Imagem mental

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Imagem mental para Jean Piaget (1961) é a evocação simbólica de uma realidade ausente. Se diferencia de uma representação conceitual por se tratar de uma idéia mais específica e individualizada, podendo representar um objeto típico representante de um determinado conceito por exemplo.[1] Conforme o nível operacional da criança for se desenvolvendo imagens mentais antecipatórias podem ser usadas como forma de apoio importante no planejamento para uma ação e de compreensão da realidade e transformações, o que aconteceria por volta dos 7-8 anos. Antes disso Piaget teoriza que predominariam imagens estáticas e reproduções exatas.[2] Por outro lado, Dias (1995) verificou que crianças em fase de alfabetização também puderam ser beneficiadas pelo uso da imagem mental como estratégia para melhorar o nível de compreensão de histórias que eram lidas para elas.[3] Esse recurso tem a vantagem de não ser oneroso (como slides, ilustrações ou paineis), não precisar de muito treinamento e tratar o estudante como sujeito ativo no aprendizado sendo assim mais adequado de ser utilizado em escolas públicas e creches e mesmo com pessoas de nível intelectual humilde.

Uso terapêutico[editar | editar código-fonte]

Na psicologia cognitiva, Aaron Beck sugere o uso de imagens mentais como forma de lidar com suas crenças disfuncionais e resignificar impressões de um modo mais realista, especialmente no planejamento para enfrentar situações específicas. Depois de perguntar qual a imagem que lhe vem a cabeça", ou qualquer variação adequada dessa pergunta, o terapeuta pode orientar os pacientes a avaliar suas imagens ceticamente. Distorções cognitivas podem ser descobertas perguntando, por exemplo, "Existem resultados alternativos mais prováveis como para sua ação?" ou "O que acontece mais frequentemente nessas situações?". Quando solicitados a refletir sobre resultados alternativos, os pacientes podem perceber que suas imagens mentais podem não estar embasadas em evidências e probabilidades realistas e assim ter expectativas mais realistas dos acontecimentos e do resultado de suas ações.

Por exemplo: Terapeuta: -Quando você pensa em falar em público qual a imagem que lhe vem a cabeça? Paciente: -Eu penso em todo o auditório rindo de mim e me achando ridículo. Terapeuta: -Mas qual a reação mais provável do auditório diante das evidências que você tem deles? Paciente: -Eles provavelmente nem vão prestar tanta atenção e mesmo que eu não saiba o que falar eles devem ficar é mais impacientes.

Como a nova imagem mental é menos ansiogênica se torna mais fácil para um paciente ansioso lidar com ela e enfrentar a situação mais realisticamente. Outra técnica que pode ajudar, especialmente sujeitos ansiosos, é a fantasia guiada usando imagens mentais para planejar passo a passo o que fazer e se preparando para imprevistos.

Referências

  1. Adrian Oscar Dongo Montoya(2005) Piaget: Imagem Mental e Construção do conhecimento. Livro. Editora UNESP
  2. Piajet J. (1977) A Imagem Mental na Criança.Trad.António Couto Soares.Porto:Livraria Civilização-Editora.1977.525p.
  3. Dias, M.G.B.B, Morais, E.P.M & Oliveira, M.C.N.P (1995). Dificuldades na compreensão de textos: uma tentativa de remediação. Arquivos Brasileiros de Psicologia, 47(4), 13-24.