HMHS Britannic

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HMHS Britannic
HMHS Britannic.jpg
Carreira  Reino Unido
Proprietário White Star flag NEW.svg White Star Line
Fabricante Harland and Wolff, Belfast
Construção 30 de novembro de 1911
Lançamento 26 de fevereiro de 1914
Comissionamento 23 de dezembro de 1915
Porto de registo Government Ensign of the United Kingdom.svg Liverpool
Estado Afundou perto de Ceos em 1916.
Outro(s) nome(s) Gigantic
Características gerais
Classe Transatlântico classe Olympic
Deslocamento 53.200 t
Tonelagem 48.158 t
Comprimento 269.1 m
Boca 28.7 m
Calado 10.5 m
Propulsão 2 hélices laterais de três lâminas
1 hélice central de quatro lâminas
Velocidade 23 nós (43 km/h)
Tripulação 860
Carga 675 como navio hospital

O HMHS Britannic foi um transatlântico inglês que serviu como navio-hospital durante a Primeira Guerra Mundial. Navegando ao largo da Grécia em 1916, colidiu com uma mina marítima, naufragando em cinquenta e cinco minutos.

O Britannic foi o terceiro e maior navio da Classe Olympic, o trio de navios da companhia White Star Line que compreendia o RMS Titanic e o RMS Olympic, construídos no estaleiro Harland and Wolff. O navio tinha as dimensões de 269 metros de comprimento, 28 metros de largura e 56 metros de altura. Tinha capacidade para 790 pessoas em primeira classe; 836 pessoas em segunda classe; 953 pessoas em terceira classe; e 950 pessoas de tripulação. Na sua capacidade total conseguia acomodar 3 529 pessoas. A sua velocidade máxima era de cerca de 22 nós. Pesava cerca de 50 mil toneladas.

História[editar | editar código-fonte]

No início do século XX era intensa a emigração para o então designado "novo mundo", como era denominado, à época, o continente americano (no caso, os Estados Unidos). Muitos procuravam uma nova oportunidade de vida e deixavam para trás a miséria e a fome do antigo mundo. A única forma de travessia era através de navios, e as companhias marítimas não demoraram muito para se aperceberem do mercado que estava diante delas. A luta foi intensa entre as companhias marítimas até o surgimento da aviação comercial no fim da década de 1940.

No início de 1900 duas grandes companhias inglesas disputavam palmo a palmo a supremacia no Atlântico Norte no transporte de passageiros, a Cunard e a White Star Line. A White Star Line viu a sua rival transpor o Atlântico com imensos e colossos navios que eram o RMS Mauretania e RMS Lusitania até que em 1909, quando teve início nos estaleiros da Harland & Wolff, em Belfast, a construção de um trio de gigantes. Os denominados Classe Olympic, que era composta pelo RMS Olympic e RMS Titanic seriam os maiores objetos móveis já construídos pelo homem. Os dois primeiros foram construídos em paralelo e o HMHS Britannic, somente em 1914. O Olympic, primeiro a ficar pronto (1911), seguido pelo Titanic (1912), logo após foi concluída a construção do Britannic (1914).

O Britannic foi construído em 1914. Os três navios da sua classe eram bastante semelhantes, principalmente no tamanho, distribuição e vista exterior. A maior diferença residia no peso. Os dois irmãos mais velhos (Olympic e Titanic), tinham cerca de 45 mil toneladas enquanto que o Britannic, devido às modificações que lhe foram efetuadas, de modo a que pudesse melhor resistir a embates (como, por exemplo, o casco duplo) e ao aumento do número de botes, entre outras causas, pesava quase 50 mil toleladas.

Construção[editar | editar código-fonte]

Motor da Turbina do Britannic sendo montada.

O Gigantic[1] (segundo algumas fontes, pensa-se que seria o nome inicial do navio) começou a ser construído em 30 de Novembro de 1911, na mesma plataforma que o Olympic foi feito.

A quilha do Britannic foi construída antes da viagem inaugural do Titanic, mas a construção foi paralisada depois que o Titanic afundou. Antes da retomada da construção, vários mudanças foram feitas ao Britannic, inclusive um casco duplo e anteparas à prova de água que alcançavam até o deck "B". Ele seria chamado de RMS Gigantic, mas foi mudado para HMHS Britannic logo após a catástrofe do RMS Titanic. Quando o trabalho foi reiniciado muitas mudanças estavam incorporadas nos planos finais. Estas incluíam:

  • Casco duplo, o que aumentou a largura do navio em dois pés (60 cm);
  • Fundo duplo, o fundo tinha normalmente cinco pés (1,5m) mas foi aumentado a seis pés (1,80 m);
  • O espaço entre o fundo interno e externo foi separado em compartimentos através de seis enormes vigas de aço longitudinais a fim de minimizar a ruptura do navio em caso de inundação. Essa medida prova que a hipótese de que o Titanic tenha se rompido enquanto afundava era real, não que ele afundou inteiro como os inquéritos americano e inglês apuraram;
  • As anteparas à prova de água foram estendidas do fundo até o deck "E" na parte dianteira do navio e até o deck "D" na parte de trás. Cinco dessas anteparas estenderam-se até o deck "B" e outras onze até o deck "E". Já não parecia mais importar para a companhia se as anteparas e as pesadas portas à prova de água se infiltrassem nos compartimentos da primeira classe;
  • Quatro filas de rebites, foram postas nas chapas, onde tensão seria maior;
  • Turcos de tamanho gigantes para os barcos salva-vidas;

Estas modificações fizeram com que o Britannic superasse a tonelagem bruta dos outros dois navios, com cerca de 49.765 toneladas. Como navio-hospital ele era aproximadamente 5% maior e provavelmente teria alcançado as 50.000 toneladas (aproximadamente 10% maior) quando convertido em transatlântico comercial. A White Star Line ficou obcecada com a segurança de seus navios depois do desastre do RMS Titanic.

H.M.H.S. Britannic - Gigantic[editar | editar código-fonte]

Localização dos Destroços.
Alguns sobreviventes a bordo do HMS Scourge.

O Britannic foi lançado em 26 de Fevereiro de 1914 e estava previsto começar a sua rota regular entre Nova Iorque e Southampton na primavera de 1915. Entretanto, com o início da Primeira Guerra Mundial, em 13 de novembro de 1915 ele foi requisitado pela Força Armada Inglesa, equipado para ser um navio hospital. Atracou em Liverpool no dia 12 de dezembro de 1915 debaixo de uma pesada escolta armada. Foi equipado para a função de navio hospital com 2.034 cabines e 1.035 camas para vítimas. Nele embarcou cerca de 52 médicos oficiais, 101 enfermeiras, 336 soldados, e uma tripulação de 675 homens e mulheres. O navio estava sob o comando do Capitão Charles A. Barrett. Barrett iniciou sua carreira na White Star Line em 1874 ocupando várias posições em navios de transporte como o Celtic, Teutonic, Oceanic e Georgic. Em 1903 ganhou o certificado de Mestres e com isso comandou transportes como o Germanic, Cedric, e o Republic. Era muito querido pelos seus passageiros, mas não pela diretoria da White Star Line, devido a sua excessiva preocupação com a segurança e não com a velocidade.

O Britannic foi comissionado como HMHS "His Majesty's Hospital Ship" (Navio Hospital da Vossa Majestade), em 12 de dezembro de 1915 em Liverpool passando em seguida para a sua primeira viagem em 23 de dezembro de 1915, com destino a Moudros. Ele foi juntar-se ao RMS Mauretania, RMS Aquitania, e seu irmão, o RMS Olympic. Juntos os cinco navios eram capazes de levar 17.000 doentes e feridos ou 33.000 soldados.

A quinta viagem teve novamente a escala Southampton, Nápoles e Mudros. No último dia dessa viagem o Britannic enfrentou mares revoltosos e tempestades. Após enfrentar as tormentas, retornou finalmente a Southampton com mais de 3 000 feridos. Após três viagens "transportando" feridos, o Britannic voltou a Belfast em junho de 1916 e foi devolvido a White Star Line.

O RMS Aquitania sofreu sérios danos durante a tempestade e teve que atracar para reparos. Por causa disso, quando estava sendo feitas as modificações do Britannic para interagir como navio de turismo, ele foi novamente solicitado pelo Almirantado Britânico e foi convocado para sua sexta viagem depois de quatro dias.

O Britannic partiu de Southampton no dia 12 de novembro de 1916, para a sua sexta viagem. O tempo estava tranquilo e não levava nenhum "passageiro".

Em 21 de Novembro de 1916, o Britannic saiu do porto de Nápoles em direção a Moudros. Perto das 08:00 da manhã quando passava pelo Canal de Kea no mar Egeu, houve uma enorme explosão na parte inferior do navio causada por uma mina posta lá duas semanas antes por um submarino alemão (U73). Este navio, sendo em tudo melhorado em relação ao Titanic, tinha estruturas mais fortes e eficientes que suportavam ter 6 de quaisquer porões inundados. Pensa-se que a mina tenha feito estragos em apenas dois porões mas, mais por mau funcionamento das comportas à prova de água, e por erros humanos como deixar as janelas inferiores abertas, devido ao forte calor (situação explicitamente proibida), o imenso navio afundou-se em cerca de 55 minutos (O Titanic levou 2 horas e 20 minutos). O Capitão experimentou encalhar o Britannic na Ilha de Kea, mas não teve sucesso. O maior transatlântico da Inglaterra, com apenas 351 dias de vida, naufragou em bem nenos tempo que se imaginava.

Com botes salva-vidas suficientes para cerca de 3000 passageiros, os 1066 presentes fizeram uma evacuação rápida. Houve apenas dois incidentes de lançamento dos botes: Dois botes que foram lançados com os motores do navio ainda em funcionamento, foram sugados pelas hélices do navio, o que resultou em sua destruição e na morte das pessoas que estavam a bordo deles.

A útlima pessoa a sair do navio foi o Capitão Bartlett que no último momento quando a água já estava na ponte do navio, e nadou até alcançar um bote onde pôde ver o restante do navio a afundar-se.

Ao todo 1 036 pessoas foram salvas e 30 perderam a vida.

Descoberta[editar | editar código-fonte]

Os destroços do grande navio descansam agora a 107 metros de profundidade ao largo da costa da Grécia (coordenadas: 37° 42' 05" N 24° 17' 02" E) encostado totalmente sobre o seu lado estibordo. Tão raso que a proa bateu no fundo antes dele afundar totalmente. Este foi descoberto e inicialmente explorado por Jacques Cousteau nos anos setenta. É considerado um cemitério de guerra e portanto a sua exploração é limitada embora acessível por mergulhadores. O interior encontra-se bem conservado.

O Britannic é hoje um dos maiores trânsatlanticos afundados. É fácil distinguir o Britannic de seus irmãos, devido aos gigantescos turcos de barco salva-vidas, e também porque a maioria das fotografias suas mostram ele todo pintado de branco com uma faixa verde pintada no casco de proa à popa, separada apenas por três grandes cruzes vermelhas de cada lado, designando-o como um navio hospital. O HMHS Britannic nunca chegou a exerce sua real função, como navio imigrante. Em 1998 uma expedição fotografou e filmou os destroços do Britannic.

Galeria[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. Bonner, Kit & Bonner, Carolyn (2003). Great Ship Disasters. MBI Publishing Company. p. 60. ISBN 0-7603-1336-9.

Ver também[editar | editar código-fonte]

Ligações externas[editar | editar código-fonte]