Fasciolíase

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Fasciolíase
Classificação e recursos externos
CID-10 B66.3
CID-9 121.3
DiseasesDB 4757
MeSH D005211
Star of life caution.svg Aviso médico

A fasciolíase ou fasciolose é uma doença causada pelo parasita platelminte Fasciola hepatica e por vezes também pelo Fasciola gigantica. Este parasita aloja-se nos canais biliares e no fígado.

Fasciola hepatica[editar | editar código-fonte]

As fasciolas são vermes platelmintes e como todos estes, com corpo chato e sistema digestivo incompleto.

  1. Forma adulta: A F. hepatica tem cerca de 3-4 centímetros de comprimento, enquanto a F. gigantica pode chegar aos 8 centímetros. Ambos têm corpo com forma de folha e parte anterior do corpo mais alargada, com um órgão de fixação semelhante a uma ventosa.
  2. Ovos: são amarelados com opérculo e cerca de um milímetro de diâmetro.
  3. Miracídio: é uma forma ciliada e portanto móvel.
  4. Cercária: forma larvária com cauda capaz de nadar.

Ciclo de vida[editar | editar código-fonte]

Os adultos presentes nos canais biliares do homem e animais herbívoros põem ovos que são carregados através do canal colédoco e são eliminados com as fezes. Em ambiente aquático os ovos libertam o miracídio entre 9 a 25 dias. Este nada livre na água procurando um caracol ou caramujo de água doce, do gênero Lymnaea, no qual penetra, alojando-se nos seus tecidos e transformando-se em esporocistos, no interior dos quais são formadas às rédias, que realizam um processo de multiplicação assexuada neste hospedeiro intermediário. No interior das rédias são formadas as larvas cercárias que abandonam o hospedeiro intermediário e, na água, vão se encistar sobre a superfície de plantas aquáticas, sendo então conhecidas como metacercárias. Essas metacercárias são ingeridas pelos animais herbívoros junto com as plantas. No caso do homem, o vegetal ingerido é o agrião. No tubo digestivo as metacercárias se desencistam e perfuram a mucosa do intestino e migram pelo líquido peritoneal para o fígado, perfuram a cápsula hepática -Cápsula de Gllisson- migram através do parênquima hepático onde permanecem por cerca de dois meses, crescendo. Após esse período alojam-se nos canais biliares, onde atingem a maturidade sexual, tornado-se adultos. Como são hermafroditas, podem fazer autofecundação, iniciando-se novo ciclo com a postura de ovos por cada indivíduo, ovos esses que são levados ao ambiente externo ao hospedeiro através da peristalse, com as fezes.

Esporocistos - são formas semelhantes a um saco contendo células germinativas; rédias - são formas que já possuem boca, esboço de tubo digetório, células germinativas e cercárias.

Epidemiologia[editar | editar código-fonte]

Haverá, segundo a OMS, mais de dois milhões de indivíduos infectados em todo o mundo.

A F. hepatica existe em todo o mundo. Na Europa, incluindo Portugal, o caracol transmissor é o Lymnaea truncatula e é transmitido para os humanos pelo consumo de agrião, infectando-se o gado pelo consumo de outras plantas aquáticas. No Brasil, as espécies que servem como hospedeiros intermediários da F. hepatica são a Lymnaea columela e L. viatrix.

A F.gigantica existe apenas na África e na Ásia tropical.

Progressão e Sintomas[editar | editar código-fonte]

Em grande parte dos infectados a doença é assintomática. Em outros, produz sintomas e sinais como febre, tremores, dor na zona do fígado (quadrante superior direito, junto às costelas), vômitos, hepatomegalia, e eosinofilia (aumento nos leucócitos que combatem os parasitas: eosinófilos). Se existirem muitos ou por períodos prolongados pode surgir sintomas de obstrução dos canais biliares e de hepatite como icterícia (pele e conjuntiva do olho amarelas), diarreia ou anemia. Os parasitas podem também por vezes produzir áreas de necrose no fígado.

A fasciolose consiste em infecção inicial do fígado, com formação de lesões necróticas e fibrosas; posteriormente ocorre hipertrofia dos canalículos biliares, com necrose de lóbulos hepáticos, distensão da cápsula hepática, colecistite, litíase e cirrose biliares. Na fase aguda, manifesta-se com febre, eosinofilia, aumento doloroso do fígado, leucocitose e diarréia; cronicamente ocorrem dor abdominal, diarréia, hepatomegalia, eosinofilia, anemia, perda de peso e complicações da cirrose.

Diagnóstico e Tratamento[editar | editar código-fonte]

O diagnóstico é possível cerca de três meses após a infecção inicial, quando os ovos começam a ser excretados nas fezes e são visíveis em amostras fecais com ajuda de microscópio óptico. Esse diagnóstico laboratorial feito pela visualização dos ovos nas fezes pode não ser conclusivo, pois pode aparecer ovos de Fasciola nas fezes de indivíduos que tenham ingerido fígado contaminado. Recomenda-se então, a sorologia através das técnicas de imunofluorescência, reação de fixação de complemento e ELISA. Ainda pode ser realizada a intradermorreação através da inoculação de antígenos.O diagnóstico também pode ser realizado em exames de ressonância magnética e tomografia computadorizada nos casos onde a necrose liquefativa evolui para um abcesso ou cisto.

O tratamento é realizado com triclabendazole.

Profilaxia[editar | editar código-fonte]

A prevenção da doença é feita evitando-se o consumo de agriões crus, principalmente se cultivados em terra irrigada por rios ou adubada com estrume de cabrito. Também recomenda-se o controle das populações do caramujo Lymnaea, através do uso de mulusquicidas, como sulfitatos de potásio, Frescon ou Bayluscide; a drenagem de pastagens alagadas e a variação periódica do nível da água em açudes. Existe ainda, a possibilidade de realizar-se o controle biológico através da criação do molusco Solicitoides sp que é predador das formas jovens do Lymnaea. Tem-se usado experimentalmente o látex de coroa-de-cristo, Euhorbis splandens, na proporção de 12 mg/l, em valas de irrigação, alcançando 05% de eliminação dos moluscos Lymnaea, sem matar peixes.