Cecília (gente)

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A gente Cecília (em latim: Caecilia; pl. Caecilii) foi uma gente plebeia da Roma Antiga. Seus membros foram mencionados nas fontes antigas a partir do século V a.C., mas o primeiro Cecílio a obter o consulado foi Lúcio Cecílio Metelo Denter em 284 a.C.[1] "Tito Cecílio", mencionado por Lívio como tribuno consular patrício em 444 a.C. é, na verdade, uma leitura incorreta de seu nome, Tito Clélio (em latim: Titus Cloelius).[2]

Origem[editar | editar código-fonte]

Como todas as famílias romanas ainda existentes no período final da República Romana, os Cecílios também traçaram sua origem até um ancestral mítico, Caeculus, o fundador de Preneste. Ele seria um filho de Vulcano engendrado a partir de uma faísca, a mesma origem contada para Sérvio Túlio. Depois de ser deixado para morrer ainda bebê, Caeculus foi salvo por Vulcano e criado por donzelas entre os pastores. Quando tornou-se adulto, conclamou os habitantes de sua região a construir uma nova cidade e conseguiu convencê-lo depois de realizar um prodígio. Uma tradição alternativa conta que os Cecílios eram descendentes de Caecas, um dos companheiros de Enéas em sua viagem para a Itália depois do saque de Troia.[3][4][5][1][6][7]

Prenomes (praenomina)[editar | editar código-fonte]

Os prenomes utilizados pelos Cecílios durante o período republicano foram Lúcio, Quinto, Caio e Marco. Tito aparece apenas no último século da República e não foi utilizado pela grande família dos Cecílios Metelos.[1]

Ramos e cognomes (cognomina)[editar | editar código-fonte]

Os cognome desta gente no período republicano foram Basso (em latim: Bassus), Denter, Metelo (Metellus), Níger, Pina (Pinna) e Rufo (Rufus), dos quais Metelo é o mais conhecido. A partir do consulado de Lúcio Cecílio Metelo Denter, a família dos Metelos se tornou uma das mais proeminentes de Roma e ocupou um grande número de cargos na política romana no final do século II a.C.. Quinto Metelo, cônsul em 143 a.C., teve quatro filhos e os quatro foram cônsules na sequência. Seu irmão, Lúcio Cecílio Metelo, cônsul em 142 a.C., teve dois filhos e os dois também chegaram ao consulado.

Primeiros membros[editar | editar código-fonte]

Cecílios Metelos[editar | editar código-fonte]

Os Metelos se destacaram principalmente pelo inabalável suporte ao partido dos optimates. A etimologia de seu nome é incerta. Festo relaciona-o, provavelmente pela mera similaridade de sons, com mercenarii. A história da família, tratada em detalhes pelo historiador Wilhelm Drumann,[10] é obscura e muito dela é conjectural.[1][11]

Membros[editar | editar código-fonte]

Árvore genealógica[editar | editar código-fonte]

Outros membros[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. a b c d Smith, Caecilii.
  2. Lívio, Ab Urbe Condita IV 7.
  3. Sexto Pompeu Festo, Epítome de Marco Vérrio Flaco, De Verborum Significatu, s. v. Caeculus.
  4. Sérvio, ad Virg. Aen., vii. 678.
  5. Caio Júlio Solino, De Mirabilis Mundi, ii. 9.
  6. Johann Adam Hartung, Die Religion der Römer (1836), i. p. 88 ff.
  7. Rudolf Heinrich Klausen, Aeneas und die Penaten (1839), p. 761 ff.
  8. Plínio, História Natural, vii. 74.
  9. Lívio, Ab Urbe Condita iv. 16.
  10. Wilhelm Drumann, Geschichte Roms, ii. 17-58.
  11. Festo, Epítome de Marco Vérrio Flaco, De Verborum Significatu, p. 146, ed. Müller.
  12. Lívio, Ab Urbe Condita xxxix. 56, xl. 1.
  13. Lívio, Ab Urbe Condita xlii. 6.
  14. Lívio, Ab Urbe Condita Epit. XCVIII, 3
  15. Wilhelm Drumann, Geschichte Roms, ii. 57.
  16. Cícero, Epistulae ad Familiares, xv. 21. § 2.
  17. Cornélio Nepos, Vida de Ático, 5.
  18. Cícero, Epistulae ad Atticum, i. 1, 12, ii. 19, 20, iii. 20.
  19. Plutarco, Vidas Paralelas, Vida de César, 35; Vida de Pompeu, 62.
  20. Dião Cássio, História Romana, xli. 17.
  21. Apiano, Bellum Civile ii. 41.
  22. Júlio César, Commentarii de Bello Civili, i. 33.
  23. Marco Aneu Lucano, iii. 114 ff.
  24. Cícero, Epistulae ad Atticum, x. 4, 8.
  25. Cícero, Epistulae ad Atticum, ii. 1 § 1.
  26. Dião Cássio, História Romana, lv. 30.
  27. Fastos Capitolinos.
  28. Lívio, Ab Urbe Condita Epitome 76.
  29. Cícero, Divinatio em Caecilium.
  30. Cícero, Pro Sulla 22, 23; Post Reditum em Senatu 9; Pro Milone 14; Epistulae ad Quintum Fratrem iii. 3. § 2.
  31. Ascônio Pediano, in Cic. Milon. p. 48, ed. Orelli.
  32. Cícero, De Petit. Cons. 2.
  33. Ascônio Pediano, In Toga Candida, 84, ed. Orelli.
  34. Júlio César, Commentarii de Bello Civili, i. 46.
  35. Cícero, Epistulae ad Atticum, xi. 23, xii. 52, xiii. 7.
  36. Cícero, Epistulae ad Atticum, iv. 15.
  37. Tácito, Anais ii. 41.
  38. Dião Cássio, História Romana lvii. 17.
  39. Tácito, Anais, iv. 28.
  40. Plínio, História Natural, xxviii. 57.
  41. Tácito, Histórias, ii. 60, iii. 68.
  42. Dião Cássio, História Romana, lxv. 17.
  43. Dião Cássio, História Romana, lxvii. 13.
  44. Suetônio, Vidas dos Doze Césares], Vida de Domiciano, 8.
  45. Athenaeus, Deipnosophistae, i. 13.
  46. Marco Minúcio Félix, Otávio.
  47. Johann Christian Felix Bähr, Die Christlich-Römische Theologie, § 19 (1837).

Bibliografia[editar | editar código-fonte]