Arroio Dilúvio

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Arroio Dilúvio, entre os bairros Santana e Santa Cecília.

O Arroio Dilúvio é um córrego que flui em áreas com grande densidade populacional em Porto Alegre, capital do estado do Rio Grande do Sul. O Dilúvio possui suas nascentes mais distantes no Parque Natural Municipal Saint’Hilaire [1] (em Viamão) e sua foz no Lago Guaíba.

O Arroio Dilúvio possui cerca de 17 km de comprimento total, tendo a maior parte de seu percurso (cerca de 12 km) em área canalizada, ao longo da Avenida Ipiranga. Este córrego já foi conhecido por outros nomes, como: Riacho, Jacareí (rio dos jacarés), do Sabão [2].

História[editar | editar código-fonte]

Antigamente, o riacho desaguava na Ponta da Cadeia, ao lado da Usina do Gasômetro, e antes de chegar ali passava embaixo da Ponte de Pedra, que existe ainda hoje, perto do atual Largo dos Açorianos. Com o crescimento da cidade, foi recanalizado para o curso atual. A obra que mudou o traçado do manancial, incluindo a construção das pistas da Avenida Ipiranga, iniciou em 1940, durante a administração do prefeito Loureiro da Silva,[3], e demorou mais de 20 anos para ser concluída. Na sua execução, o Município contou com o auxílio do Governo Federal, por meio do extinto Departamento Nacional de Obras e Saneamento (DNOS).[4]

Poluição[editar | editar código-fonte]

O arroio Dilúvio antes da canalização, na década de 1930.

Até a década de 1950, o Dilúvio apresentava águas muito limpas, e ganhou este nome porque costumava inundar os bairros vizinhos, como Menino Deus ou Cidade Baixa, em dias de chuva forte. Atualmente, estima-se que receba cerca de 50 mil metros cúbicos de resíduos e terra por ano, além do esgoto cloacal de três bairros, necessitando de dragagens periódicas.

Atualmente, o Arroio Dilúvio é uma das principais entradas de poluição no Lago Guaíba [5], principal manancial de abastecimento público de Porto Alegre.

Projetos de despoluição[editar | editar código-fonte]

Em junho de 2011, a imprensa divulgou que a Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) e a Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS) — ambas com instalações de ensino situadas na avenida Ipiranga, às margens do arroio — decidiram propor junto à prefeitura uma parceria para a revitalização do Dilúvio [6][7][8][9]. Para isso, as duas universidades pretendiam adotar o modelo utilizado para recuperar o arroio Cheonggyecheon, em Seul, capital da Coreia do Sul - que, similarmente, flui por uma grande área urbanizada de sua cidade, tendo sido bastante poluído no passado. Desde sua recuperação, finalizada em 2002, o Cheonggyecheon tem apresentado águas limpas, à beira das quais a população local encontra áreas de lazer arborizadas. Em 2016, o projeto era reportado como estagnado; a prefeitura alega falta de recursos [10][11].

Em 2016, uma "ecobarreira" foi instalada próxima a foz do no Arroio Dilúvio, visando a coleta de resíduos que desembocariam no Lago Guaíba, por onde já foram recolhidas (2018) mais de 350 toneladas [12].

Fatos notórios[editar | editar código-fonte]

  • Constatou-se que, em um período de dois anos (2009 a 2010), ao menos 20 carros caíram no arroio Dilúvio pela falta de cordões de calçada com altura suficiente, devido aos recapamentos de asfalto que fizeram ao longo dos anos os mesmos perderem altura sem ter correções feitas pela prefeitura.[13]
  • Em novembro de 2009, o arroio ficou cheio e barrento por causa de uma chuva forte, e um grupo de surfistas, ignorando a poluição do Dilúvio, surfou em suas ondas[14]

Referências

  1. «Parque Natural Municipal Saint'Hilaire». SMAM 
  2. ANDRADE, Leonardo Capeleto de. IMPACTOS DO AMBIENTE URBANO NA POLUIÇÃO DOS SEDIMENTOS DO LAGO GUAÍBA. Tese (Doutorado) - Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Faculdade de Agronomia, Programa de Pós-Graduação em Ciência do Solo, Porto Alegre, RS, 2018. 116 f. Ir para cima↑
  3. [http://www.pucrs.br/edipucrs/XSalaoIC/Ciencias_Sociais_Aplicadas/Arquitetura_e_Urbanismo/71395-JULIA_SCHIEDECK_NUNES.pdf Júlia Schiedeck Nunes, Ana Rosa Sulzbach Cé: Avenida Ipiranga: Processo Evolutivo ao Longo do Século XX. (PUCRS,2009).]
  4. PMPA/DEP: O Arroio Dilúvio
  5. de Andrade, Leonardo Capeleto; Tiecher, Tales; de Oliveira, Jessica Souza; Andreazza, Robson; Inda, Alberto Vasconcellos; de Oliveira Camargo, Flávio Anastácio (2 de dezembro de 2017). «Sediment pollution in margins of the Lake Guaíba, Southern Brazil». Environmental Monitoring and Assessment (em inglês). 190 (1). ISSN 0167-6369. doi:10.1007/s10661-017-6365-9 
  6. UFRGS e PUCRS podem adotar exemplo de cidade coreana para revitalizar arroio Dilúvio
  7. Assinado acordo para revitalização do Dilúvio
  8. UFRGS assina protocolo de cooperação para revitalizar o arroio Dilúvio
  9. Revitalização do Dilúvio mobiliza prefeituras e universidades
  10. UFRGS ‘joga a toalha’ em projeto do Dilúvio
  11. Projeto de revitalização do Arroio Dilúvio está parado na prefeitura
  12. «Ecobarreira do Arroio Dilúvio já reteve 250 toneladas de resíduos». Jornal do Comércio 
  13. MasterNET - Em dois anos, ao menos 20 veículos caíram no arroio Dilúvio, na Capital
  14. "Já tomamos até vermífugo", diz surfista do Dilúvio"

Bibliografia[editar | editar código-fonte]