Danton (filme)
| Danton | |
|---|---|
| O Caso Danton[1] (prt) Danton - O Processo da Revolução[2] (bra) | |
| França · Polónia · Alemanha Ocidental 1982 • cor • 136 min | |
| Género | filme de drama ficção histórica |
| Direção | Andrzej Wajda |
| Produção | Margaret Ménégoz |
| Roteiro | Jean-Claude Carrière Jacek Gasiorowski Agnieszka Holland Andrzej Wajda |
| Elenco | Gérard Depardieu Wojciech Pszoniak Anne Alvaro Roland Blanche Patrice Chéreau |
| Música | Jean Prodomides |
| Cinematografia | Igor Luther |
| Idioma | língua francesa |
Danton - O Processo da Revolução (título original: Danton) é um filme franco-polonês-alemão de 1982, dos gêneros drama e ficção histórica, dirigido por Andrzej Wajda. O roteiro, de Jean-Claude Carrière com colaboração de Agnieszka Holland, é baseado na peça teatral The Danton Case da dramaturga polonesa Stanisława Przybyszewska.
O filme retrata os momentos finais da vida de Georges Danton, um dos líderes da Revolução Francesa, e seu confronto com Maximilien Robespierre e o Comitê de Salvação Pública, em um contexto de intensificação do Regime do Terror em 1794.
Sinopse
[editar | editar código]Na primavera de 1794 (Ano II da República Francesa), Georges Danton (interpretado por Gérard Depardieu) retorna a Paris. Ele encontra uma nação sob crescente repressão: o povo enfrenta a fome e o medo, enquanto o governo, liderado por Maximilien Robespierre (Wojciech Pszoniak) e o Comitê de Salvação Pública, intensifica as execuções em massa de supostos "contrarrevolucionários" no período conhecido como o Terror.
Danton, que ainda possui grande prestígio popular, defende a moderação, o fim dos excessos do Terror e o retorno aos ideais originais da Revolução. Seu antigo aliado, Robespierre, argumenta que o Terror é um instrumento indispensável para a preservação da República. A rivalidade política se acentua, culminando em disputas na Convenção Nacional e discursos inflamados.
Ao ver seus apoiadores sendo presos e executados, Danton busca um cessar-fogo político e uma anistia. Temendo perder o controle e sentindo-se ameaçado, Robespierre articula um julgamento-espetáculo, no qual Danton é acusado de conspiração, com manipulação de provas e cerceamento de seu direito de defesa.[3]
Elenco
[editar | editar código]Gérard Depardieu como Georges Danton
Wojciech Pszoniak como Maximilien Robespierre
Patrice Chéreau como Camille Desmoulins
Bogusław Linda como Louis Antoine de Saint-Just
Angela Winkler como Lucile Desmoulins
Emmanuelle Debever como Louison Danton
Andrzej Seweryn como François Louis Bourdon
Serge Merlin como Pierre Philippeaux
Roland Blanche como Jean-François Delacroix
Jacques Villeret como François Joseph Westermann
Anne Alvaro como Éléonore Duplay
Roger Planchon como Antoine Quentin Fouquier-Tinville
Franciszek Starowieyski como Jacques-Louis David
Alain Macé como François Héron
Contexto de Produção
[editar | editar código]O filme foi produzido em 1982, em um contexto de forte repressão política na Polônia. Em dezembro de 1981, o governo comunista polonês impôs a Lei Marcial, reprimindo o movimento sindical independente Solidariedade, do qual o diretor Andrzej Wajda era simpatizante. Diante da censura e perseguição a opositores, Wajda deixou temporariamente a Polônia e dirigiu o filme na França, onde encontrou um ambiente político de apoio ao Solidariedade, em particular no governo de François Mitterrand.
Embora se ambiente na Revolução Francesa[4], o filme funciona como uma alegoria das tensões políticas contemporâneas na Polônia. Georges Danton é metaforicamente associado ao espírito democrático do Solidariedade, enquanto Maximilien Robespierre simboliza o dogmatismo e o autoritarismo do Estado. Wajda utiliza a crítica aos métodos arbitrários do processo revolucionário francês – como a prisão e a censura – para denunciar a repressão na Polônia. O filme critica o modo como revoluções baseadas em ideais libertários podem degenerar em violência política e repressão, onde os governantes, ao cederem à "tentação do bem" idealizado, acabam por "devorar seus filhos".[5]
Crítica e análise
[editar | editar código]O filme Danton - O Processo da Revolução é amplamente reconhecido como uma crítica política que explora a inevitável corrupção do poder e a traição dos ideais revolucionários (Liberdade, Igualdade e Fraternidade). A obra argumenta que, sob o pretexto de proteger a nação, os governantes adotam a opressão que antes condenavam.[6]
Informações técnicas
[editar | editar código]A produção usa a caracterização para acentuar o contraste entre os protagonistas: Robespierre é retratado com casaco preto, peruca branca e uma postura que o aproxima da nobreza e do despotismo do Antigo Regime, simbolizando o revolucionário que se corrompeu; Danton, com manta marrom, botas simples e cabelo natural, é aproximado das classes populares, simbolizando o martírio e a defesa dos princípios originais da Revolução.
O filme emprega iconografia sutil (conhecida no cinema como easter eggs) para transmitir mensagens ocultas e reforçar a dualidade entre os personagens. A trilha sonora é descrita como melancólica e pessimista, enfatizando a falta de um futuro promissor. A recriação do período (início do século XIX) é considerada tecnicamente eficaz em cenários e locações.
Prêmios e Indicações
[editar | editar código]O filme teve significativa repercussão internacional, conquistando importantes premiações:[7]
| Premiação | Categoria | Vencedor(es) / Indicado(s) | Ano |
| BAFTA Awards | Melhor Filme Estrangeiro | Danton - O Processo da Revolução | 1984 |
| César Awards | Melhor Diretor | Andrzej Wajda | 1983 |
| César Awards | Melhor Filme | Indicado | 1983 |
| César Awards | Melhor Ator | Gérard Depardieu (Indicado) | 1983 |
| César Awards | Melhor Roteiro Adaptado | Indicado | 1983 |
| Montreal World Film Festival | Melhor Ator | Gérard Depardieu e Wojciech Pszoniak | 1983 |
| National Society of Film Critics Award | Melhor Ator | Gérard Depardieu | 1984 |
| London Film Critics' Circle | Melhor Diretor | Andrzej Wajda | 1984 |
| Festiwal Polskich Filmów Fabularnych w Gdynia | Prêmio da Crítica | Danton - O Processo da Revolução | 1984 |
O filme também alcançou um público de 1.392.779 pessoas na França.
Referências
- ↑ «O Caso Danton». no CineCartaz (Portugal)
- ↑ Danton - O Processo da Revolução no CinePlayers (Brasil)
- ↑ Danton, Gaumont, TF1 Films Production, Société Française de Production Cinématographique (S.F.P.C.), 12 de janeiro de 1983, consultado em 4 de dezembro de 2025
- ↑ HUNT, Lynn. Revolução Francesa e vida privada. In PERROT, Michelle (org.) História da Vida Privada, vol. 4.
- ↑ SEABRA, Silvana. Cinema, história, memória e verdade: found footage e apropriação em Wajda. LUMINA, Juiz de Fora, PPGCOM – UFJF, v. 14, n. 2, p. 7-21, mai./ago. 2020
- ↑ Campos, Fernando (26 de outubro de 2016). «Crítica | Danton - O Processo da Revolução». Plano Crítico. Consultado em 4 de dezembro de 2025
- ↑ «Foreign Language Film». Bafta (em inglês). Consultado em 4 de dezembro de 2025
- Filmes da França de 1982
- Filmes da Polónia de 1982
- Filmes de drama biográfico da França
- Filmes da Gaumont
- Filmes de drama biográfico da Polónia
- Filmes premiados com o BAFTA de melhor filme em língua não inglesa
- Filmes premiados com o César
- Representações culturais de Maximilien de Robespierre
- Representações culturais de Georges Jacques Danton
- Filmes dirigidos por Andrzej Wajda
- Filmes em língua francesa
- Filmes da Alemanha Ocidental