Primeira Guerra Púnica

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Primeira Guerra Púnica
Guerras púnicas
Sicilia - prima guerra punica.svg
Data 264 a.C.241 a.C.
Local Mar Mediterrâneo, Sicília, Sardenha, Norte de África
Desfecho Vitória romana
Casus belli Disputa entre Cartago e Roma sobre a cidade mamertina de Messana
Perdas territoriais A ilha da Sicília, com exceção do Reino de Siracusa, é anexada por Roma
Combatentes
República Romana República Romana Cartago Cartago
Comandantes
República Romana Ápio Cláudio Cáudice
República Romana Cneu Cornélio Cipião Asina
República Romana Caio Duílio
República Romana Aulo Atílio Calatino
República Romana Lúcio Mânlio Vulsão Longo
República Romana Marco Atílio Régulo
República Romana Lúcio Cecílio Metelo
República Romana Públio Cláudio Pulcro
República Romana Caio Lutácio Cátulo
Cartago Amílcar Barca
Cartago Hanão, o Grande
Cartago Asdrúbal
Cartago Xantipo
Forças
+ 690 000 e 120 navios + 457 000 e 130 navios
Baixas
155 000 130 000

A Primeira Guerra Púnica foi a primeira das três Guerras Púnicas travadas entre Cartago e a República Romana. Entre 264 e 241 a.C., as duas maiores potências do Mediterrâneo lutaram pela supremacia, especialmente na Sicília e nas águas vizinhas, mas também no norte da África. A guerra marcou o começou de uma transformação estratégica no Mediterrâneo ocidental[1]. Cartago começou a guerra como o grande poder marítimo na região enquanto Roma não tinha nada além de uma pequena frota de navios de guerra[2]. Durante a guerra, Roma construiu uma poderosa marinha, desenvolveu novas táticas e utilizou de forma estratégica sua marinha, seu exército e suas alianças na Sicília para conseguir expulsar os cartagineses da ilha[2]. A Primeira Guerra Púnica terminou com um tratado entre Roma e Cartago, mas anos de derramamento de sangue viriam ainda na Segunda e Terceira Guerra Púnica antes que a questão estratégica da supremacia no Mediterrâneo ocidental fosse resolvida em favor dos romanos e com a destruição total de Cartago[2].

Nome[editar | editar código-fonte]

A séria de guerras entre Roma e Cartago é chamada de "Púnica" por causa do nome em latim que os romanos utilizavam para designar os cartagineses, "punici", um termo derivado de "phoenici" ("fenícios"), uma referência ao fato de Cartago ter sido originalmente uma colônia fenícia[3]. Não sabemos o nome pelo qual os cartagineses conheciam os romanos.

Contexto[editar | editar código-fonte]

Mapa da região pouco antes da Primeira Guerra Púnica (264 a.C.). O território romano está em vermelho, o de Cartago, em roxo e o de Siracusa, em verde.

Roma[editar | editar código-fonte]

Roma havia recentemente emergido como a principal cidade-estado da península Itálica, uma rica, poderosa e expansionista república com um vitorioso exército de cidadãos[4]. Nos cem anos anteriores, Roma entrou em guerra com todos os seus vizinhos e venceu-os todos, incorporando-os ao mundo político romano. Primeiro a Liga Latina foi dissolvida à força durante a Guerra Latina[5], depois o poder dos samnitas foi destruído nas três longas Guerras Samnitas[6] e finalmente as poderosas cidades gregas da Magna Grécia (sul da Itália) se submeteram ao poder romano no final da Guerra Pírrica[6]. No começo da Primeira Guerra Púnica, os romanos já havia assegurado o controle sobre toda a península Itália, com exceção da Gália Cisalpina, no vale do Pó.

Cartago[editar | editar código-fonte]

Cartago era uma república que dominava os assuntos políticos, militares e econômicos do Mediterrâneo ocidental, especialmente na costa do norte da África e nas ilhas, especialmente por causa de sua poderosa marinha[4][7]. A cidade nasceu como uma colônia da Fenícia na África, perto da moderna cidade de Túnis, e rapidamente tornou-se um rico entreposto onde se cruzavam diversas redes comercial chegando até Gadir, na costa sul da Ibéria até o norte da África, atravessando as ilhas Baleares, Córsega, Sardenha e porção ocidental da Sicília, chegando até os portos do Mediterrâneo oriental, incluindo Tiro, a cidade-mãe dos fenícios, na costa do Levante[8]. No auge de seu poder, pouco antes da Primeira Guerra Púnica, Cartago era hostil a navios estrangeiros (como os gregos e romanos) no Mediterrâneo ocidental.[9].

Povos norte africanos[editar | editar código-fonte]

Os povos norte-africanos, como os berberes que viviam à volta de Cartago, tinham laços muito distantes com os cartagineses[10]. No meio da Primeira Guerra Púnica, algumas tribos se revoltaram, o que abriu um segundo fronte de guerra para Cartago enquanto a guerra contra Roma continuava.

Colonistas gregos[editar | editar código-fonte]

Colonistas gregos também formavam uma grande presença no Mediterrâneo ocidental, resultado de séculos de assentamentos coloniais, comércio e conflitos com Roma sobre o controle da Magna Grécia e com Cartago sobre a Sicília[11][12]. A rica, influente e bem fortificada colônia grega de Siracusa era politicamente independente tanto de Roma quanto de Cartago. As hostilidades da Primeira Guerra Púnica começaram com episódios envolvendo romanos, cartagineses e colonos gregos na Sicília e no sul da Itália.

Início[editar | editar código-fonte]

Em 288 a.C., os mamertinos, um grupo de mercenários campânios originalmente contratados por Agátocles de Siracusa ocuparam a cidade de Messana (moderna Messina), na ponta nordeste da Sicília, matando todos os homens e tomando as mulheres como suas esposas[13]. Na mesma época, um conjunto de tropas formado por campânios civitas sine suffragio ("cidadãos sem direito a voto") tomaram a cidade de Régio, que ficava do outro lado do estreito de Messina, bem em frente à Messina, mas na península Itálica. Em 270 a.C., os romanos recuperaram Régio e puniram severamente os revoltosos. Na Sicília, os mamertinos arrasaram a zona rural e passaram a enfrentar o expansionismo regional da cidade-estado independente de Siracusa. Hierão II, o tirano de Siracusa, derrotou os mamertinos perto de Milas, às margens do rio Longano[14]. Depois da derrota, os mamertinos pediram ajuda para os romanos e para os cartagineses, mas estes agiram primeiro, ameaçando Hierão II a não atacar mais os mamertinos, que aceitaram uma guarnição cartaginesa em Messana. Seja pelo desconforto de ter uma guarnição cartaginesa em sua cidade ou pela lembrança da recente aliança entre romanos e cartagineses na guerra contra Pirro, os mamertinos, na esperança de conseguir uma proteção mais efetiva, pediram uma aliança formal aos romanos. Porém, a rivalidade entre Roma e Cartago havia crescido muito desde a Guerra Pírrica e uma aliança como aquela não mais possível[15].

Segundo o historiador Políbio, um considerável debate surgiu em Roma sobre a questão de aceitar ou não o pedido de ajuda dos mamertinos, o que provavelmente levaria a uma guerra contra Cartago. Os romanos não queriam ajudar um bando de mercenários que haviam tomado injustamente uma cidade de seus verdadeiros donos e ainda estavam se recuperando da revolta das tropas da Campânia, terminada na Batalha de Régio, em 271 a.C.. Porém, muitos também não queriam ver o poder cartaginês na Sicília aumentando ainda mais. Deixá-los em Messana poderia dar aos cartagineses liberdade tratar do Reino de Siracusa. Depois que os siracusanos tivessem sido derrotados, os cartagineses teriam a posse de fato de toda a ilha[16]. O Senado Romano, incapaz de chegar a um consenso, colocou o assunto para a Assembleia do povo, na qual foi decidido que o pedido dos mamertinos seria aceito e Ápio Cláudio Cáudice foi nomeado comandante de uma expedição militar com ordens de cruzar para Messana[17][18].

Desembarque romano e a marcha até Siracusa[editar | editar código-fonte]

Chegada romana e neutralização de Siracusa.
Ver artigo principal: Batalha de Messana

A Sicília é uma montanhosa ilha vulcânica repleta de obstáculos geográficos que dificultam a manutenção de linhas de comunicação. Por isto, a guerra terrestre teve um papel secundário na Primeira Guerra Púnica. As operações terrestres se resumiam a raides e escaramuças de pequeno porte, com poucas batalhas campais. Cercos e bloqueios foram as mais comuns operações de grande porte realizadas pelo exército romano. Os principais alvos de bloqueio eram os grandes portos, pois nem Cartago e nem Roma tinham bases na Sicília e ambos necessitavam de um fluxo contínuo de reforços e comunicação com suas terras natais[19].

A guerra terrestre na Sicília começou com os romanos desembarcando em Messana em 254 a.C.. Segundo Políbio, apesar da vantagem naval cartaginesa, o desembarque romano praticamente não enfrentou oposição. Duas legiões comandadas Ápio Cláudio Cáudice desembarcaram na cidade depois de os mamertinos já terem expulsado a guarnição cartaginesa, comandada por Hanão (sem parentesco com Hanão, o Grande)[20]. Depois de derrotar as forças siracusanas e cartaginesas cercando Messana, os romanos marcharam para o sul e cercaram Siracusa[21]. Depois de um breve cerco, sem nenhuma ajuda cartaginesa esperada, Siracusa firmou a paz com os romanos[22].

Segundo os termos do tratado, Siracusa tornar-se-ia um aliado pleno dos romanos, pagaria uma indenização relativamente leve de 100 talentos de prata a Roma e, provavelmente, mais importante, concordaria em suprir o exército romano na Sicília[22]. Isto resolvia um grande problema dos romanos, que era manter um exército além mar provisionado enquanto se enfrentava um inimigo com uma marinha muito superior[22][23]. Depois da derrota de Siracusa, diversas outras cidades menores dependentes de Cartago na Sicília trocaram de lado e passaram a apoiar os romanos[22].

Cartago se prepara para a guerra[editar | editar código-fonte]

Enquanto isso, Cartago havia começado a juntar um grande exército mercenário na África para ser enviado para a Sicília e enfrentar os romanos. Segundo o historiador Filino, este exército era composto por 50 000 homens na infantaria, 6 000 na cavalaria e 60 elefantes de guerra, com soldados de origem lígure, celta e íbera[24][25].

Em guerras anteriores na Sicília, Cartago havia vencido por causa de certos pontos fortificados por toda a ilha e o plano era conduzir a guerra exatamente da mesma forma. O exército mercenário operaria em campo aberto contra os romanos enquanto as fortalezas proveriam bases defensivas a partir das quais ele podia operar[22].

Batalha de Agrigento[editar | editar código-fonte]

Ver artigo principal: Batalha de Agrigento

Em 262 a.C., liderados pelos cônsules Lúcio Postúmio Megelo e Quinto Mamílio Vítulo, Roma cercou Agrigento, uma operação que envolveu os os dois exércitos consulares — um total de quatro legiões — e levou vários meses para se resolver. A guarnição de Agrigento (chamada pelos gregos de "Acragas") conseguiu chamar reforços e uma força cartaginesa comandada por Hanão conseguiu destruir uma base de suprimentos romana em Erbesso[26]. Sem os suprimentos vindos de Siracusa, os romanos se viram cercados e construíram uma linha de contravalação[26]. Depois de umas poucas escaramuças, uma epidemia irrompeu no acampamento romano ao mesmo tempo que a fome já se abatia em Agrigente; por isso, ambos os lados entenderam que uma batalha era preferível à situação que viviam[26]. Embora os romanos tenham conseguido uma vitória clara sobre o exército libertador cartaginês na Batalha de Agrigento, o grande exército cartaginês que defendia a cidade, comandado por Aníbal Giscão, conseguiu escapar ileso[26]. A cidade, que agora não dispunham mais de defesa alguma, caiu rapidamente e foi saqueada pelos romanos, que escravizaram a população inteira[26][27].

Roma constrói sua frota[editar | editar código-fonte]

Representação moderna de um trirreme igual ao utilizado pelos romanos.
O corvo, a principal arma romana. Porém, é possível que ele provocasse instabilidade nos navios romanos em mau tempo, levando a um número elevado de naufrágio, uma marca da Primeira Guerra Púnica para Roma.

No começo da Primeira Guerra Púnica, Roma não tinha experiência nenhuma em guerra naval enquanto Cartago, depois de séculos de comércio marítimo, possuía a maior e mais poderosa do Mediterrâneo ocidental. Mesmo assim, a crescente República Romana logo percebeu a importância do controle do Mediterrâneo para o resultado final do conflito[28].

Origem do projeto romano[editar | editar código-fonte]

A primeira grande tropa romana foi construída depois da vitória em Agrigento, em 261 a.C.. Alguns historiadores especularam que, como os romanos não detinham nenhuma tecnologia naval avançada, o projeto de seus navios de guerra provavelmente foi inteiramente copiado de trirremes e quinquerremes cartagineses capturados ou de navios que encalhavam nas costas romanas depois de tempestades[29]. Segundo Políbio, os romanos capturaram um quinquerreme cartaginês naufragado e o utilizaram como base para seus próprios navios[30]. Outros historiadores notaram que os romanos tinham alguma experiência com tecnologia naval, pois patrulhavam sua costa para evitar a pirataria[31]. Uma terceira possibilidade é que Roma tenha recebido ajuda técnica de seu aliado marítimo na Sicília, o Reino de Siracusa[31]. Seja como for, os romanos rapidamente se adaptaram ao estado da arte da tecnologia naval da época[32].

O corvo[editar | editar código-fonte]

Ver artigo principal: Corvo

Para compensar pela falta de experiência e para alavancar o uso das táticas militares terrestres no mar[33], os romanos equiparam seus navios com um equipamento especial de abordagem, o corvo (em latim: "corvus")[34]. Esta ponte de abordagem permitia que a marinha romana contornasse algumas habilidades navais dos cartagineses utilizando seus próprios "legionários marinheiros" na abordagem e forçando um combate corpo-a-corpo, a especialidade romana. Ao invés de manobrar para abalroar, a tática tradicional da época, navios equipados com o corvo manobravam para se emparelhar ao navio inimigo, lançavam a ponte, que travava nele com pregos e ganchos na ponta e enviar legionários através dela como destacamentos de abordagem[35][36].

A nova arma provou seu valor na Batalha de Milas, a primeira vitória naval romana, e continuaria em uso nos anos seguintes, especialmente na gigantesca Batalha do Cabo Ecnomo. A adição do corvo forçou os cartagineses a reverem suas táticas militares e, como não conseguiram fazê-lo de forma rápida o suficiente, os romanos rapidamente conquistaram a supremacia naval[37].

Batalhas das ilhas Líparas e de Milas[editar | editar código-fonte]

Em 260 a.C., Cneu Cornélio Cipião foi eleito cônsul com Caio Duílio. Enquanto patrulhava as águas do Estreito de Messina, que separa a Sicília da península Itálica, com seus primeiros navios, Cipião soube que Lípara, nas ilhas Líparas, estava prestes a desertar para o lado romano. Ansioso para assegurar este importante porto marítimo e receber a glória pela conquista, Cipião Asina correu para as ilhas sem considerar a segurança de sua própria frota. Não se sabe ao certo se os cartagineses planejaram a situação toda, como propõe Floro[38], mas a frota romana foi aprisionada no porto da cidade por Aníbal Giscão, o general que escapou do cerco de Agrigento dois anos antes. Sem experiência em batalhas navais, as tripulações romanas entraram em pânico e fugiram para terra firme, deixando os navios abandonados com seu capitão, que acabou aprisionado. Embora não tenha havido quase nenhuma luta, o encontro é conhecido como Batalha das ilhas Líparas. Os romanos perderam dezessete navios.

A frota romana, comandada pelo cônsul Caio Duílio, enfrentou os cartagineses do general Aníbal Giscão perto da ilha de Milas (em latim: Mylae) em 260 a.C.. Políbio afirma que os cartagineses tinham 130 naus, mas não revela a quantidade dos romanos[39]. A perda de dezessete navios na Batalha das Ilhas Líparas sugere que havia 103, pois os romanos partiram para a campanha com 120 navios. Porém, é possível que este número tenha sido maior, graças à captura de navios e à ajuda de seus aliados[40]. Os romanos jamais haviam vencido uma batalha naval até então e os cartagineses esperavam uma vitória[39].

Os corvos tiveram um grande sucesso e ajudaram os romanos a tomar os primeiros 30 navios cartagineses que se aproximaram demais. Para evitá-los, os cartagineses foram forçados a contorná-los e a se aproximarem dos romanos por trás ou pelo outro lado. O corvo ainda assim conseguia rodar para enganchar a maioria dos navios que se aproximavam[41]. depois que mais vinte navios cartagineses foram capturados e perdidos para os romanos, Aníbal Giscão ordenou a retirada do que restou de sua frota, dando a Duílio uma clara vitória.

Ao invés de persegui-los, Duílio seguiu para a Sicília para assumir o controle das tropas. Lá, salvou a cidade de Segesta, que estava sendo cercada pela infantaria cartaginesa sob o comando de Amílcar[42]. Historiadores modernos questionaram a decisão de Duílio de não realizar de imediato um novo ataque naval, mas os 80 navios de Giscão ainda eram provavelmente forte demais para sua frota[43].

Contra-ataque de Amílcar[editar | editar código-fonte]

Ataque de Amílcar.

O avanço romano continuou para o oeste a partir de Agrigento para liberar, em 260 a.C., Macela, que estava cercada[44] pelos cartagineses depois de revelar seu apoio a Roma. No norte, os romanos, com o flanco marítimo assegurado pela vitória na Batalha de Milas, avançaram em direção a Termas, mas foram derrotados por Amílcar (um nome popular entre os cartagineses e que não deve ser confundido com Amílcar Barca, o pai de Aníbal)[45]. Os cartagineses aproveitar a vitória para contra-atacar e, em 259 a.C., tomaram Ena. Amílcar continuou marchando para o sul até chegar em Camarina, em território siracusano, possivelmente com a intenção de convencê-los a voltar para o lado cartaginês[46].

Avanço romano[editar | editar código-fonte]

Continuação do avanço romano (260–256 a.C.).

No ano seguinte, 258 a.C., os romanos conseguiram recuperar a iniciativa ao retomar Enna e Camarina. Na Sicília central, capturaram também Mytistraton, uma cidade que já havia sido atacada duas vezes antes. A marcha romana continuou para o norte através da costa setentrional em direção a Panormo, mas não foi possível tomar a cidade[47].

Invasão da África[editar | editar código-fonte]

Depois das conquistas da campanha de Agrigento e depois de diversas batalhas navais, os romanos tentaram (256-5 a.C.) a segunda grande operação terrestre da guerra. Com o objetivo de encontrar uma forma mais rápida de encerrar a guerra do que os longos cercos na Sicília, os romanos decidiram invadir as colônias cartaginesas na África e usurpar deles a supremacia no Mediterrâneo, forçando Cartago a aceitar seus próprios termos de rendição[35][48].

Batalha do Cabo Ecnomo[editar | editar código-fonte]

Ver artigo principal: Batalha do Cabo Ecnomo
Diagrama da Batalha do Cabo Ecnomo, uma vitória romana.
Invasão romana da África.

Para iniciar sua invasão da África, a República Romana construiu uma grande frota, composta de navios de transporte para o exército e seu equipamento, incluindo cavalos, e navios de guerra para protegê-los. Os romanos foram comandados pelos cônsules Marco Atílio Régulo e Lúcio Mânlio Vulsão Longo. A marinha cartaginesa, sob o comando de Hanão, o Grande, e Amílcar, tentou intervir com uma frota de 350 navios (segundo Políbio)[49], mas foi derrotada na Batalha do Cabo Ecnomo (256 a.C.)[50].

Raide de Régulo[editar | editar código-fonte]

Como resultado da batalha, o exército romano, comandado por Régulo, desembarcou na África e começou a arrasar todo o território cartaginês[51]. O cerco de Aspis (ou Clupea) foi a primeira batalha em solo africano das Guerras Púnicas. Régulo em seguida venceu novamente na Batalha de Adis, forçando Cartago a pedir a paz[52]. Segundo Políbio, os termos sugeridos foram tão pesados que Cartago decidiu que ficaria melhor sem os romanos. As negociações fracassaram, mas, por sorte para os cartagineses, Xantipo, um mercenário espartano, retornou a Cartago para reorganizar seu exército[35][53]. Xantipo derrotou os romanos e capturou Régulo na Batalha de Túnis[54][55]; em seguida conseguiu isolar o que restava do exército romano de sua base ao re-estabelecer a supremacia naval na região[56][57].

Cartago respira[editar | editar código-fonte]

Cartago respira.

Os romanos, neste ínterim, enviaram uma nova frota para buscar os sobreviventes de sua expedição africana. Embora esta frota tenha conseguido derrotar a frota cartaginesa e embarcado com sucesso o exército preso na África, uma tempestade destruiu quase toda a frota na viagem de volta; o número de mortos na tragédia pode ter passado de 90 000[57]. Os cartagineses se aproveitaram disto para atacar Agrigento, mas eles próprios não acreditavam serem capazes de defender a cidade e, por isso, incendiaram-na e partiram[58].

Nova ofensiva romana[editar | editar código-fonte]

Novos ataques romanos (253–251 a.C.)

Os romanos conseguiram se reagrupar e rapidamente reassumiram a ofensiva. Com uma nova frota de 140 navios, os romanos retomaram a estratégia de tomar as cidades cartaginesas na Sicília uma por uma[59], independente do tempo que este plano levaria.

Fracasso inicial[editar | editar código-fonte]

Os ataques começaram com ataques navais em Lilibeu, o centro do poder cartaginês na Sicília, e um raide diversionário na África. Ambos terminaram em fracasso[60]. Os romanos se retiraram de Lilibeu e a força africana foi pega em uma outra tempestade e completamente destruída[60].

Avanço no norte[editar | editar código-fonte]

Os romanos, porém, conseguiram grandes avanços no norte da ilha. A cidade de Termas foi finalmente capturada, em 252 a.C., o que permitiu um avanço definitivo em direção à cidade portuária de Panormo. Os romanos começaram o ataque depois de tomarem Cefalodon em 251 a.C.. Depois de um duro combate, os cartagineses foram derrotados e a cidade caiu. Com a captura de Panormo, a maior parte da Sicília ocidental se rendeu. As cidades de Ietas, Solous, Petra e Tíndaris concordaram em firmar a paz com os romanos ainda no mesmo ano[61].

Expedição no noroeste[editar | editar código-fonte]

Ver artigo principal: Batalha de Drépano
Ataques romanos (250–249 a.C.)

No ano seguinte, os romanos voltaram sua atenção para o noroeste da ilha. Uma expedição naval foi novamente enviada a Lilibeu e, no caminho, os romanos tomaram e queimaram as cidades cartaginesas de Selinous e Heracleia Minoa. Esta expedição não teve sucesso, mas atacar o quartel-general dos cartagineses demonstrou aos inimigos a determinação romana de tomar a Sicília inteira[62]. A frota romana foi derrotada pela cartaginesa na Batalha de Drépano, forçando os romanos a continuar seus ataques por terra. As forças romanas em Lilibeu foram liberadas e Eryx, perto de Drépano, foi tomada, criando uma ameaça a esta cidade também[63].

Depois da conclusiva vitória naval em Drépano, em 249 a.C., Cartago assumiu definitivamente o comando dos mares, pois Roma não tinha mais condições de financiar a construção de mais uma cara frota. Ainda assim, a facção cartaginesa contrária ao conflito, liderada pelo aristocrata e proprietário de terras Hanão, o Grande, tomou o poder e, em 244 a.C., considerando que a guerra estaria no fim, começou a desmobilizar a frota cartaginesa, dando aos romanos a chance de novamente conquistar a supremacia naval[64].

Conclusão[editar | editar código-fonte]

Impasse na Sicília[editar | editar código-fonte]

Cartagineses negociam a paz e se retiram.

Neste ponto (247 a.C.[65]), Cartago enviou o general Amílcar Barca (o pai de Aníbal) para a Sicília. Seu desembarque em Heirkte (perto de Panormo) atraiu os romanos, que vinham defender a cidade, importante porto e ponto de reabastecimento das forças romanas, e deu a Drépano algum espaço para respirar. A guerra de guerrilha que se seguiu manteve as legiões inertes e preservou a cabeça de ponte cartaginesa na Sicília, emboras as forças romanas tenham obrigado Amílcar a se mudar para Eryx para conseguir defender melhor Drépano[62].

Batalha das ilhas Égadas[editar | editar código-fonte]

Ver artigo principal: Batalha das ilhas Égadas

Provavelmente em resposta aos raides de Amílcar, os romanos construíram uma nova frota (paga com doações dos cidadãos mais ricos) e foi esta frota que tornou o sucesso cartaginês na Sicília irrelevante, pois o impasse que Amílcar gerou na Sicília perdeu importância depois da vitória naval romana na Batalha das ilhas Égadas, em 241 a.C., na qual a nova frota romana, comandada pelo cônsul Caio Lutácio Cátulo, venceu uma frota cartaginesa construída às pressas e mal preparada. Cartago perdeu a maior parte de sua marinha e não tinha mais condições financeiras de construir outra e nem mão de obra suficiente para tripulá-la[66].

Sem apoio naval, Amílcar Barca ficou sem comunicação com Cartago e foi forçado a negociar a paz depois de concordar em evacuar a Sicília[67]. Vale notar que Amílcar fez com que um subordinado chamado Gesco conduzisse as negociações com Lutácio para criar a impressão de que ele não teria sido realmente derrotado[3][68].

Papel da guerra naval[editar | editar código-fonte]

Por causa da dificuldade de operar na Sicília, a maior parte da Primeira Guerra Púnica foi travada no mar, incluindo algumas das principais batalhas[19]. Mas uma razão pela qual a guerra desacelerou até um impasse me terra foi que as marinhas antigas eram pouco efetivas em manter um bloqueio naval de portos inimigos. Por isso, Cartago conseguia reforçar e reabastecer suas fortalezas bloqueadas, especialmente Lilibeu, na ponta ocidental da Sicília. Ambos os lados do conflito tinham frotas fundeadas pelo Estado, o que comprometeu duramente as finanças de Roma e de Cartago, o que, no final, acabou decidindo o resultado da guerra[69].

Apesar das vitórias romanas no mar, a República Romana perdeu incontáveis navios e tripulações durante a guerra, tanto em tempestades quanto em batalhas. Em pelo menos duas ocasiões (255 e 253 a.C.), frotas inteiras foram destruídas pelo mau tempo; o desastre na costa de Camarina, em 255 a.C., chegou a 270 navios e mais de 100 000 homens perdidos, a maior perda da história num único naufrágio[70]. Uma teoria moderna afirma que o peso do corvo na proa dos navios tornava-os instáveis e fazia com que afundassem facilmente em tempestades. Posteriormente, conforme crescia a experiência romana na guerra naval, o corvo foi construído de forma a poder ser encaixado e desencaixado por seu impacto na navegabilidade dos navios[71].

Consequências[editar | editar código-fonte]

Roma venceu a Primeira Guerra Púnica depois de 23 anos de conflito e, no final, tornou-se o poder naval dominante no Mediterrâneo. No período imediatamente seguinte, ambos os estados estavam financeiramente e demograficamente exauridos[69]. Córsega, Sardenha e a África continuaram cartaginesas, mas foram obrigados a pagar uma pesada indenização de guerra. A vitória romana foi muito influenciada por sua persistência. Além disso, a habilidade romana de atrair investimentos privados para o esforço de guerra para fundear navios e tripulações foi um dos fatores decisivos da guerra, particularmente quando comparado com a aparente falta de motivação da nobreza cartaginesa de arriscar sua fortuna num esforço de guerra comum.

Baixas[editar | editar código-fonte]

"Marco Atílio Régulo partindo para Cartago"1832. Por Michel Ghislain Stapleaux, em coleção privada.
"Marco Atílio Régulo retorna a Cartago"1791. Por Andries Cornelis Lens, no Hermitage, em São Petersburgo, na Rússia.
Depois de ser capturado na Batalha de Túnis, conta a tradição que os cartagineses o teriam enviado a Roma para que ele convencesse seus concidadãos a cederem à paz. O plano era que, se ele não conseguisse fazê-lo, deveria retornar a Cartago para ser executado. Régulo, ao invés de defender a paz, revelou aos romanos as condições político-econômicas dos inimigos exortando os romanos a tentarem um último esforço, pois Cartago não conseguiria resistir à pressão da guerra e seria derrotada. Ao término de seu discurso, honrando a sua palavra, retornou para Cartago e foi torturado e executado.

O número exato de baixas de cada lado é difícil de determinar por causa do viés das bases históricas. Segundo Políbio (excluindo as mortes em terra)[72], Roma perdeu 700 navios (parte por causa do clima) com um número incerto de mortos na tripulação. Cartago perdeu 500, também com um número incerto de mortos nas tripulações.

Embora incertas, estas baixas foram muito pesadas para ambos os lados. Políbio comentou que esta guerra foi, na época, a mais destrutiva, em termos de baixas, na história das guerras, incluindo as batalhas de Alexandre, o Grande. Analisando os dados do censo romano do século III a.C., Adrian Goldsworthy notou que, durante o conflito, Roma perdeu cerca de 50 000 cidadãos, um número que excluiu auxiliares e todos os alistados que não eram cidadãos, que jamais eram contados nos censos[73][74].

Termos de paz[editar | editar código-fonte]

Reprodução da Coluna de Caio Duílio, erigida por Caio Duílio no Fórum Romano depois de sua vitória na Batalha de Milas.
No Museu da Civilização Romana em Roma.

Os termos do Tratado de Lutácio impostos pelos romanos foram particularmente pesados para Cartago, que perderam seu poder de barganha depois da derrota das ilhas Égadas. Ambos os lados concordaram em:

  • Cartago deveria evacuar a Sicília e as pequenas ilhas a oeste dela (ilhas Égadas).
  • Cartago devolveria os prisioneiros de guerra sem o pagamento de resgate, mas pagaria um alto resgate pelos seus prisioneiros.
  • Cartago não atacaria o Reino de Siracusa e seus aliados.
  • Cartago transferiria um grupo de ilhas ao norte da Sicília (as ilhas Líparas e Ústica) para Roma.
  • Cartago evacuaria todas as pequenas ilhas entre a Sicília e a África (Pantelleria, Linosa, Lampedusa, Lampione e Malta).
  • Cartago pagaria 2 200 talentos de prata como indenização em dez parcelas anuais além de uma indenização adicional de 1 000 talentos imediatamente[75].

Outras cláusulas determinavam que os aliados de cada lado não deveriam ser atacados pelo outro, nenhum ataque deveria ser realizado por ambos os lados aos aliados outros e ambos estavam proibidos de recrutar soldados no território do outro. Isto negou aos cartagineses o acesso aos mercenários disponíveis na Itália e na maior parte da Sicília, embora esta última cláusula tenha sido temporariamente abolida durante a Guerra Mercenária.

Resultados políticos[editar | editar código-fonte]

Depois da guerra, Cartato estava com seu tesouro completamente zerado. Hanão, o Grande, tentou convencer os soldados dos exércitos debandados a aceitarem um pagamento reduzido, mas acabou iniciando um movimento que levou a uma guerra civil, a Guerra Mercenária. Depois de grandes esforços combinados de Amílcar Barca, o próprio Hanão e outros, as forças púnicas conseguiram finalmente aniquilar os mercenários e os insurgentes que se juntaram a eles. Porém, durante este conflito, Roma se aproveitou para retirar de Cartago as ilhas de Córsega e Sardenha[3].

Provavelmente o mais imediato resultado político da Primeira Guerra Púnica foi a derrocada do poder naval cartaginês. As condições firmadas no tratado de paz tinham como objetivo comprometer a situação econômica cartaginesa e impedir sua recuperação. A indenização exigida pelos romanos era um grande peso para as finanças da cidade e forçou Cartago a olhar para sua esfera de influência em busca de dinheiro para pagar Roma[76].

Cartago, tentando se recuperar das recentes perdas territoriais e em busca de grandes quantidades de prata para pagar Roma, voltou sua atenção para a Ibéria. Em 237 a.C., os cartagineses, liderados por Amílcar Barca, começaram uma série de campanhas para expandir o controle cartaginês na península Ibérica. Embora o próprio Amílcar tenha sido morto em 229 a.C., a ofensiva continuou com os cartagineses estendendo sua esfera de influência até o vale do Ebro e fundando Nova Cartago no ano seguinte. Quando Cartago cercou a cidade de Sagunto, protegida dos romanos, em 218 a.C., começou a Segunda Guerra Púnica contra Roma[77].

Quando a Roma, o final da Primeira Guerra Púnica marcou o começo da expansão romana fora da península Itálica. A Sicília transformou-se na primeira província romana, governada por um propretor, e não um aliado. A região seria muito importante para Roma no futuro como fonte de cereais para Roma[3]. Mais importante, Siracusa, recebeu o status de aliado independente durante a vida de Hierão II e não foi anexada à província da Sicília até ser conquistada e saqueada por Marco Cláudio Marcelo em 212 a.C., durante a Segunda Guerra Púnica[78].

Principais líderes[editar | editar código-fonte]

Cronologia[editar | editar código-fonte]

  • 264 a.C. – Os mamertinos pedem ajuda a Roma e Cartago para lidar com os ataques de Hierão II de Siracusa. Ambas as cidades respondem ao pedido.
  • 263 a.C. – Hierão II é derrotado pelo cônsul Mânio Valério Messala e é forçado a se aliar aos romanos, que reconhece-o como tirano de Siracusa e do território vizinho.
  • 262 a.C. – Começa a intervenção romana contra a ocupação cartaginense da Sicília; início do cerco de Agrigento.
  • 261 a.C. – Batalha de Agrigento, que resulta numa vitória de Roma e na captura da cidade; os romanos decidem construir uma marinha de guerra para ameaçar o poderio naval de Cartago.
  • 260 a.C. – O primeira batalha naval (Batalha das ilhas Líparas) é um desastre para Roma; pouco depois, o cônsul Caio Duílio ganha a batalha de Milas com a ajuda do corvo e torna-se num herói nacional[3].
  • 259 a.C. – A guerra em terra estende-se à Sardenha e Córsega.
  • 258 a.C. – Batalha naval de Sulci: vitória romana
  • 257 a.C. – Batalha naval de Tindaris: vitória romana
  • 256 a.C. – Roma tenta invadir o território de Cartago no Norte de África. A marinha cartaginense tenta intersectar a frota de transporte, mas é derrotada na Batalha do Cabo Ecnomo. As tropas romanas desembarcam e conseguem uma vitória na batalha de Ádis, a primeira vitória romana em solo africano. Desenrolam-se negociações de paz, que resultam infrutíferas. A guerra continua.
  • 255 a.C. – Cartago contrata o general espartano Xantipo para organizar a defesa da cidade; o general é bem sucedido e derrota os romanos na Batalha de Túnis. Os sobreviventes são evacuados para Roma, mas a frota inteira é destruída por uma tempestade no caminho de volta.
  • 254 a.C. – Roma constrói nova frota de 140 navios de guerra para substituir a que foi perdida e um novo exército é alistado. Os romanos conseguem uma vitória na Batalha de Panormo, na Sicília, mas não conseguem avançar na guerra. Cinco cidades gregas desertam Cartago e se juntam a Roma.
  • 253 a.C. – Os romanos organizam vários raides a cidades cartaginenses em África. Depois de um ano de insucessos, regressam para casa. Na viagem de volta para a Itália, os romanos são novamente pegos por uma tempestade e perdem 150 navios e toda a tripulação.
  • 251 a.C. – Os romanos vencem novamente em Panormo sobre as forças cartaginesas lideradas por Asdrúbal, o Belo. Por causa das perdas recentes dos romanos, Cartago consegue reforçar suas guarnições na Sicília e recapturam Agrigento. Roma começa o cerco de Lilibeu.
  • 249 a.C. – Cartago vence a batalha de Drépano (a sua única vitória naval) e põem fim ao cerco de Lilibeu. No mesmo ano Amílcar Barca consegue importantes vitórias na Sicília. Novas tempestades acabam com que restou da frota romana. Roma nomeia um ditador para lidar com a situação, Aulo Atílio Calatino.
  • 248 a.C. – Começou de um período de lutas de baixa intensidade na Sicília e sem batalhas navais. Este interregno durará até 241 a.C..
  • 244 a.C. – Com poucos ou nenhum combate naval, Hanão, o Grande, defende a desmobilização de grande parte da marinha cartaginesa para economizar dinheiro e é aprovado.
  • 242 a.C. – Percebendo a oportunidade, Roma constrói mais uma grande frota de guerra, totalmente financiada pelos cidadãos mais ricos da cidade.
  • 241 a.C. – Em 10 de março ocorre a batalha das Ilhas Égadas (ilhas Égadas); a vitória romana é decisiva e põe fim ao conflito, obrigando Cartago a aceitar condições de paz[3].


Referências

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  2. a b c Encyclopedia Britannica. Punic Wars (em inglês) 22 [S.l.: s.n.] 1911. p. 649. 
  3. a b c d e f Sidwell & Jones 1997, p. 16.
  4. a b Encyclopedia Britannica. Rome (em inglês) 23 [S.l.: s.n.] 1911. p. 628. 
  5. Starr 1965, pp. 464–465.
  6. a b Starr 1965, p. 465.
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  8. Starr 1965, p. 478.
  9. Encyclopedia Britannica. Carthage (em inglês) 5 [S.l.: s.n.] 1911. p. 428. 
  10. Iliffe, p. 31
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  13. Warmington 1993, p. 165.
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  78. Allen & Myers 1890, p. 111.

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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