Classe Olympic

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Ir para: navegação, pesquisa
Classe Olympic
Olympic and Titanic crop.jpg
O Titanic (direita) é retirado de sua doca para que reparos pudessem ser realizados no Olympic (esquerda).
Origem    Bandeira do país de origem
Construtor(es): Harland and Wolff
Período de construção: 1908–1915
Em serviço: 1911–1935
Operadores: White Star flag NEW.svg White Star Line
Construídos: RMS Olympic
RMS Titanic
HMHS Britannic
Características gerais
Tipo: Transatlântico
Deslocamento: c. 53.000 t
Tonelagem (AB/GT): c. 46.000 t
Comprimento: 269 m
Boca: 28,19 m
Calado: 10,54 m
Propulsão: 29 caldeiras
2 motores de tripla-expansão
com quatro cilindros
1 turbina de baixa pressão
2 hélices triplas laterais
1 hélice quádrupla central
Velocidade: 21 nós (39 km/h)
Tripulação/Equipagem: 900
Passageiros: 2300

A Classe Olympic consistia em três navios transatlânticos britânicos encomendados pela White Star Line e construídos pelos estaleiros da Harland and Wolff em Belfast. Os três navios eram o RMS Olympic, RMS Titanic e HMHS Britannic (originalmente chamado de Gigantic). Os dois primeiros foram, um depois do outro, as maiores embarcações construídas até então, tanto em tonelagem quanto em comprimento. Os três irmãos foram projetados para realizarem a travessia do Oceano Atlântico e serem os navios mais luxuosos dos mares.

De todos os três, apenas o Olympic conseguiu completar sua primeira viagem comercial e ter uma longa e próspera carreira até ser aposentado em 1935. O Titanic acabou colidindo com um iceberg durante sua viagem inaugural e afundou na madrugada do dia 15 de abril de 1912. Já o Britannic foi requisitado pela Marinha Real Britânica e convertido a navio hospital na Primeira Guerra Mundial, afundando no mar Egeu em 21 de novembro de 1916.

Apesar de dois de seus três navios nunca terem conseguido uma carreira florescente, todas as embarcações da Classe Olympic estão entre os navios mais famosos da história. Elementos decorativos do Olympic adornam muitos lugares até hoje, com o Titanic servindo de inspiração para quinze filmes e inúmeros livros, enquanto o Britannic também inspirou um filme para televisão.

História[editar | editar código-fonte]

O Olympic (direita) e o Titanic (esquerda) em construção em Belfast.

A Classe Olympic tem suas origens na forte concorrência entre o Reino Unido e o Império Alemão sobre a construção de navios comerciais. A Norddeutscher Lloyd e a Hamburg-Amerika Linie, as duas maiores empresas alemãs do ramo, começaram no final do século XIX a entrar na corrida de construção dos maiores e mais velozes navios do mundo. O primeiro deles foi o SS Kaiser Wilhelm der Grosse da Norddeutscher, que ganhou em 1897 a Blue Riband pela travessia transatlântica mais rápida.[1] Esse recorde foi quebrado em 1900 pelo SS Deutschland da Hamburg-Amerika.[2] Em seguida a Norddeutscher lançou três navios irmãos do Kaiser Wilhelm der Grosse: o SS Kronprinz Wilhelm, SS Kaiser Wilhelm II e SS Kronprinzessin Cecilie. Para responder aos alemães a britânica Cunard Line colocou em serviço o RMS Mauretania e o RMS Lusitania, os mais velozes e luxuosos navios de passageiros construídos até então.[3]

A anglo-americana White Star Line não queria ficar atrás de seus concorrentes e decidiu responder. Entre 1901 e 1907 a empresa colocou em serviço os chamados Big Four, quatro navios que se concentravam em luxo e segurança ao invés de velocidade. Joseph Bruce Ismay, presidente da White Star, e lorde William Pirrie, 1.º Barão Pirrie e presidente dos estaleiros irlandeses da Harland and Wolff, decidiram em 1907 construir três navios de proporções e luxo inigualáveis: Olympic, Titanic e Gigantic. O projeto das embarcações ficou com os engenheiros navais Thomas Andrews e Alexander Carlisle.[4]

A construção do Olympic começou em 1908 e a do Titanic alguns meses depois em 1909. Os dois foram construídos lado a lado em um pórtico erguido especialmente para eles.[5] A construção do Gigantic começou em 1911 depois do lançamento dos dois primeiros. O terceiro irmão acabou renomeado para Britannic após o naufrágio do Titanic em abril de 1912, com o Olympic passando por grandes reformas e alterações.[6]

Características[editar | editar código-fonte]

Aspectos técnicos[editar | editar código-fonte]

As hélices e o leme do Titanic.

As três embarcações eram navios a vapor impulsionados por três hélices: duas laterais com três lâminas cada e uma central com quatro lâminas. As duas primeiras eram impulsionadas por motores convencionais de tripla-expansão com quatro cilindros, enquanto a terceira era movida por uma turbina.[7] O conjunto era alimentado por 29 caldeiras espalhadas em seis salas. O Olympic posteriormente teve suas caldeiras adaptadas ao final da Primeira Guerra Mundial para funcionarem a base de petróleo, permitindo uma grande economia de energia e a redução do número total de trabalhadores necessários para operar as máquinas.[8]

O Olympic, o Titanic e o Britannic tinham 269 metros de comprimento por 28 metros de largura e nove conveses de altura, sete dos quais eram destinados aos passageiros. A tonelagem total ficava por volta de 46 mil toneladas (o Britannic era o mais volumoso dos três e o Olympic o menos, porém sua tonelagem total aumentou depois de sua reformulação em 1912).[9] Todos os três foram equipados com quatro chaminés, com a última sendo falsa por motivos estéticos e de ventilação.[10]

Os dois primeiros navios foram equipados com turcos tipo Wellin, com o plano original de Carlisle tendo 64 botes salva vidas instalados ao longo do convés dos botes.[11] Entretanto, o Olympic e o Titanic foram equipados com apenas vinte botes (ainda assim mais do que a legislação da época exigia) para que o convés não ficasse muito lotado e que os passageiros tivessem um espaço confortável para caminhar.[12] O naufrágio do Titanic fez com que o Olympic fosse equipado com os 64 botes originais do projeto.[11] Já o Britannic, que na época ainda estava em construção, teve seu projeto alterado para que os botes fossem empilhados em enormes turcos, diferentes dos Wellin instalados em seus irmãos. O projeto total ditava oito turcos gigantes, com o número total de botes nunca tendo sido definido.[13] Sua conversão para navio hospital fez com que apenas cinco turcos gigantes fossem instalados, forçando a instalação de turcos Wellin temporários para acomodar o restante dos botes.[14]

Instalações dos passageiros[editar | editar código-fonte]

A Grande Escadaria do Olympic, idêntica ao do Titanic.

Os navios da Classe Olympic foram projetados para atender diferentes tipos de passageiros. Nenhuma classe ficou negligenciada, com as instalações da terceira classe sendo de um conforto equivalente à segunda classe de vários outros navios da época. Os passageiros da primeira classe desfrutavam de cabines luxuosas, algumas equipadas com casas de banho. Eles também tinham acesso a um grande salão de jantar, sala de fumar, café[15] e duas grandes escadarias,[16] além de uma piscina coberta, banhos turcos[17] e um ginásio.[18]

As duas primeiras classes tinham também dois conveses de passeio: o convés dos botes e o convés A. Enquanto o convés A do Olympic era totalmente aberto, o projeto do Titanic foi alterado para que ele tivesse um convés parcialmente fechado. Dessa forma também ficou possível distinguir facilmente os dois navios, que tirando isso eram praticamente idênticos.[19]

A segunda classe também se beneficiava de grande conforto, com cabines individuais equipadas com camas e aquecedores. Eles também tinham sua própria sala de fumar, uma biblioteca, sala de jantar e um elevador. Os projetos do Britannic também previam um ginásio próprio para a segunda classe.[20]

Por fim, a terceira classe desfrutava de um conforto incomparável. Em vez dos grandes dormitórios existentes na grande maioria dos outros navios, os passageiros da Classe Olympic tinham direito a pequenas cabines que acomodavam entre quatro a oito pessoas. Eles também tinha sua sala de fumar, duas áreas comuns e uma sala de jantar. Os planos eram para o Britannic apresentar instalações ainda mais confortáveis, apesar de um pouco menores.[21]

Navios[editar | editar código-fonte]

RMS Olympic[editar | editar código-fonte]

O Olympic em Nova Iorque ao final de sua viagem inaugural, 21 de junho de 1911.

O Olympic foi lançado ao mar 20 de outubro de 1910[22] e realizou sua viagem inaugural em 14 de junho de 1914.[23] Ele colidiu em setembro do mesmo ano com o cruzador HMS Hawke perto da Ilha de Wight, abrindo dois enormes buracos em seu casco. O navio voltou para a Harland and Wolff a fim de realizar reparos,[24] forçando o adiamento da primeira viagem do Titanic. Após o naufrágio do seu irmão em abril de 1912, o Olympic passou por uma série de alterações para melhorar sua segurança.[25]

Ele foi convocado pela Marinha Real Britânica na Primeira Guerra Mundial para servir como transporte de tropas. O Olympic bateu e afundou um submarino alemão em maio de 1918.[26] O navio voltou ao serviço comercial em 1920 junto com RMS Majestic e o RMS Homeric, ambos apreendidos da Alemanha.[27] O Olympic continuou sua carreira pela década de 1920 e o início da de 1930, recebendo o apelido de "Velho Confiável". Ele colidiu novamente contra um navio bombeiro em 1934 perto de Nantucket, matando sete tripulantes da embarcação menor. O Olympic foi aposentado em 1935 e desmontado em 1937.[25]

RMS Titanic[editar | editar código-fonte]

O Titanic em Southampton, abril de 1912.

O Titanic foi lançado ao mar em 31 de maio de 1911,[28] com seu comissionamento sendo adiado por causa dos trabalhos de reparo do Olympic.[29] O navio finalmente partiu para sua viagem inaugural em 10 de abril de 1912, por pouco evitando uma colisão com o SS New York enquanto deixava o porto de Southampton. Ele fez escala em Cherbourg-Octeville na França e em Queenstown na Irlanda, proseguindo para o oceano Atlântico com cerca de 2200 pessoas abordo sob o comando do capitão Edward Smith. A travessia ocorreu sem incidentes até a noite do dia 14 de abril.[30]

Às 23h40min do dia 14, os vigias Frederick Fleet e Reginald Lee avistaram um iceberg na frente do Titanic. Apesar de realizar uma manobra de desvio, o navio acabou colidindo com o gelo, que arrancou vários rebites do casco ao longo do lado estibordo. A água invadiu cinco compartimentos da proa, acabando com a flutuabilidade da embarcação e a fazendo afundar. O Titanic começou a ser evacuado, porém seus botes (que não tinham capacidade para todos abordo) não são preenchidos com a lotação máxima; pouco mais de setecentas pessoas conseguiram se salvar.[11] O navio se partiu em dois entre a terceira e quarta chaminés, afundando completamente por volta dàs 2h20min da madrugada do dia 15 de abril.[31]

Os sobreviventes foram resgatados pelo RMS Carpathia quatro horas depois do naufrágio.[32] Duas comissões de inquérito foram instauradas, uma americana e uma britânica,[33] que resultaram em grandes reformulações nas normas de segurança marítimas.[34]

HMHS Britannic[editar | editar código-fonte]

O Britannic como navio hospital durante a Primeira Guerra Mundial.

A construção do Gigantic começou em novembro de 1911,[35] porém foi paralisada com o naufrágio do Titanic. Os engenheiros foram forçados a realizar várias mudanças no projeto do navio a fim de aumentar sua segurança e corrigir falhas. Seu nome também foi alterado para Britannic, já que Gigantic foi consderado presunçoso demais.[36] Sua construção demorou mais que o esperado e ele foi finalmente lançado ao mar em 26 de fevereiro de 1914, com seu comissionamento estando previsto para a primavera de 1915. Entretanto, com o ínicio da Primeira Guerra Mundial o Almirantado Britânico convocou o Britannic e o converteu em um navio hospital.[37] Ele realizou sua primeira viagem até Dardanelos no Império Otomano, chegando em 23 de dezembro de 1915.[38] A embarcação serviu por mais seis meses até ser devolvida para a White Star Line, voltando para Belfast a fim de passar pelos trabalhos necessários para finalmente servir como um navio comercial. Entretanto, o Britannic foi reconvocado no final de agosto de 1916 e realizou mais duas viagens.[39]

Referências

  1. Le Goff 1998, pp. 22–23
  2. Le Goff 1998, pp. 24–25
  3. Le Goff 1998, pp. 32–33
  4. Chirnside 2004, p. 11
  5. Chirnside 2004, p. 14
  6. Piouffre 2009, p. 307
  7. Chirnside 2004, p. 30
  8. Le Goff 1998, p. 37
  9. Chirnside 2004, p. 308
  10. Histoire d'une cheminée Le Site du Titanic. Visitado em 20 de agosto de 2015.
  11. a b c Les canots de sauvetage du Titanic Le Site du Titanic. Visitado em 21 de agosto de 2015.
  12. Piouffre 2009, p. 39
  13. RMS Britannic Hospital Ship Britannic. Visitado em 21 de agosto de 2015.
  14. Hospital Ship Hospital Ship Britannic. Visitado em 21 de agosto de 2015.
  15. Le vie à bord du Titanic Le Site du Titanic. Visitado em 24 de agosto de 2015.
  16. Les escaliers de 1ère Classe du Titanic Le Site du Titanic. Visitado em 24 de agosto de 2015.
  17. Les Bains Turcs et la Piscine du Titanic Le Site du Titanic. Visitado em 24 de agosto de 2015.
  18. Le Gymnase du Titanic Le Site du Titanic. Visitado em 24 de agosto de 2015.
  19. Piouffre 2009, p. 63
  20. History Hospital Ship Britannic. Visitado em 24 de agosto de 2015.
  21. Third class areas Hospital Ship Britannic. Visitado em 27 de agosto de 2015.
  22. Chirnside 2004, p. 36
  23. Chirnside 2004, p. 47
  24. Piouffre 2009, p. 69
  25. a b Othfors, Daniel. Olympic The Great Ocean Liners. Visitado em 27 de agosto de 2015.
  26. Paul Chack, Jean-Jacques Antier. Maritime History of the First World War. [S.l.]: Empire, 1992. p. 778.
  27. Chirnside 2004, p. 308
  28. Piouffre 2009, p. 60
  29. Chirnside 2004, p. 135
  30. La chronologie du naufrage du Titanic Le Site du Titanic. Visitado em 27 de agosto de 2015.
  31. Othfors, Daniel; Ljungström, Henrik. Titanic The Great Ocean Liners. Visitado em 27 de agosto de 2015.
  32. Piouffre 2009, p. 193
  33. Les enquêtes sur le naufrage du Titanic Le Site du Titanic. Visitado em 27 de agosto de 2015.
  34. Les recommandations Mersey Le Site du Titanic. Visitado em 27 de agosto de 2015.
  35. Piouffre 2009, p. 307
  36. Chirnside 2004, pp. 217–218
  37. Chirnside 2004, p. 240
  38. Chirnside 2004, p. 244
  39. Chirnside 2004, pp. 246–247

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

O Commons possui uma categoria contendo imagens e outros ficheiros sobre Classe Olympic
  • Chirnside, Mark. The 'Olympic' Class Ships: Olympic, Titanic & Britannic. Stroud: Tempus, 2004. ISBN 0-7524-2868-3
  • Le Goff, Olivier. Les Plus Beaux Paquebots du Monde. [S.l.]: Solar, 1998. ISBN 2-263-02799-8
  • Piouffre, Gérard. Le Titanic ne répond plus. [S.l.]: Larousse, 2009. ISBN 9782035841964