Domingo Sangrento (1905)

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Ir para: navegação, pesquisa
O massacre do Domingo Sangrento em São Petersburgo.
Trecho do filme soviético Devyatoe yanvarya ("9 de Janeiro") (1925) mostrando uma linha de soldados armados em frente a manifestantes que se aproximam ao Palácio de Inverno em São Petersburgo ( na época conhecida como Petrogrado).

Domingo Sangrento foi um massacre que aconteceu em 9 de janeiro de 1905 na cidade de São Petersburgo, no Império Russo, onde manifestantes pacíficos marcharam até ao Palácio de Inverno para pedir uma petição ao czar, mas foram baleados pela Guarda Imperial. A marcha foi organizada pelo padre George Gapon, que colaborou com Sergei Zubatov da Okhrana, a polícia secreta czarista, para destruir organizações de trabalhadores. Os grupos envolvidos nesse conflito foram a população no geral, os partidos e os movimentos revolucionários.

Prelúdio[editar | editar código-fonte]

No mês de dezembro anterior, uma greve aconteceu na fábrica Putilov. Simpatizantes em outras partes da cidade aumentaram o número de grevistas para cerca de 80 mil. Em 8 de janeiro, a cidade não tinha eletricidade ou jornais. Todas as áreas públicas foram declaradas fechadas. George Gapon, um padre ortodoxo russo que se interessava pelas condições vividas pelas classes trabalhadores e inferiores, organizou uma procissão pacífica de trabalhadores ao Palácio de Inverno para entregar uma petição ao czar. A petição, escrita por Gapon, deixava claros os problemas e opiniões dos trabalhadores, e pedia por melhores condições de trabalho, salários justos, redução da jornada de trabalho para oito horas e condenava as horas extras que os donos das fábricas forçavam os trabalhadores a cumprir. Outras demandas incluíam o fim da Guerra Russo-japonesa e a introdução do sufrágio universal. Tropas foram dispostas ao redor do Palácio de Inverno e em outros lugares. O czar deixou a cidade no dia 8 de janeiro e foi para Czarkoe Selo.

Massacre[editar | editar código-fonte]

No domingo, 22 de janeiro (O.S. 9 de janeiro) de 1905, trabalhadores em greve e suas famílias se reuniram em seis pontos na cidade de São Petersburgo, no Império Russo. Eles eram organizados e liderados pelo padre ortodoxo russo George Gapon. Segurando ícones religiosos e cantando hinos e canções patrióticas (particularmente Deus Salve o Czar), uma multidão de "mais de três mil"[1] pessoas prosseguiu sem interferência da polícia em direção ao Palácio de Inverno, residência oficial do czar. A multidão não sabia que o czar não estava no palácio. Os piquetes do exército perto do palácio lançaram tiros de advertência e, em seguida, dispararam diretamente contra a multidão para dispersá-la. Gapon foi alvo de tiros perto do Arco do Triunfo de Narva. Cerca de quarenta pessoas ao redor dele foram mortas, no entanto, ele não ficou ferido..[2] Embora o czar não estivesse no Palácio de Inverno ou mesmo na cidade e não tivesse dado a ordem para as tropas abrirem fogo, ele recebeu toda a culpa pelas mortes, resultando em uma onda de amargura do povo russo contra o czar e seu regime autocrático.

O número de mortos é incerto, mas as autoridades da época assumiram 930 mortos e 333 feridos; fontes anti-governo afirmam que os tiros mataram mais de quatro mil pessoas, estimativas moderadas ainda estipulam uma média de cerca de mil mortos e feridos, tanto pelos tiros quanto pisoteados pela população durante o pânico. Outra fonte observa que a estimativa oficial de mortos era de 130 pessoas.Há relatos que no dia até a neve ficou vermelha[3] O czar Nicolau II descreveu o dia como "doloroso e triste".[4] Conforme relatos, a desordem civil e saques explodiram por toda a cidade. A marcha de Gapon foi aniquilada naquele dia e ele rapidamente deixou a Rússia. De acordo com uma versão, ao voltar para a Rússia em outubro, Gapon é assassinado por ordem da Organização de Combate do Partido Social-Revolucionário depois que ele revelou ao seu amigo Pinhas Rutenberg que estava trabalhando para a Okhrana, a polícia secreta.[5]

Este evento foi classificado pelo embaixador britânico na época como um impulso para atividades revolucionárias na Rússia e contribuiu para a Revolução de 1905. O escritor Leo Tolstoy também foi afetado emocionalmente pelo incidente.[6]

Referências

  1. Gapon, Address to the Tsar, February 1905, in Ascher, The Revolution of 1915, Vol. 1
  2. Ascher, Abraham. The Revolution of 1905. Stanford, Calif.: Stanford UP, 1988. p. 91. Print
  3. Nicholas V. Riasanovsky, A History of Russia, 4ª edition, Oxford University Press, 1984, ISBN 0-19-503361-2
  4. Kurth, Peter. Tsar: the Lost World of Nicholas and Alexanda. Boston: Back Bay, 1998. p. 81
  5. Notes on Georgii Appolonovich Gapon (1870-1906), Northern Virginia Community College
  6. Rolland, Romain (1911). Life of Tolstoy (London: T. Fisher Unwin). p. 212. 

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

O Commons possui uma categoria contendo imagens e outros ficheiros sobre Domingo Sangrento (1905)
Ícone de esboço Este artigo sobre a Rússia é um esboço. Você pode ajudar a Wikipédia expandindo-o.