Edgar Silva

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Edgar Silva
Edgar Silva
Deputado à ALRAM
Período 8 de novembro de 1996
a atualidade
Membro do Comité Central do PCP
Período dezembro de 2000
a atualidade
Coordenador Regional do PCP-Madeira
Período década de 1990
a atualidade
Dados pessoais
Nome completo Edgar Freitas Gomes da Silva
Nascimento 25 de setembro de 1962
Funchal, Madeira
Nacionalidade Portugal Português
Alma mater Universidade Católica Portuguesa
Partido Partido Comunista Português
Profissão Escritor e docente
Ocupação Político
Website edgarsilva2016.pt

Edgar Freitas Gomes da Silva (São Martinho, Funchal, Madeira, 25 de setembro de 1962)[1] é um político português. Exerceu as funções de padre católico, estando atualmente secularizado. Era conhecido pelas suas posições dissidentes em relação à hierarquia católica portuguesa.

É mestre em Teologia Sistemática, militante do Partido Comunista Português desde 1997/98, sendo membro do Comité Central , deputado e coordenador da CDU – Coligação Democrática Unitária na Região Autónoma da Madeira.[2]

Foi candidato apoiado pelo PCP às eleições presidenciais portuguesas de 2016, nas quais ficou em quinto lugar, tendo obtido 182 906 votos (3,95%).

Biografia[editar | editar código-fonte]

Edgar Silva é natural da freguesia de São Martinho, no Funchal, e filho de Mário Paulo Gomes da Silva e de Maria José Abreu de Freitas da Silva.[1] Na década de 1980, foi da Madeira para o continente para frequentar o seminário. É licenciado em Teologia e mestre em Teologia Sistemática pela Universidade Católica Portuguesa.[3][4][2][5][6][7]

Da obra publicada contam-se livros sobre questões de desenvolvimento humano e social como “Instrangeiros na Madeira” (2005), “Madeira, tempo perdido (2007), “Os bichos da Corte do Ogre usam máscaras de riso” (2010), “Pontes de Mudança, sociedades sustentáveis e solidárias” (2011).[8][9]

Jogou no CD Nacional e chegou a ser detido pela Polícia de Segurança Pública quando dormiu à porta do tribunal para apoiar uma família que tinha sido despejada. Vive com a companheira e tem um filho.[2]

Intervenção cívica e política[editar | editar código-fonte]

Regressou à Madeira em 1987 e, deste ano a 1992, deu aulas na Universidade Católica do Funchal, foi coordenador do Seminário do Funchal e fundou o Movimento Apostolado das Crianças (MAC), onde denunciou a exploração sexual e o trabalho infantil na região. Nesta área destaca-se a luta pelas crianças de Câmara de Lobos que pediam esmola no Funchal com caixinhas de papelão com inscrições que alertavam para situações dramáticas (as “crianças/miúdos das caixinhas”).[5][2][4][10][11][7]

Foi responsável por diversos projectos como o “Arco”, na Madeira, e por iniciativas sociais e de desenvolvimento local em bairros marcados pelos problemas da ultra-periferia social.[8]

Fundou também, no âmbito do MAC, a Escola Aberta, uma escola que existiu entre 1990 e 1993 e tinha a finalidade ensinar a ler e a escrever às “crianças das caixinhas”.[2][5][11] Esta teve inicialmente apoio governamental, tanto em termos financeiros, como em meios humanos, mas haveria de ser encerrada pelo Governo Regional em 1993, depois de o MAC ter entrado em choque com várias instituições governamentais, por defender formas de atuação diferentes e por ter entregue um dossiê à Amnistia Internacional, provedor de Justiça e Procuradoria-Geral da República sobre alegados maus tratos a crianças por parte da PSP. A este propósito refira-se que o comando da PSP não gostou e processou o MAC.[10]

Sempre crítico da governação de Alberto João Jardim, subscreveu, em 1992, juntamente com outros sacerdotes, o manifesto Mais democracia, Melhor democracia, que foi tornado público dois meses antes das eleições regionais desse ano. A Diocese do Funchal não terá ficado agradada com o documento, pelo que Edgar Silva foi chamado pela Conferência Episcopal Portuguesa, um ano mais tarde, para ocupar o cargo de assistente nacional do Movimento Católico de Estudantes (MEC), em Lisboa. Ficaria neste posto entre 1992 e 1995.[7][8]

Quando foi convocado para cumprir serviço militar, alegou objeção de consciência para cumprir serviço cívico e não ser recrutado. Regressou então ao Funchal e retomou o trabalho no MAC. Nesse ano, em 1996, foi signatário de outro documento, O futuro pertence à democracia. Era um texto bastante crítico para com o PSD-Madeira, onde se lia que o “exercício do poder político” não pode ser feito com “recurso à deslealdade e à mentira”.[7]

«O manifesto, aliado às sucessivas denúncias nacionais e internacionais sobre prostituição infantil e pedofilia na Madeira e as críticas à pobreza, tornaram Edgar Silva um dos principais inimigos políticos de Alberto João Jardim. Edgar Silva não se cansava de afirmar que havia na ilha, além dos responsáveis criminais, também responsáveis morais, cumplicidades políticas e até pactos inter-institucionais que tentavam camuflar a situação de muitas crianças madeirenses.»[7]

Partido Comunista Português[editar | editar código-fonte]

Em outubro de 1996, concorreu como candidato independente pela CDU – Coligação Democrática Unitária nas legislativas regionais. Neste ano, a CDU obteve o seu melhor resultado até à data em regionais e Alberto João Jardim chegou a chamá-lo de “agitador”. Desde aí que é deputado na Assembleia Legislativa da Madeira.[5][12][13] Antes dele, os padres madeirenses Martins Júnior, presidente da Câmara Municipal de Machico pela UDP e pelo PS, e Mário Tavares Figueira, de C.ª de Lobos e deputado pela CDU, já tinham iniciado atividade em partidos políticos de esquerda.[14]

Menos de um ano depois dessas eleições, em 1997, deixou o ministério sacerdotal e juntou-se ao PCP.[5]

É membro do Comité Central desde o XVI Congresso do partido, em dezembro de 2000,[15] e é o coordenador do PCP e da CDU na Região Autónoma da Madeira.[8]

Foi membro da Assembleia Municipal do Funchal e da Assembleia de Freguesia de Santo António.[8]

Eleições presidenciais de 2016[editar | editar código-fonte]

A sua candidatura às eleições presidenciais de 2016 foi anunciada a 8 de outubro de 2015, pelo PCP, apresentada a 15 de outubro e formalizada junto do Tribunal Constitucional a 7 de dezembro, com 15 000 proposituras (o limite máximo permitido).[16][17] O seu mandatário nacional é José Ernesto Cartaxo, antigo presidente da Assembleia Municipal de Vila Franca de Xira e antigo membro do Comité Central do PCP.[18] Ficou em quinto lugar, com 182 906 votos (3,95%), o que constituiu a mais baixa percentagem até ao momento de qualquer candidato presidencial apoiado pelo PCP.

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

Entre os livros que publicou, contam-se obras sobre questões de desenvolvimento humano e social como:[7][8]

  • Os instrangeiros na Madeira. Funchal: Edgar Silva, 2005. ISBN 972-8246-85-4
  • Madeira, tempo perdido. Funchal: Edgar Silva, 2007. ISBN 978-972-8246-98-3
  • Os bichos da Corte do Ogre usam máscaras de riso. 2010.
  • SILVA, Edgar; Sofia Vilarigues. Pontes de Mudança, sociedades sustentáveis e solidárias. Funchal: Antagonista Editora, 2011. ISBN 978-989-83-3611-8

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

Commons
O Commons possui imagens e outras mídias sobre Edgar Silva

Referências

  1. a b «Acórdão n.º 700/2015». Tribunal Constitucional. 29 de dezembro de 2015. Consultado em 29 de dezembro de 2015 
  2. a b c d e «"Na Madeira falta inaugurar as pessoas." O perfil do antigo padre que o PCP quer ter em Belém». Jornal Expresso. Consultado em 31 de dezembro de 2015 
  3. «Ex-padre, madeirense, professor. Edgar Silva é o candidato do PCP a Belém». DN. Consultado em 31 de dezembro de 2015 
  4. a b «Edgar Silva é o candidato presidencial do PCP». www.jornaldenegocios.pt. Consultado em 31 de dezembro de 2015 
  5. a b c d e «Padre Edgar Silva é candidato presidencial do PCP». Observador. Consultado em 31 de dezembro de 2015 
  6. «Candidato presidencial do PCP é o ex-padre Edgar Silva». PÚBLICO. Consultado em 31 de dezembro de 2015 
  7. a b c d e f «Edgar Silva, o crítico de Jardim que se dedicou às crianças pedintes do Funchal». PÚBLICO. Consultado em 31 de dezembro de 2015 
  8. a b c d e f «Biografia de Edgar Silva | Partido Comunista Português». Partido Comunista Português. Consultado em 31 de dezembro de 2015 
  9. «Autores - Edgar Silva». www.bertrand.pt. Consultado em 31 de dezembro de 2015 
  10. a b «CÂMARA DE LOBOS - DICIONÁRIO COROGRÁFICO: Escola Aberta». www.concelhodecamaradelobos.com. Consultado em 31 de dezembro de 2015 
  11. a b «Edgar Silva: o defensor dos mais fracos que jogou futebol e foi padre antes de se render ao Partido Comunista». www.dnoticias.pt. Consultado em 31 de dezembro de 2015 
  12. Assembleia Legislativa da Região Autónoma da Madeira - XI Legislatura - Deputado Edgar Silva
  13. COMISSÃO NACIONAL DE ELEIÇÕES - Mapa Oficial n.º 1/2015 - Eleição da Assembleia Legislativa da Região Autónoma da Madeira realizada em 29 de março de 2015
  14. «"Na Madeira falta inaugurar as pessoas." O perfil do antigo padre que o PCP quer ter em Belém». Jornal Expresso. Consultado em 31 de dezembro de 2015 
  15. «Comité Central do PCP | Partido Comunista Português». Partido Comunista Português. Consultado em 31 de dezembro de 2015 
  16. «Edgar Silva, o candidato comunista a Presidente que já foi padre». www.sabado.pt. Consultado em 10 de janeiro de 2016 
  17. «Edgar Silva formaliza candidatura à Presidência e garante não ter "amarras"». PÚBLICO. Consultado em 10 de janeiro de 2016 
  18. «Edgar Silva e PCP unidos: da Soeiro Pereira Gomes para as ruas». PÚBLICO. Consultado em 10 de janeiro de 2016