Gênero neutro

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Disambig grey.svg Nota: Este artigo é sobre gênero gramatical. Para identidade de gênero, veja neutrois. Para outros significados, veja neutro.

O gênero neutro (do latim neutrum, neuter, calque do grego οὐδέτερον, oudéteros, 'nem um nem outro' ou 'nenhum dos sexos') é um gênero gramatical, paralelo ao masculino e o feminino.[1]

Neuter, usado em inglês para o gênero gramatical neutro, difere de gender-neutral ou neutral gender, que refere-se ao lexema adjetivo gênero-neutro, que tem significado de ser neutro de gênero ou neutro em gênero. Neuter é muitas vezes traduzido como assexuado,[2] sendo assexuadas também usado na linguística para palavras sem gênero natural, cujo gênero não é marcado.[3]

História[editar | editar código-fonte]

Presente na maioria das línguas indo-europeias, junto ao masculino e o feminino, o neutro pode ter sido originalmente usado em relação a objetos inanimados, cujo gênero lógico ("real" ou "natural") não pode ser determinado.[4][5][6]

Lusofonia[editar | editar código-fonte]

Neutralidade de gênero ou epicenidade linguística[editar | editar código-fonte]

A neutralização de linguagem lusófona acontece, na maioria das vezes, usando o masculino genérico, como estabelecido na língua portuguesa, havendo exceções de palavras, que sejam de substantivo sobrecomum ou comum de dois gêneros (binários).[7]

Sabendo que, o masculino nem sempre representa todas as pessoas, especialmente aquelas que são femininas ou neutras de gênero, tenta-se reforçar a inclusão de mulheres e pessoas não-binárias, através das propostas de linguagem não sexista ou neolinguagem de gêneros gramaticais, com as flexões léxicas, como por exemplo, em "todos, todas e todes", neo-pronomes neutros de terceira pessoa "ile" e "elu", ao invés de "ela" e "ele", e perífrases para evitar neologismos, como em "todos indivíduos", seguindo concordâncias.[8]

Muitas palavras, que já eram neutras de gênero, acabam passando por feminilização, por exemplo, em "chefe" versus "chefa", na qual chefe transforma-se numa palavra associada ao gênero masculino.[9]

Algumas palavras invariáveis em gênero são naturalmente epicenas ou sobrecomuns, como por exemplo, em "animal", "pessoa", "indivíduo" e "ser", sem precisarem de um neologismo para serem neutras (agenerizadas/agenerificadas ou desgenerizadas/desgenerificadas). Há também substantivos de gênero vacilante, que é o caso de "moral" e "capital".

Gênero neutro[editar | editar código-fonte]

Os pronomes mostrativos e adjetivos em português, o proximal, isto, o medial, isso, e o distal, aquilo, são neutros e oficializados, mas invariáveis.[10] Porém eles não são usados para seres animados ou humanos.[11]

Propostas neologísticas[editar | editar código-fonte]

As propostas de neolinguagem de gênero também trazem um desvencilhamento para com os gêneros gramaticais e naturais, o que leva alguns ativistas pela causa de pronome neutro a advogar pelo estabelecimento oficial do gênero neutro, como por exemplo, nos sistemas elu e ilu, que baseiam-se no pronome neutro do latim illud (nom. n. sing.).[12][13] Há outros neopronomes além desses, como "elx" e "el@", com neolinguagens específicas e flexão de gênero seletiva, sem um sistema pronominal estabelecido,[14] porém não é possível afirmar até que ponto eles são uma visibilização ambiguamente unicizada das binaridades endossexos ou uma neutralidade monólita para representar um gênero paralelo neutro, isto é, completamente separado dos masculino e feminino.[15][16]

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências[editar | editar código-fonte]

  1. «Os géneros masculino, feminino e neutro - Ciberdúvidas da Língua Portuguesa». ciberduvidas.iscte-iul.pt. Consultado em 13 de junho de 2020 
  2. «NEUTER - Tradução em português - bab.la». pt.bab.la. Consultado em 18 de maio de 2021 
  3. Kolodny, Rossana Saute (2016). «Marcação de gênero e classe temática em português e em francês». Consultado em 14 de abril de 2021 
  4. «A RELAÇÃO ENTRE GÊNERO GRAMATICAL E SEXO». www.filologia.org.br. Consultado em 13 de junho de 2020 
  5. Beccaria, Gian Luigi. (2004). Dizionario di linguistica e di filologia, metrica, retorica Nuova ed ed. Torino: Einaudi. OCLC 799237204 
  6. Soares de Oliveira, Thiago. «A queda do gênero neutro do latim: questiúnculas sobre a divergência entre o gênero real e o gênero gramatical» (PDF). Revista Philologus
  7. «GÊNERO NEUTRO». Lingua Minha. Consultado em 9 de maio de 2021 
  8. Guimarães, Veridiana de Souza (2 de outubro de 2020). «Inclusão na língua: as tentativas de neutralidade de gênero no português brasileiro». Revista da ABRALIN (2): 1–5. ISSN 0102-7158. doi:10.25189/rabralin.v19i2.1627. Consultado em 26 de novembro de 2020 
  9. Schwindt, Luiz Carlos (17 de novembro de 2020). «Sobre gênero neutro em português brasileiro e os limites do sistema linguístico». Revista da ABRALIN: 1–23. ISSN 0102-7158. doi:10.25189/rabralin.v19i1.1709. Consultado em 26 de novembro de 2020 
  10. Portuguese, Department of Spanish &; UW-Madison (19 de janeiro de 2016). «Lição 2». L&S Learning Support Services, UW-Madison (em inglês). Consultado em 18 de maio de 2021 
  11. «Pronomes Interrogativos». Só Português. Consultado em 18 de maio de 2021 
  12. «Elus são eles e elas». Época. 16 de novembro de 2018. Consultado em 24 de julho de 2020 
  13. Cassiano, Ophelia (26 de junho de 2020). «Guia para "Linguagem Neutra" (PT-BR)». Medium (em inglês). Consultado em 24 de julho de 2020 
  14. «Pronome neutro na língua portuguesa: Repertórios para o tema». Redação, Redação Enem, Redação Nota 1000, Redação Nota Mil e Redação ENEM 2019 e Como fazer uma boa redação. 28 de outubro de 2020. Consultado em 26 de novembro de 2020 
  15. «Todos e todas, brasileiros e brasileiras | Sobre Palavras». VEJA. Consultado em 24 de maio de 2021 
  16. Freitas, Marco Túlio de Urzêda. "Letramentos queer na formação de professorxs de línguas: complicando e subvertendo identidades no fazer docente." (2018).