Família de Adolf Hitler

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Adolf Hitler foi o Führer (líder) da Alemanha entre 1934 e 1945.

A família de Hitler abrange os familiares e os ascendentes de Adolf Hitler (alemão: [ˈadɔlf ˈhɪtlɐ] ( ouvir); Braunau am Inn, 20 de Abril de 1889Berlim, 30 de Abril de 1945), político alemão que serviu como líder do Partido Nazista (Nationalsozialistische Deutsche Arbeiterpartei; NSDAP), Chanceler do Reich (de 1933 a 1945) e Führer ("líder") da Alemanha Nazi de 1934 até 1945. Destacou-se como ditador do Reich Alemão, principal instigador da Segunda Guerra Mundial na Europa, e foi figura central do Holocausto.

Antes do seu nascimento, o seu sobrenome passou por várias mudanças. Algumas das variantes foram Hitler, Hiedler, Hüttler, Hytler e Hittler. Alois Schicklgruber (pai de Adolf) mudou o seu nome em 7 de Janeiro de 1877 para "Hitler", a única forma de sobrenome que Adolf usou.[1]

A história familiar de Adolf Hitler tem suscitado interesse entre os historiadores e genealogistas por causa da incerteza biológica do seu avô paterno tal como das relações inter-familiares e seu efeito psicológico em Hitler durante a sua infância e vida adulta.

Etimologia[editar | editar código-fonte]

Hitler poderá ser uma forma de escrever o nome Hiedler, que significa "aquele que mora junto a um Hiedl" - em dialecto austríaco-bávaro é um termo para um rio ou fonte subterrânea.[2] Em outra hipótese, o sobrenome Hitler pode ter origem em "aquele que vive numa cabana" (em alemão, Hütte quer dizer "cabana").[3]

História da família[editar | editar código-fonte]

Membros mais antigos[editar | editar código-fonte]

A origem da família Hitler remonta a Stefan Hiedler (n. 1672) e Agnes Capeller, cujo neto, Martin Hiedler (17 de Novembro de 1762 – 10 de Janeiro de 1829), se casou com Anna Maria Göschl (23 de Agosto de 1760 – 7 de Dezembro de 1854). Este casal teve, pelo menos, três filhos: Lorenz, Johann Georg (baptizado a 28 de Fevereiro de 1792 – 9 de Fevereiro de 1857), e Johann Nepomuk (19 de Março de 1807 – 17 de Setembro de 1888). Johann Georg era o padrasto de Alois Hitler, pai de Adolf Hitler, e Johan Nepomuk era o bisavô materno do futuro Führer. Não se conhecem mais informações sobre Lorenz Hiedler.[1] Os Hiedler eram de Spital, parte de Weitra na Áustria.[4]

Johann Georg e Johann Nepomuk[editar | editar código-fonte]

Os irmãos Johann Georg e Johann Nepomuk Hiedler estão ligados a Adolf Hitler de várias maneiras, embora a relação biológica seja posta em causa.

Johann Georg foi legitimizado e considerado, oficialmente, o avô paterno de Hitler pelo Terceiro Reich. Não se sabe se era ou não o avô paterno biológico de Hitler.[5] Casou com a sua primeira mulher em 1824, mas esta morreu ao dar à luz cinco meses depois. Em 1842, casou-se com Maria Anna Schicklgruber (15 de Abril de 1795 – 7 de Janeiro de 1847) tornando-se padrasto legal do seu filho ilegítimo de cinco anos, Alois.

Com cerca de dez anos de idade, próximo da morte da mãe, Alois foi morar com Johann Nepomuk na sua quinta.[6] O nome de Johann Nepomuk Hiedler (também conhecido como Johann Nepomuk Hüttler) tem origem num santo boémio, Johann von Nepomuk, um santo importante para os naturais da Boémia, tanto de etnia alemã como checa. Johann Nepomuk tornou-se um proprietário relativamente abastado e casou-se com Eva Maria Decker (1792–1873), que era quinze anos mais velha.

Os nazis publicaram um panfleto durante a campanha para as segundas eleições de 1932 intitulada "Factos e Mentiras Acerca de Hitler" o qual negava o rumor espalhado pelo S.P.D. e pelo Partido do Centro que Hitler tinha antepassados checos.[7] Não há qualquer evidência que algum antepassado conhecido de Hitler tivesse origem checa.[8]

Pai de Alois Hitler[editar | editar código-fonte]

Alois Hitler, pai de Adolf

A identidade do pai biológico de Alois é alvo de discussão. Legalmente, Johann Nepomuk era tio-irmão de Alois Schicklgruber (mais tarde, Alois Hitler), e o irmão de de Johann Nepomuk, Johann Georg Hiedler, moleiro, era o Alois step-father.[9] Por razões desconhecidas, Johann Nepomuk levou Alois com ele, quando ainda era pequeno, para o criar. É possível que fosse, de facto, o pai natural de Alois mas não o podia reconhecer publicamente por causa do seu casamento. Outra explicação, é a de que ele teve pena do jovem Alois após a morte da sua mãe Maria, pois a educação de uma criança de dez anos com um moleiro errante não seria a mais indicada.

Johann Nepomuk morreu no dia 17 de Setembro de 1888 deixando a Alois uma um montante considerável de dinheiro. A neta de Johann Nepomuk, Klara, teve uma relação prolongada com Alois antes de casar com ele em 1885, após a morte da sua segunda esposa. Em 1889, deu à luz Adolf Hitler.

Considerou-se, mais tarde, que Johann Georg reconheceu Alois como seu filho antes de se casar com Maria, apesar de Alois ter sido registado como ilegítimo no seu certificado de nascimento e nos documentos do seu baptizado. A alegação de que Johann Georg era o verdadeiro pai de Alois só surgiu depois do casamento de Maria e Johann Georg, ou mesmo, ainda, durante a vida de um deles. Em 1877, 20 anos depois da morte de Johann Georg e quase mais 30 após a morte de Maria, é que Alois foi declarado oficialmente como sendo filho de Johann Georg.[nota 1]

Família Pölzl[editar | editar código-fonte]

Johanna Hiedler, filha de Johann Nepomuk e Eva Hiedler (nascida com o sobrenome Decker) nasceu a 19 de Janeiro de 1830 em Spital (parte de Weitra) na região de Waldviertel da Baixa Áustria. Viveu toda a sua vida naquele local e casou-se com Johann Baptist Pölzl (1825–1901), um agricultor filho de Johann Pölzl e Juliana (Walli) Pölzl. Johanna and Johann tiveram cinco filhos e seis filhas, dos quais dois dos rapazes e três das raparigas ( Klara, Johanna e Theresia) chegaram à idade adultaKlara, Johanna e Theresia. A identidade dos irmãos de Klara é desconhecida.

Década de 1870[editar | editar código-fonte]

Ver artigo principal: Alois Hitler

Aos 36 anos de idade, Alois Hitler casou-se pela primeira vez, com Anna Glasl-Hörer, de 50 anos, filha de um oficial de alfândega abastado. Quando se casaram , Anna estava doente e, ou já estava inválida, ou tornou-se numa, pouco depois. Algum tempo depois do casamento, Alois Hitler começou uma relação extra-conjugal com uma rapariga de 19 anos de idade, Franziska "Fanni" Matzelsberger, uma das empregadas da Pommer Inn, casa n.º219, da cidade de Braunau am Inn, onde ele estava a arrendar o último andar como alojamento. Smith diz que Alois teve várias relações na década de 1870, o que teve como consequência uma acção legal da sua esposa contra ele; a 7 de Novembro de 1880, Alois e Anna separam-se por mutuo acordo. Matzelsberger tornou-se a namorada de Alois, de 43 anos, mas não podiam casar-se pois, segundo as leis católicas, o divórcio não era permitido. Em 1876, três anos após Alois se ter casado com, contratou Klara Pölzl para empregada da sua casa. Klara, de 16 anos de idade, era neta do seu tio-irmão (e possível pai ou tio biológico) Nepomuk. Se Nepomuk era pai de Alois, Klara era meia-sobrinha de Alois. Se o seu pai era Johann Georg, ela sua prima. Matzelsberger exigiu que a "criada" Klara encontrasse outro emprego, e Hitler mando Pölzl away.

Década de 1880[editar | editar código-fonte]

Klara Pölzl Hitler, terceira mulher de Alois e mãe de Adolf.

A 13 de Janeiro de 1882, Matzelsberger deu à luz o filho ilegítimo de Hitler, também chamado de Alois, mas como não eram casados, o filho recebeu o nome de Alois Matzelsberger. Hitler manteve Matzelsberger como sua esposa enquanto a sua legítima mulher, Anna, ia ficando cada vez mais doente morrendo a 6 de Abril de 1883. No mês seguinte, a 22 de Maio, numa cerimónia em Braunau com colegas da alfândegas a servir de testemunhas, Hitler, de 45 anos de idade, casou-se com Matzelsberger, de 21. Então, legitimou o seu filho como Alois Hitler, Jr.[10] later a[11] Matzelsberger viajou para Viena para dar à luz Angela Hitler. Quando ainda tinha 23 anos, adoeceu com um problema nos pulmões, e ficou sem capacidade para trabalhar. Seguiu, então, para Ranshofen, uma pequena cidade perto de Braunau. Durante os últimos meses da vida de Matzelsberger, Klara Pölzl regressou a casa de Alois para cuidar dela e dos seus dois filhos.[12] Matzelsberger morreu em Ranshofen em 10 de Agosto com 23 anos de idade. Depois da sua morte, Pölzl continuou em casa de Hitler como governanta.[12]

Pölzl ficou grávida de Alois. Smith escreve que se Hitler pudesse ter tido liberdade de escolha, que ele tinha casado com Pölzl imediatamente, mas por causa da declaração jurada em relação à sua paternidade, Hitler era agora legalmente primo de Pölzl, e portanto sem possibilidade de se casar. Face a este impedimento, apelou à igreja para solicitar uma renúncia humanitária.[nota 2] A permissão chegou a 7 de Janeiro de 1885, e o casamento teve lugar na casa arrendada de Hitler na Pommer Inn. Foi servida uma refeição aos poucos convidados e testemunhas. A seguir à cerimónia, Hitler foi trabalhar. Até Klara achou que a cerimónia do casamento foi curta demais. Ao longo da sua relação com Hitler, ela continuou a chamá-o de "tio".

A 17 de Maio de 1885, cinco meses após o casamento, a nova Frau Klara Hitler deu à luz o primeiro filho, Gustav. Um ano depois, a 25 de Setembro de 1886, nasce a filha Ida. Durante o Inverno de 1887–1888, a família Hitler foi atingida por um surto de difteria resultando nas mortes de Gustav (8 de Dezembro) e Ida (2 de Janeiro). Klara e Alois estavam casados há três anos, e todos os sues filhos tinham morrido, mas Alois ainda tinha os seus próprios filhos da sua relação anterior com Matzelsberger - Alois Jr. e Angela. Em 20 de Abril de 1889, Klara deu à luz Adolf. Pesquisas recentes apontam para que Otto Hitler, irmão de Adolf Hitler, que se suspeitava ter nascido em 1887,[13] poderá ter nascido três anos depois, a 17 de Junho de 1892. Morreu de hidrocefalia pouco depois de nascer.[14]

Década de 1890[editar | editar código-fonte]

Adolf Hitler em bebé, filho de Alois e Klara.

Adolf era uma criança de saúde frágil, e a sua mãe estava sempre preocupada com ele. Alois, que tinha 51 anos de idade quando Adolf nasceu, não tinha muito interesse em educar os filhos e deixava toda essa responsabilidade para Klara. Quando não estava em casa, ou estava na taberna ou ocupado com o seu passatempo, apicultura. Em 1892, Alois foi transferido de Braunau para Passau. Tinha 55 anos, Klara 32, Alois Jr. 10, Angela 9 e Adolf 3 anos de idade. Em 1894, Alois Hitler foi de novo, transferido, desta vez para Linz. Klara deu à luz o seu quinto filho, Edmund, a 24 de Março de 1894, e decidiram que ela e os filhos ficariam em Passau por enquanto.

Em Fevereiro de 1895, Alois Hitler comprou uma casa com um terreno de 36 000 m² em Hafeld, perto de Lambach, a cerca de 30 milhas (48 km) a sudoeste de Linz. A quinta chamava-se Rauscher Gut. Ele e a família mudaram-se para a nova casa, e Alois reformou-se a 25 de Junho de 1895 com 58 anos de idade, após 40 anos a trabalhar no serviço alfandegário. A nova vida de reformado e dono de una quinta não foi fácil para Aloi; perdeu dinheiro, e o valor da propriedade caiu. A 21 de Janeiro de 1896, nasceu Paula. Alois passava muito tempo em casa com a família. Tinha cinco filhos, desde muitos pequenos até aos 14 anos de idade; Smith sugere que que ele gritava constantemente com eles e ia muitas vezes à taberna local. Robert G. L. Waite nota que "mesmo um dos seus amigos mais próximos admitiu que ele era 'muito duro' com a sua esposa [Klara] e que 'quase não lhe dirigia uma palavra em casa.'" Se Hitler estava de mau humor, zangava-se com os filhos mais velhos ou com Klara, à frente de todos.

Depois de uma violenta discussão entre Hitler e Alois Jr., este saiu de casa com 14 anos, e o pai jurou que nunca lhe daria mais dinheiro do que aquele que ele tinha direito legalmente. Aparentemente, também o relacionamento de Alois Jr com a sua madrasta Klara era difícil. Depois de trabalhar como aprendiz de empregado de mesa no Hotel Shelbourne em Dublin, na Irlanda, Alois Jr. foi detido por roubo, passando cinco meses na prisão em 1900, seguido de mais oito meses em 1902.

Década de 1900[editar | editar código-fonte]

Edmund, o rapaz mais novo, morreu com sarampo em 2 de Fevereiro de 1900. Alois queria qu o filho Adolf seguisse uma carreira na função pública. Contudo, Adolf começou a afastar-se de tal modo do pai que sentia repulsa de tudo aquilo que Alois queria. Adolf recusava passar a sua vida a seguir as regras do serviço públicos. Alois tentou intimidar o seu filho para que este lhe obedecesse, mas Adolf fazia frente a seu pai.

Alois Hitler morreu em 1903, deixando a Klara uma pensão. Esta vendeu a casa em Leonding e mudou-se com Adolf e Paula para um apartamento em Linz, onde viveram sem constrangimentos. Em 1907, Klara adoeceu com cancro da mama. Adolf chorou quando soube pelo médico Eduard Bloch que a sua mãe "tinha poucas hipóteses de sobreviver".[15] Apesar de passar por um tratamento médico pelo Dr. Bloch, a saúde de Klara não melhorou e em Outubro disse a Adolf que não havia mais nada a fazer. Klara morreu na casa de Linz em 21 de Dezembro de 1907. Adolf e Paula ficaram com algum dinheiro da pensão da mãe e da modesta propriedade de cerca de 2000 Kronen, depois de as despesas médicas e do funeral terem sido pagos.[16] Klara foi sepultada em Leonding. Hitler tinha uma relação muito próxima com a sua mãe e ficou devastado com a sua morte, nunca se repondo para o resto da sua vida. Ao referir-se a Hitler, mais tarde Bloch recordou que depois da morte de Klara nunca mais viu "ninguém tão prostrado com dor". Hitler escreveria que a morte da sua mãe foi um " 'golpe terrível' ".[16]

A 14 de Setembro de 1903[17][18] Angela Hitler, meia-irmã de Adolf, casou-se com Raubal (11 de Junho de 1879 – 10 de Agosto de 1910), um fiscal de impostos, e em 12 de Outubro de 1906 deu à luz um rapaz, Leo. A 4 de Junho de 1908, Angela teve uma rapariga, Geli, e, dois anos depois, em 1910, utra menina, Elfriede (Elfriede Maria Hochegger, 10 de Janeiro de 1910 – 24 de Setembro de 1993).

Década de 1910[editar | editar código-fonte]

Em 1909, Alois Hitler Jr. conheceu uma mulher irlandesa de nome Bridget Dowling no Dublin Horse Show. Fugiram para Londres e casaram-se a 3 de Junho de 1910. William Dowling, pai de Bridget, ameaçou prender Alois por rapto, mas Bridget dissuadiu-o. O casal foi viver para Liverpool, onde o filho William Patrick Hitler nasceu em 1911. A família vivia num apartamento no n.º 102 de Upper Stanhope Street. A casa acabaria por ser destruída durante os últimos bombardeamentos alemães a Liverpool em 10 de Janeiro de 1942. Nada sobrou da casa ou dos edifícios vizinhos, e, durante a reconstrução da zona, toda a área foi jardinada. As memórias de Bridget Dowling afirmam que Hitler viveu com eles em Liverpool entre 1912 e 1913 enquanto se encontrava a fugir do recrutamento militar da Áustria-Hungria, mas a maior parte dos historiadores desvaloriza esta história achando que se trata de uma questão inventada para tornar o livro mais apelativo junto das editoras.[19] Alois tentou gerir um pequeno restaurante em Dale Street, uma pensão em Parliament Street e um hotel em Mount Pleasant, tendo, no entanto, todos os negócios fracassado. Alois Jr. deixou a família em Maio de 1914 e regressou sozinho ao Império Alemão para gerir um negócio de navalhas.

Paula foi para Viena, onde trabalhou como secretária. Não teve qualquer contacto com Hitler durante os seus difíceis anos como pintor em Viena e Munique, nem durante o serviço militar no período da Primeira Guerra Mundial e primeiras actividades políticas em Munique. Ficou muito contente de o encontrar outra vez em Viena na década de 1920, embora, mais tarde, tenha afirmado ter ficado profundamente perturbada com a sua crescente fama.

Primeira Guerra Mundial[editar | editar código-fonte]

Ver artigo principal: Carreira militar de Adolf Hitler

Quando a Primeira Guerra Mundial teve início, Alois Jr. estava na Alemanha e era impossível que a sua mulher e filho fossem ter com ele. Alois casou com outra mulher, Hedwig Heidemann (ou Hedwig Mickley[20]), em 1916. Depois da guerra, Bridget foi informada de que ele tinha morrido.

No início da guerra, Adolf Hitler vivia em Munique e voluntariou-se para servir no Exército da Baviera como cidadão austríaco.[21] Foi colocado no Regimento de Infantaria de Reserva n.º 16 (1.ª Companhia do Regimento).[22][21] Hitler não era o único soldado austríaco neste regimento. É possível que ele tenha sido aceite apenas porque ninguém lhe perguntou qual a sua nacionalidade e porque todos eram bem-vindos, ou então porque disse às autoridades alemãs que pretendia tornar-se um cidadão alemão.[23]

Hitler (sentado à direita) com os seus camaradas de regimento (c. 1914–1918)

Hitler serviu como mensageiro na Frente Ocidental na França e na Bélgica,[24] passando a maior parte do seu tempoatrás da linha da frente.[25][26] Esteve presente na Primeira Batalha de Ypres, na Batalha do Somme, na Batalha de Arras e na Batalha de Passchendaele, tendo ficado ferido no Somme.[27]

HItler foi condecorado por bravura, facto pelo qual recebeu a Cruz de Ferro de Segunda Classe em 1914.[27] Recomendado por Hugo Gutmann, recebeu a Cruz de Ferro de Primeira Classe em 4 de Agosto de 1918,[28] uma condecoração raramente atribuída ao posto de Hitler (Gefreiter). A posição de Hitler no quartel-general do seu regimento, o qual lhe dava acesso aos oficiais superiores, pode ter ajudado a que ele recebesse esta condecoração.[29] Embora as suas acções premiadas possam ter sido por bravura, é provável que não tenham sido excepcionais.[30] Também recebeu o Distintivo Preto de Ferido em 18 de Maio de 1918.[31]

Durante o seu serviço no quartel-general, Hitler prosseguiu com o seu principal objectivo, desenhando cartunes e dando instruções para um jornal do exército. Durante a batalha do Somme em Outubro de 1916, terá sido ferido na zona da virilha[32] ou na coxa esquerda, por estilhaços de um obus que rebentou na trincheira onde se encontrava no abrigo dos mensageiros.[33]

Hitler as a soldier during the First World War (1914–1918)

Hitler passou quase dois meses no Hospital da Cruz Vermelha em Beelitz, regressando ao seu regimento a 5 de Março de 1917.[34] No dia 15 de Outubro de 1918 ficou temporariamente cego devido a um aataque com , gás mostardasendo hospitalizado em Pasewalk.[35] Enquanto se encontrava a recuperar, Hitler soube da derrota da Alemanha,[36] e —segundo ele próprio—, ao receber a notícia, ficou de novo sem ver.[37]

Hitler ficou amargurado com o colapso do esforço de guerra, e a construção das suas ideias começou a tomar forma.[38] Descreveu a guerra como a "maior de todas as experiências", e foi louvado pelas suas chefias militares pela sua bravura.[39] A experiência de guerra reforçou a sua paixão pelo patriotismo germânico e ficou chocado com a rendição da Alemanha em Novembro de 1918.[40] Tal como outros nacionalistas alemães, Hitler acreditava na teoria da Dolchstoßlegende (facada nas costas), que defendia que o exército alemão, "não derrotado no terreno", tinha sido "apunhalado na costas" em casa por líderes civis e marxistas, mais tarde designados por "criminosos de Novembro".[41]

O Tratado de Versalhes estabeleceu que a Alemanha tinha de entregar vários dos seus territórios e desmilitarizar a Renânia. O tratado impunha sanções económicas e reparações pesadas à Alemanha. Muitos alemães viram o tratado — em particular o Artigo 231, que estabelecia que a Alemanha era a responsável pela guerra — como uma humilhação.[42] O Tratado de Versalhes e as condições económicas, sociais e políticas na Alemanha depois da guerra, foram, posteriormente, exploradas por Hitler para obter ganhos políticos.[43]

Lista de membros da família[editar | editar código-fonte]

Árvore genealógica de Hitler[editar | editar código-fonte]

Nota: para simplificar, o primeiro casamento de Alois Hitler (n. 1837) com Anna Glasl-Hörer (sem filhos) foi excluído, tal como qualquer casamento após 1945.

Stefan Hiedler
(1672–?)
Agnes Capeller
(1674–?)
Johann Hiedler
(1725–?)
Maria Anna Neugesch-
wandter
Martin Hiedler
(1762–1829)
Anna Maria Goschl
(1760–1854)
Lorenz Hiedler
(1800-1861)
Johannes Schicklgruber
(1764–1847)
Theresia Pfeisinger
(1769–1821)
Johann Nepomuk Hiedler
(1807–1888)
Eva Maria Decker (1792–1873)
Laurenz Pölzl
(1788–1841)
Juliana Walli
(1797–1831)
Disputed paternity:
Read details
Maria Schicklgruber
(1795–1847)
Johann Georg Hiedler
(1792–1857)
Walburga Hiedler
(1832–1900)
Johanna Hiedler
(1830–1906)
Johann Baptist Pölzl
(1828–1902)
Franziska Matzelsberger
(1861–1884)
Alois Hitler
(1837–1903)
Klara Pölzl
(1860–1907)
Johanna Pölzl
(1863–1911)
Theresia Pölzl
(1868–1935)
Bridget Dowling
(1891–1969)
Alois Hitler, Jr.
(1882–1956)
Hedwig Heidemann
(1889-1966)
Leo Raubal Sr.
(1879–1910)
Angela Hitler
(1883–1949)
Martin Hammitzsch
(1878–1945)
Gustav Hitler
(1885–87)
Ida Hitler
(1886–88)
Otto Hitler
(1887-1887)
Adolf Hitler
(1889–1945)
Eva Braun
(1912–1945)
Edmund Hitler
(1894–1900)
Paula Hitler
(1896–1960)
William Patrick Hitler
(1911–1987)
Heinz Hitler
(1920–1942)
Leo Rudolf Raubal Jr
(1906–1977)
Geli Raubal
(1908–1931)
Elfriede Raubal
(1910–1993)

Árvore genealógica da família Braun[editar | editar código-fonte]

Nota: para simplificar, os segundos casamentos após 1945 de Ilse e Gretl foram excluídos.

Friedrich Braun
(1879–1964)
Franziska Kronberger
(1885–1976)
(Herr) Hofstätter
Ilse Braun
(1909–1979)
Adolf Hitler
(1889–1945)
Eva Braun
(1912–1945)
Gretl Braun
(1915–1987)
Hermann Fegelein
(1906–1945)
Eva Barbara Fegelein
(1945–1971)

Notas

  1. Johann Nepomuk tratou de alterar o sobrenome de Alois para "Hitler" e de declarar que Johann Georg como o pai biológico Alois em 1876. Johann Nepomuk reuniu três "testemunhas" (o seu afilhado e mais outras duas) para testemunharem perante o notário em Weitra que Johann Georg declarou, por diversas vezes, na presença deles, que ele era o verdadeiro pai de Alois e que queria legitimar Alois como seu filho e herdeiro. O padre da paróquia em Doellersheim, onde se encontrava a o registo de nascimento de Alois, alterou o registo de nascimento. Alois tinha 39 anos de idade na altura e era conhecido na comunidade como "Alois Shicklgruber". Toland (1976), pp.4–5
  2. Alois pediu à igreja para uma dispensa episcopal citando "consanguinidade de terceiro grau perto do segundo" para descrever a sua relação familiar complexa com Klara. O bispo local terá entendido que a relação era demasiado junta para a aprovar por decisão própria, e decidiu enviar o pedido para Roma em nome de Alois, procurando, assim, uma dispensa papal, a qual foi aprovada antes do nascimento do primeiro filho do casal. Ver Artigo de Rosenblum.

Referências

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  5. Kershaw 1999, p. 4.
  6. Kershaw 1999, p. 5.
  7. «Facts and Lies about Hitler». Nazi party. 1932 
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  41. Kershaw 2008, pp. 61–63.
  42. Kershaw 2008, p. 96.
  43. Kershaw 2008, pp. 80, 90, 92.

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

Leitura adicional[editar | editar código-fonte]