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Isabel na Baviera

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
 Nota: Para a Imperatriz Sissi, veja Isabel da Baviera, Imperatriz da Áustria.
Isabel
Rainha Consorte dos Belgas
Reinado23 de dezembro de 1909
a 17 de fevereiro de 1934
PredecessoraMaria Henriqueta da Áustria
SucessoraAstrid da Suécia
Dados pessoais
Nascimento25 de julho de 1876
Castelo de Possenhofen, Baviera, Império Alemão
Morte23 de novembro de 1965 (89 anos)
Castelo de Stuyvenberg, Laeken, Reino da Bélgica
Sepultamento30 de novembro de 1965
Igreja de Nossa Senhora de Laeken, Bruxelas, Reino da Bélgica
Nome completo
em alemão: Elisabeth Gabriele Valérie Marie Herzogin in Bayern
MaridoAlberto I da Bélgica
Descendência
Leopoldo III da Bélgica
Carlos, Conde de Flandres
Maria José da Bélgica
CasaWittelsbach (por nascimento)
Saxe-Coburgo-Gota (por casamento)
PaiCarlos Teodoro, Duque na Baviera
MãeMaria José de Bragança
ReligiãoCatolicismo
AssinaturaAssinatura de Isabel
Brasão

Isabel na Baviera[a] (nome completo em alemão: Elisabeth Gabriele Valérie Marie Herzogin in Bayern; Possenhofen, 25 de julho de 1876Laeken, 23 de novembro de 1965) foi esposa do Rei Alberto I e Rainha Consorte dos Belgas de 1909 até 1934. Foi a mãe do Rei Leopoldo III e da Rainha Maria José, consorte de Humberto II da Itália. É ancestral das atuais família real belga e família grão-ducal luxemburguesa.

Nascida uma duquesa bávara, casou-se, em 1900, com o futuro rei Alberto I da Bélgica. O casal tornou-se popular por promover uma imagem moderna da monarquia, baseada em valores humanistas e pacifistas.

Durante a Primeira Guerra Mundial, apesar de suas origens alemãs, defendeu a Bélgica contra a invasão alemã. Isabel acompanhou o rei na frente de batalha e participou da organização de assistência aos feridos, sendo conhecida como "Rainha Enfermeira".

Após a guerra, realizou viagens oficiais e culturais ao exterior, incluindo aos Estados Unidos, Brasil, Índia, Egito e Congo. Com a morte de Alberto I em 1934, deixou de ser rainha consorte, mas manteve atuação como patrona das artes e das ciências. Em 1937, criou o Concours musical international Reine Élisabeth.

Durante a Segunda Guerra Mundial, permaneceu na Bélgica junto ao filho, o rei Leopoldo III da Bélgica. Atuou em auxílio a judeus perseguidos pela Alemanha Nazista, sendo reconhecida como Justa entre as Nações.

Nos anos seguintes, dedicou-se principalmente às atividades culturais e científicas. Durante a Guerra Fria, realizou viagens a países do bloco comunista, incluindo União Soviética, Polônia, Iugoslávia e China, o que gerou críticas de setores do governo belga e lhe rendeu o apelido de "Rainha Vermelha".

Isabel faleceu em 23 de novembro de 1965, aos 89 anos, no Castelo de Stuyvenberg, e foi sepultada na Cripta Real da Igreja de Nossa Senhora de Laeken.

Primeiros anos

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Isabel (1.ª esq.) com suas irmãs Sofia Adelaide e Maria Gabriela.

Isabel nasceu em 25 de julho de 1876, no Castelo de Possenhofen, às margens do Lago de Starnberg, na Baviera. Era a segunda filha de Carlos Teodoro, Duque na Baviera, e de Maria José de Bragança, filha do rei D. Miguel I de Portugal. Sua madrinha foi sua tia, a imperatriz Isabel da Áustria (Sissi), e também era sobrinha de Maria Sofia da Baviera, ex-rainha do Reino das Duas Sicílias, e de Sofia Carlota, Duque de Alençon.[3]

Além da meia-irmã Amália da Baviera, filha do primeiro casamento de seu pai, Isabel teve quatro irmãos: Sofia Adelaide, Maria Gabriela, Luís Guilherme e Francisco José da Baviera.[4]

A família do Duque na Baviera era conhecida pela personalidade excêntrica de alguns de seus membros.[5] Seu pai abandonou a carreira militar para dedicar-se à medicina, tornando-se membro da Academia de Ciências em 1875 e um renomado oftalmologista, especializado no tratamento da catarata.[6][7] Sua mãe colaborava como enfermeira na clínica oftalmológica fundada pelo marido, onde pacientes carentes eram atendidos gratuitamente.[8]

Influenciada pelo exemplo do pai, Isabel recebeu uma educação liberal, convivendo com pessoas de diferentes origens sociais e nacionalidades.[9] Em 1890, ingressou com a irmã Maria Gabriela no Internato Saint-Joseph, em Zangberg, onde estudou alemão, francês e inglês, além de aprender piano e violino.[10]

Após concluir os estudos, retornou ao Castelo de Possenhofen. Em 1898, viajou com a família ao norte da África, visitando a Argélia e a Tunísia, experiência que despertou seu interesse por viagens e patrimônio histórico.[10] Nos anos anteriores, sua família foi marcada pela morte da tia Sofia Carlota, Duque de Alençon, no incêndio do Bazar de la Charité, em 1897, e pelo assassinato de sua madrinha, a imperatriz Sissi da Áustria, em Genebra, no ano seguinte.[11]

Casamento

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Isabel e Alberto em fotografia de noivado, em 1900.

Isabel notou o príncipe Alberto da Bélgica pela primeira vez em maio de 1897, em Paris, durante o funeral da Duquesa de Alençon. Na ocasião, porém, Alberto estava apaixonado pela princesa Isabel de Orleães, união vetada por seu tio Leopoldo II da Bélgica por razões políticas, devido às pretensões orleanistas ao trono francês do pai da princesa.[12]

Em janeiro de 1900, durante uma visita à irmã Henriqueta em Neuilly-sur-Seine, Alberto conheceu Isabel e sua irmã Maria Gabriela da Baviera. Encantado com Isabel, pediu-a em casamento após um novo encontro durante a Exposição Universal de Paris. O noivado foi oficializado em Fontainebleau, em 29 de maio de 1900, com a aprovação de Leopoldo II.[13] Apesar da resistência inicial dos pais de Alberto, que consideravam a família da noiva excêntrica e "pobre", o casamento foi celebrado em Munique, em 2 de outubro de 1900, após adiamento devido ao falecimento da princesa Josefina de Baden.[14][15]

Vida na Bélgica

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Isabel com seus filhos Leopoldo, Carlos e Maria José.

Três dias após o casamento, Alberto e Isabel chegaram à Bélgica, onde foram bem recebidos pela população. Em 9 de outubro de 1900, participaram de uma recepção na Société royale de la Grande Harmonie em Bruxelas.[16] Isabel conheceu a Rainha Maria Henriqueta, consorte de Leopoldo II, e adaptou-se à rígida corte belga, marcada pela personalidade autoritária de Leopoldo II e pelo conservadorismo dos pais de Alberto, os condes de Flandres.[17]

Inicialmente, o casal viveu no Palácio do Conde de Flandres, mas a falta de privacidade levou-os, em 1901, a instalar-se no Hôtel van der Noot d'Assche, em Bruxelas, tornando-se mais independentes.[18]

O casal teve três filhos: Leopoldo (1901–1983), futuro Rei dos Belgas; Carlos (1903–1983), Conde de Flandres e regente do reino entre 1944 e 1950; e Maria José (1906–2001), que se tornou Rainha da Itália como consorte de Humberto II em 1946 por breve período.[19]

Isabel ministra uma aula de violino ao filho, Leopoldo; ao lado, seu marido, Alberto.

Isabel introduziu um ambiente mais descontraído na corte, mas sofreu frequentemente com problemas respiratórios, realizando tratamentos em estâncias termais na França, Suíça e Itália ou junto à família na Alemanha. Após Alberto tornar-se herdeiro do trono em 1905, suas responsabilidades aumentaram, limitando o tempo que passavam juntos.[20]

Em novembro de 1906, Alberto escreveu à esposa pedindo que regressasse dos Dolomitas para apoiá-lo em suas novas responsabilidades políticas, destacando a importância de seu incentivo e companhia.[21]

Em 1908, a saúde de Isabel continuava frágil, reduzindo suas aparições públicas. Nesse período, a imprensa especulou sobre um suposto afastamento do casal após uma longa viagem da princesa à Grã-Bretanha, mas, segundo a historiadora Marie-Rose Thielemans, tratou-se apenas de um distanciamento temporário, após o qual Alberto decidiu evitar separações prolongadas.[22]

Isabel em 1910.

Com a morte do Rei Leopoldo II, em 17 de dezembro de 1909, Alberto ascendeu ao trono e Isabel tornou-se rainha consorte dos Belgas aos 33 anos. Apesar do luto pela morte recente do pai, assumiu ativamente o novo papel, oferecendo apoio constante ao marido, especialmente nos preparativos para sua posse e no exercício das funções de chefe de Estado.[23]

Entre 1909 e 1934, Isabel desempenhou um papel público mais destacado do que suas antecessoras. Após uma breve permanência no Palácio Real de Bruxelas, a família mudou-se para o Castelo Real de Laeken em 1910.[24] No mesmo ano, os soberanos intensificaram as relações diplomáticas por meio de visitas oficiais a países vizinhos e receberam o imperador Guilherme II da Alemanha na Bélgica, contribuindo para a reaproximação entre as casas reais belga e alemã.[25][26]

Em novembro de 1910, Isabel adoeceu gravemente, permanecendo em convalescença por vários meses até recuperar-se plenamente em maio de 1911.[27]

O novo casal real cultivou uma imagem de simplicidade e proximidade com a população, em contraste com o reinado anterior. Isabel dedicou-se a obras beneficentes, à saúde pública e ao combate às doenças, interesse reforçado pelas mortes de vários familiares em 1912.[28][29] Também promoveu intensamente a vida artística e intelectual belga, transformando o Castelo de Laeken em um centro cultural frequentado por artistas como Eugène Ysaÿe, Émile Verhaeren e Eugène Laermans.[30][31]

Rainha Enfermeira

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Isabel em uniforme de enfermeira durante a Primeira Guerra Mundial.

Com a eclosão da Primeira Guerra Mundial, Isabel auxiliou Alberto I na redação de mensagens diplomáticas dirigidas ao imperador alemão, em uma última tentativa de preservar a neutralidade belga.[32] Após o ultimato alemão de 2 de agosto de 1914, o casal apoiou a decisão de resistir militarmente à invasão.[33][34]

Após a invasão da Bélgica, a família real refugiou-se temporariamente em Antuérpia. Com o agravamento da guerra, Isabel levou os filhos para a Grã-Bretanha, retornando pouco depois para permanecer ao lado do rei.[35]

Durante todo o conflito, Isabel visitou hospitais militares, organizou assistência aos feridos e promoveu iniciativas para elevar o moral das tropas, distribuindo livros, jogos, cigarros, instrumentos musicais e criando a Orchestre symphonique de l'armée de campagne.[36] Embora tenha ficado conhecida como "Rainha Enfermeira", não exerceu funções regulares de enfermagem no Hospital do Oceano, dedicando-se principalmente à administração, arrecadação de fundos e coordenação da assistência médica.[37]

Instalados em De Panne, o casal recebeu chefes de Estado, militares, artistas e intelectuais aliados durante a guerra.[38][39] Isabel também serviu de intermediária entre Alberto I e as autoridades britânicas durante suas visitas aos filhos, que estudavam na Grã-Bretanha.[40]

Com a vitória aliada em 1918, a família real retornou triunfalmente a Bruxelas em 22 de novembro, sendo recebida por uma multidão. A permanência do casal na Bélgica durante todo o conflito consolidou sua popularidade. Alberto ficou conhecido como o "Rei Cavaleiro" e Isabel como a "Rainha Enfermeira", títulos que contribuíram para sua projeção como símbolos nacionais.[41][42][43][44][45]

Entre-guerras

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Isabel em 1925 por Philip de László.

Após a guerra, Isabel intensificou as viagens oficiais ao lado do rei. Em 1919, realizou uma visita de Estado aos Estados Unidos, onde o casal recebeu acolhida entusiástica em diversas cidades e encontrou o presidente Woodrow Wilson.[46][47]

Em 1920, visitou oficialmente o Brasil, percorrendo Rio de Janeiro e São Paulo, além de Portugal no retorno à Europa.[48]

Aficionada pelo Egito Antigo, esteve presente em 1923 na abertura da câmara funerária do túmulo de Tutancâmon, acompanhada do egiptólogo Jean Capart. Seu interesse favoreceu posteriormente a criação da Fondation Égyptologique Reine Élisabeth.[49][50] Voltou ao Egito em 1930 ao lado do rei para visitar sítios arqueológicos.[51]

Em 1925, durante viagem à Índia, encontrou-se com Rabindranath Tagore e visitou importantes centros culturais do país.[52] No mesmo período, participou da escolha da futura esposa do príncipe Leopoldo, favorecendo o casamento com a princesa Astrid da Suécia, celebrado em 1926.[53][54] Tornou-se avó em 1927 com o nascimento da princesa Josefina Carlota da Bélgica e, em 1930, viu a filha Maria José casar-se com o futuro rei Humberto II da Itália.[55]

Entre junho e agosto de 1928, Isabel e Alberto realizaram a primeira visita oficial de um soberano belga em exercício ao Congo Belga, promovendo obras públicas e defendendo melhorias para a população local.[56][57] Nos anos seguintes, visitaram ainda Iraque, Síria e Palestina.[58]

Isabel também incentivou a ciência e a cultura. Em 1926, criou a Fondation Médicale Reine Élisabeth, dedicada à pesquisa biomédica, especialmente em neurociências.[59] Apoiou ainda a criação do Palácio de Belas Artes de Bruxelas, inaugurado em 1928 e projetado por Victor Horta.[60]

Rainha-mãe

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Em 17 de fevereiro de 1934, o Rei Alberto I faleceu durante uma escalada nas rochas de Marche-les-Dames, próximo a Namur. Seu corpo foi encontrado na madrugada do dia seguinte.[61]

Profundamente abalada, Isabel retirou-se da vida pública por um período, refugiando-se em um pavilhão no parque de Laeken e abandonando temporariamente até mesmo o violino. Seu filho Leopoldo III tornou-se rei ao lado de sua esposa Astrid da Suécia, cuja morte em um acidente automobilístico, em 1935, levou Isabel a assumir um papel ativo na criação dos netos Josefina Carlota, Balduíno e Alberto. Segundo Leopoldo III, a rainha reencontrou um propósito ao dedicar-se à família.[62]

Segunda Guerra Mundial

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Com a invasão alemã da Bélgica, em 10 de maio de 1940, Leopoldo III assumiu o comando do exército. Isabel refugiou-se inicialmente em De Panne, mas, diante do avanço alemão, transferiu-se para o Castelo de Wijnendale e, após a capitulação belga em 28 de maio, voltou ao Castelo Real de Laeken, onde permaneceu ao lado do filho durante toda a ocupação alemã. Embora vigiada, manteve intensa atividade beneficente, visitando hospitais e instituições de assistência.[63]

Em 1942, representantes da Associação dos Judeus na Bélgica solicitaram sua intervenção contra as deportações. Isabel recorreu à família real italiana, à Cruz Vermelha e às autoridades alemãs para tentar impedir a deportação de judeus belgas. Suas iniciativas contribuíram para salvar diversas pessoas, embora não tenham impedido as grandes deportações de 1943. Em reconhecimento por esses esforços, foi declarada Justa entre as Nações pelo Yad Vashem em 18 de maio de 1965.[64][65][66]

Durante a guerra, Isabel acompanhava as transmissões da Rádio Londres e comparava suas informações com a propaganda alemã. Também apoiou o relacionamento de Leopoldo III com Mary Lilian Baels, que se tornou sua segunda esposa em 1941. Manteve contato próximo com a filha Maria José, mas as relações com seu filho Carlos permaneceram limitadas.[67][68][69][70]

Segundo o historiador Olivier Defrance, durante o conflito Isabel aproximou-se de posições favoráveis à União Soviética, influenciada por sua visão pacifista e igualitária do comunismo.[71]

Após o desembarque aliado na Normandia, em junho de 1944, Leopoldo III e sua família foram deportados para a Alemanha Nazista. Pouco depois, Bruxelas foi libertada, e o Príncipe Carlos assumiu a regência do reino em setembro de 1944.[72]

Com o fim da guerra, Leopoldo III foi libertado na Áustria em maio de 1945. Isabel reuniu-se ao filho, mas a controvérsia sobre sua atuação durante a campanha de 1940 impediu seu retorno imediato ao trono. Sem acordo com o governo, o rei e sua família estabeleceram-se temporariamente no exílio, na Suíça.[73] Leopoldo III retornou à Bélgica apenas em 1950.

Isabel em 1961.

Já octogenária, Isabel continuou praticando ioga e realizando longas caminhadas. A partir de 1964, porém, sua saúde cardíaca começou a declinar. Em maio daquele ano, ainda conseguiu assistir a algumas provas do Concours musical international Reine Élisabeth.[74]

Embora passasse a utilizar cadeira de rodas, Isabel conservou plenamente suas capacidades intelectuais. Em 4 de novembro de 1965, sofreu um primeiro ataque cardíaco, levando seu filho Leopoldo III a retornar imediatamente de uma viagem nos Estados Unidos. O Rei Balduíno e a Rainha Fabiola, que estavam no Brasil, também voltaram a Bruxelas. Após uma breve estabilização, Isabel ainda pediu, em 18 de novembro, para ouvir alguns discos.[75]

Em 23 de novembro de 1965, Isabel morreu aos 89 anos, vítima de um segundo infarto no Castelo de Stuyvenberg. Seu funeral de Estado ocorreu em 30 de novembro, reunindo membros da família real belga, representantes da nobreza europeia e numerosos veteranos das duas guerras mundiais, que reconheceram seu apoio aos soldados e feridos. Após a missa fúnebre celebrada pelo cardeal Léon-Joseph Suenens na Catedral de São Miguel e Santa Gudula, Isabel foi sepultada ao lado do rei Alberto I na Cripta Real da Igreja de Nossa Senhora de Laeken.[76]

Interesses

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Isabel em autocromo de Georges Chevalier (1924).
Isabel com o cientista Albert Einstein.
Isabel e Alberto com o físico Auguste Piccard.
Isabel dirigindo um carro (1945).

Apaixonada por música, Isabel apoiou a criação da Orquestra Nacional da Bélgica, fundada em 1936 e sediada no Palácio de Belas Artes de Bruxelas.[77]

Em 1937, promoveu a criação do Concours musical international Reine Élisabeth, inicialmente denominado Concours international Eugène Ysaÿe, em homenagem ao violinista belga. A partir de 1951, a competição passou a levar seu nome e tornou-se um dos concursos internacionais de música clássica mais prestigiados do mundo.[78] Em 1939, também participou da fundação da Chapelle musicale Reine Élisabeth, destinada ao aperfeiçoamento de jovens músicos.[79]

Além da música, Isabel dedicou-se à escultura. Após a viuvez, construiu um ateliê nos jardins de Laeken, onde produziu diversas obras, entre elas um conhecido busto do neto Alberto, realizado em 1938. O espaço tornou-se ponto de encontro de artistas e intelectuais.[80]

Ao longo da vida, Isabel também manteve contato com importantes cientistas e intelectuais. Conheceu Albert Einstein durante a quinta Conferência Solvay, realizada em Bruxelas em 1927. Desde então, quando o físico visitava a Bélgica, costumava ir ao castelo de Laeken para conversar com a rainha e tocar violino ao seu lado, interpretando duetos de Giovanni Battista Viotti e quartetos de Wolfgang Amadeus Mozart com outros músicos convidados.[81] Após a ascensão de Adolf Hitler em 1933, Einstein passou a viver nos Estados Unidos e os encontros pessoais cessaram, mas ambos mantiveram uma intensa correspondência em alemão até a morte do cientista, em 1955. Suas cartas tratavam principalmente de música e paz.[82]

Pacifista convicta, Isabel apoiou em 1950 o Apelo de Estocolmo, que defendia a proibição das armas nucleares.[83] Também manteve correspondência com Albert Schweitzer, que conheceu em 1951 enquanto ele tocava órgão em sua aldeia natal de Gunsbach, na Alsácia. Entre 1952 e 1965, trocaram cerca de cinquenta cartas nas quais Schweitzer relatava seu trabalho médico no Gabão e suas atividades como musicólogo, filósofo e pacifista.[84]

Entre seus correspondentes também esteve o compositor Ernest Bloch, que, durante seu exílio no Oregon, escreveu regularmente à soberana, compartilhando com ela o ideal de uma música capaz de ultrapassar fronteiras.[85]

Isabel também nutria grande interesse pela fotografia, paixão que já cultivava antes de seu casamento. Durante suas viagens, produziu milhares de imagens e registrou igualmente familiares, amigos, cientistas e artistas com quem convivia. Durante a Primeira Guerra Mundial, organizou em doze álbuns cerca de 2 400 fotografias que havia realizado entre 1914 e 1918.[86]

Após a Segunda Guerra Mundial, viúva e sem grandes obrigações oficiais, Isabel passou a organizar sua vida de forma independente, mantendo contatos com personalidades de diferentes correntes políticas e visitando países tanto do bloco ocidental quanto do bloco comunista. Demonstrou especial interesse pelos músicos da Europa Oriental: em 1955, participou do Festival Chopin, na Polônia, e, em 1958, visitou a União Soviética por ocasião do Concurso Internacional Tchaikovsky, aproveitando a viagem para conhecer Moscou, o Kremlin, a antiga residência de Vladimir Lenin e o metrô de Stalingrado. Fotografias suas ao lado do marechal Kliment Vorochilov diante de uma estátua de Lenin e junto de Nikita Khrushchov provocaram críticas na imprensa belga e preocupação de aliados ocidentais. Isabel, porém, manteve suas posições e continuou defendendo o diálogo internacional.[87]

Em janeiro de 1958, realizou nova visita ao Congo Belga, dois anos antes da independência do território. Em 1959, esteve em Israel a convite do governo israelense, sendo recebida pelo presidente Yitzhak Ben-Zvi. Durante a visita, participou de cerimônias na Igreja do Santo Sepulcro e inaugurou em Jerusalém um instituto arqueológico ligado à cooperação com a Universidade Hebraica de Jerusalém.[88]

Em 1959, visitou também a Iugoslávia, apesar das recomendações contrárias de pessoas próximas. Em setembro de 1961, aos 85 anos, viajou à China, passando pela União Soviética no trajeto. Visitou Pequim e a Grande Muralha da China, teve um breve encontro com Mao Tsé-Tung e foi recebida pelo primeiro-ministro Zhou Enlai. Na volta, passou novamente por Moscou, onde Khrushchov a levou ao Teatro Bolshoi e ao Museu Pushkin.[89]

Essas viagens renderam-lhe o apelido de "Rainha Vermelha" e provocaram críticas de setores da sociedade belga, além de certo desconforto no governo do país.[90] Apesar disso, Isabel continuou apoiando iniciativas de aproximação internacional e movimentos em favor da paz durante a Guerra Fria.[91]

Descendência

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Isabel com seu marido e filhos em 1900. Da esquerda para a direita: Maria José, Carlos, Isabel, Alberto e Leopoldo.
Retrato Nome Nascimento Morte Observações
Leopoldo III da Bélgica 3 de novembro de 1901 25 de setembro de 1983 Casou-se com a princesa Astrid da Suécia em 1926, com descendência.

Casou-se com Mary Lilian Baels em 1941, com descendência.

Carlos, Conde de Flandres 10 de outubro de 1903 1 de junho de 1983 Casou-se com Jacqueline Peyrebrune em 1977, sem descendência.
Maria José 4 de agosto de 1906 27 de janeiro de 2001 Casou-se com o rei Humberto II da Itália em 1930, com descendência.

Notas e referências

Notas

  1. Filha do Duque na Baviera, membro do ramo cadete (não soberano) da Casa de Wittelsbach, Isabel era Duquesa na Baviera (Herzogin in Bayern), uma forma de diferenciação em relação aos antigos duques, que eram Herzog von Bayern ("Duque da Baviera", em alemão), título utilizado pelos soberanos reinantes do antigo Ducado da Baviera (907–1623).[1][2]

Referências

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  3. Huberty & Giraud 1985, p. 424
  4. Huberty & Giraud 1985, p. 424–447
  5. Bestenreiner, Erika (2004). Sissi, ses frères et sœurs. Valse tragique en Bavière (em francês). Paris: Pygmalion. pp. 12–15. ISBN 978-2857048527
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Bibliografia

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