Casa de Bragança

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Casa de Bragança
Sereníssima Casa de Bragança
Armas da Casa de Bragança, após 1640.
Estado Reino de Portugal

Império do Brasil
Flag of Kingdom of Brazil.svg Reino do Brasil

Título Rei de Portugal
Rei do Reino Unido de
Portugal, Brasil e Algarves

Rei de Portugal e do Algarve
Imperador do Brasil
Duque de Bragança
Senhorio de Ceuta
Origem
Fundador Afonso I de Bragança
Fundação 1442
Casa originária Borgonha e Avis
Atual soberano
Linhagem secundária
Casa de Orleães-Bragança (Brasil)
Saxe-Coburgo e Bragança (Brasil)
Bragança-Saxe-Coburgo-Gota (Portugal)
Casa de Bourbon-Bragança (Espanha)

A Casa de Bragança, oficialmente titulada como a Sereníssima Casa de Bragança é uma família nobre portuguesa, que teve muita influência e importância na Europa e no mundo até ao início do século XX[1], tendo sido a casa real portuguesa desde 1640 até 1910. Como família real portuguesa, a Casa de Bragança foi a última casa real soberana do Reino de Portugal (1139-1910), e do império ultramarino colonial português, por quase quatro séculos, tendo ascendentes nas dinastias anteriores.

A Casa de Bragança reinou em regime de monarquia tradicional até 1820, depois, em decorrência da implantação da monarquia constitucional em Portugal, passou a reinar em regime de monarquia constitucional. Para alguns historiadores e académicos, pelo casamento da rainha D. Maria II de Portugal com o príncipe D. Fernando de Saxe-Coburgo Gota e Koháry, a Casa de Bragança ter-se-á extinto dando origem à Casa de Bragança-Saxe-Coburgo-Gota.[2]

A Casa de Bragança também foi a soberana do Reino Unido de Portugal, Brasil e Algarves (1815-1822), que depois retornaria à denominação de Reino de Portugal (1139-1910); e, por via dum ramo colateral, do Império do Brasil (1822-1889). Com a morte de Pedro II do Brasil, o ramo brasileiro extingue-se em linha masculina, e sua titularidade é reivindicada pela Casa de Orleães-Bragança, descendente da princesa Isabel do Brasil. No caso do ramo familiar em Espanha, é conhecido como a Casa de Bourbon-Bragança.

Casa Ducal[editar | editar código-fonte]

Os respectivos bens resultam das doações de seu pai, D. João I de Portugal, ao condestável Nuno Álvares Pereira (na sequência dos feitos militares deste durante as guerras com Castela, 1383-1385), que depois passam em dote e herança para a sua única filha Beatriz Pereira Alvim, que vem posteriormente a casar com o referido Conde de Barcelos em Frielas, no dia 1 de novembro de 1401 (era de 1439).[3]

O segundo duque, dom Fernando I era filho segundo do primeiro duque, sucedendo no ducado por morte do seu irmão. Depois da referida doação de dom Nuno Álvares Pereira, por virtude de escambo realizado em 10 de novembro de 1424, entre o duque dom Fernando I e sua irmã dona Isabel, e seus descendentes, foram acrescentadas as terras de Paiva, Tendais e Lousada, confirmado em 9 de dezembro desse ano pelo rei dom Duarte.[4]

Casa de Bragança-Saxe-Coburgo-Gota[editar | editar código-fonte]

A Casa de Bragança-Saxe-Coburgo-Gota,[5] também chamada Casa de Bragança-Coburgo[6] e de Casa de Bragança-Wettin,[7] foi a última casa real que reinou em Portugal, resultante de ramo dinástico germânico-português que teve a sua origem na união matrimonial da rainha D. Maria II de Portugal, da Casa de Bragança, com o príncipe D. Fernando de Saxe-Coburgo-Gota e Koháry, da Casa de Saxe-Coburgo-Gotadinastia Wettin.

No entanto, em Portugal, as mulheres sempre puderam ser herdeiras e ascender ao trono. Seguindo as leis hereditárias tradicionais portuguesas considera-se que a legitimidade dinástica dos Bragança passou para D. Maria II e para os seus herdeiros, continuando a existir a original Casa de Bragança e não um ramo dinástico separado. Sendo assim, a maioria dos historiadores portugueses não reconhece a existência de uma Casa de Bragança-Saxe-Coburgo e Gota, embora aos últimos Reis de Portugal, sucessores de D. Maria II, fosse recorrentemente dado o nome de Braganças-Coburgo[8] ou Braganças-Wettin.


Referências

  1. Serrão, Joel. «Casa de Bragança». Dicionário de História de Portugal. 1. Porto: Livraria Figueirinhas e Iniciativas Editoriais. p. 371. 3500 páginas 
  2. Em Portugal considerou-se que a Casa de Bragança não se extinguiu oficialmente com este casamento, continuando a Casa de Bragança, embora com o nome da Casa de Saxe-Coburgo-Gota associado, a ser a casa reinante em Portugal. A Carta Constitucional portuguesa de 1826, que foi a constituição portuguesa até a implantação da república em 1910, estabelece no seu artigo 5º: "Continua a Dinastia Reinante da Sereníssima Casa de Bragança na Pessoa da SENHORA PRINCESA DONA MARIA DA GLÓRIA, pela Abdicação, e Cessão de Seu Augusto Pai o SENHOR DOM PEDRO I, IMPERADOR DO BRASIL, Legítimo Herdeiro e Sucessor do Senhor Dom João VI.".«Carta Constitucional de 29 de Abril de 1826, no site da Faculdade de Direito da Universidade Nova de Lisboa.» (PDF)  Assim também estabeleceu a constituição portuguesa de 1838, que logo seria abolida, em 1842, por um golpe de Estado liderado pelo político Costa Cabral, que teve a conivência da rainha D. Maria II, e que restaura a constituição portuguesa de 1826. A constituição portuguesa de 1826 vigeu em Portugal até a implantação da república, em 1910. O artigo 5º da constituição portuguesa de 1838 também estabelece: "A Dinastia reinante é a da Sereníssima Casa de Bragança, continuada na Pessoa da Senhora D. Maria II, actual Rainha dos Portugueses.".«Constituição portuguesa de 1838, no site da Faculdade de Direito da Universidade Nova de Lisboa.» (PDF) 
  3. Ventura Ledesma Abrantes, O património da Sereníssima casa de Bragança em Olivença, Lisboa, Edição de Álvaro Pinto, 1954, p. 27
  4. Provas da História Genealógica da casa Real, tomo 3.º, p. 518
  5. Almanach de Gotha (175th ed.). Justus Perthes. 1938. pp. 112.
  6. PINTO, Albano Anthero da Silveira; VISCONDE, Augusto Romano Sanches de Baêna e Farinha; Resenha das familías titulares e grandes de Portugal (Volume 1). Lisboa: Empreza Editora de Francisco Arthur da Silva, 1883. Página 313
  7. Maclagan, Michael (2002). Lines of Succession. [S.l.]: Time Warner Books. 187 páginas. ISBN 0316724289 
  8. PINTO, Albano Anthero da Silveira; VISCONDE, Augusto Romano Sanches de Baêna e Farinha; Resenha das familías titulares e grandes de Portugal (Volume 1). Lisboa: Empreza Editora de Francisco Arthur da Silva, 1883. Página 313

Ver também[editar | editar código-fonte]

Ligações externas[editar | editar código-fonte]