Eadweard Muybridge

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Eadweard Muybridge
Eadweard J. Muybridge
Nome completo Edward James Muggeridge
Nascimento 9 de abril de 1830
Inglaterra Kingston upon Thames, Inglaterra
Morte 8 de maio de 1904 (74 anos)
Inglaterra Kingston upon Thames, Inglaterra
Nacionalidade Inglaterra inglesa
Ocupação fotógrafo
Cavalo em movimento

Eadweard J. Muybridge (play /ˌɛdwərd ˈmbrɪ/; 9 de abril de 18308 de maio de 1904), nascido Edward James Muggeridge, foi um fotógrafo inglês conhecido por seus experimentos com o uso de múltiplas câmeras para captar o movimento, além de inventor do zoopraxiscópio, um dispositivo para projetar os retratos em movimento que seria o precursor da película de celulóide, usada ainda hoje.

Vida e carreira[editar | editar código-fonte]

Muybridge nasceu em Kingston, Inglaterra, como Edward James Muggeridge. É possível que tenha mudado seu nome para a forma original anglo-saxã com o propósito de combinar com o nome do rei Eadweard. Embora não tendo efetuado essa alteração até meados de 1870, mudou seu sobrenome para Muygridge, seguido por Muybridge, no lançamento de sua carreira fotográfica.

Em 1855, chegou a San Francisco, Estados Unidos, começando sua carreira como agente e livreiro de um editor. Deixou a cidade no fim da mesma década e, após um acidente em que sofreu lesões em sua cabeça, acabou retornando à Inglaterra por alguns anos. Reapareceu em San Francisco em 1866, já com o sobrenome Muybridge, e tornou-se rapidamente bem sucedido na profissão de fotógrafo, concentrando-se em paisagens e assuntos arquitetônicos.

Fotografando o Oeste[editar | editar código-fonte]

Bisão americano ("bufalo") galopando

Muybridge começou a criar sua reputação em 1867, com fotos do Parque Nacional de Yosemite (das quais muitas reproduziam algumas cenas já fotografadas por Carleton Watkins) e da cidade de San Francisco. Muybridge tornou-se rapidamente famoso por estas fotos, que mostravam a grandiosidade do oeste. As imagens foram publicadas sob o pseudónimo de "Helios".

No verão de 1868, Muybridge organizou uma comissão para fotografar uma das expedições do exército dos Estados Unidos ao Alasca, território recém adquirido. Em 1871, a California Geological Survey convidou Muybridge para fotografar. Nesse mesmo ano se casa com Flora Stone. Em 1873, a Central Pacific Railroad avança dentro do território dos índios e o exército americano convoca Muybridge para fotografar a Guerra Modoc.

Stanford e a questão do galope[editar | editar código-fonte]

Em 1872, o ex-governador da Califórnia Leland Stanford, homem de negócios e apreciador de corridas de cavalo, tomou uma posição popularmente debatida: afirmou que todos os quatro cascos de um cavalo deixavam a terra ao mesmo tempo durante o galope. Stanford tomou esse partido e decidiu provar cientificamente sua afirmação, procurando Muybridge e o empregando para resolver a questão.[1]

Para provar a afirmação de Stanford, Muybridge desenvolveu um esquema para a captação instantânea de imagens. Seu trabalho envolveu fórmulas químicas para o processamento fotográfico e um disparador elétrico criado por John D. Isaacs, que conseguiu realizar o projeto do disparador fora de cada câmera, há muito tempo imaginado por Muybridge.

Sequência de um cavalo galopando, por Muybridge.

Em 1877, a questão de Stanford foi finalmente resolvida com uma única foto do cavalo de corrida 'Occident' (de propriedade de Stanford), "voando" em meio ao galope.

No ano de 1878, com o patrocínio de Stanford para expandir o experimento, Muybridge fotografou com sucesso o galope de um cavalo quadro a quadro, usando uma série de 24 câmeras. A primeira experiência com sucesso ocorreu em 11 de junho, com a imprensa presente. Foi utilizada uma série de 12 câmeras estereoscópicas, a uma distância de 21 polegadas umas das outras para cobrir os 20 pés tomados por um passo do cavalo, tomando retratos em um milésimo de um segundo.

Essa série de fotos, tiradas onde hoje é a Universidade Stanford, foram chamadas The Horse in Motion, e mostra que todos os cascos ficam fora da terra - embora não com as patas completamente estendidas, como os ilustradores contemporâneos tenderam a imaginar, mas um pouco dobradas sob o cavalo, "puxando" as patas dianteiras e "empurrando" as traseiras.

O relacionamento entre Muybridge e Stanford teve ruptura em 1882, quando o político publicou "The Horse in Motion as Shown by Instantaneous Photography", no qual omite fotografias reais de Muybridge, confiando nos desenhos e gravuras baseadas nas fotografias, além de dar escassos créditos ao fotógrafo pelo seu trabalho.

Assassinato de Harry Larkyns[editar | editar código-fonte]

Em 1874, morando em San Francisco, Muybridge descobriu que sua esposa mantinha um relacionamento extraconjugal com Major Harry Larkyns. Em outubro daquele ano ele procurou Larkyns e teria dito: "Good evening, Major, my name is Muybridge and here is the answer to the letter you sent my wife" (Boa noite Major, meu nome é Muybridge e aqui está a resposta para a carta que você enviou para minha esposa); Ele então matou o Major com um tiro de espingarda.[2]

Muybridge, que foi absolvido do assassinato por este ser considerado "um homicídio justificável", acreditava que Larkyns era o verdadeiro pai de seu filho - embora o menino, quando adulto, tivesse uma semelhança notável com o fotógrafo. O inquérito interrompeu suas experiências com fotografias equestres, mas não seu relacionamento com Stanford, que pagou por sua defesa.

Um interessante aspecto da defesa de Muybridge foi o argumento de demência devido a uma lesão em sua cabeça. Os amigos demonstraram que o acidente mudou sua personalidade, passando de genial para instável e errático. O júri aceitou a argumentação, e não é improvável que Muybridge tenha experimentado as mudanças emocionais devido a danos no córtex pré-frontal, associado frequentemente a lesões traumáticas na cabeça.

Após a absolvição, deixou os Estados Unidos e passou a fotografar na América Central, retornando em 1877. Teve seu filho Florado Helios Muybridge ("Floddie"), posto em um orfanato. Ao se tornar adulto, Floddie trabalhou como rancheiro e jardineiro, vindo a falecer em 1944, vítima de um acidente de carro.[3]

Esse episódio na vida de Muybridge é assunto de The Photographer, uma ópera de 1982 escrita por Philip Glass.

Zoopraxiscópio[editar | editar código-fonte]

Mulher descendo as escadas.

Esperando capitalizar a atenção do público aos seus retratos, Muybridge inventou o Zoopraxiscópio, uma máquina similar ao Zootrópio, mas onde as imagens possuíam um movimento realístico. O sistema foi o precursor do desenvolvimento da película de filme e suas apresentações foram aclamadas pelas audiência do público e dos cientistas.

Na Exposição Universal de 1893, em Chicago, Muybridge deu uma série de palestras sobre locomoção animal no salão Zoopraxográfico, construído especialmente para essa finalidade. Usou seu zoopraxiscópio para mostrar seus retratos em movimento a um público pagante, que fez com que o salão fosse considerado o primeiro cinema comercial.[4]

Um casal em movimento

Na Universidade da Pensilvânia e no zoológico local, Muybridge usou uma série de câmeras para fotografar pessoas e animais, e estudar seu movimento. Os modelos, ou inteiramente nus ou com roupa muito pequenas, foram fotografados em uma variedade de empreendimentos, variando do encaixotamento ao passeio abaixo das escadas. Entre 1883 e 1886, fez um total de 100 000 imagens, trabalhando sob os auspícios da Universidade. Foram publicados como 781 placas que compreendem 20 000 fotografias em uma coleção intitulada "Animal Locomotion".[4] Muybridge trabalhou lado a lado com o início da ciência da biomecânica e da mecânica dos atletas.

Recentemente, tem-se agregado a influência de Étienne Jules Marey em seu trabalho. Muybridge visitou o estúdio de Marey na França e viu estudos de stop-motion que ele realizava, antes de retornar aos Estados Unidos para promover seu próprio trabalho na mesma área. Entretanto, visto que as realizações científicas de Marey nos reinos da cardiologia e da aerodinâmica (assim como a abertura de caminhos do trabalho na fotografia e na cronofotografia) são indisputáveis, os esforços de Muybridge eram a algum grau mais artísticos do que científicos. O próprio Muybridge explicou, em algumas de suas sequências publicadas, que substituiu as imagens onde as exposições não ilustravam um movimento representativo.

Morte[editar | editar código-fonte]

Eadweard Muybridge retornou à Inglaterra em 1894, publicou dois livros e faleceu em 8 de maio de 1904. Foi cremado e suas cinzas enterradas em Woking.

Legado[editar | editar código-fonte]

  • Muitas de suas sequências fotográficas foram publicadas em 1980, sob o título "Studies of Animal Locomotion".
  • A Kingston University, em Londres, possui um prédio nomeado em reconhecimento ao seu trabalho como um dos mais importantes fotógrafos britânicos.

Filmografia[editar | editar código-fonte]

Ano Título
1878 Sallie Gardner at a Gallop
1881 Athlete Swinging a Pick
1883 Buffalo Running
1887 Woman Walking Downstairs
1887 Cockatoo Flying
1887 Woman Throwing Baseball
1887 Woman Sitting Down
1887 Woman Setting Down Jug
1887 Woman Pouring from Jug
1887 Woman Picking Up Skirt
1887 Woman Picking Up Child
1887 Woman Opening Umbrella
1887 Woman Jumping from Rock to Rock
1887 Woman Hopping on One Foot
1887 Woman Getting Into Bed
1887 Virginia Deer, Buck, Galloping
1887 Storks, Swans, etc.
1887 Sloth Climbing
1887 Raccoon Walking
1887 Pig Walking
1887 Ox Walking
1887 Ostrich Walking
1887 Orex Galloping
1887 Mule Kicking
1887 Man Taking Off His Boater
1887 Man Riding Jumping Horse
1887 Lion Walking
1887 Lioness Walking
1887 Leopard Walking
1887 Kangaroo Walking on All Fours, Changing to Jumping
1887 Guanaco Galloping
1887 Goat Walking
1887 Gnu Bucking and Galloping
1887 Gallop; Saddle; Thoroughbred Bay Horse Bouquet
1887 Elephant Walking
1887 Eland Trotting
1887 Dog Running
1887 Crossing Brook on Step-Stones with Fishing Pole and Can
1887 Child Bringing Bouquet to Woman
1887 Chickens Scared by Torpedo
1887 Capybara Walking
1887 Boys Playing Leapfrog: Side View
1887 Baboon Walking on All Fours
1887 Baboon Climbing a Pole
1887 Antelope Trotting
1887 Adjutant Walking
1897 Woman Turning and Walking Upstairs

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. Mitchell Leslie (2001). «The Man Who Stopped Time». Stanford Magazine. Consultado em 8 de outubro de 2006 
  2. Haas, Robert Bartlett (1976). Muybridge: Man in Motion. [S.l.]: University of California Press. ISBN 0-520-02464-8 
  3. Solnit p.148
  4. a b Clegg, Brian (2007). The Man Who Stopped Time. [S.l.]: Joseph Henry Press. ISBN 0-309-10112-3 
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