Epicena

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Símbolo epiceno

Em linguística com gênero gramatical, chamam-se palavras epicenas, ou promiscuas, aquelas em que não existem termos diferentes para designar o macho, a fêmea e hermafrodita de um animal, que então passam a pertencer a somente um gênero, não distinguindo o sexo biológico, sem haver uma concordância de gênero quando não se menciona macho ou fêmea,[1] algo que é comum a elementos diferenciados, um elemento em que existe igualdade. [2]

Por exemplo, elefante-macho, elefante-fêmea e elefante-fêmeo (ou também a elefanta), baleia-macho e baleia-macha, baleia-fêmea, cobra-macho e cobra-macha, cobra-fêmea, onça-pintada-macho e onça-pintada-macha, onça-pintada-fêmea, panda-gigante-macho, panda-gigante-fêmea e panda-gigante-fêmeo, arara-fêmea, arara-macho e arara-macha, pinguim-fêmeo e pinguim-fêmea.[3][4]

Utiliza-se epiceno ou promiscuo também para substantivos sobrecomuns, como por exemplo "a pessoa", "a criança", "o indivíduo" e "os seres", sendo o sexo indeterminado ou misturado, entendido também como unissex ou neutralidade.[5]

Em inglês, a palavra epicene, epicenism ou epicenity (epicenismo ou epicenidade), refere-se também a falta de masculinidade (unmasculinity), androginia, assexo, travestibilidade, ginandria ou efeminação[6], podendo ser usada como uma identidade de gênero não-binária, além da gramática.[7][8][9]

Etimologia[editar | editar código-fonte]

Na antiguidade, epiceno deriva o nome da bola epíkoinos (έπίκοινοσ, sórdido, comum para muitas pessoas, coisas, etc.), com que jogavam um jogo violento entre duas equipes Epísquiro (έπίσκυροσ). Formado pelo prefixo epi-, que significa em cima, e o sufixo κοινός (koinós, “comum, geral”, usado como -coeno-). Com a latinização, a ideia de tomar posse da bola pela força (arrebatar a bola) ganhou ainda mais terreno.[10][11][12]

Em relação à promiscuidade, contudo, no grego antigo surge com a conotação de algo que "não faz distinção entre classes sociais", que não separa as coisas "humanas" das coisas divinas", que é "comum, público, banal" e no latim, encontram-se duas palavras com conotações distintas: uma que é semelhante à "epimiceia" grega ("promisce") e outras ("colluvies, ei"/ "colluvio, onis") que se referem a "águas de lavagem, sujidade, porcaria, imundície, impureza, confusão, caos".[13] Sendo a etimologia latina vinda de prōmiscuus (“misto, não separado, indiscriminado”), prō significando "adiante" com misceō (“mistura”).[14]

Fontes[editar | editar código-fonte]

  1. «Substantivos: comum de dois, sobrecomum e epiceno - Ciberdúvidas da Língua Portuguesa». ciberduvidas.iscte-iul.pt. Consultado em 6 de agosto de 2019 
  2. Neves, Maria Helena de Moura (2003). Guia de uso do português: confrontando regras e usos 2nd ed. ed. [S.l.]: Editora UNESP. ISBN 9788539303106. doi:10.7476/9788539303106. Verifique |doi= (ajuda) 
  3. «Comum de dois gêneros, sobrecomuns e epícenos - Alunosnautas». sites.google.com. Consultado em 6 de agosto de 2019 
  4. «Ainda sobre os epicenos - Ciberdúvidas da Língua Portuguesa». ciberduvidas.iscte-iul.pt. Consultado em 6 de agosto de 2019 
  5. «Substantivo sobrecomum». Norma Culta. Consultado em 6 de agosto de 2019 
  6. Hüllen, Werner (29 de janeiro de 2009). «Roget's Thesaurus, Deconstructed». Oxford University Press: 8–21. ISBN 9780199553235 
  7. «Portal:Piratas/Glossário: Termos Sobre Gênero, Sexualidade/Romanticidade, Feminismo, TW, Não-Monogamia, Preconceitos. - Wikiversidade». pt.wikiversity.org. Consultado em 6 de agosto de 2019 
  8. «Nonbinary pronouns and singular they». www.english.illinois.edu. Consultado em 6 de agosto de 2019 
  9. McNabb, Charlie, 1983- author. Nonbinary gender identities : history, culture, resources. [S.l.: s.n.] ISBN 9781442275515. OCLC 1002043873 
  10. Elmer, David Franklin. Epikoinos: The Ball Game Episkuros and Iliad 12.421-23. [S.l.]: University of Chicago Press. OCLC 699754843 
  11. Elmer, David Franklin (2008). «Epikoinos: The Ball Game Episkuros and Iliad 12.421–23». Classical Philology (em inglês). ISSN 0009-837X. doi:10.1086/597184 
  12. Jones, Peter Ward (2001). Oxford University Press. Col: Oxford Music Online. [S.l.]: Oxford University Press 
  13. «Henry George Liddell, Robert Scott, A Greek-English Lexicon, ἀδιά-κρι^τος». www.perseus.tufts.edu. Consultado em 6 de agosto de 2019 
  14. Elgar, Mark A; Jones, Therésa M; McNamara, Kathryn B (8 de novembro de 2013). «Promiscuous words». Frontiers in Zoology. 10. 66 páginas. ISSN 1742-9994. PMC 3828398Acessível livremente. PMID 24209457. doi:10.1186/1742-9994-10-66