As-Saffah

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As-Saffah
السفّاح
Califa abássida
As-Saffah é proclamado califa.
Governo
Reinado 750-754
Antecessor Maruane II (omíadas)
Sucessor Almançor
Dinastia Abássidas
Vida
Nome completo Abu al-`Abbās `Abdu'llāh as-Saffāh ibn Muhammad ibn Ali ibn Abdullah Ali ibn Abdullah ibn Abbas ibn Abdul Muttalib ibn Hashim
Nascimento 721
Morte 10 de junho de 754 (33 anos)
Pai Maomé ibne Ali ibne Abdulá (não confundir com o Imame xiita Maomé ibne Ali ibne Huceine al-Baquir)

Abu al-`Abbās `Abdu'llāh ibn Muhammad as-Saffāh ou Abul `Abbas al-Saffah (em árabe: أبو العباس عبد الله بن محمد السفاح - As-Saffah السفّاح, que significa literalmente "Pessoa que doa dinheiro e é generosa"[1] ) foi o primeiro califa abássida.

História[editar | editar código-fonte]

As-Saffah era o líder da tribo dos Banu Haxim, cuja linhagem descendia de Haxim, um bisavô de Maomé via al-Abbas, um tio do profeta. Os Banu Haxim contavam com grande apoio no grupo de Ali, o quarto califa bem guiado, que tinha morrido em 661. Como narrado em diversos Hadith (tanto nas tradições sunitas quanto nas xiitas), eles acreditavam que no final dos tempos um outro grande líder (ou mahdi) iria aparecer na família do profeta Maomé e de Ali, que irá então libertar o Islã. As políticas pouco efetivas dos últimos omíadas, que toleravam os muçulmanos não-árabes e os xiitas foram incapazes de eliminar a tensão entre essas facções minoritárias.

Esta tensão levou à revolta durante o reinado do califa omíada Hixam ibne Abdal Malique em Cufa, uma proeminente cidade no sul do Iraque. Os xiitas se revoltaram em 736 e mantiveram a cidade cativa até 740, liderados por Zaide ibne Ali, um neto de Huceine ibne Ali e outro membro dos Banu Haxim. A rebelião de Zaide fracassou e foi sufocada pelos exércitos omíadas em 740, mas ela foi uma demonstração tanto da força dos omíadas quanto da crescente tensão no mundo muçulmano.

As-Saffah preferiu se concentrar no Grande Coração, uma importante região militar que abrangia o Irã oriental, a parte sul das repúblicas da Ásia Central do Turcomenistão, Uzbequistão, Tajiquistão e Quirguistão, assim como o norte do Afeganistão. Em 743, a morte do califa Hixam provocou uma guerra civil no Império Islâmico. Abu al-`Abbas, apoiado pelos xiitas e pelos residentes do Grande Coração, liderou suas forças e conseguiu subjugar os turcos e chineses da região na Batalha de Talas, depondo o último dos califas desta dinastia, Maruane II, em 750. A guerra civil foi marcada por profecias milenaristas encorajadas pela crença de alguns xiitas de que as-Saffah seria o mahdi. Proeminentes acadêmicos islâmicos escrever obras como a Jafr, relatando aos fiéis que a brutal guerra civil era o grande conflito entre o bem e o mal. A escolha dos omíadas de entrar em combate portando bandeiras brancas e dos abássidas de entrar com outras negras só encorajavam essas teorias.

Governo abássida[editar | editar código-fonte]

Dirrã de as-Saffah

De acordo com as fontes abássidas, no ano de 750, as-Saffah conseguiu a vitória final na Batalha de Zab. Ele marchou sobre a capital Damasco e fundou uma nova dinastia, chamada de Abássida. Em seguida, ele enviou suas forças para a Ásia Central, Sinde, Arábia, Anatólia, Egito e o Norte da África para enfrentar as forças locais e consolidar o nascente Califado Abássida.

Preocupado com o retorno ao poder pelos omíadas, as-Saffah convidou todos os membros remanescentes da família omíada para um banquete e os assassinou a pauladas antes do início da refeição, que foi então servida aos demais convidados[2] . O único sobrevivente, Abderramão I, escapou para al-Andalus (a Espanha islâmica), onde um califado omíada iria perdurar ainda por mais três séculos (Emirado e, posteriormente, Califado de Córdoba). Por sua frieza em seu esforço para eliminar a família omíada, ele ganhou o epíteto de "al-Saffah", que significa "açougueiro" ou "derramador de sangue".

Após a vitória sobre os omíadas, o curto reinado de as-Saffah foi marcado por seus esforços para consolidar e reconstruir o califado. Seus aliados foram representados no novo governo, mas, com exceção da brutalidade contra os omíadas, as-Saffah é amplamente reconhecido pelos historiadores como tendo sido um conquistador generoso. Judeus, cristãos nestorianos e persas fizeram parte de seu governo e nas administrações subsequentes. A educação também foi encorajada e a primeira fábrica de papel, manejada por habilidosos chineses aprisionados na Batalha de Talas, foi construída em Samarcanda.

Igualmente revolucionária foi a reforma que ele promoveu no exército, que passou a incluir não-muçulmanos e não-árabes, contrastando frontalmente com a política dos omíadas, que rejeitava ambos os grupos. As-Saffah selecionou o hábil Abu Muslim como seu comandante militar, um oficial que permaneceria até 755 no exército abássida.

As-Saffah renegou suas promessas à comunidade xiita ao reclamar para si o califado. Eles esperavam que o seu imame seria nomeado califa, inaugurando a era de paz e prosperidade que os milenaristas acreditavam ser iminente. A traição alienou alguns aliados de as-Saffah, embora o apoio que ele recebeu de outros grupos minoritários tornou o governo dos abássidas mais simples que o dos omíadas.

Abu al-`Abbas `Abdu’llah as-Saffah morreu de varíola em 10 de junho de 754, apenas quatro anos depois de depor os omíadas. Ele apontou o seu irmão Abu Jafar Almançor e, em seguida, Issa ibne Muça como seus sucessores.

Ver também[editar | editar código-fonte]

As-Saffah
Nascimento: 721 Morte: 754
Precedido por:
Maruane II
Califa Abássida
750 – 754
Sucedido por:
Almançor

Referências

  1. As-Saffah Meaning Arabic
  2. Roberts, J: History of the World. Penguin, 1994.

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • Dicionário Universal Ilustrado, Ed. João Romano Torres & Cª.1911.
  • Nova Enciclopédia Portuguesa, Ed. Publicações Ediclube, 1996.
  • Muhammad ibn Jarir al-Tabari, History v. 27, "The Abbasid Revolution," transl. John Alden Williams, SUNY, Albany, 1985.