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Campanha da África Ocidental (Primeira Guerra Mundial)

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Campanha da África Ocidental
Primeira Guerra Mundial
Data3 de Agosto de 1914 - Fevereiro de 1916
LocalCamarões, Togolândia
DesfechoVitória Aliada
Beligerantes
Reino Unido Império Britânico
França França
Império Alemão Império Alemão
Comandantes
Reino Unido Charles Macpherson Dobell[1]
Reino Unido Ten.-Cor. F.C. Bryant (Togolândia)
Reino Unido Cor. E.H. Gorges (Camarões)
França Brig. Joseph Aymerich[1]
França Cor. Mayer (Togolândia)
França Cor. Brisset (Camarões)
Império Alemão Gen. Karl Zimmermann (Camarões)
Império Alemão Maj. Hans-Georg von Döring (Togolândia)[2]
Império Alemão Cap. Georg Pfähler (Togolândia)  [3]
Forças
Camarões

Togolândia

  • França 500 homens
  • Reino Unido 600 homens[5]
Camarões
  • 3 400 em 1914,[6]
  • 6 000 homens em Novembro de 1915[1]

Togolândia

  • 1 500 (incluindo reservas e auxiliares)
Baixas
Togolândia
  • Forças Europeias:
    mortos: 44
    feridos: 77
  • Forças Africanas:
    mortos: 474
    feridos: 1 110[7]
Camarões

Togolândia

  • Forças Africanas:
    2 000 (est.)1)

A Campanha da África Ocidental da Primeira Guerra Mundial consistiu em duas operações militares, de dimensão relativamente pequena, cujo objectivo era a captura das colónias alemãs na região Oeste de África: Togolândia e Camarões, protectorados explorados pela Companhia Alemã da África Ocidental. A Togolândia foi capturada em poucas semanas em 1914, mas os Camarões resistiram até Fevereiro de 1916.[1]

O Império Britânico, com um quase total controlo dos mares, tinha a força e os recursos para conquistar as colónias alemãs com a guerra começou. As duas colónias alemãs na África Ocidental estavam há poucos anos sob o domínio germânico e as suas defesas eram insuficientes. Estas duas colónias faziam fronteira com outros territórios que, por sua vez, eram colónias de outros estados europeus como o Reino Unido, França e Bélgica. A 22 de Agosto de 1914, os Aliados decidiram organizar uma operação combinada para capturar aquelas colónias, e foi decidido que essa operação seria comandada pelo general britânico, Charles Dobell.[1]

Togolândia

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Campanha da Togolândia.

Esta pequena colónia situada no actual território do Togo, foi conquistada em pouco tempo, em 1914, por uma força militar da Costa do Ouro Britânica (actual Gana), e outra força, também de pequena dimensão do Daomé francês (actual Benim). Oficialmente, a colónia não tinha forças militares, apenas 700 paramilitares, polícia e guardas de fronteira no início da guerra.[2]

Depois do pedido de rendição feito pelos Aliados à Togolândia, a 6 de Agosto, ter sido recusado, as forças britânicas e francesas entraram na colónia a 9 de Agosto.[9] A 12 de Agosto, os britânicos cercaram Lomé e grande parte da costa sem qualquer resistência. De seguida, avançaram para norte, perseguindo as tropas alemãs que tinham fugido para Kamina, uma estação de comunicações vital para as ligações entre a Alemanha, a sua marinha e as outras colónias africanas. Os alemães, pelo seu lado, destruíram as pontes de caminho-de-ferro que levavam a Kamina, abrandando, assim, o avanço britânico.

A primeira, e única, acção com significado durante a invasão foi a Batalha de Chra a 22 de Agosto entre os britânicos e as forças alemãs entrincheiradas, que tentavam bloquear o avanço britânico para Kamina.[9] As forças britânicas tinham pela frente cerca de 60 alemães e 500 soldados togoloses entrincheirados na margem oposta do rio Chra. A força germânica conseguiu suster a sua linha de defesa durante dois dias até recuar para Kamina. As forças britânicas tiveram 23 mortos e 52 feridos, enquanto os alemães apenas 13.[10]

A estação de rádio de Kamina foi demolida pelos alemães a 24 de Agosto de 1914. À medida que os Aliados avançavam, o comandante alemão local, major Hans-Georg von Döring, rendeu-se três dias mais tarde. As forças britânicas lideradas pelo coronel Bryant encontraram a estação completamente destruída e fizeram 200 prisioneiros alemães e togoleses.[11] A operação terminou no dia 26 de Agosto.[7] John Keegan identificou as duas unidades Aliadas como sendo a Royal West African Frontier Force e aTirailleurs senegalais.[12]

Camarões

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Campanha dos Camarões à data de Agosto de 1915

Camarões (actual Camarões e parte da actual região leste da Nigéria), tinha uma guarnição de 1 000 soldados alemães apoiados por 3 000 soldados africanos. Inicialmente, os britânicos atacaram fora da Nigéria seguindo três rotas diferentes a leste para os Camarões. Contudo, todas as três colunas foram derrotadas devido a uma combinação do terreno, percursos difíceis e emboscadas pelos alemães. Os franceses atacaram a sul do Chade e capturaram Kusseri. No início de Setembro, uma força franco-belga, na sua maioria do Congo Belga, capturou Limbe na costa.Com a ajuda de quatro cruzadores britânicos e franceses, que providenciavam fogo de apoio, juntamente com an improvised flotilla of costal and riverine craft, os Aliados capturaram a capital colonial de Douala a 27 de Setembro de 1914. A guarnição alemã em Garoua caiu nas mãos dos britânicos em Junho de 1915.[1]

O único foco de resistência era agora Yaounda (actual Yaoundé), mas os Aliados tinham que aguardar pela estação seca para o terreno estar em condições de avançarem numa nova ofensiva. A força franco-belga seguiu a ferrovia alemã, onde encontrou resistência que foi sempre ultrapassada. Em Novembro, Yaoundé foi capturada. A maioria dos soldados alemães sobreviventes recuaram para a Guiné Espanhola (actual Guiné Equatorial), que era território neutro. Aí, foram acolhidos pelos espanhóis durante o resto da guerra. O último forte alemão nos Camarões, Mora, rendeu-se em Fevereiro de 1916.[13]
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O filme de 1976 Black and White in Color, realizado por Jean-Jacques Annaud, apresentou uma perspectiva de ficção da campanha. Anti-militarista, mostra mercadores franceses e britânicos, pacíficos, a matarem-se uns aos outros apenas porque era suposto que assim fosse. Posteriormente, tropas Indianas, lideradas por oficiais britânicos, chegam para levar o que resta.

Notas

Referências

  1. a b c d e f Gorges (1930)
  2. a b Strachan (2004) p.14
  3. Strachan (2004) p.17
  4. «The German Colony of Cameroon». Consultado em 18 de Setembro de 2011 
  5. Sebald, Peter (1988). Togo 1884–1914. Berlin: [s.n.] p. 595 
  6. «Far From Home – The Fighting in Kamerun 1914–1916». Consultado em 18 de Setembro de 2011 
  7. a b Moberly (1931) Military Operations. Togoland and the Cameroons, 1914–1916, p.426
  8. Erlikman, Vadim (2004). Poteri narodonaseleniia v XX veke : spravochnik. Moscow: [s.n.] ISBN 5-93165-107-1 
  9. a b Strachan (2004) p.16
  10. "The Soldier's Burden." The Soldier's Burden. Web. <http://www.kaiserscross.com/188001/300143.html>.
  11. "The Soldier's Burden." The Soldier's Burden. Web. <http://www.kaiserscross.com/188001/300143.html>
  12. Keegan, "World War I", p. 206
  13. Keegan, "World War I", p. 207

Bibliografia

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  • Gorges E.H. (1930) The Great War in West Africa, Hutchinson & Co. Ltd., London; Naval & Military Press, Uckfield, 2004: ISBN 1-84574-115-3
  • Moberly F.J. (1931) Togoland and the Cameroons 1914–1916, the official history, HMSO, London
  • Paice, Edward (2007) Tip and Run: The Untold Tragedy of the Great War in Africa, Weidenfeld & Nicolson, London: ISBN 0-297-84709-0
  • Strachan, Hew (2004) The First World War in Africa, Oxford University Press, Oxford: ISBN 978-0199257287
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