Acordo Sykes-Picot

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Ir para: navegação, pesquisa
Acordo Sykes-Picot
Zonas de influência francesa e britânica estabelecidas pelo Acordo Sykes-Picot
Zonas de influência francesa e britânica estabelecidas pelo Acordo Sykes-Picot
Autores Reino Unido Mark Sykes e
França François Georges-Picot
Signatários Reino Unido Edward Grey e França Paul Cambon
Sykes
Picot

O Acordo Sykes-Picot de 16 de maio de 1916[1] foi um ajuste secreto[2] entre os governos do Reino Unido e da França[3] que definiu as suas respetivas esferas de influência no Oriente Médio após a Primeira Guerra Mundial. Os limites estabelecidos pelo acordo ainda permanecem na maior parte da fronteira comum entre a Síria e o Iraque[4] .

O acordo foi negociado em novembro de 1915 pelo diplomata francês François Georges-Picot e pelo britânico Mark Sykes.

O Reino Unido recebeu o controle dos territórios correspondentes, grosso modo, à Jordânia e ao Iraque, bem como uma pequena área em torno de Haifa. A França ganhou o controle do sudeste da Turquia, da Síria, do Líbano e do norte do Iraque. As duas potências ficaram livres para definir as fronteiras dentro daquelas áreas.

A Palestina seria colocada sob administração internacional, aguardando consultas com a Rússia e outras potências.

Este acordo é visto por muitos como conflitante com a Correspondência Hussein-McMahon de 1915-1916. O conflito entre os dois acertos resulta do progresso da guerra: a correspondência refletia a necessidade de apoio árabe à Tríplice Entente, enquanto que o Acordo Sykes-Picot procurava recrutar o apoio dos judeus americanos para o esforço de trazer os EUA para a guerra ao lado da Entente, juntamente com a Declaração de Balfour de 1917.

O ajuste foi posteriormente ampliado para incluir a Itália e a Rússia. A primeira receberia algumas ilhas do Egeu e uma esfera de influência em torno de Esmirna, no sudoeste da Anatólia, enquanto que a segunda ficaria com a Armênia e partes do Curdistão. A presença italiana na Anatólia e a divisão dos territórios árabes foram em seguida formalizadas pelo Tratado de Sèvres, de 1920.

A Revolução Russa de 1917 invalidou as reivindicações da Rússia sobre o Império Otomano. Lênin tornou pública uma cópia do Acordo Sykes-Picot (até então secreto), bem como outros tratados, o que causou constrangimento entre os aliados e crescente desconfiança entre os árabes.

O acordo é visto por muitos como um ponto de inflexão nas relações entre os árabes e o Ocidente, já que contrariava as promessas feitas aos árabes através de T. E. Lawrence, no sentido de criar-se uma nação em território sírio em troca de apoio aos esforços de guerra britânicos contra o Império Otomano.

Os principais termos do acordo foram confirmados pela Conferência interaliada de San Remo, em 19-26 de abril de 1920, e pelo Conselho da Sociedade das Nações em 24 de julho de 1922, estabelecendo os mandatos britânico e francês correspondentes às áreas definidas pelo ajuste de 1916.

Referências

  1. «International Boundary Study - Jordan – Syria Boundary» (PDF). Department of State - USA. 30/12/1969. p. 8. Consultado em 25/03/2016. 
  2. Primary Documents - Sykes-Picot Agreement, 16 May 1916
  3. Fromkin, David (1989). A Peace to End All Peace: The Fall of the Ottoman Empire and the Creation of the Modern Middle East (New York: Owl). pp. 286, 288. ISBN 0-8050-6884-8. 
  4. A fragmentação do Oriente Médio Jornal de Londrina

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

O Commons possui uma categoria contendo imagens e outros ficheiros sobre Acordo Sykes-Picot


Ver também[editar | editar código-fonte]

Tratado de Sèvres

Tratado de Lausanne