Equinococose

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Ir para: navegação, pesquisa
Equinococose
Ciclo de vida do Echinococcus (clique para ampliar)
Classificação e recursos externos
CID-10 B67
CID-9 122.4, 122
DiseasesDB 4048
eMedicine med/629 med/1046
MeSH D004443
Star of life caution.svg Aviso médico

A equinococose, também conhecida como doença hidátida, hidatidose, ou zoonose, é uma parasitose da ténia do tipo Echinococcus. As pessoas podem contrair dois tipos principais da doença, a equinococose cística e a equinococose alveolar. Existem duas formas menos comuns, a equinococose policística e a equinococose unicística. A doença começa frequentemente em sintomas e isto pode durar um ano. Os sintomas e sinais que ocorrem dependem da localização e dimensão dos quistos. A doença alveolar começa normalmente no fígado mas pode espalhar-se para outras partes do corpo como os pulmões ou o cérebro. Quando o fígado é afetado, a pessoa pode apresentar dor abdominal, perda de peso e pele amarela. A doença pulmonar pode causar dor no peito, dificuldade em respirar e tosse.[1]

A doença espalha-se quando são ingeridos alimentos ou líquidos que contenham os ovos do parasita ou por contacto próximo com um animal infetado. [1] Os ovos são libertados nas fezes de animais carnívoros que tenham sido infetados pelo parasita. [2] Os animais tipicamente infetados incluem: cães, raposas e lobos. [2] Para estes animais ficarem infetados, têm de comer os órgãos de um animal que contenham os quistos, como uma ovelha ou roedores. [2] O tipo de doença que ocorre nas pessoas depende do tipo de Echinococcus que causa a infeção. O diagnóstico é feito normalmente por ultrasom apesar de também se usar a tomografia computorizada (TAC) ou ressonância magnética (RM. Análises ao sangue que procurem anticorpos contra o parasita podem ser úteis, tal como a biopsia.[1]

A prevenção da doença cística é feita tratando os cães que possam transportar a doença e vacinando as ovelhas. O tratamento é muitas vezes difícil. A doença cística pode ser drenada através da pele, seguida de medicação.[1] Por vezes, este tipo de doença é apenas observado.[3] O tipo alveolar precisa muitas vezes de cirurgia, seguida de medicação. [1] A medicação usada é albendazol que pode ser necessário durante vários anos.[1] [3] A doença alveolar pode resultar em morte.[1]

A doença ocorre em quase todas as partes do mundo e afeta atualmente cerca de um milhão de pessoas. Nalgumas áreas da América do Sul, África e Ásia, até 10% de determinadas populações é afetado. [1] Em 2010, causou cerca de 1200 mortes, um decréscimo em comparação com as 2000 que causou em 1990. [4] O custo económico da doença foi estimado em cerca de 3 mil milhões de dólares por ano. Pode afetar outros animais, como porcos, vacas e cavalos. [1]

Echinococcus[editar | editar código-fonte]

Os equinococos são vermes achatados platelmintes do grupo dos cestoda. Como todos os platelmintes, têm um tubo digestivo incompleto.

O E. granulosus é um parasita intestinal com 6 milímetros dos cães (Canidae, também infecta dingos), tem um escolex e cerca de três proglótides; enquanto o E. multilocularis (3 milímetros, escoléx e cinco proglótides) parasita também raposas, gatos e outras espécies. Outros com menor importância são o E. vogeli e o E. oligarthrus. São semelhantes, nestes hospedeiros definitivos, às ténias, não causando problemas de maior. A doença humana é provocada pela sua ingestão e desenvolvimento acidental nos seres humanos como hospedeiros intermediários.

Ciclo de vida[editar | editar código-fonte]

O parasita adulto (hermafrodita) vive durante cerca de um ano no intestino do hóspede definitivo os seus ovos . Os ovos são então ingeridos na água ou plantas pelo hospedeiro o homem e um dos seus principais hospedeiro intermediário, normalmente uma ovelha, um roedor ou outros herbívoros, mas acidentalmente também pelo Homem. No intestino destes animais, os ovos libertam as larvas, que penetram na mucosa do intestino e depois nas veias, migrando pelo sangue até órgãos bem irrigados, principalmente o fígado (que recebe o sangue vindo dos intestinos primeiro), mas também no pulmão ou outros órgãos. ou seja, estes cistos têm membranas múltiplas externas e crescem até se transformarem em cistos hidáticos , Os mesmos podem crescer até 15 centímetros de diâmetro, mas frequentemente são maiores, e podem multiplicar-se por fragmentação. Os animais sao infectados quando consomem carne contendo estes protoscocelos, que se desenvolvem no seu intestino em formas adultas exclusivamente intestinais (como as ténias nos seres humanos).

Contudo o Homem não é habitualmente consumido por canídeos, e nele os cistos continuam crescendo e causam problemas de saúde. No caso daEquinococose, é frequente os cistos crescerem pela protuberância e posterior desprendimento de cistos "filhos", que podem até disseminar-se pelo sangue alojando-se em órgãos distantes.

Epidemiologia[editar | editar código-fonte]

O cão é o hospedeiro definitivo do E. granulosus e a fonte das infecções humanas

O E.granulosus existe em todo o mundo, sendo mais frequente nos países do Mediterrâneo, Europa de Leste, África, Austrália, Ásia e América Latina incluindo Brasil, sendo muito comum em áreas rurais do Rio Grande do Sul por exemplo. Em Portugal é raro.

O E.multilocularis é um parasita do hemisfério norte, existindo na Rússia, Norte da China, Ásia Central, Irão, Turquia, na Europa Central (Alemanha, França oriental, Suíça, Áustria, Polónia e República Checa) e no Canadá e Norte dos Estados Unidos, incluindo o Alasca. É rara em Portugal e não existe no Brasil ou na África. Nos países desenvolvidos infecta principalmente as raposas selvagens, de cujos parasitas provém as infecções humanas.

Progressão e sintomas[editar | editar código-fonte]

Após infecção, inicialmente é assintomática, já que os cistos são ainda pequenos. Se continuarem a crescer podem, depois de alguns anos (até quinze), causar problemas nos órgãos afectados, principalmente se forem em maior número.

Na infecção por E. granulosus, os cistos tendem a expandir-se como um balão. Se atingirem o fígado (60% dos casos) há dor na região do órgão (à direita junto às costelas), hepatomegalia, e possivelmente icterícia (pele e branco do olho amarelos). Se atingir os pulmões (25% dos casos) causa tosse, dores de peito, falta de ar. Se atingir o cérebro (raro) pode haver problemas neurológicos ou até distúrbios de personalidade.

A infecção com E. multilocularis é quase sempre (99% dos casos) no fígado. Os cistos crescem de forma infiltrativa e frequentemente separam-se em cistos filhos, podendo inclusivamente "metastizar" para outros órgãos. O seu comportamento é semelhante, em casos avançados não tratados, ao do cancro/câncer, com disseminação de cistos filhos para vários órgãos. Sintomas incluem dores abdominais e torácicas, icterícia, perda de peso, dores ósseas, anemia, tosse, problemas neurológicos, etc. Se não tratada é praticamente sempre mortal após alguns anos.

Se um cisto cheio de líquido rebentar, espontaneamente ou após trauma (como um acidente de automóvel) o líquido cheio de antigénios do parasita é detectado pelo sistema imunitário que reage desproporcionadamente. Após ruptura de cistos pequenos há prurido e exantema cutâneo, febre e tremores; mas após ruptura de um grande pode surgir o choque anafilático, com alto risco de morte. Se o doente sobreviver à ruptura, pode curar-se ou cada verme (dos cerca de 20) formar um cisto novo, aumentando o seu número.

Diagnóstico e tratamento[editar | editar código-fonte]

O diagnóstico é pela observação dos cistos nos exames imagiológicos como por exemplo numa Tomografia computadorizada do fígado. A serologia, feita por ELISA com detecção de anticorpos específicos contra o parasita, é usada como confirmação.

O tratamento só é possível com a excisão cirúrgica dos cistos. Se esta não for possível, a administração a longo prazo de antiparasitas como o mebendazole pode não curar, mas melhora o prognóstico.

Prevenção[editar | editar código-fonte]

Nas áreas endémicas do E. granulosum pode-se tratar os cães contra a parasitose, e impedi-los de consumir carne crua ou mal cozinhada, e não os alimentar de nenhum modo com vísceras como fígado ou pulmões. Tomar medidas higiénicas sempre que em contacto com os cães, como lavar sempre as mãos antes de comer.

Contra o E. multilocularis a prevenção é mais difícil já que infecta principalmente animais selvagens. Há programas de controlo do parasita nas raposas em alguns países, e é aconselhável lavar bem ou cozinhar as plantas comestíveis selvagens ou agrícolas acessíveis às raposas.

Referências[editar | editar código-fonte]

  1. a b c d e f g h i Echinococcosis Fact sheet N°377 World Health Organization (March 2014). Visitado em 19 March 2014.
  2. a b c Echinococcosis [Echinococcus granulosus [Echinococcus multilocularis] [Echinococcus oligarthrus] [Echinococcus vogeli]] CDC (November 29, 2013). Visitado em 20 March 2014.
  3. a b Echinococcosis Treatment Information CDC (November 29, 2013). Visitado em 20 March 2014.
  4. Lozano, R. (Dec 15, 2012). "Global and regional mortality from 235 causes of death for 20 age groups in 1990 and 2010: a systematic analysis for the Global Burden of Disease Study 2010.". Lancet 380 (9859): 2095–128. DOI:10.1016/S0140-6736(12)61728-0. PMID 23245604.