Operação Faustschlag

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Saltar para a navegação Saltar para a pesquisa
Operação Faustschlag
Parte da Frente Oriental da Primeira Guerra Mundial
Kamianets-Podilskyi-1918.jpg
Tropas austro-húngaras avançando na cidade de Kamianets-Podilskyi, no oeste da Ucrânia.
Data 18 de fevereiro3 de março de 1918
Local Oeste da Rússia, da Ucrânia, de Belarus e dos Países Bálticos
Desfecho Vitória decisiva das Potências Centrais
Combatentes
Potências Centrais: Flag of the Russian Soviet Federative Socialist Republic (1918–1937).svg Rússia Soviética
Líderes e comandantes
Flag of the German Empire.svg Max Hoffmann Flag of the Russian Soviet Federative Socialist Republic (1918–1937).svg Nikolai Krylenko
Forças
c. 53 divisões Desconhecidas

A Operação Faustschlag ("Soco de Punho"), também conhecida como "Guerra dos Onze Dias", foi uma grande ofensiva das forças das Potências Centrais contra a Rússia Soviética, durante a Primeira Guerra Mundial. Foi do final de fevereiro de 1918 até o começo de março do mesmo ano e acabou sendo a última grande investida, feita por qualquer lado, da Frente Oriental e foi responsável por tirar os russos da guerra.[1]

Eventos[editar | editar código-fonte]

Após os bolcheviques ganharem o poder na Rússia após a Revolução de Outubro, em 1917, eles anunciaram que encerrariam a participação do seu país na Primeira Grande Guerra e iniciariam negociações de paz com a Alemanha. As conversas oficialmente começaram em 3 de dezembro, na cidade de Brest-Litovsk, e prosseguiram pelo mês inteiro. As Potências Centrais exigiam enormes concessões territoriais, incluindo grandes áreas na Polônia, Lituânia e no oeste da Letônia. Os bolcheviques se recusaram e as conversações pararam. Leon Trotsky sabia das tensões dentro do Império Alemão e acreditava que uma revolução poderia acontecer por lá. Ele defendia a política de "nem paz, nem guerra", esperando as tensões desescalarem, e em janeiro de 1918 declarou a Rússia fora da guerra. A Alemanha achou isso inaceitável e o general Max Hoffmann começou a mobilizar suas tropas. Já o comandante soviético Nikolai Krylenko estava no caminho oposto, desmobilizando seus soldados e lentamente reorganizando suas unidades. Eventualmente, ele dispersou a maioria dos seus homens, deixando o fronte razoavelmente desguarnecido.[2]

Tropas alemãs em Kiev, em março de 1918.

Em 18 de fevereiro de 1918, o exército alemão, apoiado pelos austro-húngaros, começaram sua ofensiva, codinome Faustschlag, com 53 divisões na linha de frente. Os ataques iniciais se moviam em direção as cidades de Narva, Smolensk e Kiev. Em boa parte, os avanços das Potências Centrais não encontraram tanta resistência e cidades como Daugavpils caíram sem muito esforço. Minsk caiu após três dias de ofensivas e logo em seguida, após a destruição do exército russo do sul, foi a vez da cidade de Jitomir ser tomada. Em 2 de março, Kiev foi ocupada. O avanço das Potências Centrais parecia implacável, com as tropas alemãs a apenas 160 km de Petrogrado, forçando os bolcheviques a mudar sua de facto capital para Moscou. O general Hoffmann teria zombado dos russos e salientou sua surpresa em conquistar uma vitória tão fácil. Em 2 de março, os alemães e os austro-húngaros já ocupavam grandes porções da Ucrânia, de Belarus e dos Países Bálticos.[3]

O fato era que a Rússia Soviética pós-revolução continuava um caos. Seus exércitos não tinham qualquer condição de resistir e com a sombra da guerra civil se aproximando, o governo bolchevique estava mais preocupado em se perpetuar no poder do que defender o território do país. Embora, em Petrogrado, ainda havia aqueles que defendiam a continuidade do conflito contra os alemães, Lenin e Trotsky discordavam, sabendo que não havia condições de vencer. Com territórios como a Estônia proclamando independência e o caos se instaurando no oeste, o conselho soviético decidiu aceitar os termos alemães para a paz, o que levou a assinatura do Tratado de Brest-Litovski (3 de março de 1918).[4]

Referências

  1. Gilbert, Martin (2008). The First World War: A Complete History. [S.l.]: Phoenix. ISBN 9781409102793 
  2. Woodward, David R. (2009). World War I Almanac. [S.l.]: Infobase Publishing. ISBN 9781438118963 
  3. Parrott, Andrew (2002). «The Baltic States from 1914 to 1923: The First World War and the Wars of Independence» (PDF). Baltic Defence Review. Consultado em 22 de fevereiro de 2018 
  4. Raffass, Tania (2012). The Soviet Union - Federation or Empire?. [S.l.]: Routledge. ISBN 9781136296437