Cannabaceae

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Folhagem de Cannabis sativa.

Folhagem de Cannabis sativa.
Classificação científica
Reino: Plantae
Clado: angiospermas
Clado: eudicots
Classe: Equisetopsida
Ordem: Rosales
Família: Cannabaceae
Géneros
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Cannabaceae é uma família botânica de Angiospermas, ou seja, plantas com flores. Um dos mais famosos gêneros desta família é Cannabis, que inclui uma única espécie, Cannabis sativa (maconha). Outro gênero pertencente a esta família é Humulus, que inclui o lúpulo, tradicionalmente usado, junto com o malte (grão malteado), a água e o levedo, na fabricação da cerveja. A família consiste de 11 gêneros e um total de 170 espécies[1].

Descrição[editar | editar código-fonte]

Membros da família variam desde indivíduos arbóreos (Celtis), herbáceos (Cannabis) e até mesmo lianas (Humulus)[2]. Apesar de possuírem um parentesco evolutivo os membros da família Cannabaceae apresentam poucas características morfológicas comuns.

Alguns caracteres morfológicos da família são: a presença de cistólitos; pêlos simples podendo ser glandulares e contendo substâncias aromáticas e tetrahidrocanabinol (e.g. Cannabis sativa L.).[3]

Folhas[editar | editar código-fonte]

São alternas ou opostas (opostas ou alternas em Cannabis e opostas em Humulus), geralmente dísticas e simples, inteiras a serradas, porém sendo palmado-lobadas em Humulus e compostas palmadas em Cannabis. Geralmente folhas com três nervuras basais principais em venação intermediária entre peninérvea e palmada, ou com muitas nervuras principais e venação palmada (Cannabis, Humulus). Estípulas são presentes[3].

Flores[editar | editar código-fonte]

As flores são encontradas em inflorescências determinadas, sendo fasciculadas, racemosas ou reduzidas a uma flor solitária; são unissexuais em plantas dióicas ou monóicas, radiais e inconspículas, podendo ter 4-5 pétalas em geral, livres, conatas, imbricadas ou até mesmo reduzidas em flores carpeladas de Cannabis; estames na ordem de 4-5 e opostos às tépalas; filetes são livres e os grãos de pólen são 2-3 porados; 2 carpelos com ovário súpero e e placentação apical, 1 lóculo, apenas 1 óvulo[3].

Frutos[editar | editar código-fonte]

Os frutos da família são do tipo drupa ou arquênio (Cannabis, Humulus) com sementes globosas[3].

Distribuição[editar | editar código-fonte]

Distribuição mundialmente ampla, desde regiões tropicais a temperadas, com exceção dos árticos, variando de acordo com os gêneros. Cannabis é endêmico da Ásia apesar de seu cultivo mundial, Humulus encontra-se em regiões temperadas do hemisfério Norte e Celtis, gênero que possui o maior número de espécies da família, é encontrado em regiões tropicais ao redor no planeta e em áreas temperadas da Europa.[2]

Ocorrência no Brasil[editar | editar código-fonte]

No Brasil ocorrem apenas dois gêneros da família, Celtis e Trema, com um número aproximado de 9 espécies, sendo 3 delas endêmicas. Sua distribuição abrange todo o território do país, sendo registrado nos 27 estados e ocorrendo em domínios fitogeográficos como Cerrado, Amazônia, Caatinga, Mata Atlântica, Pantanal e Pampas. Os tipos de vegetação no qual são encontrados membros da família no Brasil são Floresta Ombrófila, Restinga, Floresta Ciliar ou Galeria, Floresta de Terra Firme, Floresta Estacional Semidecidual e Restinga[4].

Filogenia[editar | editar código-fonte]

Cladograma adaptado de Yang et. al. (2013).[5]

A família Cannabaceae foi inicialmente separada de Moraceae por Rendle em 1925 e a partir de então passou a expandir significativamente o número de gêneros contidos na mesma. Cannabaceae é amplamente sustentado como um grupo monofilético através de análises moleculares, sendo o grupo-irmão de Moraceae[2]. Apesar disso, as relações filogenéticas dentre os gêneros de Cannabaceae ainda estão pouco elucidadas.

Estudos moleculares promovidos por Systma et. al. (2002) sugerem que Cannabis e Humulus são grupos-irmãos enquanto Trema é um grupo parafilético em relação à Parasponium, e Aphahanthe é grupo-irmão dos demais gêneros da família[2]. Outras análises como as propostas por Van Velzen et. al. (2006) suportam Chaetachme e Pteroceltis enquanto gêneros distintos e sugerem um clado que inclui Cannabis, Humulus, Celtis, Chaetachme, Parasponia, Pteroceltis e Trema.[2]

Estudos promovidos por Yang et. al. (2013) suportam o gênero Aphahanthe como o grupo-irmão dos demais gêneros da família Cannabaceae e também forneceram grande suporte para a relação de Chaetachme e Pteroceltis como grupos-irmãos entre si. Além disso foi amplamente suportada a hipótese de que Trema é parafilético em relação à Parasponia e também recebeu grande suporte a sugestão de Humulus como grupo-irmão de Cannabis, formando um clado amplamente suportado por análises moleculares.[2]

Lista de gêneros[editar | editar código-fonte]

Existem gêneros na família como Ziziphus, Sponia, Momisia e Parasponia que ainda necessitam de revisões e suas relações filogenéticas ainda não são bem elucidadas na família. A lista de gêneros a seguir é adaptada de Yang et al. (2013)[2] & The Plant List database[6] consultado em 21-01-2017:

Aphahanthe Plachon

Cannabis L.

Celtis L.

Gironniera Gaudich

Humulus L.

Lozanella Greenman

Momisia

Parasponia Miquel

Pteroceltis Maxim

Trema Loureiro

Sponia

Ziziphus Hatus

Importância Econômica[editar | editar código-fonte]

A importância econômica da família Cannabaceae envolve diversos usos, tanto religiosos, como para manufaturar produtos mundialmente consumidos e produção de fármacos.

No gênero Cannabis a ocorrência de uso religioso e ritualístico foi registrado há 2.500 anos atrás através de análises de resquícios de artefatos e porções da planta Cannabis sativa L. em tumbas em Xinjiang, China[7]. Além do uso religioso, as plantas do gênero Cannabis são amplamente cultivadas no mundo para a produção de fibras, óleos e sementes, bem como para a produção medicinal e recreativa de maconha, envolvendo questões de políticas públicas acerca do uso e criminalização da mesma. Diversas variedades de Cannabis são produzidas mundialmente com maiores ou menores concentrações de canabinoides e terpenos em países que a produção, cultivo e distribuição de maconha é legalizada ou descriminalizada.

O gênero Celtis e seus indivíduos arbóreos são amplamente utilizados em planejamento ornamental de ambientes.

O gênero Humulus, o qual abrange o lúpulo, é amplamente utilizado historicamente para a produção de cerveja ao redor do mundo todo.

Referências[editar | editar código-fonte]

  1. «Angiosperm Phylogeny Website». www.mobot.org. Consultado em 21 de janeiro de 2017 
  2. a b c d e f g Yang, Mei-Qing. (17 de junho de 2013). "Molecular phylogenetics and character evolution of Cannabaceae". Taxon 62 (3): 473–485. DOI:10.12705/623.9. Visitado em 21 de janeiro de 2017.
  3. a b c d Judd, Walter S.. Sistemática Vegetal. Porto Alegre: Artmed, 2009. Página visitada em 21-01-2017.
  4. «Lista de Espécies da Flora do Brasil». floradobrasil.jbrj.gov.br. Consultado em 21 de janeiro de 2017 
  5. Yang, Mei-Qing. (17 de junho de 2013). "Molecular phylogenetics and character evolution of Cannabaceae". Taxon 62 (3): 473–485. DOI:10.12705/623.9.
  6. «Cannabaceae — The Plant List». www.theplantlist.org (em inglês). Consultado em 21 de janeiro de 2017 
  7. Cheng-Sen, Li. . "A new insight into Cannabis sativa (Cannabaceae) utilization from 2500-year-old Yanghai Tombs, Xinjiang, China". Journal of Ethnopharmacology. DOI:10.1016/j.jep.2006.05.034. Visitado em 21 de janeiro de 2017.