Armando Baptista-Bastos

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Baptista-Bastos
Armando Baptista-Bastos em 2006
Nome completo Armando Baptista-Bastos
Nascimento 27 de fevereiro de 1933
Lisboa, Portugal
Morte 9 de maio de 2017 (84 anos)
Lisboa, Portugal
Nacionalidade Portugal Portuguesa
Ocupação Escritor e jornalista
Influências
Principais trabalhos O Secreto Adeus; As Palavras dos Outros; Elegia para um Caixão Vazio
Prémios Prémio P.E.N. Clube Português de Novelística (1988)

Prémio da Crítica da Associação Portuguesa de Críticos Literários (2002)
Prémio Clube Literário do Porto (2006)

Armando Baptista-Bastos (Lisboa, 27 de fevereiro de 1933 – Lisboa, 9 de maio de 2017) foi um jornalista e escritor português.

Biografia[editar | editar código-fonte]

Nascido no Bairro da Ajuda, ficou órfão de mãe precocemente, aos seis anos de idade. A profissão do pai, tipógrafo — viria a ser chefe de tipografia em O Século — despertará em Baptista-Bastos um interesse pela imprensa e, reflexamente, pela literatura, que o acompanhará pela vida fora. Contudo, na infância, Baptista-Bastos aspirava tornar-se arquiteto, tendo frequentado com esse intuito a Escola de Artes Decorativas António Arroio, em Lisboa[1]. Também estudou francês no Liceu Francês Charles Lepierre[2].

Aos 14 anos publicou os seus primeiros contos na secção infantil do Diário Popular. Aos 19 entrou como estagiário para a redação d' O Século, instituição conhecida à época no meio da imprensa por «universidade» do jornalismo. O chefe de redacção, Acúrsio Pereira foi decisivo nos primeiros anos de Baptista-Bastos como jornalista, fazendo-o trabalhar em rotatividade em todas as secções do jornal. Em 1953 tornou-se subchefe de redacção da revista O Século Ilustrado, assinando uma coluna de crítica, comentário de cinema[3], e iniciando, assim, um estilo jornalístico inovador, controverso e polémico[4].

Participou na Revolta da Sé em 1959, e embora não tenha sido sequer julgado, seria despedido d'O Século em abril de 1960. Desempregado e sob o controlo da polícia política, chegou a pensar exilar-se em Paris, mas conseguiu subsistir, na clandestinidade. Sob o pseudónimo de Manuel Trindade, redigiu notícias para a RTP e colaborou em diversos documentários da estação pública, realizados por Fernando Lopes (Cidade das Sete Colinas, Os Namorados de Lisboa, Este século em que vivemos) e de Baptista Rosa (O Forcado, com imagem de Augusto Cabrita e a música Scketchs of Spain, de Miles Davies).

Em fevereiro de 1962, vai com Fernando Lopes durante um mês para a Ericeira, para fazer a adaptação do romance Domingo à tarde, de Fernando Namora. Foi lá que escreveu a primeira versão do seu primeiro livro de ficção, O Secreto Adeus, uma crítica ao jornalismo que existia na altura.

Proibido de colaborar na RTP por ordem direta do director do Secretariado Nacional de Informação, César Moreira Baptista, ficou mais uma vez no desemprego, passando sazonalmente pela redação da Agence France Press, em Lisboa. Pouco tempo depois, entrou para o jornal República. Entretanto, deslocou-se ao Brasil, para onde foi como secretário do ator Raul Solnado, que tinha sido contratado pela TV Rio. A sua chegada havia de coincidir com o golpe militar contra o presidente Goulart, e Baptista-Bastos de imediato envia notícias para o jornal República, que são censuradas.

No regresso a Portugal, oito meses depois, regressa ao República, mas uns tempos mais tarde é convidado para integrar o Diário Popular, onde irá permanecer por cerca de duas décadas[5] (precisamente, 23 anos, entre 1965 e 1988). Neste vespertino desempenhou importantes funções, assinando reportagens, entrevistas e crónicas. É oportunidade também para viajar e escrever sobre Portugal e muitos outros países europeus, americanos, africanos, onde contactou e entrevistou personalidades destacadas, mas também o povo anónimo[6].

Fez ainda parte das redacções do Europeu, de João Soares Louro, O Diário, Almanaque, Gazeta Musical e Todas as Artes, Época e Sábado.

Como cronista, colaborou com o Jornal de Notícias, A Bola, Diário de Notícias, Jornal de Negócios e a revista Tempo Livre. Também na rádio leu as suas crónicas na Antena 1 e na Rádio Comercial.

Como crítico colaborou com a Seara Nova, Jornal de Letras, Artes e Ideias, o Expresso, o Jornal do Fundão, o Correio do Minho, O Inimigo e o Diário Económico.

Foi um dos fundadores do semanário O Ponto, periódico onde registou uma série de entrevistas semanais, entre outros textos e reportagens, posteriormente editadas no livro O Homem em Ponto[7].

Apresentou na televisão o programa de entrevistas Conversas Secretas, emitido na SIC. A convite do jornal Público, realizou também uma série de 16 célebres entrevistas, com o título «Onde é que você estava no 25 de Abril?», posteriormente editadas em CD-ROM.

Faleceu a 9 de maio de 2017, aos 84 anos de idade, no Hospital de Santa Maria, em Lisboa, onde se encontrava internado há várias semanas.[8]

Obras[editar | editar código-fonte]

  • O Cinema na Polémica do Tempo (ensaio, 1959)
  • O Filme e o Realismo (ensaio, 1962)
  • O Secreto Adeus (romance 1963)
  • O Passo da Serpente (romance, 1965)
  • A Palavras dos Outros (crónicas e reportagens, 1969)
  • Cidade Diária (crónicas, 1972)
  • Cão Velho entre Flores (romance, 1974)
  • Capitão de Médio Curso (crónicas, 1979)
  • Viagem de um Pai e de Um Filho pelas Ruas da Amargura (romance, 1981)
  • Elegia para um Caixão Vazio (romance, 1984)
  • O Homem em Ponto (entrevistas, 1984)
  • A Colina de Cristal (romance, 1987)
  • Um Homem Parado no Inverno (romance, 1991)
  • O Nome das Ruas (crónicas, com António Borges Coelho, 1993)
  • O Cavalo a Tinta da China (romance, 1995)
  • Fado Falado (reportagem, 1999)
  • Lisboa Contada pelos Dedos (crónicas, 2001)
  • No Interior da Tua Ausência (romance, 2002)
  • As Bicicletas em Setembro (romance, 2007)
  • A Bolsa da Avó Palhaça (romance, 2007)
  • A Cara da Gente (crónicas, 2008)
  • Tempo de Combate (crónicas, 2014)

Prémios[editar | editar código-fonte]

  • Prémio Literário Município de Lisboa (Prémio de Prosa de Ficção), 1987 - A Colina de Cristal
  • Prémio P.E.N. Clube Português de Ficção, 1987 - A Colina de Cristal
  • Prémio da Crítica do Centro Português da Associação Internacional de Críticos Literários (ex-aequo), 2002 - No interior da tua ausência
  • Prémio de Crónica João Carreira Bom - 2006
  • Prémio Clube Literário do Porto - 2006

Referências

  1. RTP
  2. «Morreu Baptista Bastos, um desalinhado com "estilo inconfundível"». O Observador. 9 de maio de 2017. Consultado em 10 de maio de 2017 ]
  3. «Morreu Baptista Bastos, um desalinhado com "estilo inconfundível"». O Observador. 9 de maio de 2017. Consultado em 10 de maio de 2017 ]
  4. RTP
  5. «Morreu o jornalista Baptista-Bastos». Rádio Renascença. 9 de maio de 2017. Consultado em 10 de maio de 2017 
  6. RTP
  7. RTP
  8. João Oliveira/Lusa (9 de maio de 2017). «Morreu o escritor Armando Baptista-Bastos». Notícias ao Minuto. Consultado em 9 de maio de 2017 

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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