Primeira Guerra Púnica

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Primeira Guerra Púnica
Parte das Guerras Púnicas
First Punic War 264 BC v3.png
O Mediterrâneo Ocidental pouco antes do início da guerra em 264 a.C.. Roma está em vermelho, Cartago em cinza e Siracusa em verde
Data 264 a.C. até 241 a.C.
Local Mar Mediterrâneo, Sicília, Norte da África, Itália, Córsega e Sardenha
Desfecho Vitória romana
Mudanças territoriais Roma anexa a Sicília, exceto Siracusa
Beligerantes
Roma Cartago

A Primeira Guerra Púnica foi a primeira de três guerras travadas entre Roma e Cartago, as duas principais potências do Mediterrâneo Ocidental no início do século III a.C.. As duas lutaram por supremacia por 23 anos, o mais longo conflito contínuo e a maior guerra naval da Antiguidade. A guerra foi travada principalmente na Sicília e nas águas em torno, mas também no Norte da África. Os cartaginenses foram derrotados depois de perdas imensas em ambos os lados.

A guerra começou em 264 a.C. com os romanos conquistando uma posição segura na Sicília em Messana. Eles então pressionaram Siracusa, a única potência independente significativa na ilha, a entrarem em aliança com o objetivo de cercar a principal base cartaginense em Acragas. Um grande exército cartaginense tentou quebrar o cerco em 262 a.C., porém foi completamente derrotado na resultante Batalha de Acragas. Os romanos em seguida construíram uma marinha a fim de desafiar os cartaginenses, empregando táticas inovadoras que infligiram várias derrotas. Uma base cartaginense na Córsega foi tomada, mas um ataque contra a Sardenha foi rechaçado. Os romanos aproveitaram-se de suas vitórias navais e lançaram uma invasão do Norte da África, mas foram interceptados. Os cartaginenses acabaram derrotados novamente na Batalha do Cabo Ecnomo. A invasão inicialmente seguiu bem para os romanos e os cartaginenses pediram por paz em 255 a.C., porém os termos propostos eram muito severos e consequentemente a luta continuou, com os invasores sendo derrotados. A tentativa cartaginense de impedir a evacuação romana terminou em uma grande derrota, porém a frota romana acabou devastada em uma tempestade durante a viagem de volta para casa.

A guerra continuou, mas nenhum lado conseguiu conquistar uma vantagem decisiva. Os cartaginenses atacaram e recapturaram Acragas em 255 a.C., porém a abandonaram por acharem que não seriam capazes de mantê-la. Os romanos rapidamente reconstruíram sua marinha e capturaram Panormo em 254 a.C.. No ano seguinte perderam mais de cem navios em uma tempestade. Os cartaginenses tentaram recapturar Panormo em 251 a.C., porém foram derrotados no ataque. Os romanos lentamente capturaram a maior parte da Sicília e em 249 a.C. cercaram as duas últimas bases cartaginenses no oeste. Também lançaram um ataque contra a marinha cartaginense, mas foram derrotados na Batalha de Drépano. Os cartaginenses continuaram na ofensiva e afundaram a maioria dos navios romanos na Batalha de Fíntia. Seguiram-se vários anos de impasse, com os romanos reconstruindo sua frota em 243 a.C. e bloqueando guarnições romanas. Cartago reuniu uma frota e tentou quebrar o bloqueio, mas foram derrotados na Batalha das Ilhas Égadas em 241 a.C., forçando-os a pedir por paz.

Os dois lados assinaram um tratado, pelos termos do qual Cartago pagou grandes reparações de guerra e a Sicília foi anexada como uma província romana. Roma depois disso tornou-se a principal potência militar no Mediterrâneo Ocidental e cada vez mais do Mediterrâneo como um todo. O enorme esforço para construir mais de mil navios durante a guerra criou as fundações para o domínio marítimo romano pelos seiscentos anos seguintes. O fim da guerra fez estourar uma revolta fracassada dentro da própria Cartago. A competição estratégica entre as duas potências permaneceu sem resolução, o que levou ao início da Segunda Guerra Púnica em 218 a.C..

Fontes primárias[editar | editar código-fonte]

Estela de Políbio, historiador grego

O termo púnico vem da palavra em latim punicus (também grafada como poenicus), que significa "cartaginense" e é uma referência à ancestralidade fenícia dos cartaginenses.[1] A principal fonte para quase todos os aspectos da Primeira Guerra Púnica é o historiador Políbio, um grego enviado a Roma em 167 a.C. como refém.[2][3] Seus trabalhos incluem um agora quase perdido manual sobre táticas militares,[4] mas é mais conhecido por Histórias, escrito em algum momento após 146 a.C. ou aproximadamente um século depois do fim da guerra.[2][5] O trabalho de Políbio é considerado pelos historiadores modernos como sendo amplamente objetivo e em sua maior parte neutro entre os pontos de vista romano e cartaginense.[6][7]

Registros escritos cartaginenses foram destruídos junto com sua capital em 146 a.C., assim o relato de Políbio é baseado em várias fontes gregas e latinas agora perdidas.[8] Políbio era um historiador analítico e sempre que possível entrevistou participantes dos eventos que escreveu a respeito.[9][10] Apenas o primeiro livro dos quarenta que compõem Histórias lida com a Primeira Guerra Púnica.[11] A precisão do relato de Políbio já foi muito debatida nos últimos 150 anos, mas o consenso moderno é aceitá-lo como está escrito na maior parte das vezes, com os detalhes da guerra em fontes modernas sendo quase que completamente baseados em interpretações do relato de Políbio.[11][12][13] O historiador moderno Andrew Curry considera que "Políbio acaba sendo bem confiável",[14] enquanto Dexter Hoyos o descreve como "um historiador notavelmente bem informado, trabalhador e perspicaz".[15] Existem outras histórias posteriores sobre a guerra, porém são fragmentárias ou resumidas.[3][16] Historiadores modernos geralmente levam em conta escritos fragmentários de vários analistas romanos, especialmente Lívio (que se baseou em Políbio), o greco-siciliano Diodoro Sículo e os escritores gregos posteriores Apiano e Cássio Dio.[17] O classicista Adrian Goldsworthy afirmou que o "relato de Políbio deve ser geralmente preferido quando difere de qualquer outro de nossos relatos".[10] Outras fontes incluem inscritos, evidências arqueológicas e evidências empíricas de reconstruções.[18]

Dezenove rostros de bronze já foram encontrados por arqueólogos no mar próximos do litoral da Sicília desde 2010, uma mistura de romanos e cartaginenses. Dez capacetes de bronze e centenas de ânforas também foram encontradas.[19][20][21][22] Já foram recuperados os rostros, sete dos capacetes e seis ânforas intactas, mais um grande número de fragmentos.[23] Acredita-se que os rostros estavam ligados a navios de guerra afundados quando foram depositados no fundo do mar.[24] Os arqueólogos afirmaram que a localização dos artefatos apoia o relato de Políbio sobre onde ocorreu a Batalha das Ilhas Égadas.[25] Os arqueólogos que encontraram os rostros, baseados em suas dimensões, acreditam que todos vieram de trirremes, contrariando o relato de Políbio de que todos os navios envolvidos eram quinquerremes.[22][26] Entretanto, eles acreditam que muitas das ânforas identificadas confirmam a precisão de outros aspectos dos relatos de Políbio: "É a procurada convergência dos registros arqueológicos e históricos".[27]

Antecedentes[editar | editar código-fonte]

Vista aérea dos restos da base naval da cidade de Cartago. Os restos do porto mercante estão no centro e o da base militar no canto inferior direito.

A República Romana estava expandindo-se agressivamente no sul da península Itálica no século que precedeu a Primeira Guerra Púnica.[28] Ela já tinha conquistado toda a península ao sul do rio Arno até 272 a.C. quando cidades gregas na Magna Grécia se renderem ao final da Guerra Pírrica.[29] Durante esse período, Cartago tinha dominado o sul da península Ibérica, boa parte das regiões litorâneas no Norte da África, Ilhas Baleares, Córsega, Sardenha e a metade ocidental da Sicília, sendo um império militar e comercial.[30] Cartago lutou a partir de 240 a.C. uma série de guerras inconclusivas contra as cidades-Estado gregas da Sicília, estas lideradas por Siracusa.[31] Cartago e Roma eram por volta de 264 a.C. as maiores potências do Mediterrâneo Ocidental.[32] Os dois já tinham confirmado sua amizade mútua várias vezes: em 509, 348 e por volta de 279 a.C.. As relações eram boas e tinham uma forte ligação comercial. Cartago, durante a Guerra Pírrica, contra Epiro que já tinha lutado contra os dois estados, proporcionou materiais militares aos romanos e em pelo menos uma ocasião usou sua marinha para transportar uma força romana.[33][34]

Um grupo de mercenários itálicos conhecidos como mamertinos, anteriormente contratados por Siracusa, ocupou a cidade de Messana, no nordeste da Sicilia, em 289 a.C.[35] Eles foram pressionados por Siracusa e recorreram em 265 a.C. a Roma e Cartago por ajuda. Os cartaginenses agiram primeiro, pressionando o rei Hierão II de Siracusa para não tomar mais ações e convencendo os mamertinos a aceitarem uma guarnição cartaginense.[36] Segundo Políbio, um considerável debate ocorreu então em Roma sobre se deveriam aceitar o pedido de ajuda. Como os cartaginenses já tinham colocado uma guarnição em Messana, o enviou de forças romanas poderia facilmente levar a uma guerra. Roma até então não tinha demonstrado interesse na Sicília e não queria prestar auxílio a um grupo de soldados que tinham tomado injustamente uma cidade de seus donos. Entretanto, muitos enxergaram as vantagens estratégicas e financeiras de conquistar uma base na Sicília. O Senado Romano, possivelmente pela instigação de Ápio Cláudio Cáudice, colocou a questão diante de uma assembleia popular em 264 a.C.. Cáudice encorajou uma votação e divulgou que havia perspectiva de pilhagem; a assembleia decidiu aceitar o pedido dos mamertinos.[37][38][39] Cáudice foi nomeado comandante de uma expedição militar com ordens de ir para a Sicília e colocar uma guarnição romana em Messana.[40][41]

Exércitos[editar | editar código-fonte]

Detalhe do Altar de Domício Enobarbo mostrando dois soldados romanos do século II a.C.

Cidadãos romanos homens adultos eram elegíveis para o serviço militar; a maioria servia na infantaria e uma minoria mais rica como a cavalaria. Os romanos tradicionalmente levantavam duas legiões, cada uma com uma cavalaria de trezentos e uma infantaria de 4,2 mil.[nota 1] Um pequeno número da infantaria serviam como escaramuçadores armados com lanças de arremesso. A infantaria pesada era equipada com armadura, escudo grande e espada curta. Eles eram divididos em três classes, com a primeira também carregando duas lanças de arremesso e as outras duas levando uma lança comum. Duas subunidades de legionários e legionários individuais lutavam em ordem relativamente aberta. Um exército era geralmente formado pela junção de uma legião romana com uma legião de tamanho e equipamentos similares enviada por um de seus aliados latinos.[43]

Cidadãos cartaginenses serviam no exército apenas se houvesse uma ameaça direta à própria cidade de Cartago. Os cartaginenses na maioria das vezes recrutavam estrangeiros para formar seu exército. Muitos vinham de diferentes regiões do Norte da África, que proporcionava vários tipos de lutadores, incluindo: infantaria de ordem cerrada equipadas com escudos grandes, capacetes, espadas curtas e lanças longas; escaramuçadores de infantaria leve armados com lanças de arremesso; cavalaria de choque de ordem cerrada carregando lanças (também chamada de "cavalaria pesada");[nota 2] e uma cavalaria leve de escaramuçadores que usavam lanças de arremesso à distância e evitavam combate próximo.[45][46] Tanto a Ibéria quanto a Gália proporcionavam uma infantaria experiente, com tropas desprotegidas que atacavam ferozmente, mas que tinham a reputação de fugirem caso o combate se estendesse muito.[45][47][nota 3] A maior parte da infantaria cartaginense lutava em uma formação cerrada conhecida como falange, geralmente formado duas ou três linhas.[46] Fundibulários especialistas eram recrutados das Ilhas Baleares.[45][48] Os cartaginenses também empregavam elefantes de guerra; o Norte da África na época tinha elefantes-da-floresta nativos.[47][49][nota 4] As fontes não são claras se esses elenfantes carregavam torres com lutadores.[51]

Marinhas[editar | editar código-fonte]

Quinquerremes, que significava "cinco remos",[52] era o principal componente tanto das frotas romanas quanta das cartaginensas no decorrer das Guerras Púnicas.[53] Esse tipo de embarcação era tão onipresente que Políbio o usa como abreviação para "navio de guerra" de forma geral.[54] Um quinquerreme transportava uma tripulação de trezentos homens: 280 remadores e vinte tripulantes de convés e oficiais.[55] Ele também transportava um complemento de quarenta membros de infantaria de marinha, que geralmente eram soldados normais designados para os navios.[56] Este número poderia subir para 120 se uma batalha fosse considerada iminente.[57][58]

O corvo, o dispositivo de desembarque romano

Fazer os remadores remarem como unidade, ainda mais executarem manobras de batalha complexas, necessitava de treinamentos longos e árduos.[59] Pelo menos metade dos remadores precisariam ter algum tipo de experiência para o navio ser manobrado corretamente.[60] Consequentemente, os romanos inicialmente estavam em desvantagem contra os mais experientes cartaginenses. Os romanos, para fazer frente, desenvolveram o corvo, uma ponte de 1,2 metro de largura e onze metros de comprimento com um espigão pesado na extremidade, que foi projetado para perfurar e se prender ao convés de um navio inimigo.[57] Isto permitia que os legionários romanos atuassem como infantaria de marinha para abordarem embarcações inimigas e capturá-las, em vez de simplesmente usarem a tática tradicional de abalroamento.[61]

Todos os navios de guerra eram equipados com rostros, um conjunto triplo de lâminas de bronze com sessenta centímetros de largura que pesavam até 270 quilogramas e ficavam posicionadas na linha d'água. Abordagens ficaram cada vez mais comuns no século anterior à Primeira Guerra Púnica e o uso de abalroamento caiu, pois as embarcações maiores e mais pesadas adotadas nesse período careciam da velocidade e manobrabilidade necessárias para abalroamentos, enquanto sua construção mais robusta reduziu o efeito do rostro mesmo em casos de ataques bem-sucedidos. A adoção do corvo por parte dos romanos era uma continuação dessa tendência e compensava por sua desvantagem inicial nas habilidades de manobra. O peso a mais na proa comprometia tanto a manobrabilidade quanto a navegabilidade, com o corvo tornando-se inútil em mares bravios.[61][62][63]

Sicília 264–256 a.C.[editar | editar código-fonte]

Chegada romana e neutralização de Siracusa

A Sicília é uma montanhosa ilha vulcânica repleta de obstáculos geográficos que dificultam a manutenção de linhas de comunicação. Por isto, a guerra terrestre teve um papel secundário na Primeira Guerra Púnica. As operações terrestres se resumiam a raides e escaramuças de pequeno porte, com poucas batalhas campais. Cercos e bloqueios foram as mais comuns operações de grande porte realizadas pelo exército romano. Os principais alvos de bloqueio eram os grandes portos, pois nem Cartago e nem Roma tinham bases na Sicília e ambos necessitavam de um fluxo contínuo de reforços e comunicação com suas terras natais.[64]

A guerra terrestre na Sicília começou com os romanos desembarcando em Messana em 254 a.C.. Segundo Políbio, apesar da vantagem naval cartaginesa, o desembarque romano praticamente não enfrentou oposição. Duas legiões comandadas por Ápio Cláudio Cáudice desembarcaram na cidade depois de os mamertinos já terem expulsado a guarnição cartaginesa, comandada por Hanão (sem parentesco com Hanão II, o Grande).[65] Depois de derrotar as forças siracusanas e cartaginesas cercando Messana, os romanos marcharam para o sul e cercaram Siracusa.[66] Depois de um breve cerco, sem nenhuma ajuda cartaginesa esperada, Siracusa firmou a paz com os romanos.[67]

Segundo os termos do tratado, Siracusa tornar-se-ia um aliado pleno dos romanos, pagaria uma indenização relativamente leve de 100 talentos de prata a Roma e, provavelmente mais importante, concordaria em suprir o exército romano na Sicília.[67] Isto resolvia um grande problema dos romanos, que era manter um exército além-mar provisionado enquanto se enfrentava um inimigo com uma marinha muito superior.[67][68] Depois da derrota de Siracusa, diversas outras cidades menores dependentes de Cartago na Sicília trocaram de lado e passaram a apoiar os romanos.[67]

Enquanto isso, Cartago havia começado a juntar um grande exército mercenário na África para ser enviado para a Sicília e enfrentar os romanos. Segundo o historiador Filino, este exército era composto por 50 000 homens na infantaria, 6 000 na cavalaria e 60 elefantes de guerra, com soldados de origem lígure, celta e ibera.[69][70]

Em guerras anteriores na Sicília, Cartago havia vencido por causa de certos pontos fortificados por toda a ilha e o plano era conduzir a guerra exatamente da mesma forma. O exército mercenário operaria em campo aberto contra os romanos enquanto as fortalezas proveriam bases defensivas a partir das quais ele podia operar.[67]

Em 262 a.C., liderados pelos cônsules Lúcio Postúmio Megelo e Quinto Mamílio Vítulo, Roma cercou Agrigento, uma operação que envolveu os os dois exércitos consulares — um total de quatro legiões — e levou vários meses para se resolver. A guarnição de Agrigento (chamada pelos gregos de "Acragas") conseguiu chamar reforços e uma força cartaginesa comandada por Hanão conseguiu destruir uma base de suprimentos romana em Erbesso.[71] Sem os suprimentos vindos de Siracusa, os romanos se viram cercados e construíram uma linha de contravalação.[71] Depois de umas poucas escaramuças, uma epidemia irrompeu no acampamento romano ao mesmo tempo que a fome já se abatia em Agrigento; por isso, ambos os lados entenderam que uma batalha era preferível à situação que viviam.[71] Embora os romanos tenham conseguido uma vitória clara sobre o exército libertador cartaginês na Batalha de Agrigento, o grande exército cartaginês que defendia a cidade, comandado por Aníbal Giscão, conseguiu escapar ileso.[71] A cidade, que agora não dispunha mais de defesa alguma, caiu rapidamente e foi saqueada pelos romanos, que escravizaram a população inteira.[71][72]

Roma constrói sua frota[editar | editar código-fonte]

Representação moderna de um trirreme igual ao utilizado pelos romanos

No começo da Primeira Guerra Púnica, Roma não tinha experiência nenhuma em guerra naval enquanto Cartago, depois de séculos de comércio marítimo, possuía a maior e mais poderosa do Mediterrâneo ocidental. Mesmo assim, a crescente República Romana logo percebeu a importância do controle do Mediterrâneo para o resultado final do conflito.[73]

A primeira grande tropa romana foi construída depois da vitória em Agrigento, em 261 a.C.. Alguns historiadores especularam que, como os romanos não detinham nenhuma tecnologia naval avançada, o projeto de seus navios de guerra provavelmente foi inteiramente copiado de trirremes e quinquerremes cartagineses capturados ou de navios que encalhavam nas costas romanas depois de tempestades.[74] Segundo Políbio, os romanos capturaram um quinquerreme cartaginês naufragado e o utilizaram como base para seus próprios navios.[75] Outros historiadores notaram que os romanos tinham alguma experiência com tecnologia naval, pois patrulhavam sua costa para evitar a pirataria. Uma terceira possibilidade é que Roma tenha recebido ajuda técnica de seu aliado marítimo na Sicília, o Reino de Siracusa.[76] Seja como for, os romanos rapidamente se adaptaram ao estado da arte da tecnologia naval da época.[77]

Para compensar pela falta de experiência e para alavancar o uso das táticas militares terrestres no mar,[78] os romanos equiparam seus navios com um equipamento especial de abordagem, o corvo (em latim: "corvus").[79] Esta ponte de abordagem permitia que a marinha romana contornasse algumas habilidades navais dos cartagineses utilizando seus próprios "legionários marinheiros" na abordagem e forçando um combate corpo-a-corpo, a especialidade romana. Em vez de manobrar para abalroar, a tática tradicional da época, navios equipados com o corvo manobravam para se emparelhar ao navio inimigo, lançavam a ponte, que travava nele com pregos e ganchos na ponta e enviar legionários através dela como destacamentos de abordagem.[80][81]

A nova arma provou seu valor na Batalha de Milas, a primeira vitória naval romana, e continuaria em uso nos anos seguintes, especialmente na gigantesca Batalha do Cabo Ecnomo. A adição do corvo forçou os cartagineses a reverem suas táticas militares e, como não conseguiram fazê-lo de forma rápida o suficiente, os romanos rapidamente conquistaram a supremacia naval.[82]

Em 260 a.C., Cneu Cornélio Cipião foi eleito cônsul com Caio Duílio. Enquanto patrulhava as águas do estreito de Messina, que separa a Sicília da península Itálica, com seus primeiros navios, Cipião soube que Lípara, nas ilhas Líparas, estava prestes a desertar para o lado romano. Ansioso para assegurar este importante porto marítimo e receber a glória pela conquista, Cipião Asina correu para as ilhas sem considerar a segurança de sua própria frota. Não se sabe ao certo se os cartagineses planejaram a situação toda, como propõe Floro,[83] mas a frota romana foi aprisionada no porto da cidade por Aníbal Giscão, o general que escapou do cerco de Agrigento dois anos antes. Sem experiência em batalhas navais, as tripulações romanas entraram em pânico e fugiram para terra firme, deixando os navios abandonados com seu capitão, que acabou aprisionado. Embora não tenha havido quase nenhuma luta, o encontro é conhecido como Batalha das ilhas Líparas. Os romanos perderam dezessete navios.

A frota romana, comandada pelo cônsul Caio Duílio, enfrentou os cartagineses do general Aníbal Giscão perto da ilha de Milas (em latim: Mylae) em 260 a.C.. Políbio afirma que os cartagineses tinham 130 naus, mas não revela a quantidade dos romanos.[84] A perda de dezessete navios na Batalha das Ilhas Líparas sugere que havia 103, pois os romanos partiram para a campanha com 120 navios. Porém, é possível que este número tenha sido maior, graças à captura de navios e à ajuda de seus aliados.[85] Os romanos jamais haviam vencido uma batalha naval até então e os cartagineses esperavam uma vitória.[84]

Os corvos tiveram um grande sucesso e ajudaram os romanos a tomar os primeiros 30 navios cartagineses que se aproximaram demais. Para evitá-los, os cartagineses foram forçados a contorná-los e a se aproximarem dos romanos por trás ou pelo outro lado. O corvo ainda assim conseguia rodar para enganchar a maioria dos navios que se aproximavam.[86] Depois que mais vinte navios cartagineses foram capturados e perdidos para os romanos, Aníbal Giscão ordenou a retirada do que restou de sua frota, dando a Duílio uma clara vitória.

Em vez de persegui-los, Duílio seguiu para a Sicília para assumir o controle das tropas. Lá, salvou a cidade de Segesta, que estava sendo cercada pela infantaria cartaginesa sob o comando de Amílcar.[87] Historiadores modernos questionaram a decisão de Duílio de não realizar de imediato um novo ataque naval, mas os 80 navios de Giscão ainda eram provavelmente fortes demais para sua frota.[88]

Ataque de Amílcar

O avanço romano continuou para o oeste a partir de Agrigento para liberar, em 260 a.C., Macela, que estava cercada[89] pelos cartagineses depois de revelar seu apoio a Roma. No norte, os romanos, com o flanco marítimo assegurado pela vitória na Batalha de Milas, avançaram em direção a Termas, mas foram derrotados por Amílcar (um nome popular entre os cartagineses e que não deve ser confundido com Amílcar Barca, o pai de Aníbal).[90] Os cartagineses aproveitar a vitória para contra-atacar e, em 259 a.C., tomaram Ena. Amílcar continuou marchando para o sul até chegar em Camarina, em território siracusano, possivelmente com a intenção de convencê-los a voltar para o lado cartaginês.[91]

Continuação do avanço romano (260–256 a.C.)

No ano seguinte, 258 a.C., os romanos conseguiram recuperar a iniciativa ao retomar Ena e Camarina. Na Sicília central, capturaram também Mitístrato, uma cidade que já havia sido atacada duas vezes antes. A marcha romana continuou para o norte através da costa setentrional em direção a Panormo, mas não foi possível tomar a cidade.[92]

Invasão da África[editar | editar código-fonte]

Depois das conquistas da campanha de Agrigento e depois de diversas batalhas navais, os romanos tentaram (256−5 a.C.) a segunda grande operação terrestre da guerra. Com o objetivo de encontrar uma forma mais rápida de encerrar a guerra do que os longos cercos na Sicília, os romanos decidiram invadir as colônias cartaginesas na África e usurpar deles a supremacia no Mediterrâneo, forçando Cartago a aceitar seus próprios termos de rendição.[80][93]

Diagrama da Batalha do Cabo Ecnomo, uma vitória romana
Invasão romana da África

Para iniciar sua invasão da África, a República Romana construiu uma grande frota, composta de navios de transporte para o exército e seu equipamento, incluindo cavalos, e navios de guerra para protegê-los. Os romanos foram comandados pelos cônsules Marco Atílio Régulo e Lúcio Mânlio Vulsão Longo. A marinha cartaginesa, sob o comando de Hanão II, o Grande, e Amílcar, tentou intervir com uma frota de 350 navios (segundo Políbio),[94] mas foi derrotada na Batalha do Cabo Ecnomo (256 a.C.).[95]

Como resultado da batalha, o exército romano, comandado por Régulo, desembarcou na África e começou a arrasar todo o território cartaginês.[96] O cerco de Aspis (ou Clupea) foi a primeira batalha em solo africano das Guerras Púnicas. Régulo em seguida venceu novamente na Batalha de Adis, forçando Cartago a pedir a paz.[97] Segundo Políbio, os termos sugeridos foram tão pesados que Cartago decidiu que ficaria melhor sem os romanos. As negociações fracassaram, mas, por sorte para os cartagineses, Xantipo, um mercenário espartano, retornou a Cartago para reorganizar seu exército.[80][98] Xantipo derrotou os romanos e capturou Régulo na Batalha de Túnis;[99][100] em seguida conseguiu isolar o que restava do exército romano de sua base ao re-estabelecer a supremacia naval na região.[101][102]

Os romanos, neste ínterim, enviaram uma nova frota para buscar os sobreviventes de sua expedição africana. Embora esta frota tenha conseguido derrotar a frota cartaginesa e embarcado com sucesso o exército preso na África, uma tempestade destruiu quase toda a frota na viagem de volta; o número de mortos na tragédia pode ter passado de 90 000.[102] Os cartagineses se aproveitaram disto para atacar Agrigento, mas eles próprios não acreditavam serem capazes de defender a cidade e, por isso, incendiaram-na e partiram.[103]

Sicília 255–248 a.C.[editar | editar código-fonte]

Novos ataques romanos (253–251 a.C.)

Os romanos conseguiram se reagrupar e rapidamente reassumiram a ofensiva. Com uma nova frota de 140 navios, os romanos retomaram a estratégia de tomar as cidades cartaginesas na Sicília uma por uma,[104] independente do tempo que este plano levaria.

Os ataques começaram com ataques navais em Lilibeu, o centro do poder cartaginês na Sicília, e um raide diversionário na África. Ambos terminaram em fracasso.[105] Os romanos se retiraram de Lilibeu e a força africana foi pega em uma outra tempestade e completamente destruída.[105]

Os romanos, porém, conseguiram grandes avanços no norte da ilha. A cidade de Termas foi finalmente capturada, em 252 a.C., o que permitiu um avanço definitivo em direção à cidade portuária de Panormo. Os romanos começaram o ataque depois de tomarem Cefalodon em 251 a.C.. Depois de um duro combate, os cartagineses foram derrotados e a cidade caiu. Com a captura de Panormo, a maior parte da Sicília ocidental se rendeu. As cidades de Ietas, Solunto, Petra e Tíndaris concordaram em firmar a paz com os romanos ainda no mesmo ano.[106]

Ataques romanos (250–249 a.C.)

No ano seguinte, os romanos voltaram sua atenção para o noroeste da ilha. Uma expedição naval foi novamente enviada a Lilibeu e, no caminho, os romanos tomaram e queimaram as cidades cartaginesas de Selinunte e Heracleia Minoa. Esta expedição não teve sucesso, mas atacar o quartel-general dos cartagineses demonstrou aos inimigos a determinação romana de tomar a Sicília inteira.[107] A frota romana foi derrotada pela cartaginesa na Batalha de Drépano, forçando os romanos a continuar seus ataques por terra. As forças romanas em Lilibeu foram liberadas e Érice (em latim: Eryx), perto de Drépano, foi tomada, criando uma ameaça a esta cidade também.[108]

Depois da conclusiva vitória naval em Drépano, em 249 a.C., Cartago assumiu definitivamente o comando dos mares, pois Roma não tinha mais condições de financiar a construção de mais uma cara frota. Ainda assim, a facção cartaginesa contrária ao conflito, liderada pelo aristocrata e proprietário de terras Hanão II, o Grande, tomou o poder e, em 244 a.C., considerando que a guerra estaria no fim, começou a desmobilizar a frota cartaginesa, dando aos romanos a chance de novamente conquistar a supremacia naval.[109]

Conclusão[editar | editar código-fonte]

Cartagineses negociam a paz e se retiram

Neste ponto (247 a.C.[110]), Cartago enviou o general Amílcar Barca (o pai de Aníbal) para a Sicília. Seu desembarque em monte Ercte (perto de Panormo) atraiu os romanos, que vinham defender a cidade, importante porto e ponto de reabastecimento das forças romanas, e deu a Drépano algum espaço para respirar. A guerra de guerrilha que se seguiu manteve as legiões inertes e preservou a cabeça de ponte cartaginesa na Sicília, embora as forças romanas tenham obrigado Amílcar a se mudar para Érice para conseguir defender melhor Drépano.[107]

Provavelmente em resposta aos raides de Amílcar, os romanos construíram uma nova frota (paga com doações dos cidadãos mais ricos) e foi esta frota que tornou o sucesso cartaginês na Sicília irrelevante, pois o impasse que Amílcar gerou na Sicília perdeu importância depois da vitória naval romana na Batalha das ilhas Égadas, em 241 a.C., na qual a nova frota romana, comandada pelo cônsul Caio Lutácio Cátulo, venceu uma frota cartaginesa construída às pressas e mal preparada. Cartago perdeu a maior parte de sua marinha e não tinha mais condições financeiras de construir outra e nem mão de obra suficiente para tripulá-la.[111]

Sem apoio naval, Amílcar Barca ficou sem comunicação com Cartago e foi forçado a negociar a paz depois de concordar em evacuar a Sicília.[112] Vale notar que Amílcar fez com que um subordinado chamado Gescão conduzisse as negociações com Lutácio para criar a impressão de que ele não teria sido realmente derrotado.[113][114]

Consequências[editar | editar código-fonte]

Por causa da dificuldade de operar na Sicília, a maior parte da Primeira Guerra Púnica foi travada no mar, incluindo algumas das principais batalhas.[64] Mas uma razão pela qual a guerra desacelerou até um impasse em terra foi que as marinhas antigas eram pouco efetivas em manter um bloqueio naval de portos inimigos. Por isso, Cartago conseguia reforçar e reabastecer suas fortalezas bloqueadas, especialmente durante o cerco de Lilibeu, na ponta ocidental da Sicília. Ambos os lados do conflito tinham frotas fundeadas pelo Estado, o que comprometeu duramente as finanças de Roma e de Cartago, o que, no final, acabou decidindo o resultado da guerra.[115]

Apesar das vitórias romanas no mar, a República Romana perdeu incontáveis navios e tripulações durante a guerra, tanto em tempestades quanto em batalhas. Em pelo menos duas ocasiões (255 e 253 a.C.), frotas inteiras foram destruídas pelo mau tempo; o desastre na costa de Camarina, em 255 a.C., chegou a 270 navios e mais de 100 000 homens perdidos, a maior perda da história num único naufrágio.[116] Uma teoria moderna afirma que o peso do corvo na proa dos navios tornava-os instáveis e fazia com que afundassem facilmente em tempestades. Posteriormente, conforme crescia a experiência romana na guerra naval, o corvo foi construído de forma a poder ser encaixado e desencaixado por seu impacto na navegabilidade dos navios.[117]

Roma venceu a Primeira Guerra Púnica depois de 23 anos de conflito e, no final, tornou-se o poder naval dominante no Mediterrâneo. No período imediatamente seguinte, ambos os estados estavam financeiramente e demograficamente exauridos.[115] Córsega, Sardenha e a África continuaram cartaginesas, mas foram obrigados a pagar uma pesada indenização de guerra. A vitória romana foi muito influenciada por sua persistência. Além disso, a habilidade romana de atrair investimentos privados para o esforço de guerra para fundear navios e tripulações foi um dos fatores decisivos da guerra, particularmente quando comparado com a aparente falta de motivação da nobreza cartaginesa de arriscar sua fortuna num esforço de guerra comum.

"Marco Atílio Régulo partindo para Cartago"1832. Por Michel Ghislain Stapleaux, em coleção privada.
"Marco Atílio Régulo retorna a Cartago"1791. Por Andries Cornelis Lens, no Hermitage, em São Petersburgo, na Rússia.
Depois de ser capturado na Batalha de Túnis, conta a tradição que os cartagineses o teriam enviado a Roma para que ele convencesse seus concidadãos a cederem à paz. O plano era que, se ele não conseguisse fazê-lo, deveria retornar a Cartago para ser executado. Régulo, ao invés de defender a paz, revelou aos romanos as condições político-econômicas dos inimigos exortando os romanos a tentarem um último esforço, pois Cartago não conseguiria resistir à pressão da guerra e seria derrotada. Ao término de seu discurso, honrando a sua palavra, retornou para Cartago, onde foi torturado e executado.

O número exato de baixas de cada lado é difícil de determinar por causa do viés das bases históricas. Segundo Políbio (excluindo as mortes em terra),[118] Roma perdeu 700 navios (parte por causa do clima) com um número incerto de mortos na tripulação. Cartago perdeu 500, também com um número incerto de mortos nas tripulações.

Embora incertas, estas baixas foram muito pesadas para ambos os lados. Políbio comentou que esta guerra foi, na época, a mais destrutiva, em termos de baixas, na história das guerras, incluindo as batalhas de Alexandre, o Grande. Analisando os dados do censo romano do século III a.C., Adrian Goldsworthy notou que, durante o conflito, Roma perdeu cerca de 50 000 cidadãos, um número que excluiu auxiliares e todos os alistados que não eram cidadãos, que jamais eram contados nos censos.[119][120]

Os termos do Tratado de Lutácio, imposto pelos romanos, foram particularmente pesados para Cartago, que perderam seu poder de barganha depois da derrota das ilhas Égadas. Ambos os lados concordaram em:

  • Cartago deveria evacuar a Sicília e as pequenas ilhas a oeste dela (ilhas Égadas).
  • Cartago devolveria os prisioneiros de guerra sem o pagamento de resgate, mas pagaria um alto resgate pelos seus prisioneiros.
  • Cartago não atacaria o Reino de Siracusa e seus aliados.
  • Cartago transferiria um grupo de ilhas ao norte da Sicília (as ilhas Líparas e Ústica) para Roma.
  • Cartago evacuaria todas as pequenas ilhas entre a Sicília e a África (Pantelleria, Linosa, Lampedusa, Lampione e Malta).
  • Cartago pagaria 2 200 talentos de prata como indenização em dez parcelas anuais além de uma indenização adicional de 1 000 talentos imediatamente.[121]

Outras cláusulas determinavam que os aliados de cada lado não deveriam ser atacados pelo outro, nenhum ataque deveria ser realizado por ambos os lados aos aliados outros e ambos estavam proibidos de recrutar soldados no território do outro. Isto negou aos cartagineses o acesso aos mercenários disponíveis na Itália e na maior parte da Sicília, embora esta última cláusula tenha sido temporariamente abolida durante a Guerra Mercenária.

Depois da guerra, Cartato estava com seu tesouro completamente zerado. Hanão II, o Grande, tentou convencer os soldados dos exércitos debandados a aceitarem um pagamento reduzido, mas acabou iniciando um movimento que levou a uma guerra civil, a Guerra Mercenária. Depois de grandes esforços combinados de Amílcar Barca, o próprio Hanão e outros, as forças púnicas conseguiram finalmente aniquilar os mercenários e os insurgentes que se juntaram a eles. Porém, durante este conflito, Roma se aproveitou para retirar de Cartago as ilhas de Córsega e Sardenha.[113]

Provavelmente o mais imediato resultado político da Primeira Guerra Púnica foi a derrocada do poder naval cartaginês. As condições firmadas no tratado de paz tinham como objetivo comprometer a situação econômica cartaginesa e impedir sua recuperação. A indenização exigida pelos romanos era um grande peso para as finanças da cidade e forçou Cartago a olhar para sua esfera de influência em busca de dinheiro para pagar Roma.[122]

Cartago, tentando se recuperar das recentes perdas territoriais e em busca de grandes quantidades de prata para pagar Roma, voltou sua atenção para a Ibéria. Em 237 a.C., os cartagineses, liderados por Amílcar Barca, começaram uma série de campanhas para expandir o controle cartaginês na Península Ibérica. Embora o próprio Amílcar tenha sido morto em 229 a.C., a ofensiva continuou com os cartagineses estendendo sua esfera de influência até o vale do Ebro e fundando Nova Cartago no ano seguinte. Quando Cartago cercou a cidade de Sagunto, protegida dos romanos, em 218 a.C., começou a Segunda Guerra Púnica contra Roma.[123]

Quando a Roma, o final da Primeira Guerra Púnica marcou o começo da expansão romana fora da península Itálica. A Sicília transformou-se na primeira província romana, governada por um propretor, e não um aliado. A região seria muito importante para Roma no futuro como fonte de cereais para Roma.[113] Mais importante, Siracusa, recebeu o status de aliado independente durante a vida de Hierão II e não foi anexada à província da Sicília até ser conquistada e saqueada por Marco Cláudio Marcelo em 212 a.C., durante a Segunda Guerra Púnica.[124]

Notas

  1. Este número poderia aumentar para cinco mil em alguns casos.[42]
  2. Tropas de "choque" eram aquelas treinadas e usadas para aproximaram-se rapidamente de um oponente com a intenção de quebrá-lo antes ou imediatamente ao contato.[44]
  3. Os ibéricos usavam uma lança de arremesso pesada que os romanos depois adotaram como o pilo.[45]
  4. Estes elefantes geralmente tinham 2,5 metros de altura e não devem ser confundidos com o maior elefante-da-savana.[50]

Referências[editar | editar código-fonte]

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Bibliografia[editar | editar código-fonte]

Ligações externas[editar | editar código-fonte]