Intuição

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Em psicologia, intuição é um processo pelo qual os humanos passam, às vezes e involuntariamente, para chegar a uma conclusão sobre algo. Na intuição, o raciocínio que se usa para chegar a conclusão é puramente inconsciente, fato que faz muitos acreditarem que a intuição é um processo paranormal ou divino. Seu funcionamento e até mesmo sua existência são um enigma para a ciência. Apesar de já existirem muitas teorias sobre o assunto, nenhuma é dada ainda como definitiva. A intuição leva o sujeito a acreditar com determinação que algo poderá acontecer.

A intuição consiste na capacidade de conhecer algo sem de fato entender seu funcionamento. Está fundamentada na noção inicial que temos sobre algo, noção esta que nasce da experiência sensorial e/ou de uma análise superficial das características que compõe determinado elemento. Tomando como base está noção inicial, conseguimos entender de forma pouco esclarecida do que se trata determinado elemento e já nos dispomos a emitir juízos acerca do mesmo.

Exemplo: Com uma leve análise de uma pedra encontrada no chão, um homem já consegue compreender, através de seus sentidos, que se trata de um material resistente. Se lhe fosse perguntado se esse material se destrói em contato com a água, talvez diria que não, mesmo sem de fato saber o porquê de seu juízo. Saberia também dizer que o material provavelmente machucaria alguém caso fosse arremessado ao seu encontro, mesmo sem de fato saber o porquê disto. Saberia ainda, que tal material não pode ser digerido ou que o mesmo não deve ter sido criado por um ser humano.

Todas estas concepções do homem nasceram a partir da análise que seus sentidos o proporcionaram fazer. Mas há algo a mais nisto. Não bastaria ele olhar para a pedra e sentir seu peso para concluir todas estas coisas. Teria o homem que pensar por associação, por comparação. Teria o homem que se basear em suas outras experiências para entender tais coisas.

Possivelmente, ele conclui que se trata de um material resistente, por já ter descoberto, através de outras experiências, que materiais de consistência menos enrijecida costumam apresentar um caráter frágil. Além disso, talvez ele conclua que o contanto com a água não irá afetar a estrutura da pedra, por já ter percebido que outros materiais sólidos não se degradam em sua presença, como é o caso de madeiras, plásticos, vidros, etc. Quanto ao fato de machucar alguém em um arremesso, poderia o homem associar esta conclusão ao fato de que materiais muito leves não alcançam grandes distâncias quando arremessados e o que o peso do objeto é de certa forma proporcional a força com que ele entra em contato com outro corpo, quanto este objeto, imediatamente antes de tocar o corpo, estiver em movimento. Concluiria o homem, que o material não pode ser digerido por seu corpo, por notar que todos os outros materiais que ingere, são de consistência frágil e pouco rígida e que se diluem facilmente com o auxílio de seus dentes e de sua saliva. Ele ainda poderia supor que a pedra não foi criada por um ser humano, por notar a presença de pedras semelhantes em diversos cenários naturais e também nunca ter ouvido falar de seres humanos empregando tempo e energia na construção de pedras.

Têm-se nas linhas anteriores, um exemplo desta forma básica de entender o mundo que nos cerca. O pensamento por associação. O conhecimento que se constrói através de memórias de experiências passadas e comparações com experiências presentes. O raciocínio intuitivo da forma como foi apresentado, revela uma superficialidade na forma de compreender o mundo. Retomando ao exemplo do homem: o mesmo não saberia explicar o porquê de nenhuma de suas conclusões, visto que ele baseou-se somente em suas antigas experiências. Os fatos usados para formar a conclusão, não são compreendidos pelo homem, ele apenas sabe que são tal como são e aceita isso como natural. Não entende ele, o “como” e nem o “por que” daqueles fatos se apresentarem daquela maneira. Tudo que ele sabe, foi captado pelos seus sentidos, guardado em sua memória e utilizado quase que automaticamente no seu dia-a-dia como forma dele entender o mundo que o cerca.

Mas esta forma de raciocínio não deve ser de toda desmerecida, pois além de proporcionar uma forma básica de conhecimento, ela nos permite alcançar conclusões (agora referindo-se a tentativa de resolver problemas de forma racional) mais rapidamente, quando temos impresso na memória o comportamento e as características de determinado elemento.  Além disso, o raciocínio intuitivo não é de todo desprezado e está presente em algumas áreas do conhecimento: as “noções primitivas”, bastante comuns no campo da Matemática, são concepções que temos sob determinados elementos que carecem de uma base conceitual, de uma estrutura lógica fundamentada na linguagem que explique o que são. E meio que paradoxalmente, estas coisas são facilmente compreendidas, mesmo se não forem explicadas. Tente por exemplo explicar, sob uma perspectiva matemática, o que são planos, pontos e retas. Não apenas definir, mas explicar cada parte de suas características. Mesmo se não conseguir, continuará compreendendo o que são estas coisas e poderá facilmente resolver problemas que as envolvem, graças a intuição.

Etimologia[editar | editar código-fonte]

Do latim intuitione, formato a partir da união de "in-" (em, dentro) e "tuere" (olhar para, guardar)[1] . No português, provavelmente uma inflexão do francês "intuition" (contemplação, conhecimento imediato, pressentimento que nos permite adivinhar o que é ou deve ser), originado do latim.[2]

Classificação[editar | editar código-fonte]

A intuição pode ser dividida em 3 grupos. Esses grupos, na psicologia, não possuem termos oficiais para suas nomenclaturas e nem mesmo seguem à risca a definição de intuição, já apresentada acima.

  • Tipo 1: É o tipo de intuição que envolve um raciocínio simples, tão simples que passa despercebido pela mente consciente. Nós chegamos a uma conclusão, mas não percebemos que raciocinamos para obtê-la. Quando vemos um copo caindo, por exemplo, nós já sabemos que ele se quebrará, e isto sem precisar pensar conscientemente. É o que chamamos de "óbvio", elementar.
  • Tipo 2: É o tipo de intuição que vem da prática. Quanto mais se pratica alguma coisa, mais a mente passa a tarefa de raciocinar sobre o assunto que se está desenvolvendo do campo consciente para o campo inconsciente. Enxadristas considerados mestres, por exemplo, ao olharem para um tabuleiro logo sabem que jogada fazer, pensando muito pouco ou literalmente não pensando. Um outro exemplo é no aprendizado de novas línguas, o aluno tem de pensar muito para construir frases do idioma que está aprendendo enquanto o professor o faz naturalmente.
  • Tipo 3: É quando chegamos a uma conclusão de um problema complexo sem ter raciocinado. Popularmente, essa intuição se refere aos clichês "Como não pensei nisso antes?" e "Eureca!". Quando pessoas passam por esse fenômeno, elas não sabem explicar como raciocinaram para chegar ao resultado final, simplesmente falam que a resposta apareceu na mente deles.

Bergson[editar | editar código-fonte]

Intuição significa para Henri Bergson apreensão imediata da realidade por coincidência com o objeto. Em outras palavras, é a realidade sentida e compreendida absolutamente de modo direto, sem utilizar as ferramentas lógicas do entendimento: a análise e a tradução. Isto é, a intuição é uma forma de conhecimento que penetra no interior do objeto de modo imediato sem o ato de analisar e traduzir. A análise é o recorte da realidade, mediação entre sujeito e objeto. A tradução, é a composição de símbolos linguísticos ou numéricos que, analogamente a primeira, também servem de mediadores. Ambas são meios falhos e artificiais de acesso a realidade. Somente a intuição pode garantir uma coincidência imediata com a realidade sem símbolos nem repartições.

Einstein[editar | editar código-fonte]

"Não existe nenhum caminho lógico para a descoberta das leis do Universo - o único caminho é a intuição" - frase atribuída a Albert Einstein (1879-1955)

"Se o senhor quer estudar em qualquer dos físicos teóricos os métodos que emprega, sugiro-lhe firmar-se neste princípio básico: não dê crédito algum ao que ele diz, mas julgue aquilo que produziu. Porque o criador tem esta característica: as produções de sua imaginação se impõem a ele, tão indispensáveis, tão naturais, que não pode considerá-las como imagem de espírito, mas as conhece como realidades evidentes." - Albert Einstein.

Peirce[editar | editar código-fonte]

Opondo-se diretamente a Descartes, Charles Sanders Peirce nega que tenhamos o poder de conhecer de maneira imediata ou intuitiva nossos próprios pensamentos (autoconhecimento). Embora negue a intuição cartesiana, sustenta que nosso acesso ao mundo exterior se dá a partir da abdução, que é um quasi-pensamento de caráter instintivo. Esse tipo de inferência é fundamental para as descobertas. Para Peirce, o conhecimento de um pensamento é a interpretação do mesmo em outro pensamento. Nessa interpretação, o pensamento interpretado pelo pensamento posterior é signo-pensamento, e o pensamento que interpreta o pensamento anterior é interpretante. Esse processo, chamado semiose, parte, portanto, de nossos instintos, mas não de intuições a partir de conceitos a priori.

Em Sociologia[editar | editar código-fonte]

Para a Sociologia intuição é considerada uma das fontes da verdade utilizada por milhares de anos para trazer orientação e explicar fatos ao homem. Como conceito, a intuição é definida como a capacidade de perceber, discernir ou pressentir uma explicação independentemente de qualquer raciocínio ou análise. A intuição pode ser responsável pela elaboração de hipóteses que posteriormente poderão ser comprovadas ou não. Ela não é satisfatória como fonte de conhecimento pela dificuldade de ser testada.

Allan Kardec[editar | editar código-fonte]

Dentro da visão espírita Kardecista, a intuição seria um mecanismo de comunicação do Espírito humano (também chamado por muitos de Eu Maior) para com o Homem ora encarnado e que, com base no conhecimento e experiência acumulado de outras vidas, e já tendo passado por situações similares no passado, envia mensagens por meio de pensamentos ou sinais no íntimo ou no corpo do indivíduo para que este tome decisões importantes que poderão alterar o curso de sua jornada, ou ainda, que poderão salvar-lhe de uma situação de risco.

Em outras palavras, seria o Espírito do homem falando com ele mesmo (com o homem encarnado) e alertando-o sobre um dada situação, ajudando-lhe a tomar uma decisão que lhe fará alterar de forma significativa a trajetória de sua vida, e que esteja em acordo com o plano reencarnatório para esta existência.

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • Châtelet, François (org). História da filosofia: ideias, doutrinas. Vol. 6, Rio de Janeiro, Zahar, 1974
  • Vieillard-Baron, Jean-Louis. Compreender Bergson, Petrópolis, Vozes, 2007
  • Kant, Immanuel. Crítica da Razão Pura.
  • Peirce, Charles Sanders. "Algumas Conseqüências de Quatro Incapacidades".
  • Paul B Horton e E C.hunt. Sociologia, Editora: McGrawHill do Brasil, 1980.
  • Fradet, Pierre-Alexandre, Derrida-Bergson. Sur l'immédiateté, Hermann, Paris, coll. "Hermann Philosophie", 2014. ISBN 9782705688318
  • Kardec, Allan. O Livro dos Espíritos. Kardec, Allan O Livro dos Médiuns.

Referências[editar | editar código-fonte]

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