Biblioteca Pública de Pelotas

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A Biblioteca Pública Pelotense é uma associação civil sem fins lucrativos sediada no município de Pelotas no estado brasileiro do Rio Grande do Sul.[1] Ao longo de seus 144 anos vem prestando diversos serviços de promoção e acesso à cultura, educação e cidadania.

História[editar | editar código-fonte]

A Biblioteca pelotense foi fundado em 14 de novembro de 1875 e nasceu da idealizada de Antônio Joaquim Dias, então diretor do jornal Correio Mercantil. A primeira diretoria reuniu José Vieira da Cunha, Saturnino de Arruda, Carlos Pinto e José Roiz de Araújo. Inicialmente a casa biblioteconômica foi instalada em um terreno doado pelo visconde da Graça, seu acervo inicial continha apenas 960 volumes. Sua atual sede foi inaugurada em agosto de 1888 situada na Praça Coronel Pedro Osório, n° 103. O segundo piso da Biblioteca Pública Pelotense foi projetado por Caetano Casaretto e inaugurado em 1915, este espaço tinha como objetivo abrigar as diversas manifestações artísticas e culturais da cidade, função que permanece até os dias de hoje.[2][3]

Função Social[editar | editar código-fonte]

Criada para atuar como centro multicultural de caráter regional, a BPP abriga para além de estantes livros, diversos projetos de formação de leitores, democratização de acesso a literatura, música, teatro, cinema, contanto ainda com parcerias visando proporcionar uma educação patrimonial completa e de qualidade.

Museu Histórico[editar | editar código-fonte]

Desde a fundação da Bibliotheca, um grande número de doações de peças e documentos relacionados à memória histórica do extremo sul do país. Foi para dar organização e abrigo institucional a este acervo que, em janeiro de 1904 foi criado o Museu Histórico da BPP por Baldomero Trapaga Y Zorrilla. Mais adiante, a parte bibliográfica seria incorporada ao acervo geral. Em 1933, o Museu ganhou novo vigor com a chegada de Henrique Carlos de Mores, que assumiu até 1980. Mores deu novo dinamismo ao Museu. Revitalizado em 2003, valoriza as peças de maior significado histórico, como o lenço Farroupilha, o sinete da república riograndense e o revólver usado por Chico Diabo que, na Guerra do Paraguai, teria causado o ferimento mortal em Francisco Solano López.

Em 18 de janeiro de 1904, uma comissão foi organizada pela diretoria para criar um museu anexo à Bibliotheca

Atualmente o Museu Histórico atende cerca de 09 mil pessoas ao ano e conta com uma diversa agenda de exposições e eventos como: I Semana Indígena, Primavera dos Museus, Dia do Patrimônio, Semana das crianças com exposição dos Trabalhos das crianças do Centro de Referência de Assistência Social, Outubro Rosa, Feira do Livro e Semana da Consciência Negra.

Biblioteca Infantojuvenil Érico Veríssimo[editar | editar código-fonte]

Inaugurada em 11 de maio de 1946, com obras de interesse específico para o público infantojuvenil, o espaço é hoje um dos mais procurados da casa, recebendo instituições públicas e privadas de Pelotas e região para seu programa de contações de histórias "A Hora do faz de conta". Contando com um acervo que abriga mais de 04 mil livros, organizados por faixa etária dos 0 aos 15 anos.

"Foi Érico Veríssimo quem batizou uma das ferramentas mais importantes criadas pela Bibliotheca para estimular o gosto pela literatura. Em 11 de maio de 1946, foi inaugurada a Sala Infantil que leva o nome do escrito gaúcho, que àquela altura já havia escrito sua obra-prima, Olhai os Lírios do campo, mas, antes, uma série de obras infantis de destaque, como As aventuras do Avião Vermelho, Rosa Maria no castelo encantado, Meu ABC e O Urso com música na barriga. A iniciativa foi da gestão de Guilherme Echenique de Lemos. [...] Junto com a sala, foi criada A Hora do Faz de conta, atividade que completou 73 anos em 2019." (SANTOS, p. 197, 2017)

Projetos anuais do espaço infantojuvenil[editar | editar código-fonte]

  • A Hora do Faz de conta - Programa de contação de histórias com o objetivo de formar público leitor, atende crianças de 02 à 11 anos das redes públicas e privadas de ensino, soma em média 3500 crianças por ano.
  • Férias em Hogwarts - Atividade que teve sua terceira edição em 2019, têm por objetivo preencher o tempo ocioso das férias de inverno com atividades inspiradas no Universo de J. K. Rowling, atendendo cerca de 600 crianças em apenas uma semana.
  • Amigos da Lolô - Projeto de cunho assistencial com o objetivo de promover socialização e propiciar qualidade de vida para adultos com necessidades especial, usando recursos da boa literatura, das artes, música e dança.

Centro de Documentação de Obras Valiosas - CDOV[editar | editar código-fonte]

O CDOV  é composto de um acervo plural, hoje com 70 mil páginas digitalizadas, representando 40% do mesmo, a exemplo dessa pluralidade, possuímos as atas da Câmara de Vereadores de Pelotas nos períodos de 1844 à 1937 e 1954 à 1987; Memorial fotográfico com 2662 imagens e a Hemeroteca com um acúmulo de cerca de 60 mil periódicos, contendo jornais que circularam em Pelotas e região desde 1875, incluindo a coleção completa do Diário Popular. Entre os jornais que se destacam, temos A Alvorada, periódico escrito e mantido pela imprensa negra fundado em 1907.

  • Hemeroteca
  • Memorial Fotográfico
  • Obras Raras de literatura
  • Documentos históricos

Referências

  1. CUNHA, Murilo Bastos da; CAVALCANTI, Cordélia Robalinho de Oliveira. Dicionário de Biblioteconomia e Arquivologia. Brasília, Briquet de Lemos, 2008. ISBN 9788585637354
  2. George Ermakoff. Bibliotecas Brasileiras, tradução de Luis Brown. Rio de Janeiro: George Ermakoff Casa Editorial, 2015. ISBN 978-85-98815-33-6
  3. FONSECA, Edson Nery da. A biblioteconomia brasileira no contexto mundial. Rio de Janeiro: INL, 1979.

SANTOS, Klécio. Bibliotheca Pública Pelotense/ Pelotas: Fructos do Paiz, 2017.