Propriedade (filosofia)

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Propriedade, no sentido filosófico, constitui uma categoria de atributos de entidades ontológicas, atributos que se distinguem uns dos outros na qualificação das entidades. Dada a complexidade da caracterização das noções, este é um assunto em que é plausível encontrar controvérsias entre filósofos.


Propriedade em filosofia lógica[editar | editar código-fonte]

Em filosofia da linguagem, ou semântica, propriedade é o significado ou o conteúdo semântico atribuído a predicados monádicos. Uma propriedade caracteriza-se por ser predicável ou exemplificável de/por algo. Predicação consiste na atribuição de propriedades a uma entidade (coisa ou indivíduo). Indivíduos e coisas formam aquelas categorias de entidades potencialmente objecto de predicações ou exemplificações de propriedades. Propriedades podem predicar outras propriedades de ordem inferior.

Do ponto de vista semântico, propriedades como “é água” e “é H2O” não são sinónimos, porque exprimirem intensões distintas, muito embora tenham a mesma extensão. Nem todos os filósofos aceitam contextos intensionais. Estes filósofos adoptam um ponto de vista apenas num contexto extensional, em que propriedade é vista como aquilo que é referido ou designado por predicados monádicos, pois, não passam de conceitos diferentes, ou representações mentais diferentes, da mesma propriedade. A propriedade de ser água, ou ter dois átomos de hidrogénio e um átomo de oxigénio, são conteúdos de uma única propriedade.

Para além de as propriedades serem referidas por predicados monádicos, também podem ser caracterizadas como aquilo que é designado ou referido por certas nominalizações ou termos singulares de um certo tipo. São termos complexos que resultam da aplicação a predicados monádicos, ou a frases abertas com uma variável livre, de um operador de abstracção de propriedades. [1]

Propriedades qualitativas e não qualitativas[editar | editar código-fonte]

Há uma distinção, que é intuitiva, entre propriedades puramente qualitativas (ou gerais) e propriedades não qualitativas. Uma propriedade qualitativa de uma coisa é uma propriedade a cuja significação não é feita qualquer referência a um indivíduo, ou objecto particular, através do uso de um nome próprio ou de outro tipo de designador.

Propriedades relacionais e não relacionais[editar | editar código-fonte]

Também temos uma intuição para distinguir propriedades relacionais de propriedades não relacionais. Uma propriedade relacional de um objecto é uma propriedade em cuja especificação é feita uma menção a uma certa relação entre objectos. Existirão propriedades que são simultaneamente qualitativas e relacionais. Por exemplo, a propriedade de uma pessoa ter aqueles pais como progenitores e apenas aqueles, apesar de haver um aspecto relacional nessa propriedade, não deixa também de ser uma propriedade essencial ou qualitativa. Mas em sentido estrito, as propriedades distinguem-se das relações. [2]

Propriedade em filosofia política e social[editar | editar código-fonte]

Não se deve confundir o sentido acima referido com o sentido social, que significa uma pessoa ter uma coisa e o direito de a usar, ou seja, ser seu proprietário. Neste outro sentido, o uso de coisas por uns implica a exclusão do seu uso por outros. Mas em filosofia política, há diferenças entre certos tipos de propriedade. Por exemplo, o direito à propriedade dos meios de produção é diferente do direito à propriedade adquirido pelo consumo. Há diferença entre propriedade de produtor e propriedade de consumidor. [3]

Referências

  1. João Branquinho, Desidério Murcho e Nelson Gonçalves Gomes – Enciclopédia de Termos Lógico-Filosóficos, São Paulo: Martins Fontes, 2006
  2. Mautner, T. The Penguin Dictionary of Philosophy. Penguin Books Ltd, 1997. Ed. Portuguesa – Edições 70, 2010.
  3. Simon Blackburn – Dicionário de Filosofia, 1997. Tradução portuguesa Ed. pela Gradiva, 1997