Urticaceae

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Urtica dioica

Urtica dioica
Classificação científica
Reino: Plantae
Filo: Magnoliophyta
Classe: Magnoliopsida
Superordem: Rosanae
Ordem: Rosales
Família: Urticaceae
Gêneros
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Urticaceae é uma família de plantas eudicotiledôneas que faz parte da ordem Rosales. Possuem porte de herbáceo à lenhosas, às vezes com tricomas urticantes nas folhas e ramos.[1] A família possui cerca de 55 gêneros e mais de 2000 espécies, com distribuição cosmopolita, sendo o centro de diversidade na região tropical. No Brasil, ocorrem 13 gêneros e 102 espécies, das quais 25 são endêmicas.[2] O gênero de maior destaque na flora brasileira é a Cecropia, onde estão as espécies conhecidas popularmente por embaúbas, que são típicas de formações de clareiras no interior de florestas.[1]

Wikispecies
O Wikispecies tem informações sobre: Urticaceae

Morfologia[editar | editar código-fonte]

Hábito[editar | editar código-fonte]

A família Urticaceae possuem plantas com hábitos herbáceos, arbustivos, arbóreo e lianas, às vezes com tricomas urticantes.[1] Algumas possuem cistólitos mais ou menos alongados e laticíferos que são restritos à casca ou muito reduzidos e que produz seiva translúcida e mucilaginosa[3]

Folhas[editar | editar código-fonte]

As folhas são geralmente alternas e espiraladas ou dísticas, menos frequentemente encontram-se plantas com folhas opostas, que são geralmente simples, às vezes lobadas, com margem foliar inteira à serreada. A venação pode ser peninérvea a palmada. A lâmina, às vezes pode estar com base cordada ou assimétrica. Geralmente estão presentes estípulas, que podem ser terminais ou laterais.[3][1]

Flores[editar | editar código-fonte]

As inflorescências podem ser do tipo cimosa, com frequência espiciforme, axilares, e com flores congestas. As flores são unissexuais nas plantas monóicas e dióicas, do tipo actinomorfo, ou seja, radialmente simétricas. São monoclamídeas e, raramente, aclamídeas. O cálice pode apresentar de 2 à 6 sépalas, sendo gamossépalo ou dialissépalo, com prefloração valvar ou imbricada. Os estames geralmente são de 1 à 5, opostos às sépalas, com os filetes livres, curvados no botão, com anteras rimosas. Os carpelos aparentam ser apenas um, mas na verdade são 2, onde um deles é bastante reduzido, com um loco no ovário que é súpero.[1]

diagrama floral da urtiga:
A flor masculina, B flor feminina.

Fruto[editar | editar código-fonte]

Os frutos geralmente são aquênios, às vezes são drupa diminuta. O endosperma às vezes podem estar ausente.[3]

Gêneros[editar | editar código-fonte]

[2]

Polinização[editar | editar código-fonte]

As pequenas flores de Urticaceae são polinizadas pelo vento. Muitas espécies, utilizam seus estames inflexos que se estendem elasticamente, fazendo com que o pólen seja liberado em forma de jatos. Assim, o pólen se desloca com mais velocidade nas correntes de ar.[1]

Relações filogenéticas[editar | editar código-fonte]

Na ordem Rosales, a família Urticaceae é o grupo mais interno dessa ordem, sustentada pela presença de laticíferos restritos à casca, látex mucilaginoso, gineceu pseudomonômero, placentação basal e pela presença de cistólitos alongados.[3]

Domínios[editar | editar código-fonte]

A família Urticaceae é encontrada em grande parte do território brasileiro, nos seguintes domínios fitogeográficos:Amazônia, caatinga, Mata Atlântica, Pantanal.

As espécies brasileiras são encontradas em diferentes tipos de vegetação, sendo elas: Cerrado, floresta ciliar ou galeria, floresta de várzea, floresta estacional decidual, floresta estacional semidecidual, floresta ombrófila (= floresta pluvial), floresta ombrófila mista, restinga, savana amazônica, vegetação sobre afloramentos rochosos.[4]

Estados de ocorrência no Brasil[editar | editar código-fonte]

A família Urticaceae ocorre em todo o território brasileiro, como se pode ver quadro abaixo:

Norte (Acre, Amazonas, Amapá, Pará, Rondônia, Roraima, Tocantins)
Nordeste (Alagoas, Bahia, Ceará, Maranhão, Paraíba, Pernambuco, Piauí, Rio Grande do Norte, Sergipe)
Centro-oeste (Distrito Federal, Goiás, Mato Grosso do Sul, Mato Grosso)
Sudeste (Espírito Santo, Minas Gerais, Rio de Janeiro, São Paulo)
Sul (Paraná, Rio Grande do Sul, Santa Catarina)
Possíveis ocorrências:
Centro-oeste (Distrito Federal)

[4]

Lista de espécies no Brasil[editar | editar código-fonte]

A lista de espécies da família Urticaceae, segundo o site Flora do Brasil 2020, está localizada no link:

http://floradobrasil.jbrj.gov.br/reflora/listaBrasil/ConsultaPublicaUC/BemVindoConsultaPublicaConsultar.do?invalidatePageControlCounter=1&idsFilhosAlgas=%5B2%5D&idsFilhosFungos=%5B1%2C10%2C11%5D&lingua=&grupo=5&familia=243&genero=&especie=&autor=&nomeVernaculo=&nomeCompleto=&formaVida=null&substrato=null&ocorreBrasil=QUALQUER&ocorrencia=OCORRE&endemismo=TODOS&origem=TODOS&regiao=QUALQUER&estado=QUALQUER&ilhaOceanica=32767&domFitogeograficos=QUALQUER&bacia=QUALQUER&vegetacao=TODOS&mostrarAte=SUBESP_VAR&opcoesBusca=TODOS_OS_NOMES&loginUsuario=Visitante&senhaUsuario=&contexto=consulta-publica

Interesse econômico[editar | editar código-fonte]

Algumas espécies do gênero Cecropia são cultivadas como ornamentais, principalmente na arborização de áreas urbanas, assim como os gêneros Elastotema (peliônia-cetim) e Pilea que são cultivados por apresentarem folhagem ornamental. Duas espécies que apresentam também valor econômico é o rami (Boehmeria nivea), cultivada em diversas partes do mundo, inclusive no sul do Brasil, e Urtica dioica, devido a qualidade das fibras que elas têm.[1]

Importância ecológica[editar | editar código-fonte]

O gênero Cecropia é o gênero que se destaca no território brasileiro. Suas espécies são conhecidas popularmente como embaúbas e geralmente fazem formações secundárias ou clareiras no interior de florestas.[1]

Referências[editar | editar código-fonte]

  1. a b c d e f g h SOUZA, Vinicius Castro; LORENZI, Harri (2008). Botânica sistemática: Guia ilustrado para identificação das famílias de Fanerógamas nativas e exóticas no Brasil, baseado em APG II. Nova Odessa: Instituto Plantarum. 438 páginas 
  2. a b «Urticaceae». Reflora. 2017. Consultado em 10 de dezembro de 2017. 
  3. a b c d Judd, W. S. [et al.] (2009). Sistemática vegetal: Um enfoque filogenético. Porto Alegre: artmed. pp. 393–396 
  4. a b Neto, Romaniuc (23 de dezembro de 2015). «Urticaceae». Reflora. Consultado em 10 de dezembro de 2017.