Fahrenheit 9/11

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Fahrenheit 9/11
Fahrenheit 9/11 (PT)
Fahrenheit 11 de setembro (BR)
Pôster de divulgação
 Estados Unidos
2004 •  cor •  122 min 
Direção Michael Moore
Produção Michael Moore
Jim Czarnecki
Kathleen Glynn
Coprodução Kurt Engfehr
Jeff Gibbs
Produção executiva Harvey Weinstein
Bob Weinstein
Agnès Mentre
Roteiro Michael Moore
Narração Michael Moore
Elenco Michael Moore
Género Documentário
Música Jeff Gibbs
Edição Kurt Engfehr
Todd Woody Richman
Chris Seward
Distribuição Lions Gate Films
IFC Films
Lançamento 25 de junho de 2004
Idioma Inglês
Orçamento US$ 6.000.000
Receita US$ 222.446.882
Página no IMDb (em inglês)

Fahrenheit 9/11 é um documentário americano de 2004 escrito, estrelado e dirigido pelo cineasta estadunidense Michael Moore. Fala sobre as causas e consequências dos atentados de 11 de setembro de 2001 nos Estados Unidos, fazendo referência à posterior invasão do Iraque, liderada por esse país e pela Grã-Bretanha. Além disso, tenta decifrar os reais alcances dos vínculos que existiriam entre as famílias do presidente George W. Bush e a de Osama bin Laden.

Sinopse[editar | editar código-fonte]

O título do filme faz referência ao livro Fahrenheit 451 (233°C, que representa a temperatura em que arde o papel), escrito em 1953 por Ray Bradbury, e também aos atentados de 11 de setembro de 2001, já que "11/9" se escreve "9/11" nos países de língua inglesa.

O filme começa sugerindo que os amigos e aliados políticos de George W. Bush na Fox News Channel inclinados na eleição de 2000 para Bush, o declararam prematuramente vencedor. Em seguida, sugere a manipulação da polêmica votação na Flórida constituiu fraude eleitoral.[1]

O filme então segue para o 11 de Setembro. Moore diz que Bush, foi informado de que o primeiro avião colidiu no World Trade Center em seu caminho para uma escola primária. Bush aparece então sentado em uma sala de aula com as crianças da Flórida. Quando foi comunicado que um segundo avião atingiu o World Trade Center e que o país está "sob ataque", Bush, permite que os alunos terminem a sua leitura do livro, e Moore observa que ele continuou a ler por quase sete minutos.

Sugerindo "a temperatura que arde a liberdade", este documentário ressalta especificamente a relação entre a família Bush e pessoas próximas a ela, com membros de eminentes famílias da Arábia Saudita (incluindo a família bin Laden) e os talibãs, em uma relação que se estende durante mais de trinta anos, assim como a evacuação de familiares de Osama bin Laden organizada pelo governo de George W. Bush depois dos ataques de 11 de setembro sem submetê-los a qualquer forma de interrogatório.[2][1]

O filme avança para examinar o registro de serviço de George W. Bush na Guarda Nacional Aérea. Moore afirma que a empresa petrolifera Arbusto Energy de Bush foi parcialmente financiada pelos sauditas e pela família de Bin Laden, por intermédio de James R. Bath.[2] Moore afirma que estes conflitos de interesses sugerem que a administração de Bush não trabalha para os melhores interesses dos americanos. A partir daí, o filme dá pistas sobre as verdadeiras razões que têm impulsionado o governo Bush a invadir o Afeganistão em 2001 e Iraque em 2003, ações que, segundo Moore, correspondem mais à proteção dos interesses das indústrias petrolíferas norte-americanas do que ao desejo de libertar os respectivos povos ou evitar potenciais ameaças. O documentário insinua que a guerra com o Afeganistão não teria como principal objetivo capturar os líderes da Al Qaeda e, sim, favorecer a construção de um oleoduto[1], e que o Iraque não era, no momento da invasão, uma ameaça real para os Estados Unidos, senão uma fonte potencial de benefícios para as empresas norte-americanas.

Moore afirma que o governo Bush induziu um clima de medo entre a população norte-americana através da mídia de massa. Moore, em seguida, descreve os esforços de antiterrorismo, incluindo supostas infiltrações de grupos pacifistas no governo e outros eventos, e a assinatura do USA PATRIOT Act.

Prêmios[editar | editar código-fonte]

O filme foi premiado no Festival de Cannes de 2004, obtendo a Palma de Ouro, o prêmio de maior relevância entregue por aquele festival. O último documentário a receber este prêmio havia sido The Silent World de Jacques Cousteau e Louis Malle, 48 anos atrás.

A princípio, este filme iria ser distribuído pela Icon Productions. No entanto, Fahrenheit 9/11 foi mais adiante acolhido pela Miramax. Quando a Icon renunciou aos direitos de distribuição do filme em maio de 2003, alegando conflitos de imagem, ainda assegurava que sua decisão não estava influenciada por motivos políticos. A Miramax havia distribuído anteriormente outro filme de Moore, The Big One, em 1997.

Citações do diretor Michael Moore[editar | editar código-fonte]

Tradução: "Não posso senão expressar meu afeto e gratidão ao júri, ao Festival, a Gilles Jacob, Thierry Frémaux, Bob e Harvey de Miramax, a toda equipe que trabalhou neste filme. [...] Algo me faz suspeitar que com o que tenho feito hoje aqui e a resposta de todos no festival conseguirão que muitos estadunidenses vejam o filme. Não posso deixar de agradece-los. Estão ajudando a esclarecer isto; há muita gente que quer a verdade e outra que quer esconde-la no guarda-roupa, simplesmente olhar para outro lado. Em uma ocasião um grande presidente republicano dos Estados Unidos disse: «Se tão somente dar a gente a Verdade, os republicanos, os estadunidenses se salvarão». [...] Dedico esta Palma de Ouro à minha filha, aos meninos e meninas estadunidenses, e ao Iraque, e a todos aqueles que no mundo inteiro estão sofrendo pelas nossas ações".

  • Sobre o incremento da popularidade dos documentários:

Tradução: "O público adora uma boa história, seja de ficção ou não. Quando começo não estou pensando em fazer um documentário senão um bom filme. Os documentários estão saindo por sí mesmos de seu próprio gueto e os cineastas que fazem documentários estão descobrindo novas e criativas formas de contar suas histórias. Isto me agrada e espero que continue assim".

  • Sobre o fato de a Palma de Ouro ser um prêmio francês:

Tradução: "No júri havia um só cidadão francês. Quatro dos nove eram estadunidenses. [...] Este não é um prêmio francês: tem sido outorgado por um júri internacional dominado pelos estadunidenses".

  • Sobre o impacto de Moore como cineasta:

Tradução: "O primeiro que quero é que o público quando sai do cinema diga que «Estas foram duas horas bem empregadas do meu tempo». fazer disto uma bom filme é mais importante que a política. Se tivesse querido fazer um discurso político, teria me tornado um político. Mas decidi ser cineasta: Eu adoro os filmes".

  • Sobre o que se pode ou não crer:

Tradução: "O filme começa com eles [George W. Bush e outros] se maquiando. Eu os considero atores. De fato, esqueci de agradecer aos meus atores: obrigado George Bush, Donald Rumsfeld, Paul Wolfowitz…".

Tradução: "Quentin me sussurrou ao ouvido: «Queremos que saiba que não tem ganhado este título por sua mensagem política. Aqui não damos prêmios políticos. Alguns de nós não têm uma posição política definida. Premiamos a arte de fazer cinema. Isso é o que tem outorgado este prêmio e quero que saiba como companheiro cineasta»".

Referências

  1. a b c «Review: Fahrenheit 9/11». BBC 
  2. a b «A Film to Polarize Along Party Lines». The New York Times. 17 mai 2004  Verifique data em: |data= (ajuda)

Ligações externas[editar | editar código-fonte]