A proximidade da costa permite que no mesmo dia se pratique ski e se dê um mergulho no Mediterrâneo.

Banhos romanos da antiga cidade de Olympos, no parque nacional do mesmo nome.

Por detrás de Saklıkent, no Monte Bakırlı, encontra-se o Observatório Espacial Nacional de Antália. Em alguns dias do ano é possível observarem-se chuva de meteoros na zona.

Em diversos rios dos Montes Tauros pratica-se rafting e canoagem. As montanhas são também utilizadas para passeios de todo-o-terreno, caça e pesca turísticas, caminhadas, montanhismo, observação de aves e outras atividades de ar livre. O turismo de saúde e termal também é explorado, nomeadamente nos centros de talassoterapia e diálise de Geyikbayırı. O turismo religioso ocorre sobretudo em Mira e Patara, onde São Nicolau (de Mira) nasceu e viveu. Uma das localizações mais prováveis da chama eterna do Monte Quimera, que inspirou o mito grego da Quimera é Yanartaş, um local no Parque Nacional de Olympos, 90 km a sudoeste de Antália.

A aldeia de Kaleköy (antiga Simena), no sudeoeste da província.
Templo de Apolo, em Side.
O teatro e a ágora de Side.
Vista do mar junto às muralhas de Alanya.

A zona de Belek, 30 km a leste de Antália, tem pelo menos cinco campos de golfe. Ao longo da costa há diversos centros de mergulho, principalmente nas zonas de Kemer, Çamyuva, Olympos, Adrasan, Kaş, Kalkan, Üçağız, Kekova, Side e Alanya. Há muita oferta de passeios de iate; alguns dos mais populares são os que fazem os percursos Antália-Cascata de Düden-Karpuzkaldıran-Kemer, Side-Alanya, Demre-Çayağzı-Kekova, Kaş-Kekova, Kemer-Çıralı-Olympos-Adrasan-CaboGelidonya. Há ainda passeios de barco no rio Manavgat e passeios de canoa no rio Xanthos. O Cruzeiro Azul (em turco: Mavi Yolculuk), que percorre toda a costa sudoeste da Anatólia, desde Didim, Kuşadası ou Bodrum até Antália, termina nesta cidade. Outras viagens marítimos possíveis são Alanya-Chipre e Antália-Itália.

Cidades antigas[editar | editar código-fonte]

A região tem inúmeros locais históricos com interesse arqueológico e turístico. Entre eles encontram-se:

Parques Nacionais[editar | editar código-fonte]

Outros locais[editar | editar código-fonte]

Notas

  1. Texto inicialmente baseado no artigo «Antalya Province» na Wikipédia em inglês (acessado nesta versão).

Referências

  1. «Antália». www.yerelnet.org.tr (em turco). YerelNET. Consultado em 29 de maio de 2010 
  2. «İl Listesi». www.yerelnet.org.tr (em turco). YerelNET. Consultado em 10 de junho de 2010. Cópia arquivada em 10 de junho de 2010 
  3. a b «Address based population registration system (ABPRS) database» (em inglês). TURKSTAT. 2009. Consultado em 9 de junho de 2010 
  4. «Antalya / Turkey» (em inglês). Türkiye Online. Consultado em 30 de junho de 2010. Cópia arquivada em 30 de junho de 2010 
  5. «U.S. Politics Online Archives:American Literature» (em inglês). uspoliticsonline.com. Consultado em 30 de junho de 2010. Cópia arquivada em 30 de junho de 2010 
  6. Harrison, R. M. (1963). «Churches and Chapels of Central Lycia» (gif). Instituto Britânico de Ancara. Anatolian Studies (em inglês). 13. 122 páginas. doi:10.2307/3642492. Consultado em 30 de junho de 2010 
  7. «Pistas de ski de Saklıkent» (jpg). www.saklikent.com.tr (em inglês). Site oficial da estância de ski de Saklıkent. Consultado em 30 de junho de 2010 

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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  • «Antalya travel guide». www.realitytravelguide.com (em inglês). Reality Travel Guide. Consultado em 30 de junho de 2010