Batalha de Caporetto

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Batalha de Caporetto
Campanha italiana (Primeira Guerra Mundial)
Battle of Caporetto.jpg
Data 24 de outubro - 9 de novembro de 1917
Local Kobarid, Eslovênia
Desfecho Derrota italiana
Beligerantes
Flag of Italy (1861-1946) crowned.svg Reino de Itália Flag of Austria-Hungary (1869-1918).svg Império Austro-Húngaro
Flag of the German Empire.svg Império Alemão
Comandantes
Flag of Italy (1861-1946) crowned.svg Luigi Cadorna
Flag of Italy (1861-1946) crowned.svg Luigi Capello
Flag of Austria-Hungary (1869-1918).svg Svetozar Borojević von Bojna
Flag of the German Empire.svg Otto von Below
Forças
400 000 soldados[1] 350 000 soldados[1]
Baixas
10 000 mortos
30 000 feridos
265 000 capturados[2]
70 000 mortos ou feridos[2]

A Batalha de Caporetto (ou Batalha de Karfreit como foi chamada pelos alemães), aconteceu de 24 de outubro a 9 de novembro de 1917, no local próximo a cidade atual de Kobarid, (Eslovênia). Se confrontaram os exércitos do Império Austro-Húngaro e de seus aliados alemães contra os do Reino de Itália. Na batalha foram usadas novas estratégias alemãs para a guerra de trincheiras, desenvolvidas por Oskar von Hutier.[3]

A batalha[editar | editar código-fonte]

A situação no fronte italiano na Primeira Guerra Mundial seguia num impasse estratégico mas após inúmeras batalhas ao longo do rio Isonzo, parecia que os italianos poderiam quebrar as linhas de defesa dos Austro-Húngaros. O comandante alemão, Paul von Hindenburg, contudo, não iria deixar que os Aliados sobrepujassem a Áustria. Hindenburg estava determinado a manter o seu aliado no conflito e planejou enviar o exército imperial alemão para intervir no fronte italiano em favor dos austro-húngaros. Em setembro de 1917, o Estado-Maior Alemão decidiu atacar a região de Caporetto, considerado um setor tranquilo. Para a ofensiva foi juntado seis divisões alemãs, sob comando do general Otto von Below, e nove divisões austro-húngaras, sob a liderança do marechal Svetozar Boroević.[4]

A ofensiva começou a 24 de outubro de 1917, após um atraso devido ao mau tempo. Os alemães usaram, além de artilharia convencional, vários agentes químicos, como cloro, arsênio e difosgênio, cobrindo de gás tóxico as trincheiras italianas. Mais de dois mil canhões abriam fogo enquanto as tropas das Potências Centrais avançavam. Os ataques iniciais não sofreram grande resistência, mas nos flancos os italianos se reagrupavam e contra-atacavam. Contudo, as forças do general von Below prosseguiam marchando pelo centro, quebrando a coesão das linhas italianas, ameaçando o colapso de toda a frente de batalha.[5][6]

O general Luigi Capello, que comandava suas tropas febril, percebeu que seus homens não tinham condições de continuar lutando. Ele queria autorizar uma retirada até o rio Tagliamento, mas o marechal Luigi Cadorna não autorizou tais movimentos. Enquanto isso, os alemães continuavam avançando com impunidade. Seus soldados estavam descansados e melhor armados se comparado aos seus oponentes. O exército alemão possuía, por exemplo, a versão móvel da metralhadora MG 08 e vários de seus homens carregavam modernos lança-chamas, granadas de mão e morteiros leves. Os italianos, exauridos depois de dois anos de violentos combates na fronteira montanhosa com a Áustria, não podiam fazer frente ao determinado inimigo e estavam a beira do colapso. Foi somente a 30 de outubro que Cadorna finalmente ordenou a retirada até o Tagliamento. Levou quatro dias para os italianos cruzarem o rio, com os alemães e austro-húngaros no seu encalço. Em dois de novembro, tropas alemãs estabeleceram uma cabeça de praia no Tagliamento. Contudo a ofensiva começou a perder força, principalmente devido as suas linhas de suprimentos estarem bastante esticadas naquela altura. Assim, os alemães tiveram de se detiver, dando tempo para o marechal Cadorna recuar todos os seus homens em boa ordem e coloca-los em posição defensiva ao longo do rio Piave e no Monte Grappe, onde os Aliados finalmente detiveram os austro-húngaros. Os alemães, naquele momento, já não tinham mais recursos para se manter na ofensiva e perderam a iniciativa. Ainda assim, a batalha em Caporetto foi um sucesso para as Potências Centrais.[4]

Os italianos sofreram pesadas baixas. Pelo menos 10 000 soldados foram mortos, com outros 30 000 feridos e 265 000 aprisionados. Os austro-húngaros e alemães avançaram mais de cem quilômetros em direção a Veneza antes de se detiverem no Rio Piave. Ali, os italianos, reforçados por tropas francesas, britânicas e estadunidenses, conseguiram estabelecer uma forte linha defensiva (Batalha do Rio Piave) que mais tarde serviu de apoio na Batalha de Vittorio Veneto, onde o exército austro-húngaro foi derrotado de forma decisiva.[6]

A batalha levou à conferência de Rapallo e à criação do Supremo Conselho da Guerra, no qual os Aliados unificaram suas estratégias e melhoram as operações conjuntas.

Luigi Cadorna, que era o chefe das forças italianas, não resistiu ao vexame em Caporetto e foi dispensado do seu posto de comando e foi substituído por Armando Diaz e Pietro Badoglio.

Após a batalha, o termo "Caporetto" ganhou uma conotação na língua italiana no sentido de derrota e desastre.

A sangrenta batalha foi descrita por Ernest Hemingway em seu romance A Farewell to Arms (Adeus às Armas).

O comandante alemão Erwin Rommel participou da batalha e fez fama no exército alemão liderando sua companhia e capturando mais de 3 000 italianos. Ele brilhou, por exemplo, na tomada do Monte Matajur, a sudoeste de Caporetto.[carece de fontes?]

Fotos[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. a b Tucker, Spencer C. (11 de novembro de 2010). Battles That Changed History: An Encyclopedia of World Conflict. Estados Unidos: ABC-CLIO. p. 430. ISBN 978-1-59884-429-0. Consultado em 16 de setembro de 2012 
  2. a b Tucker, Spencer C.; Roberts, Priscilla Mary (25 de outubro de 2005). World War I: A Student Encyclopedia. Estados Unidos: ABC-CLIO. p. 431. ISBN 1-85109-879-8. Consultado em 5 de agosto de 2012 
  3. Seth, Ronald (1965). Caporetto: The Scapegoat Battle. Macdonald. p. 147
  4. a b Andreopoulos, George J.; Harold E. Selesky (1994). The Aftermath of Defeat: Societies, Armed Forces, and the Challenge of Recovery. [S.l.]: Yale University Press. ISBN 9781852851668. Consultado em 17 de março de 2016 
  5. Schindler, John R. (2001). Isonzo: The Forgotten Sacrifice of the Great War. [S.l.]: Greenwood. ISBN 9780275972042 
  6. a b Tucker, Spencer (2010). Battles That Changed History: An Encyclopedia of World Conflict. [S.l.]: ABC-CLIO. ISBN 9781598844290 

Ver também[editar | editar código-fonte]

Bibliografia (em inglês)[editar | editar código-fonte]

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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