Gênero neutro

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Saltar para a navegação Saltar para a pesquisa

O gênero neutro (do latim neutrum, neuter, calque do grego οὐδέτερον, oudéteros, 'nem um nem outro' ou 'nenhum dos sexos') é um gênero gramatical.[1]

Presente na maioria das línguas indo-europeias, junto ao masculino e o feminino, o neutro pode ter sido originalmente usado em relação a objetos inanimados, cujo gênero lógico (ou "natural") não pode ser determinado.[2][3]

A neutralização de linguagem lusófona, acontece, na maioria das vezes usando o gênero masculino, como estabelecido na língua portuguesa, havendo exceções de palavras, que sejam de substantivo sobrecomum ou comum de dois gêneros (binários).

Sabendo que, o masculino nem sempre representa todas as pessoas, especialmente aquelas que são femininas ou neutras de gênero, tenta-se reforçar a inclusão de mulheres e pessoas não-binárias, através das propostas de linguagem não sexista ou neolinguagem de gêneros gramaticais, com as flexões léxicas, como por exemplo, em "todos, todas e todes", sem falar nos pronomes pessoais "ile" e "elu", ao invés de "ela" e "ele".[4]

Os sistemas elu e ilu baseiam-se no pronome neutro do latim illud (nom. n. sing.).[5][6] Além desse neopronome, há também "elx" e "el@", sem mencionar neolinguagens, em que flexiona-se palavras com gênero.[7]

Muitas palavras, que já eram neutras de gênero, acabam passando por feminilização, por exemplo, em "chefe" versus "chefa", na qual chefe transforma-se numa palavra associada ao gênero masculino.[8]

Algumas palavras são naturalmente epicenas ou sobrecomuns, como por exemplo, em "animal", "pessoa", "indivíduo" e "ser", sem precisarem de um neologismo para serem neutras. Há também palavras com gênero vacilante, que é o caso de "moral" e "capital".

Referências[editar | editar código-fonte]

  1. «Os géneros masculino, feminino e neutro - Ciberdúvidas da Língua Portuguesa». ciberduvidas.iscte-iul.pt. Consultado em 13 de junho de 2020 
  2. «A RELAÇÃO ENTRE GÊNERO GRAMATICAL E SEXO». www.filologia.org.br. Consultado em 13 de junho de 2020 
  3. Beccaria, Gian Luigi. (2004). Dizionario di linguistica e di filologia, metrica, retorica Nuova ed ed. Torino: Einaudi. OCLC 799237204 
  4. Guimarães, Veridiana de Souza (2 de outubro de 2020). «Inclusão na língua: as tentativas de neutralidade de gênero no português brasileiro». Revista da ABRALIN (2): 1–5. ISSN 0102-7158. doi:10.25189/rabralin.v19i2.1627. Consultado em 26 de novembro de 2020 
  5. «Elus são eles e elas». Época. 16 de novembro de 2018. Consultado em 24 de julho de 2020 
  6. Cassiano, Ophelia (26 de junho de 2020). «Guia para "Linguagem Neutra" (PT-BR)». Medium (em inglês). Consultado em 24 de julho de 2020 
  7. «Pronome neutro na língua portuguesa: Repertórios para o tema». Redação, Redação Enem, Redação Nota 1000, Redação Nota Mil e Redação ENEM 2019 e Como fazer uma boa redação. 28 de outubro de 2020. Consultado em 26 de novembro de 2020 
  8. Schwindt, Luiz Carlos (17 de novembro de 2020). «Sobre gênero neutro em português brasileiro e os limites do sistema linguístico». Revista da ABRALIN: 1–23. ISSN 0102-7158. doi:10.25189/rabralin.v19i1.1709. Consultado em 26 de novembro de 2020