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Leopoldo III da Bélgica

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Leopoldo III
Leopoldo em 1934
Rei dos Belgas
Reinado23 de fevereiro de 1934
a 16 de julho de 1951
Coroação25 de fevereiro de 1934[1]
PredecessorAlberto I
SucessorBalduíno
RegenteCarlos, Conde de Flandres (1944–1950)
Balduíno (1950-1951)
Dados pessoais
Nascimento3 de novembro de 1901
Palácio do Marquês de Assche, Bruxelas, Reino da Bélgica
Morte25 de setembro de 1983 (81 anos)
Hospital Universitário de Louvain, Bruxelas, Reino da Bélgica
Sepultado em6 de outubro de 1983
Igreja de Nossa Senhora de Laeken, Bruxelas, Reino da Bélgica
Nome completo
francês: Léopold Philippe Charles Albert Meinrad Hubertus Marie Miguel
holandês: Leopold Filips Karel Albert Meinrad Hubertus Maria Miguel
alemão: Leopold Philippe Charles Albert Meinrad Hubertus Marie
português: Leopoldo Filipe Carlos Alberto Meinrad Humberto Maria Miguel
EsposasAstrid da Suécia
Lilian Baels (morganática)
Descendência
Josefina Carlota da Bélgica
Balduíno I da Bélgica
Alberto II da Bélgica
Alexandre da Bélgica
Maria Cristina da Bélgica
Maria Esmeralda da Bélgica
CasaSaxe-Coburgo-Gota
PaiAlberto I da Bélgica
MãeIsabel da Baviera
ReligiãoCatolicismo
AssinaturaAssinatura de Leopoldo III
Brasão

Leopoldo III[a] (Bruxelas, 3 de novembro de 1901 – Bruxelas, 25 de setembro de 1983) foi o rei dos belgas[2], cujas ações como comandante-em-chefe do exército belga durante a conquista alemã da Bélgica (1940) na Segunda Guerra Mundial suscitaram oposição ao seu governo, levando eventualmente à sua abdicação em 1951.[3]

Filho de Alberto I e de sua consorte Isabel da Baviera, Leopoldo serviu como soldado raso durante a campanha final da Primeira Guerra Mundial. Em 10 de novembro de 1926 casou-se com a princesa Astrid da Suécia e teve como filhos Josefina Carlota, Balduíno e Alberto. Leopoldo tornou-se rei dos belgas após a morte de seu pai em 17 de fevereiro de 1934. Favorecendo uma política externa independente, mas sem adotar uma neutralidade estrita, retirou a Bélgica de sua aliança defensiva com a França e da União Soviética, participando do Pacto de Locarno, um acordo de paz entre Alemanha, França, Bélgica, Itália e Grã-Bretanha após a ocupação alemã da Renânia em 1936. Determinado a resistir à agressão com o apoio da Grã-Bretanha e da França, patrocinou a construção de uma linha de defesa fortificada de Antuérpia a Namur, voltada para a Alemanha.[3]

Com o início da Segunda Guerra Mundial, Leopoldo assumiu o comando supremo do exército belga. Em maio de 1940, enquanto os Aliados realizavam a evacuação de centenas de milhares de soldados do porto francês de Dunquerque, as forças belgas no rio Leie lutavam contra o avanço alemão. Leopoldo foi forçado a render suas tropas cercadas em 28 de maio. A rejeição do governo belga à sua decisão de permanecer com as tropas em vez de se unir ao governo de Londres no exílio gerou o conflito do pós-guerra sobre sua reivindicação ao trono. Leopoldo foi mantido prisioneiro pelos alemães em seu castelo real perto de Bruxelas até 1944 e depois na Áustria até o fim da guerra. Sua carta a Adolf Hitler em 1942 é considerada responsável por salvar cerca de 500 mil mulheres e crianças belgas da deportação para fábricas de munições na Alemanha. Em 11 de setembro de 1941 casou-se com Mary Lilian Baels, a quem nomeou princesa de Réthy, e teve como filhos Alexandre, Maria Cristina e Maria Esmeralda.[3]

Após a nomeação de seu irmão Carlos como regente em 1944, Leopoldo permaneceu na Suíça entre 1945 e 1950 aguardando a resolução da controvérsia sobre seu iminente retorno ao trono. Um plebiscito realizado em 12 de março de 1950 mostrou que quase 58% dos eleitores eram favoráveis ao retorno do rei, refletindo principalmente o apoio dos flamengos católicos. No entanto, a agitação fomentada pela oposição liberal, socialista e valona levou Leopoldo a renunciar à sua soberania em 11 de agosto de 1950 em favor de seu filho Balduíno, que se tornou rei no ano seguinte. Leopoldo e a princesa de Réthy continuaram a viver em Laeken, residência tradicional dos reis belgas, até o casamento de seu filho em 1960. Críticos de Leopoldo acreditavam que sua permanência em Laeken lhe conferia demasiada influência sobre o rei Balduíno.[3]

Juventude e primeiro casamento

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Leopoldo com sua primeira esposa, Astrid da Suécia.

Leopoldo Filipe Carlos Alberto Meinrad Umberto Maria Miguel nasceu no dia 3 de novembro de 1901 em Bruxelas. Com seu nascimento, ele recebeu o título de Duque de Brabante. Em 1915, foi enviado pelo seu pai para o Eton College no Reino Unido. Após a Primeira Guerra Mundial, o duque se alistou na escola de formação militar de Santa Bárbara, na Califórnia. Entre 23 de setembro e 13 de novembro de 1919, com apenas dezoito anos, Leopoldo participou de uma visita oficial aos Estados Unidos, acompanhado de seus pais.[4][5][6][7]

Em 1926, casou-se com Astrid da Suécia, filha de Carlos, Duque da Gotalândia Ocidental, e tiveram uma filha e dois filhos. No dia 29 de agosto de 1935, Leopoldo III e Astrid, que na época estava grávida, estavam em um carro conduzido por Leopoldo, próximo à sua residência em Küsnacht, na Suíça. Enquanto dirigia ao longo das margens do Lago Lucerna, Leopoldo perdeu o controle do carro, o que resultou na trágica morte de Astrid.[8][9]

Segunda Guerra Mundial

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Quando eclodiu, em setembro de 1939, a Segunda Guerra Mundial, os governos da França e do Reino Unido tentaram imediatamente convencer a Bélgica a se aliar a eles. No entanto, o governo belga e Leopoldo III, que era rei dos belgas desde 1934, recusaram-se a entrar na guerra, preferindo manter a neutralidade do país. Ao mesmo tempo, a Bélgica acreditava estar bem preparada caso ocorresse uma invasão pela Alemanha Nazista.[10][11]

Em 10 de maio de 1940, Adolf Hitler, violando a neutralidade belga, lançou uma invasão para conquistar o país. A Bélgica não conseguiu resistir às forças alemãs, numericamente superiores, e em poucos dias todo o território belga caiu sob ocupação alemã.[12][13]

Rendição e crise constitucional

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Halt, Sire Dat Vergeten Wij Nooit" ("28 de maio de 1940, Pare, Sire. Nunca esqueceremos isto"). Cartaz belga de 1940 criticando o rei Leopoldo III após a rendição do país na Batalha da Bélgica, afirmando que o episódio jamais será esquecido.

Em 24 de maio de 1940, Leopoldo III, que comandava o exército belga, reuniu-se pela última vez com os ministros de seu governo. Os ministros aconselharam o rei a deixar o país, como faria o restante do gabinete. O primeiro-ministro Hubert Pierlot lembrou-lhe que a rendição era uma decisão que cabia ao governo belga, não ao monarca. Leopoldo, no entanto, declarou sua decisão de permanecer no país, independentemente do desfecho da guerra. Os ministros interpretaram essa atitude como a intenção do rei de formar um novo governo sob a autoridade de Hitler, o que foi visto como um ato de traição. Leopoldo já mantinha relações tensas com seus ministros, tentando reduzir os poderes deles e ampliar os seus próprios.[14][15][16]

Em 25 de maio de 1940, enquanto as tropas francesas, britânicas e belgas estavam cercadas pelas forças alemãs na Batalha de Dunquerque, Leopoldo enviou um telegrama ao rei Jorge VI do Reino Unido, informando que o exército belga não tinha mais condições de continuar lutando. Dois dias depois, em 27 de maio de 1940, Leopoldo rendeu o exército belga aos alemães e permaneceu no país para compartilhar o cativeiro de seus soldados, como comandante-em-chefe.[17][18][19][20]

O primeiro-ministro Pierlot, falando a uma rádio francesa, declarou que a decisão do rei de se render contrariava a Constituição belga. O governo Pierlot considerou Leopoldo "incapaz de governar" e defendeu a nomeação de um regente, o que só ocorreria após a libertação da Bélgica, em setembro de 1944.[21][22][23]

Após a rendição, a imprensa britânica passou a chamar Leopoldo de "rei traidor". A mesma posição foi adotada pelo primeiro-ministro francês Paul Reynaud e pelo britânico Winston Churchill, que classificaram o ato de Leopoldo como traição.[24][25]

Após a queda da França

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Com a queda da Bélgica diante da Alemanha Nazista, a maioria dos ministros do governo belga partiu para o exílio, principalmente na França. Quando a França também foi derrotada, no fim de junho de 1940, vários ministros expressaram o desejo de retornar à Bélgica. Pediram então autorização a Leopoldo III, mas ele recusou o pedido. Nesse período, o rei gozava de grande popularidade entre o povo, ao contrário do governo exilado.[14][26][27]

Em 2 de agosto de 1940, vários ministros exilados se reuniram na região de Le Perthus, na França, perto da fronteira com a Espanha. Lá decidiram transferir o governo para Londres, o que conseguiram realizar em 22 de outubro daquele mesmo ano.[28]

Encontro com Hitler

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Leopoldo III rejeitou colaborar com os nazistas e se recusou a administrar a Bélgica de acordo com as suas exigências, já que o país estava sob um governo militar imposto pela Alemanha. O rei tentou reafirmar sua autoridade como monarca e chefe de Estado belga, embora, na prática, fosse prisioneiro dos alemães. Apesar de seu desprezo pelos invasores, o governo belga no exílio, sediado em Londres, sustentava que Leopoldo não representava mais o Estado, considerando-o incapaz de governar.[29]

Os alemães inicialmente o colocaram em prisão domiciliar no Palácio Real de Laeken, em Bruxelas. Desde junho de 1940, Leopoldo manifestava o desejo de se reunir com Adolf Hitler, e o encontro finalmente aconteceu em 19 de novembro de 1940. O rei esperava obter de Hitler uma declaração pública garantindo que a Bélgica recuperaria sua independência no futuro. No entanto, Hitler recusou-se a fazer qualquer promessa nesse sentido. Sem essa declaração, Leopoldo III passou a ser visto como um instrumento dos alemães na Bélgica — algo que mais tarde lhe custaria o trono.[30][31]

Segundo casamento

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Mary Lilian Baels.

Em 11 de setembro de 1941, Leopoldo III casou-se secretamente com Mary Lilian Baels (posteriormente conhecida como Liliana, Princesa de Réthy) em uma cerimônia religiosa que não tinha validade legal segundo o direito belga, pois a legislação do país exigia que o casamento civil precedesse o religioso. O casamento civil foi realizado em 6 de dezembro, e sete meses depois nasceu o primeiro filho do casal.[32][33]

Em 7 de dezembro, foi anunciado oficialmente que o rei Leopoldo havia se casado novamente e que sua nova esposa seria conhecida como "Liliana, Princesa de Réthy", e não como "Rainha Lilian". Também foi informado que os filhos desse casamento não teriam direitos sucessórios ao trono belga. O novo matrimônio de Leopoldo causou ainda mais danos à sua imagem pública, que já estava abalada desde a rendição e o período de ocupação.[34]

O Testamento Político

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Efígie de Leopoldo III em meoda de 5 francos, Bélgica. Inscrição: LEOPOLD III ROI DE BELGES.

Durante a guerra, os ministros exilados fizeram várias tentativas de chegar a um acordo com Leopoldo III. Em janeiro de 1944, enviaram o genro do primeiro-ministro Pierlot como mensageiro, encarregado de entregar uma carta de reconciliação ao rei, em nome do governo belga no exílio. No entanto, a carta nunca chegou ao destino, pois o mensageiro foi assassinado pelos alemães durante o trajeto. Sem notícias da carta nem do enviado, os ministros concluíram que Leopoldo os estava ignorando.[35]

Pouco depois do fracasso dessa tentativa de reconciliação, Leopoldo III redigiu um documento intitulado “Testamento Político”, que pretendia ser publicado caso ele não estivesse mais na Bélgica quando as forças aliadas chegassem ao país. Esse testamento, de tom autoritário e negativo, descrevia a futura entrada dos Aliados na Bélgica não como uma libertação, mas como uma ocupação. O texto também ignorava o movimento de resistência belga contra as forças do Eixo. Leopoldo defendia que deveriam ser anuladas as acordos firmados pelo governo no exílio com os Aliados — entre eles, o que permitia aos Estados Unidos explorarem o urânio proveniente do Congo Belga.[36]

Após a libertação da Bélgica, o governo optou por não publicar o Testamento Político, tentando deixá-lo no esquecimento, principalmente por temer um aumento no apoio ao Partido Comunista dentro do país.[37]

Exílio e abdicação

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Villa Le Reposoir em Pregny-Chambésy, Suíça, onde Leopoldo III viveu exilado com sua família de 1945 a 1950.

Em 1944, o marechal da SS, Heinrich Himmler, ordenou a transferência de Leopoldo III e de sua família para a Alemanha. Os nazistas mantiveram a família prisioneira em um castelo em Hirschstein, na Saxônia, de junho de 1944 até março de 1945. Durante o período na Alemanha, a família real belga era mantida sob rigorosa vigilância da SS e sofria com condições severas; vivia com alimentação precária e constante medo de ataques ou vingança dos nazistas, já derrotados pelos Aliados. O perigo era real: um oficial nazista tentou envenená-los com cianeto disfarçado de vitaminas, mas Lilian e Leopold desconfiaram e recusaram os comprimidos, protegendo a si mesmos e aos filhos. Posteriormente, foram levados para Strobl, na Áustria.[38][39][40]

Os governos dos Estados Unidos e do Reino Unido expressaram preocupação com a possível volta do rei à Bélgica. O embaixador americano em Bruxelas, Charles Sawyer, alertou que um retorno imediato de Leopoldo enfrentaria grandes dificuldades, especialmente devido ao crescimento do sentimento nacionalista na região francófona da Valônia.[41]

Leopoldo III e sua família foram libertados pelo exército americano no início de maio de 1945. Contudo, por causa de sua atuação controversa durante a guerra, o rei não pôde retornar à Bélgica e passou os seis anos seguintes no exílio, vivendo na Suíça. Desde 1944, o Parlamento belga havia nomeado o irmão de Leopoldo, o príncipe Carlos, como regente do reino, assumindo as funções reais até que a situação política fosse resolvida.[42][43][44]

Reação à volta do rei

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Mijn Lot Zal Het Uwe Zijn ("Meu destino será o seu"). Cartaz de propaganda belga sobre o rei Leopoldo III; o "Kgf" no uniforme significa Kriegsgefangener, alemão para "prisioneiro de guerra". Publicado em 1950 em reação à volta do rei.

O reitor da Universidade Aberta de Bruxelas, Van den Dungen, escreveu em 25 de junho de 1945 a Leopoldo sobre suas preocupações com tumultos na Valônia: A questão não é se as acusações contra o senhor são verdadeiras ou não… O senhor não é mais um símbolo da unidade belga. Por sua vez, o presidente do Senado belga, Gillon, alertou o rei sobre a ameaça de sérios distúrbios: Se houver apenas dez ou vinte mortos, a situação será terrível para o rei. Outros funcionários do governo compartilhavam opiniões semelhantes, demonstrando a tensão política e social existente no país.[45][46]

Em 1946, uma comissão de inquérito absolveu Leopoldo do crime de traição. Apesar disso, a controvérsia continuou, levando à realização de um referendo decisivo em 1950 sobre a retomada do trono pelo rei Leopoldo III. No resultado, 57% dos cidadãos apoiaram seu retorno. Entretanto, o divisor regional era evidente: apenas 42% dos valões apoiaram o retorno, em contraste com 70% dos flamengos favoráveis, mostrando o grande fosso entre as comunidades do país.[47][48]

Protestos de 1950

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Em 1950, Liège e outros municípios da Valônia adotaram a bandeira valona no lugar da bandeira nacional da Bélgica.

Com seu retorno à Bélgica em 1950, Leopoldo III enfrentou os protestos mais violentos da história do país. Como resultado desses protestos, três manifestantes foram mortos por tiros da polícia. A situação deixava o país à beira da guerra civil, e em várias regiões da Valônia, a bandeira belga foi substituída pela bandeira valona.[49][50]

Para evitar a divisão do país e preservar a monarquia, Leopoldo decidiu, em 1 de agosto de 1950, renunciar em favor de seu filho de vinte anos, Balduíno. Sua renúncia entrou em vigor em 16 de julho de 1951, embora na prática o governo tenha emitido o decreto de abdicação a partir de 1 de agosto de 1950.[51][52]

Vida posterior

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Leopoldo e sua esposa continuaram a aconselhar o rei Balduíno até o casamento deste em 1960. Alguns historiadores belgas consideram esse período como uma espécie de diarquia.[53]

Após sua abdicação, Leopoldo dedicou-se às suas paixões como antropólogo social amador e entomólogo, realizando viagens pelo mundo.[54]

Em 25 de setembro de 1983, o rei Leopoldo III morreu aos oitenta e um anos no Hospital Universitário de Louvain [55] Ele foi sepultado ao lado da rainha Astrid. Posteriormente, sua segunda esposa, Liliana, também foi enterrada ao lado dele.[56]

Descendência

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Em 1926, Leopoldo III casou-se com Astrid da Suécia, filha de Carlos, Duque da Gotalândia Ocidental e de Ingeborg da Dinamarca. O casamento civil ocorreu em 4 de novembro de 1926 em Estocolmo, e o religioso em 10 de novembro do mesmo ano em Bruxelas. O casal teve três filhos:[57][58]

  1. Josefina Carlota (1927–2005), casou-se com João, Grão-Duque do Luxemburgo e tiveram 5 filhos;
  2. Balduíno (1930–1993), Príncipe da Bélgica. Casou-se com Fabiola de Mora y Aragón, sem filhos;
  3. Alberto II (nascido em 1934), casou-se com Paola Ruffo di Calabria e tiveram 3 filhos.

Em 11 de setembro de 1941, Leopoldo III casou-se pela segunda vez com Mary Lilian Baels, em uma cerimônia religiosa secreta que não tinha validade legal segundo a lei belga. O casamento civil ocorreu em 6 de dezembro de 1941, durante a guerra. O casal teve três filhos:

  1. Alexandre (1942–2009), casou-se com Léa Wolman, sem filhos;
  2. Maria Cristina (nascida em 1951), casou-se primeiramente com Paul Duchêne e, em segundas núpcias, com Jean-Paul Gourz, sem filhos em ambos os casamentos;
  3. Maria Esmeralda (nascida em 1956), casou-se com Sir Salvador Moncada e tiveram 2 filhos.

Títulos e honras

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Monograma real de Leopoldo.
  • 3 de novembro de 1901 – 23 de dezembro de 1909: "Sua Alteza Real, o Príncipe Leopoldo da Bélgica, Príncipe de Saxe-Coburgo e Gota, Duque na Saxônia"
  • 23 de dezembro de 1909 – 17 de fevereiro de 1934: "Sua Alteza Real, o Duque de Brabante"
  • 17 de fevereiro de 1934 – 16 de julho de 1951: "Sua Majestade, o Rei dos Belgas, Soberano do Congo"
  • 16 de julho de 1951 – 25 de setembro de 1983: "Sua Majestade, o Rei Leopoldo da Bélgica"

Em 23 de abril de 1927, foi agraciado com a Grã-Cruz da Ordem Militar da Torre e Espada, do Valor, Lealdade e Mérito de Portugal.[59]

Em 23 de fevereiro de 1938, foi agraciado com a Grã-Cruz da Banda das Três Ordens.[59]

Ancestrais

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Notas

  1. nome completo:
    * francês: Léopold Philippe Charles Albert Meinrad Hubertus Marie Miguel
    * holandês: Leopold Filips Karel Albert Meinrad Hubertus Maria Miguel
    * alemão: Leopold Philippe Charles Albert Meinrad Hubertus Marie
    * português: Leopoldo Filipe Carlos Alberto Meinrad Humberto Maria Miguel

Referências

  1. «A FAMILY OF KINGS; Saxe-Coburg-Gotha Line Linked Through Europe». The New York Times (em inglês). 25 de fevereiro de 1934. ISSN 0362-4331. Consultado em 23 de julho de 2022 
  2. Christophe Giltay (20 de Julho de 2013). «Pourquoi dit-on roi des Belges et pas roi de Belgique ?». RTL Info. Consultado em 14 de Dezembro de 2015 
  3. a b c d The Editors of Encyclopaedia Britannica (ed.). «Leopold III king of Belgium». Encyclopaedia Britannica (em inglês). Consultado em 5 de novembro de 2025 
  4. The Belgian Monarchy: Home - History - Duke of Brabant
  5. Wedding of Leopold III and Astrid of Sweden | Unofficial Royalty
  6. Leopold III
  7. Belgian Abdication: Profile of Leopold III | The Royal Forums
  8. Royal crypt opens on anniversary of Queen Astrid’s death | Royalista[ligação inativa]
  9. Belgian Royal Burial Sites | Unofficial Royalty
  10. Belgium in World War II | World War II Database
  11. World War II - Belgium
  12. German Invasion of Western Europe, May 1940
  13. «Judgment: The Invasion Of Belgium, The Netherlands And Luxemburg». Consultado em 16 de dezembro de 2014. Cópia arquivada em 13 de novembro de 2014 
  14. a b "Belgian Royal Question" - the Abdication Crisis of King Leopold III of the Belgians
  15. «Αρχειοθετημένο αντίγραφο». Consultado em 16 de dezembro de 2014. Cópia arquivada em 21 de maio de 2013 
  16. Belgium surrenders to Nazis... - RareNewspapers.com
  17. BAYER, EDDY (1964). Ο Πόλεμος των Τεθωρακισμένων,τόμος α΄. ΑΘΗΝΑ,ΓΕΝΙΚΟ ΕΠΙΤΕΛΕΙΟ ΣΤΡΑΤΟΥ: [s.n.] p. 143 
  18. Yapou Governments in Exile - Chapter 4 - Belgium<!
  19. «TracesOfWar.com - Leopold III as commander-in-chief» 
  20. Leopold III, Leopold Filips Karel Albert Meinrad Hubertus Maria | WW2 Gravestone
  21. Discours d'Hubert Pierlot le 28 mai 1940 | toudi
  22. The Downfall of France | Foreign Affairs
  23. Christelijke Religieuze Kennis | God schenkt geluk. Laat het gokken dus over aan God
  24. Belgian bid to restore honour of their king - Telegraph
  25. «A Belgian king is the only ruler to be acquitted in a treason case - thenews.com.pk». Consultado em 16 de dezembro de 2014. Cópia arquivada em 3 de dezembro de 2013 
  26. The World at War - BELGIUM 1939 - 1951<
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  28. A Small Nation in the Turmoil of the Second World War: Money, Finance and Occupation (Belgium, Its Enemies, Its Friends, 1939-1945), Herman van der Wee, Monique Verbreyt, 2009. ISBN 978-9058677594
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  33. Leopold III | World War II Database
  34. Leopold III : Second Marriage to Marie Lilianne Baels
  35. Leopold III of Belgium, Post abdication life, The Political Testament[ligação inativa]
  36. "Belgian Royal Question" - the Abdication Crisis of King Leopold III of the Belgians
  37. Les mémoires d’André de Staercke au regard d’un intermittent saltimbanque passionné de critique historique. | toudi
  38. «Αρχειοθετημένο αντίγραφο». Consultado em 16 de dezembro de 2014. Cópia arquivada em 5 de março de 2016 
  39. hirschstein.de - Belgische Königsfamilie als Staatsgefangene auf Schloss Hirschstein
  40. «Die Monarchie in Belgien: Startseite - Geschichte - Albert II». Consultado em 16 de dezembro de 2014. Cópia arquivada em 6 de março de 2015 
  41. https://www.journalbelgianhistory.be/en/system/files/article_pdf/BTNG-RBHC,%2009,%201978,%201-2,%20pp%20001-016.pdf
  42. 106th_WWII_History2
  43. BBC ON THIS DAY | 18 | 1950: Government falls as Belgians vote for king
  44. Leopold III - Elastolin and Lineol Portrait Figures
  45. Leopold III of Belgium, Exile and abdication, Deportation and exile[ligação inativa]
  46. Bouleversement possible de l'échiquier politique wallon | toudi
  47. «A Belgian king is the only ruler to be acquitted in a treason case - thenews.com.pk». Consultado em 16 de dezembro de 2014. Cópia arquivada em 3 de dezembro de 2013 
  48. «Leopold III's DOWNFALL». Consultado em 16 de dezembro de 2014. Cópia arquivada em 27 de junho de 2014 
  49. History: 50 years since “strike of the century” in Belgium | socialistworld.net
  50. «Belgium in 1950». Consultado em 16 de dezembro de 2014. Cópia arquivada em 11 de abril de 2015 
  51. La Question Royale contraint Léopold III de Belgique à l’abdication
  52. King Leopold Dies - Led The Belgians - Nytimes.Com
  53. La Couronne et la rose, Baudouin et le monde socialiste 1950-1974, Le Cri, Brussels, 2010, ISBN 978-2-87106-537-1.
  54. «Αρχειοθετημένο αντίγραφο». Consultado em 16 de dezembro de 2014. Cópia arquivada em 9 de janeiro de 2009 
  55. «Leopold III of Belgium Dies of Heart Attack at 81». Washington Post (em inglês). ISSN 0190-8286. Consultado em 23 de julho de 2022 
  56. «Leopold III, King of Belgium, 1931-1951». Consultado em 16 de dezembro de 2014. Cópia arquivada em 28 de fevereiro de 2014 
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  60. «Ancestors of King Leopold III of Belgium». MyOrigins. Consultado em 5 de novembro de 2025 

Ligações externas

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